domingo, 29 de dezembro de 2013

Biografia de Miguel de Cervantes


Retrato de Cervantes, feito
por Juan de Jáuregui, por
volta de 1600 (modernos
estudiosos não acreditam que
esta ou qualquer outra seja
uma representação autêntica
de Cervantes).
Miguel de Cervantes Saavedra. Nasceu em Alcalá de Henares, a 29 de Setembro de 1547, e, faleceu em Madrid, a 22 de Abril de 1616. Cervantes foi romancista, dramaturgo e poeta castelhano. A sua obra-prima, Dom Quixote, muitas vezes considerado o primeiro romance moderno, é um clássico da literatura ocidental e é regularmente considerado um dos melhores romances já escritos. Seu trabalho é considerado entre os mais importantes em toda a literatura. A sua influência sobre a língua castelhana tem sido tão grande que o castelhano é frequentemente chamado de La lengua de Cervantes (A língua de Cervantes).


Resumo

“Alistou-se como soldado, embarcando na frota comandada por D. João de Áustria e assistiu à gloriosa Batalha de Lepanto, em 7 de Outubro de 1571. Um tiro de arcabuz e sobretudo a imperícia dos cirurgiões, fizeram-lhe perder o uso da mão esquerda. Regressava à Espanha em 1575, quando a galera em que ia foi aprisionada por piratas. Do seu cativeiro, onde levava uma existência miserável, cheia de maus tratos, foi resgatado pelos religiosos da Trindade pela considerável soma de 500 ducados. Ao chegar finalmente ao seu país, depois de ter estado cativo durante cinco anos, só se lhe deparou a indigência, que o obrigou a retomar a carreira das armas”. Retornando à vida civil, experimentou diversas profissões, terminando por se dedicar inteiramente à literatura. Já casado (com Catarina de Palacios), em 1585, publicou seu primeiro livro, A Galateia, romance pastoral que lhe granjeou alguma fama. Conseguiu, depois, que lhe encenassem cerca de vinte peças. Mas ainda estava bem distante da celebridade quando, em 1604, publicou a primeira parte de sua obra-prima e uma das maiores obras da literatura universal em todos os tempos, O Engenhoso Fidalgo Dom Quixote da Mancha (El Ingenioso Hidalgo Don Quijote de la Mancha), que em geral se menciona apenas como Dom Quixote e cuja segunda parte foi publicada em 1615. entre as inúmeras obras que Cervantes deixou, além do Dom Quixote, são famosas em todo o mundo as suas Novelas Exemplares. “Bastariam as Novelas Exemplares, disse um crítico, para dar a Cervantes um lugar entre os mais eminentes novelistas espanhóis; Dom Quixote eleva-o à categoria dos maiores escritores mundiais de todos os tempos”.

