quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Biografia de Averróis


Averróis
Averróis. (Abü al-Walid Muhammad Ibn Ruchd). Filósofo árabe. Nasceu em Córdova em 1126, e, faleceu em Marraquexe em 1198. Averróis foi um filósofo, médico e polímata muçulmano andaluz. Seu nome “Averróis” é uma distorção latina do antropônimo árabe. Estudou diversas ciências e filosofia. Alcançou celebridade com sua obra Comentários Sobre Aristóteles, composta de duas partes: Schard (Grande Comentário) e Telkhis (Resumo). Considerado um dos maiores conhecedores da filosofia aristotélica, Averróis afirmava a subordinação da religião à filosofia quando as argumentações delas fossem contrastantes, e considerava a religião como uma filosofia simbólica para o vulgo. “Toda a originalidade do averroísmo consiste no alcance cosmológico e antropológico que deu à teoria do intelecto ativo. Esse intelecto é uma espécie de espírito da terra e espírito da humanidade, origem comum onde se enriquece cada inteligência, luz única e universal de que cada indivíduo recebe e se apropria dos raios, princípio de toda a comunhão intelectual e de toda a transmissão da ciência. O intelecto ativo é o único imortal: ora, esse intelecto é exterior, anterior e superior ao indivíduo; ontologicamente, é uma inteligência cósmica; psicologicamente, é a razão comum da nossa espécie; portanto, é à espécie e não ao indivíduo que pertence a imortalidade. Para Averróis, as teorias espalhadas acerca da vida futura eram ficções perigosas, na parte em que tendiam a fazer considerar a virtude como um meio de chegar à felicidade”. Precursor dos filósofos heréticos, no islamismo e no cristianismo, que rejeitavam o dogma da ressurreição dos mortos. Deixou também um tratado de medicina, traduzido para o latim com o título de Colliget.

Averróis era oriundo de uma família de estudiosos do Direito. Seu avô era cádi [juiz] principal de Córdova sob o regime dos Almorávidas. Seu pai tinha a mesma posição até a chegada da dinastia Almóada em 1146. O próprio Averróis foi nomeado cádi de Sevilha servindo nas cortes de Sevilha, Córdova e Marrocos durante sua carreira. Averróis foi um dos maiores conhecedores e comentaristas de Aristóteles. Aliás, o próprio Aristóteles foi redescoberto na Europa graças aos árabes, e os comentários de Averróis muito contribuíram para a recepção do pensamento aristotélico. Averróis também se ocupou com astronomia e direito canônico muçulmano. Sua filosofia é um misto de aristotelismo com algumas nuanças platônicas. A influência aristotélica se revela em sua ideia da existência
Estátua de Averróis em Córdova, Espanha.
do mundo de modo independente de Deus (ambos são co-eternos) e de que também não existe providência divina. Já seu platonismo aparece em sua concepção de que a inteligência, fora dos seres, existe como unidade impessoal. No âmbito religioso, sua interpretação do corão propõe que há verdades óbvias para o povo, místicas para o teólogo e científicas para o filósofo e estas podem estar em desacordo umas com as outras. Havendo o conflito, os textos devem ser interpretados alegoricamente. É daí que decorre a idéia que lhe é atribuída de que existem duas verdades, onde uma proposição pode ser teologicamente falsa e filosoficamente verdadeira e vice-versa. Dentre suas várias obras, uma das mais célebres é a intitulada Destruição da Destruição (em árabe Tahafut al-tahafut), também conhecida como Incoerência da Incoerência, onde defende o neoplatonismo e o aristotelismo dos ataques de outro filósofo árabe: al-Ghazali, também conhecido como Algazali. Seu pensamento provocou sérias discussões entre os cristãos latinos da Universidade de Paris. Como resultado, muitos aderiram à concepção de uma filosofia pura e independente da teologia cristã e formaram um grupo chamado de averroístas latinos. Os averroístas aceitam, com Aristóteles, a concepção de Deus como motor imóvel que move eternamente um mundo eternamente existente não feito nem conhecido por ele. Esta tese da eternidade do mundo choca com as concepções cristãs. Postulam que a alma individual do homem é perecível e corruptível; isto é, não é imortal. Finalmente, os averroístas defendem a teoria da dupla verdade: a teológica ou da fé e a filosófica ou da razão. Portanto, é verdade, de acordo com a fé, que a alma é imortal e o mundo é criado; mas também é verdade, de acordo com a razão, que a alma é corruptível e o mundo é eterno. Daqui se retirou, nos séculos XVIII e XIX, a defesa de uma total autonomia da razão perante a fé, que se opõe à tese agostiniana de que a verdade é única. As teses averroístas mais radicais foram condenadas pela Igreja Católica. Tomás de Aquino, tendo sido um seguidor de Averróis, opôs-se no entanto ao seu naturalismo exclusivamente racional. Ernest Renan, o célebre autor francês da Vida de Jesus, onde se nega toda e qualquer intervenção do sobrenatural, iniciou a sua carreira acadêmica escrevendo sobre Averróis e o Averroísmo. Pela qualidade e pela amplitude da sua atividade como comentarista de Aristóteles é conhecido como “o Comentador”. Escreveu diversas obras polêmicas e médicas, mas são os seus comentários os que exercem uma influência decisiva no Ocidente para a adoção do aristotelismo. Escreveu também um importante tratado médico (Generalidades). Averróis teve o favor e a proteção dos califas da Espanha até que foi desterrado por al-Mansur, que considerou as opiniões do filósofo desrespeitosas e em desacordo com o Corão.