Dom Quixote

Primeira edição de Dom Quixote.
Publicado entre 1604 e 1615, trata-se, em princípio, de uma sátira aos romances de cavalaria, então muito em voga. Um velho fidalgo, confinado em seu castelo, passa o tempo a ler esses romances e perde o juízo. Julga-se, ele próprio, um cavaleiro andante, destinado a libertar princesas tiranizadas, castigar algozes e bárbaros e encher toda a Terra com o clamor dos seus feitos. Cobrindo-se com um antigo capacete enferrujado e vestido com uma armadura que jazia esquecida em seu celeiro, abandona o solar e vai à procura de aventuras, montado num cavalo magro, o célebre Rocinante. Faz-se armar cavaleiro pelo dono de uma pequena estalagem, a quem confere prerrogativas principescas, passa toda uma noite em oração e elege uma camponesa, por ele transformada em Dulcinéia del Toboso, como objeto de sua devoção e ideal cavalheiresco. Adotando para si mesmo o nome pomposo de Dom Quixote, Fidalgo da Mancha, posteriormente se faz acompanhar de um pobre lavrador, a quem dá o nome de Sancho Panza e nomeia seu escudeiro, prometendo-lhe, como prêmio da sua fidelidade e coragem, nada menos que toda uma ilha: a Barataria. Dom Quixote, que arremete contra moinhos de vento como se fossem dragões servindo de guarda a belas e inocentes princesas e Sancho, que procura trazê-lo à realidade e lhe
D. Quixote e Sancho Pança (ilustração de Gustave Doré).
diz que os vultos que se movem não são dragões, porém moinhos de vento mesmo, simbolizam o ideal e a realidade, ou, no dizer de Afrânio Coutinho: “o primeiro (Dom Quixote) o lado espiritual, sublime sob certos aspectos e nobre, da natureza humana; e o segundo (Sancho), o lado materialista, rude, animal”, ou, ainda, “o realismo renascentista e picaresco”. O estilo picaresco em que é composta a obra, isto é, burlesco, cômico, ridículo, com personagens ardilosas, velhacas, libertinas, torna o Dom Quixote um dos livros mais divertidos de todos os tempos e simultaneamente um dos mais profundos, de maior universalidade, pois que representa, em última análise, a “dualidade do ser humano, voltado para o céu e preso à terra”, segundo expressão do mesmo crítico. “Quanto ao estilo de Cervantes, diz Sismondi: é de uma beleza inimitável; nenhuma tradução se lhe aproxima sequer. Tem a nobreza, a candura dos antigos romances de cavalaria e, ao mesmo tempo, uma vivacidade de colorido, uma precisão de expressões, uma harmonia de períodos que nenhum outro escritor espanhol jamais conseguiu igualar”.


Biografia

Miguel de Cervantes Saavedra (Retratos de Españoles Ilustres, 1791).
Filho de um cirurgião cujo nome era Rodrigo e de Leonor de Cortinas, supõe-se que Miguel de Cervantes tenha nascido em Alcalá de Henares. O dia exato do seu nascimento é desconhecido, ainda que seja provável que tenha nascido no dia 29 de Setembro, data em que se celebra a festa do arcanjo San Miguel, pela tradição de receber o nome do santoral. Miguel de Cervantes foi batizado em Castela no dia 9 de Outubro de 1547 na paróquia de Santa María la Mayor. A carta do batismo reza: Domingo, nueve días del mes de octubre, año del Señor de mill e quinientos e quarenta e siete años, fue baptizado Miguel, hijo de Rodrigo Cervantes e su mujer doña Leonor. Baptizóle el reverendo señor Bartolomé Serrano, cura de Nuestra Señora. Testigos, Baltasar Vázquez, Sacristán, e yo, que le bapticé e firme de mi nombre. Bachiller Serrano.

 

 

Juventude


Em 1569 foge para Itália depois de um confuso incidente (feriu em duelo Antonio Sigura), tendo publicado já quatro poesias de valor. Sua participação na batalha de Lepanto, no ano 1571, onde foi ferido na mão e no peito, deixa-lhe inutilizada a mão esquerda que lhe vale o apelido de o manco de Lepanto. Em 1575, durante seu regresso de Nápoles a Castela é capturado por corsários de Argel, então parte do Império Otomano. Permanece em Argel até 1580, ano em que é liberado depois de pagar seu resgate.

Idade adulta

De volta a Castela se casa com Catalina de Salazar em 1584, vivendo algum tempo em Esquivias, povoado de La Mancha de onde era sua esposa, e se dedica ao teatro. Publica em 1585 A Galatea, o seu primeiro livro de ficção, no novo estilo elegante da novela pastoral. Com a ajuda de um pequeno círculo de amigos, que incluía Luíz Gálvez de Montalvo, com o livro um público sofisticado passou a conhecer Cervantes. Encarcerado em 1597 depois da quebra do banco onde depositava a arrecadação, "engendra" Dom Quixote de La Mancha, segundo o prólogo a esta obra, sem que se saiba se este termo quer dizer que começou a escrevê-lo na prisão, ou simplesmente que se lhe ocorreu a ideia ou o plano geral ali.

Vida literária

Finalmente, em 1605 publica a primeira parte de sua principal obra: O Engenhoso Fidalgo Dom Quixote de La Mancha. A segunda parte não aparece até 1615: O Engenhoso Cavaleiro Dom Quixote de La Mancha. Num ano antes aparece publicada uma falsa continuação de Alonso Fernández de Avellaneda. Entre as duas partes de Dom Quixote, aparecem as Novelas Exemplares (1613), um conjunto de doze narrações breves, bem como Viagem de Parnaso (1614). Em 1615 publica Oito comédias e oito entremezes novos nunca antes representados, mas seu drama mais popular hoje, A Numancia, além de O Trato de Argel, ficou inédito até ao final do século XVIII. Miguel de Cervantes morreu em 1616, parecendo ter alcançado uma serenidade final de espírito. Um ano depois de sua morte aparece a novela Os Trabalhos de Persiles e Sigismunda.

Morte

Estátua de Cervantes na Biblioteca Nacional de España, em Madri.
É bem conhecida a coincidência das datas de morte de dois dos grandes escritores da humanidade, Cervantes e William Shakespeare, ambos com data de falecimento em 23 de Abril de 1616. Porém, é importante notar que o Calendário Gregoriano já era utilizado na Castela desde o século XVI, enquanto que na Inglaterra sua adoção somente ocorreu em 1751. Daí, em realidade, William Shakespeare faleceu dez dias depois de Miguel de Cervantes. Cervantes, por outro lado, teria morrido em 22 de Abril de 1616, sexta-feira, tendo sido registrada a morte no sábado, dia 23, em sua paróquia, em San Sebastián. Conforme costume da época, no registro constava a data do enterro. Em 23 de Abril é comemorado o Dia do Livro na Espanha. Em 2011, um grupo de investigadores históricos e arqueólogos iniciaram uma busca pelos ossos do autor Miguel de Cervantes, num mosteiro em Madrid, onde os seus restos mortais foram depositados em 1616, não se sabendo exatamente em que parte do monumento. A iniciativa, que permite reconstruir o rosto do escritor, até agora só conhecido através de uma pintura do artista Juan de Jauregui, conta com o apoio da Academia Espanhola e o aval do arcebispado espanhol. A descoberta e conseqüente análise das ossadas do autor espanhol poderão ainda ajudar os investigadores a determinar as causas da morte de Cervantes, que se acredita que tenha morrido de cirrose.

Teatro

A única peça teatral trágica a sobreviver de Cervantes é O Cerco de Numancia, na qual é encenada a resistência desesperada da população desta cidade íbera contra as forças romanas que querem conquistá-la. Já o volume Oito Comédias e Oito Entremezes Nunca Antes Representados traz um excelente exemplo do humor cervantino, com seu pleno domínio das convenções da época; curioso notar as diferenças de tratamento existentes entre a novela exemplar O Ciumento de Extremadura e o entremez O Velho Ciumento, que apresentam basicamente a mesma história - a do marido que, para evitar ser traído, tranca a mulher em casa e proíbe-lhe qualquer contato com o mundo externo: Cervantes sacrifica, na peça, boa parte da sutileza da novela para produzir um efeito cômico mais imediato.