Jacob Anatoli traduziu suas obras do árabe para o hebraico nos ano de 1200. Seus escritos influenciaram o pensamento cristão da Idade Média e do Renascimento. No final do século XII, uma onda de fanatismo invade Al-Ándalus depois da conquista dos Almóadas, e, Averróis é desterrado e isolado na cidade de Lucena, perto de Córdova, proibindo-se as suas obras. Meses antes de sua morte, no entanto, foi reivindicado e chamado à corte em Marrocos. Muitas de suas obras de lógica e metafísica foram perdidas definitivamente como consequência da censura. Grande parte de sua obra tem sobrevivido somente através de traduções em hebraico e latim, e não em seu original em árabe.
Seu principal discípulo foi Ibn Tumlus (Alcira, provincia de Valencia, 1164-1223), que o sucedeu como médico de câmara do quinto califa almóada Al-Nasir.

Filosofia do conhecimento

 
A noética de Averróis, formulada em sua obra conhecida como Grande Comentário, parte da distinção aristotélica entre dois intelectos, o nous pathetikós (intelecto receptivo) e o nous poietikós (intelecto agente), que
Averróis, detalhe da pintura
A Escola de Atenas de Rafael
permitiu desligar a reflexão filosófica das especulações míticas e políticas. Averróis se esforçou para esclarecer como pensa o ser humano e como é possível a formulação de verdades universais e eternas por parte de seres perecíveis. O filósofo Averróis se distancia de Aristóteles ao salientar a função sensorial dos nervos e ao reconhecer no cérebro a localização de algumas faculdades intelectuais (imaginação, memória...). Averróis situa a origem da intelecção na percepção sensível dos objetos individuais, e, especifica o seu fim na universalização, que não existe fora da alma (o princípio dos animais): o processo consiste em sentir, imaginar e, finalmente, captar o universal. Este universal tem, além disso, a existência como ela é para o que é particular. Em todo caso, é o intelecto ou entendimento o que proporciona a universalidade ao que parte das coisas sensíveis. Assim, em sua obra Tahâfut, expõe a necessidade de que a ciência se adapte à realidade concreta e particular, pois não pode haver conhecimento direto dos universais. A concepção do intelecto em Averróis é cambiante, mas em sua formulação mais ampla distingue quatro tipos de intelecto, ou seja, as quatro fases que atravessa o entendimento na gênese do conhecimento: material(receptivo), habitual(que permite conceber tudo), agente(causa eficiente e formal de nosso conhecimento, intrínseco ao homem e que existe na alma) e adquirido(união do homem com o intelecto). Averróis distingue, ainda, entre dois sujeitos do conhecimento (mais propriamente: os sujeitos dos inteligíveis em ato): o sujeito mediante o qual esses inteligíveis são verdadeiros (as formas que são imagens verdadeiras) e o sujeito pelo qual os inteligíveis são um ente no mundo (intelecto material). Conseqüentemente, o sujeito da sensação (pela qual é verdadeira) existe fora da alma e o sujeito do intelecto (pelo qual este é verdadeiro), dentro.