Cronologia

  • 1547 - Nasce Miguel de Cervantes Saavedra.
  • 1551 - O pai, Rodrigo, é preso por causa de dívidas de jogo.
  • Casa ocupada pelo escritor em Valladolid entre  1604 e 1606. Atualmente é um museu.
    1566 - A família instala-se em Madrid.
  • 1569 - Após incidente no qual teria ferido um homem, deixa Madrid e vai morar em Roma.
  • 1571 - Participa da batalha de Lepanto, contra os turcos. Ferido em combate, tem a mão esquerda inutilizada.
  • 1575 - Capturado por corsários, é levado para Argel, com seu irmão Rodrigo, onde fica cinco anos em cativeiro.
  • 1581 - Vai para Lisboa, onde escreve peças de teatro.
  • 1584 - De um romance com Ana Franca, nasce Isabel de Saavedra. Casa-se com Catalina de Palácios Salazar.
  • 1585 - Publica La Galatea. Morte do pai.
  • 1587 - É nomeado comissário real encarregado de recolher azeite e trigo para a Armada Invencível.
  • 1593 - Morte da mãe. Publicação do romance La casa de los celos.
  • 1597 - É preso em Sevilha, após ser condenado a pagar dívida exorbitante.
  • 1598 - Deixa a prisão. Morte de Ana Franca.
  • 1605 - É publicada a primeira parte de Dom Quixote.
  • 1613 - Ingressa na Ordem Terceira de São Francisco. Publicação de Novelas exemplares.
  • 1614 - Surge uma continuação de Dom Quixote, escrita por Avellaneda.
  • 1615 - Cervantes publica a segunda parte de Dom Quixote.
  • 1616 - Morre em Madrid, no dia 23 de Abril.

 

Notas

 
Sua assinatura é grafada Cerbantes com um b, mas ele passou a ser conhecido com a ortografia Cervantes, usada pelos publicadores de suas obras. Saavedra era o sobrenome de um parente distante. Ele adotou como seu segundo sobrenome após seu retorno da Berbéria. Os primeiros documentos assinados com os dois nomes de Cervantes, Cervantes Saavedra, aparecem vários anos depois de sua repatriação. Ele começou a acrescentar o segundo sobrenome (Saavedra, um nome que não corresponde à sua família imediata) ao seu patronímico em 1586-1587, nos documentos oficiais relacionados com o seu casamento com Catalina de Salazar.

Citações de Cervantes

  • "A diligência é a mãe da boa sorte".
- D. Quixote de la Mancha - Volume 3 - Página 132, Miguel de Cervantes Saavedra - Livraria Bertrand, 1959
  • Estátua de Cervantes na Plaza de la Universidad de Valladolid.
    "O ser humano se transforma de acordo com o que pensa. Somos frutos de nossas obras."
- El ser humano se transforma de acuerdo con lo que piensa. Somos fruto de nuestras obras.
  • "Quem não sabe governar a si próprio, como saberá governar os outros?"
- el que no sabe gobernarse á sí ¿cómo sabrá gobernar á otros?
- Don Quijote de la Mancha‎ - Tomo II Página 257, de Miguel de Cervantes Saavedra - Publicado por Establecimiento tipografico de D.F. de P. Mellado, 1856 - 536 páginas.
  • "Não há livro tão mau que não tenha alguma coisa de bom."
- No hay libro tan malo [...] que no tenga algo bueno
- El ingenioso Hidalgo Don Quijote de la Mancha‎ - Página 266, de Miguel de Cervantes Saavedra, Adolfo de Castro - Publicado por Imprenta y Liberia de Gaspar y Roig, 1864 - 540 páginas.
  • "Este que aqui vedes de rosto aquilino, de cabelo castanho, testa lisa e descarregada, de alegres olhos e de nariz curvo, embora bem proporcionado; as barbas de prata, que não há vinte anos eram de ouro, os bigodes grandes, a boca pequena, os dentes nem miúdos nem graúdos, pois não tem mais do que seis, e estes malpostos e pior dispostos, porque não têm correspondência uns com os outros; o corpo entre dois extremos, nem grande, nem pequeno; a cor viva, mais branca do que morena, as costas algum tanto encurvadas e os pés não muito ligeiros; este digo que é o rosto do autor de A galatéia e de D. Quixote, e de quem fez a Viagem ao Parnaso, à imitação da de Cesare Carali Perusino, e outras obras que por aí andam desgarradas, e talvez sem o nome de seu dono. Chama-se comumente Miguel de Cervantes Saavedra. Foi soldado muitos anos e cinco e meio cativo, onde aprendeu a ter paciência nas adversidades. Perdeu a mão esquerda de uma arcabuzada na batalha naval de Lepanto, ferida que, embora pareça feia, ele a tem por formosa, por tê-la recebido na mais memorável e alta ocasião que viram os passados séculos e esperam ver os vindouros, militando sob as vencedoras bandeiras do filho do corisco de guerra, Carlo Quinto, de feliz memória."
- em Novelas exemplares, provavelmente um auto-retrato que é a imagem mais próxima da aparência que teria tido.
  • "As grandes paixões, aquelas que chegam de repente, sempre trazem consigo as suspeitas".
- las grandes venturas que vienen de improviso, siempre traen consigo alguna sospecha.
- Trabajos de Persiles y Sigismunda - Página 203, Miguel de Cervantes – 1802.
  • "É o ciúme, turbador da tranqüila paz amorosa! Ele é punhal que mata a mais firme das esperanças!"
- O zelos turbadores de la sosegada paz amorosa! zelos, cuchillo de las mas firmes esperanzas!
- Los seis libros de Galatea - Volume 1, Página 290, Miguel de Cervantes Saavedra - por don Antonio de Sancha, se hallará en su librería, 1784 - 304 páginas.
  • "Essa enfermidade a que os amantes chamam de ciúme, e a que melhor chamariam desespero raivoso, tem por componentes a inveja e o menosprezo. Quando tal enfermidade domina a alma enamorada, não existe ponderação que a sossegue, nem remédio que a possa curar".
- esta enfermedad que los amantes llaman celos, que la llamaran mejor desesperacion rabiosa, entran ála parte con ella la envidia y el menosprecio, y cuando una vez se apodera del alma enamorada, no hay consideracion que la sosiegue, ni remedio que la valga.
- Trabajos de Persiles y Sigismunda - página 255, Miguel de Cervantes Saavedra, Librería de San Martín, Plus Ultra, 1859, 360 páginas.