Transcendência

Apesar da condenação de 219 teses averroístas por parte do bispo parisiense Étienne Tempier em 1277, por causa de sua incompatibilidade com a doutrina católica, muitas destas sobreviveram mais tarde na literatura das mãos de autores como Giordano Bruno ou Pico della Mirandola. Assim, encontramos nestes autores uma defesa da superioridade da vida contemplativa-teórica frente à vida prática (de acordo com a tese defendida por Aristóteles em sua Ética Nicomáquea, X ou em uma reivindicação do carácter instrumental-política da religião como uma doutrina destinada ao governo das massas incapazes de se dar uma lei a si mesmas por meio da razão. A lei religiosa, havia dito Averróis em sua Tahafut al-tahafut, proporciona a mesma verdade que o filósofo alcança indagando na causa e natureza das coisas; no entanto, isto não significa que a filosofia atue de modo algum nos homens cultos como substituto da religião: “os filósofos crêem que as religiões são construções necessárias para a civilização (...)”. A existência da religião também é necessária para a integração do filósofo na sociedade civil.


Outras teses que encontramos em Averróis são:


  • Que o mundo é eterno
  • Que a alma está dividida em duas partes, uma individual perecível (intelecto passivo) e outra divina e eterna (intelecto ativo).
  • O intelecto ativo é comum a todos os homens.
  • O intelecto ativo se converte em intelecto passivo quando se está unido à alma humana. Quando a faculdade imaginativa do homem recebe as imagens que lhe proporciona a atividade dos sentidos, transmite-as ao intelecto passivo. As formas, que existem em potencial em tais imagens, são atualizadas pelo intelecto ativo, convertendo-se em conceitos e julgamentos.


A fim de salvar a incompatibilidade das teses averroístas com a doutrina cristã, Siger de Brabant propôs a doutrina da dupla verdade, segundo a qual há uma verdade religiosa e uma verdade filosófica e científica. Esta doutrina seria adotada pela maioria dos defensores europeus do averroísmo.