Atribuídas

  • "A liberalidade é uma das mais agradáveis virtudes de quem ganha fama de a ter."
  • "A liberdade, Sancho, não é um pedaço de pão."
  • "A pobreza jamais foi desfeita com o ócio ou com a preguiça."
  • "A virtude é mais perseguida pelos maus do que amada pelos bons."
  • "Beneficiar vilões é deitar água no mar."
  • "Contra quem cala não há castigo nem respostas."
  • "Deixe seu filho caminhar por onde sua estrela o chama."
  • "É doce o amor da pátria."
  • "Elimine a causa que o efeito cessa."
  • "História, a êmula do tempo, depósito das ações, testemunho do passado, exemplo do presente, advertência do futuro."
  • "Não desejes e serás o homem mais rico do mundo."
  • "Não há regra sem exceção."
  • "Não há ressentimento que o tempo não faça esquecer, como não há dor que a morte não cure."
  • "O burro carregará seu fardo, mas não um fardo dobrado. Não conduza um animal livre para a morte."
  • "O ciúme olha com lentes de aumento, que fazem de pequenas, grandes cousas, transformam anões em gigantes e suspeitas em verdade."
  • "O hipócrita que parece querer ser homem de bem, não é tão execrável como o que tem vaidade dos seus êrros."
  • "O soldado melhor parece morto na luta do que livre na fuga."
  • "Os humildes são como a água que, quanto mais desce, mais alto podem subir"
  • "Quem é agradecido àqueles que lhe fazem bem, mostra que também o será a Deus, que tantos bens lhe fez."
  • "Quem perde seus bens, perde muito; quem perde um amigo, perde mais; mas quem perde a coragem, perde tudo."
  • "Sê breve em teus raciocínios, que a ninguém agrada ser longo".
  • "Sê pai das virtudes e padrasto dos vícios."
  • "Ser tirano não é ser, mas deixar de ser, e fazer que deixem de ser todos."
Miguel de Cervantes Saavedra


Referências

A Origem do Prendedor de Roupas


Prendedor de roupas
Prendedor, pregador ou mola é um instrumento utilizado usualmente para fixar melhor as roupas no varal, todavia, possui outros usos. Foi criado em 1853.