Resumo do Kitab fasl al-maqal


Tratado decisivo que determina a natureza da relação entre Religião e Filosofia


  • A Lei obriga a fazer estudos de Filosofia
    • Se os estudos teológicos do mundo são filosóficos, e a Lei obriga a realizar tais estudos, então, a Lei obriga a fazer filosofia.
    • A Lei obriga a realizar estes estudos.
    • Estes estudos devem ser realizados da melhor maneira, através do raciocínio demonstrativo.
    • Para dominar este instrumento, o pensador religioso deve levar a cabo um estudo preliminar de lógica, da mesma maneira que um advogado tem que estudar o raciocínio jurídico. Isto não é mais herético em um caso que no outro. E a lógica tem que ser aprendida dos mestres da Antigüidade, independentemente do fato de que não sejam muçulmanos.
    • Depois da lógica devemos proceder a filosofar corretamente. Também aqui devemos aprender de nossos predecessores, como nas matemáticas e nas leis. Portanto, é errado proibir o estudo da filosofia antiga. O perigo que pode apresentar é acidental, tal como o perigo de tomar remédio, tomar água ou estudar leis.
    • Para cada homem a Lei tem previsto um caminho para a verdade de acordo à sua natureza, através de métodos demonstrativos, dialéticos ou retóricos.
  • A Filosofia não contém nada que se opõe ao Islã
    • A verdade demonstrativa e a verdade das escrituras não podem estar em conflito.
    • Se o significado aparente das Escrituras está em conflito com as conclusões da demonstração, então devem ser interpretadas alegoricamente, isto é, metaforicamente.
    • Com relação à estas questões tão difíceis, o erro cometido por um juiz qualificado na matéria é perdoado por Deus, enquanto que o erro por parte de uma pessoa não entendida na matéria não é perdoado.
  • As interpretações filosóficas das Escrituras não deveriam ser ensinadas à maioria. A Lei fornece outros métodos para ensinar.
    • O propósito das Escrituras é ensinar as ciências teóricas e práticas e a prática e as atitudes corretas.
    • Quando se usam símbolos, cada tipo de pessoas, demonstrativas, dialéticas ou retóricas devem tratar de entender o sentido interior simbolizado ou subtrair o conteúdo com o sentido aparente, de acordo com as suas capacidades.
    • Explicar o sentido interno para pessoas que não estão capacitadas para entender, é destruir a sua fé no sentido aparente sem substituí-lo por outra coisa. O resultado é a descrença em alunos e professores. É melhor para o estudioso professar a ignorância, citando o Corão sobre os limites da compreensão humana.
    • Os métodos apropriados para ensinar as pessoas estão indicados no Corão, como fizeram os primeiros muçulmanos. As partes populares do Livro são maravilhosas em responder às necessidades de todo tipo de mentes.
 

Citações de Averróis

 

  • Os filósofos acreditam que as leis religiosas são artes políticas necessárias”.
- Citado em o Livro da Filosofia (pg. 83) - Editora Globo - ISBN 978-85-250-4986-5


Averróis na literatura

Averróis é o protagonista da história “La busca de Averroes” em El Aleph, de Jorge Luis Borges.


Referências

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Os Melhores Atiradores de Elite da História


Atirador de Elite com uma arma de calibre .50, capaz de perfurar veículos.
Um atirador especial ou franco-atirador é um soldado de infantaria ou de uma força de segurança especializado em armas e tiro de precisão. Persegue e elimina inimigos selecionados com um único tiro de arma de precisão (fuzil, espingarda ou carabina). Outras denominações pelas quais são conhecidos os atiradores especiais são: atirador furtivo, atirador de escolta, atirador de elite, simplesmente atirador ou pelo termo em inglês, sniper, que tem sua origem na Guerra Civil Americana, no século XIX. Um oficial do exército dos Estados Confederados da América teve a idéia de criar um grupo de atiradores de elite para, durante as batalhas, atingirem os oficiais do Norte a distância, desestabilizando seu comando. Esses atiradores foram recrutados entre colonos da fronteira, em geral caçadores, que eram muito hábeis com seus rifles ao caçar vários animais, entre eles pássaros pequenos e muito rápidos: snipe, ("narceja") que para serem atingidos, tinham que ser alvos de tiros de muita precisão. Por essa característica, passaram a ser conhecidos como snipers. O país que primeiro utilizou de forma sistemática snipersem suas tropas foi o Império alemão, durante a Primeira Guerra. Depois foi imitado por outros e na Segunda Guerra, todos os exércitos tinham escolas exclusivas para sua formação.