Design

O prendedor de roupas de uma peça de madeira foi inventado pela comunidade Shaker (veja abaixo) em 1700. Uma versão posterior foi patenteada por Jérémie Victor Opdebec. Este projeto mais antigo não usa molas, é formado de uma única peça, com uma pequena distância entre suas pontas, esta forma de prendedor é comumente construído de plástico ou, originalmente, de madeira. Na Inglaterra, a fabricação dos prendedores costumava ser uma arte associada aos ciganos, que faziam pequenos ou compridos, de salgueiro ou de madeira de freixo.

Galeria de imagens






Prendedores de madeira feitos à mão a partir dos anos 1940.




Escultura na Filadélfia.

Prendedor gigante em Mouchard em Jura (França).

Escultura em Petah Tikva, Israel.

Miniatrua de um prendedor de roupas.



Pen drive

 
Hoje os prendedores de roupas são de fabricação muito barata através da criação de dois pinos de plástico ou madeira interligados, entre os quais, muitas vezes, é fixado uma mola. Este modelo foi inventado por David M. Smith de Springfield, Vermont, em 1853. O modelo de Smith foi aperfeiçoado por Solon E. Moore em 1887. Ele acrescentou o que ele chamou de "ponto de apoio em espiral" feita a partir de um único fio.

Dia do Prendedor
Um número pequeno, mas crescente, de pessoas, estão comemorando o dia do prendedor de roupas a 6 de Maio, que muitas vezes cai num feriado bancário no Reino Unido, com o tempo ensolarado pertinente.

Os Shakers

Dança shaker e adoração.
A Sociedade Unida de Crentes na Segunda Aparição de Cristo, conhecidos como Shakers ou Shaking Quakers, é uma organização religiosa originalmente descrita como um ramo dos Quakers protestantes. Fundada sobre os ensinamentos de Ann Lee, o grupo era conhecido por sua ênfase na igualdade social e a rejeição do matrimônio, o que levou à sua queda vertiginosa em números depois de que se reduziram sua grande participação no funcionamento de orfanatos. Com alguns sobreviventes na atualidade, são conhecidos por suas contribuições culturais (sobretudo no estilo de música e na marcenaria).

Referências

sábado, 28 de dezembro de 2013

Georges de Mestral: Inventor do Velcro


Velcro: ganchos à esquerda e voltas à direita.
(Imagem: Alberto Salguero).
Georges de Mestral. Nasceu em Nyon, a 19 de Junho de 1907, e, faleceu em Commugny, a 8 de Fevereiro de 1990. Mestral foi um engenheiro eletrônico suíço e inventor do Velcro.

Biografia

Túmulo de Georges de Mestral. 
(Imagem: DaPi at en.wikipedia).
Nasceu em Nyon, entre Geneva e Lausanne, na Suíça. Quando tinha 12 anos construiu um avião de brincar em madeira que mais tarde patenteou. Frequentou a Escola Politécnica Federal de Lausana. Depois de ter completado o curso começou a trabalhar numa loja de máquinas de uma empresa de engenharia. No seu tempo livre era um montanhista amador e quando estava num dos seus habituais passeios pela montanha,e apercebeu-se que as sementes do arctium colavam constantemente na sua roupa e no pêlo do seu cão durante sua caminhadas diárias pelos Alpes. Examinando o material através de um microscópio, conseguiu distinguir diversos filamentos entrelaçados terminando em pequenos ganchos, causando assim a grande aderência nos tecidos. Apesar da resistência da sociedade a esta ideia, De Mestral fundou a sua própria companhia e em 1951 patenteou o Velcro, vendendo 55.000km por ano, tornou-se então um multimilionário. Quando o seu pai morreu em 1966, De Mestral herda o castelo Suíço de Saint-Saphorin-sur-Morges. A 8 de Fevereiro de 1990 morre em Commugny, na Suíça.