Snipersque entraram para a história

Vassili Zaitsev. Nasceu em Eliniski, Óblast de Cheliabinsk, Rússia, a 23 de Março de 1915, e, faleceu em Kiev, Ucrânia, a 15 de Dezembro de 1991. Foi um soldado russo, notabilizado como franco-atirador durante a Batalha de Stalingrado, na Segunda Guerra Mundial, com um total de 242 soldados e oficiais alemães mortos no conflito e 468 ao fim da guerra. Zaitsev era neto de caçador e aprendeu a atirar ainda criança, caçando em Eliniski, sua terra natal junto aos Montes Urais, onde vivia como pastor. Inicialmente foi incorporado na infantaria da marinha e chegou a Stalingrado em 20 de Setembro de 1942, com a 284ª Divisão de Fuzileiros. Ele fixava uma mira
Filme Círculo de Fogo
telescópica no seu fuzil Mosin-Nagant modelo M91/30, calibre 7,62 x 54mm, que facilmente penetrava os capacetes dos alemães, causando dezenas de mortes por tiros certeiros na cabeça. Os números divulgados pelos soviéticos naquela época apontam estimativas de que mais de mil alemães foram mortos por franco-atiradores durante a Batalha de Stalingrado, sendo anunciado que Zaitsev fora responsável por 225 dessas mortes (232 e 242 em outras fontes). Ao fim da guerra, este número subiria para cerca de 468, antes de Zaitsev ser cegado por um morteiro. Ele também atuou como instrutor de franco-atiradores do Exército Soviético. Após seus serviços prestados na Grande Guerra Patriótica, ele saiu do exército e foi trabalhar em uma fábrica. Sua história foi contada no filme "Círculo de Fogo".

Simo Häyhä em 17 de Fevereiro de 1940...
Simo Häyhä. Nasceu em Rautjärvi, a 17 de Dezembro de 1905, e, faleceu em Hamina, a 1 de Abril de 2002. Apelidado de "Morte Branca" (em russo: Белая смерть, transl. Belaya Smert; em finlandês: Valkoinen Kuolema; em sueco: den Vita Döden) ou "Provocador" pelo exército soviético, foi um soldado finlandês e o mais eficiente franco-atirador da história. Häyhä nasceu na cidade de Rautjärvi, próxima à atual fronteira entre a Finlândia e a Rússia. Fazendeiro de profissão, cumpriu o serviço militar obrigatório de um ano em 1925, sendo convocado em 1939 após a eclosão da Guerra de Inverno entre a Finlândia e a União Soviética. Estacionado na área norte do Lago Ladoga, passou a servir como franco-atirador. Trabalhando em temperaturas que iam dos -20ºC aos -40ºC e usando uma camuflagem totalmente branca, Häyhä é creditado por mais de 500 mortes confirmadas de soldados soviéticos. Uma contagem diária de baixas era feita no campo de batalha de Kollaa, e os relatórios não-oficiais finlandeses estimam em 542 o número de mortes atribuído a ele. Häyhä usou uma variante do rifle soviético Mosin-Nagant, pois se adequava a sua baixa estatura. Para não se expor em seus esconderijos, ele preferia usar miras comuns ao invés das telescópicas, pois com esta última o atirador deve erguer um pouco a cabeça, além de haver o risco da lente refletir a luz do sol. Outra tática usada por Häyhä era compactar a neve à sua frente para que o tiro
Simo Häyhä promovido em 28 de Agosto de 1940.
não a soprasse, revelando sua posição. Ele também colocava neve na boca, escondendo assim quaisquer sinais que sua respiração pudesse provocar. Além das mortes como franco atirador, Simo Häyhä foi creditado também por abater mais de duzentos soldados inimigos com uma submetralhadora Suomi M-31, elevando assim sua marca para 705 mortes. Este fato, no entanto, nunca foi comprovado. A marca de mais de 500 mortes foi alcançada num período de 100 dias, com Häyhä atingindo o número recorde de cinco por dia, praticamente uma morte a cada hora do curto dia de inverno. O exército soviético tentou executar vários planos para se livrar dele, incluindo contra-ataques com franco atiradores e assaltos de artilharia, até que em 6 de Março de 1940 Häyhä foi atingido por um tiro na mandíbula durante combate corpo-a-corpo. Com o impacto, o projétil girou e atravessou-lhe o crânio. Ele foi resgatado por soldados aliados, que disseram "faltar metade de sua cabeça". Ficou inconsciente até 13 de Março, um dia após a assinatura do tratado de paz que pôs fim ao conflito. Pouco depois, Häyhä foi promovido de cabo a primeiro-tenente pelo marechal-de-campo Carl Gustaf Emil Mannerheim. Nenhum outro soldado jamais conseguiu uma escalada de posto tão rápida na história militar da Finlândia. Velhice: Häyhä levou vários anos para se recuperar do ferimento. A bala, provavelmente explosiva, havia quebrado sua mandíbula e arrebentado sua bochecha esquerda. Apesar de tudo, ele se recuperou totalmente, tornando-se caçador de alce e criador de cachorros após a Segunda Guerra Mundial. Em 1998, ao ser perguntado sobre como conseguiu se tornar um atirador tão bom, ele respondeu, "prática". Questionado se tinha remorsos por ter matado tantas pessoas, ele disse, "fiz o que me mandaram fazer, da melhor forma possível". Simo Häyhä passou seus últimos anos em uma pequena vila chamada Ruokolahti, localizada no sudeste da Finlândia, próxima à fronteira com a Rússia.