Cronologia

  • 1907 - Nasce o seu pai, Albert-Georges-Constantin de Mestral (1878-1966) um engenheiro agrônomo.
  • 1919 - Com 12 anos, regista a sua primeira patente, um avião de brincar.
  • Estuda engenharia eléctrica na Escola Politécnica Federal de Lausana.
  • 1941 - Inventa o Velcro.
  • 1951 - Regista a patente do "Velcro" na Suíça.
  • 1952 - Regista a patente do "Velcro" nos outros países.
  • 1952 - Funda a Velcro SA com a ajuda da "Gonet & Co", Velcro torna-se assim uma marca conhecida.
  • O Velcro começa a ser utilizado pela NASA, nos fato dos astronauta dentro das naves espaciais.
  • 1966 - Após a morte do seu pai herda o castelo de Saint-Saphorin-sur-Morges.
  • 1978 - Fim da validade da patente.
  • 1990 - Morre a 8 de Fevereiro de 1990.

Produção

55.000km por ano ou seja quatro vezes mais que o diâmetro da Terra.

O Velcro

Velcro é a marca de um conector consistido em ganchos e voltas usado para conectar objetos. O termo VELCRO é marca registrada na maioria dos países para uma empresa dos Estados Unidos.

História


Pequenos ganchos de Arctium.
original file: user:Pethan; this version: User:Jahoe.).
O velcro foi inventado em 1948 por Georges de Mestral, um engenheiro da Suíça. Ele inspirou-se após analisar atentamente as sementes de Arctium que grudavam constantemente em sua roupa e no pêlo de seu cão durante suas caminhadas diárias pelos Alpes. Georges examinou o material através de um microscópio e distinguiu diversos filamentos entrelaçados terminando em pequenos ganchos, causando a potente aderência dos carrapichos nos tecidos. Por fim concluiu ser possível a criação de uma material para unir dois materiais de maneira reversível e simples. Desenvolveu o produto e submeteu a ideia para patente em 1951. O pedido suíço foi seguido por outras patentes nacionais, desta vez através de sua companhia Velcro S.A. A partir do relatório descritivo da patente dos Estados Unidos US 2,717,437 pode-se ver a aparente simplicidade da invenção. O nome VELCRO é uma referência as palavras em francês velours (que significa veludo) e crochet (que significa gancho). Atualmente o uso e aplicação do produto são várias, e a palavra velcro tornou-se um termo genérico para referir-se ao material.

Composição

Imagem ampliada dos ganchos. 
(Imagem: Microphotographer: Akroti).
O velcro consiste em duas camadas: o lado do gancho, que é um pedaço de tecido coberto por pequenos ganchos plásticos; o lado da volta, que é cobertos por ainda menores pedaços de voltas plásticas. Existem variações para o sistema que incluem, por exemplo, ganchos em ambos as camadas. Quando os lados são pressionados os ganchos envolvem as voltas e as peças são mantidas juntas. Quando as camadas são separadas é gerado um som bastante característico do material.

Uso

Tênis com fecho de velcro. 
(Imagem: http://flickr.com/photos/evert-jan/72470950/).
A força da ligação entre as duas camadas do velcro depende do quanto os ganchos estão ligados às voltas e a natureza da força que está forçando sua separação. Se o material é usado para unir duas superfícies rígidas a ligação é particularmente forte pois a força de separação das camadas é distribuída por todos os ganchos. Duas maneiras para maximizar a força da ligação entre duas ou mais peças incluem aumentar a área de ligação e assegurar que a força de separação é aplicada paralelamente ao plano de superfície do velcro (por exemplo, puxando-se as bordas).

Referências


Earle Dickson: o Inventor do Band-Aid


Earle Dickson
Earle Dickson. Nasceu em 10 de Outubro de 1892, e, faleceu em 21 de Setembro de 1961. Dickson foi um inventor americano muito conhecido por ter inventado os pensos (português europeu) ou band-aid (português brasileiro). Dickson era um empregado da empresa americana Johnson & Johnson. A sua esposa cortava-se muitas vezes na cozinha, então, em 1920, Dickson lembrou-se de cortar um grande pano de algodão da fábrica em que trabalhava em pequenos quadrados, e sempre que a sua mulher se cortava ele punha um daqueles pequenos quadrados na ferida com adesivo e cobria com um pano resistente e cozia-os . A sua esposa adorou a invenção, de fato era fascinante, pois, as feridas cicatrizavam quase duas vezes mais rápido. O seu patrão James Wood Johnson gostou da sua idéia e, em 1924,
Band-Aid tradicional. (imagem: Svetlana Miljkovic).
instalou máquinas na sua fábrica para produzir em massa a sua invenção, foi um sucesso logo de imediato. Dickson foi então promovido a vice-presidente da fábrica.







Band-Aid

Band-aid (bandeide) ou penso-rápido é um curativo adesivo da Johnson para proteger pequenos ferimentos e que mantém a umidade natural da pele, acelerando a cicatrização. Sua grande variedade se adapta a diferentes machucados e locais do corpo. O termo Band-Aid (do inglês band, "faixa", "penso"; e aid, "ajuda") é uma marca registrada da Johnson & Johnson. Apesar de seu registro, muitas pessoas na América do Norte, Austrália e Brasil usam o termo band-aid genericamente, se referindo a qualquer tipo de curativo (semelhantemente ao que aconteceu às marcas Gillette, Xerox e Jeep). Esse tipo de curativo é conhecido em outras partes do mundo como emplastro (ou, no Reino Unido, Elastoplast: outra marca registrada também usada coloquialmente). Uma tradução livre melhor para o Brasil seria "faixa de ajuda".

História

O band-aid foi inventado em 1920 por Earle Dickson, funcionário da “Johnson & Johnson”, para sua esposa. O protótipo do produto permitiu, a sua esposa, cobrir suas feridas sem auxílio. Dickson sugeriu a ideia a sua empresa, que passou a produzir o produto e vendê-lo como band-aid. Dickson, mais tarde, se tornou vice-presidente da Johnson & Johnson até sua aposentadoria. Os primeiros curativos produzidos não foram muito populares. Em 1924, a Johnson & Johnson apresentou a primeira máquina que produzia band-aids esterilizados. Na Segunda Guerra Mundial (1939-1945), milhões de band-aids foram enviados para a Europa. Em 1951, os primeiros band-aids temáticos foram lançados, com decorações de personagens de desenhos animados, e se tornaram um grande sucesso desde então.


Referências
http://pt.wikipedia.org/wiki/Band-Aid

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Temistocleia, a primeira filósofa do mundo


Tholos
Temistocleia. (em grego antigo: Θεμιστόκλεια Δελφίς; c. 600 a.C.) foi uma filósofa, matemática e alta profetisa de Delfos.







Pitágoras
Temistocleia (o nome é muitas vezes soletrado como Themistokleia) foi uma profetisa de Delfos, um dos mais importantes oráculos da Antiguidade grega. De acordo com as fontes sobreviventes, ela é considerada a mestre de Pitágoras, embora também possa ter sido sua irmã. Depois de Pitágoras ter cunhado o termo filosofia, que lhe valeu o título de "pai da filosofia", ela tornou-se a primeira mulher na história à qual o termo "filósofa" foi aplicado. Diógenes Laércio destaca o papel de Temistocleia, em "The Lives and Opinions of Eminent Philosophers" ("A Vida e as Opiniões de Eminentes Filósofos"). Na seção "Vida de Pitágoras" Diógenes Laércio afirma que ela ensinou a Pitágoras as suas doutrinas morais. A informação é originalmente fornecida por Aristóxeno que "afirma que Pitágoras derivou grande parte da doutrina ética de Temistocleia, a profetisa de Delfos".

Referências