Lyudmila Mikhailivna Pavlichenko. Nasceu em Bila Tserkva, Império Russo, a 12 de Julho de 1916, e, faleceu em Moscow, Russia, a 10 de Outubro de 1974. Lyudmila foi uma franco-atiradora soviética durante a II Guerra Mundial. A ela foi creditada a morte de 309 soldados alemães, e é até hoje considerada a franco-atiradora feminina mais bem sucedida na história. Aos quatorze anos mudou-se para Kiev com sua família. Nesta época, associou-se em um clube de tiro local, vindo a tornar-se uma exímia atiradora. Trabalhou em uma fábrica de armamentos em Kiev, até sua entrada na Universidade em 1937. Como aluna da Universidade de Kiev, defendeu em seu mestrado a vida de Bohdan Khmelnytsky. Em Junho de 1941, aos 24 anos de idade Pavlichenko já estava em seu quarto ano de história na Universidade de Kiev, quando a Alemanha nazista começou a invasão da União Soviética. Pavlichenko estava entre os primeiros da lista de voluntários para recrutamento. Onde foi selecionada para participar da infantaria e posteriormente, ela foi designada para o 25º Exército Vermelho -Divisão de Infantaria. Pavlichenko tinha então a opção de se tornar uma enfermeira, mas recusou, sua intenção era participar ativamente dos combates. Desta forma se tornou um dos 2.000 atiradores de elite do sexo feminino no Exército Vermelho, dos quais somente cerca de 500, sobreviveria à guerra. Como atiradora furtiva, fez sua primeira vítima nas proximidades de Belyayevka, usando um rifle de ferrolho Mosin-Nagant, com luneta. Tipo de rifle comum entre os atiradores russos e que se tornaria famoso nas mão de outro atirador furtivo russo, Vassili Zaitsev. Pavlichenko lutou por mais ou menos dois meses e meio em Odessa, onde contabilizaria 187 mortes. Quando os alemães tomaram o controle de Odessa, sua unidade foi evacuada através do Mar Negro até o porto de Sevastopol na Península da Crimeia. Em Maio de 1942, já então Tenente, foi condecorada por ter matado 257 soldados alemães. Seu número total de mortes durante a Segunda Guerra seria de 309, incluindo 36 snipers e pelo menos 100 oficiais. Normalmente costumava trabalhar com um observador a uns 200-300m à frente de sua unidade, muitas vezes ficando imóvel por 18 horas seguidas. Em Junho de 1942, Pavlichenko foi atingida por um morteiro e foi retirada da batalha por quase um mês, até sua recuperação. Após a recuperação ela foi enviada para o Canadá e para os Estados Unidos, para uma visita pública e se tornou o primeiro cidadão soviético a ser recebido pelo presidente dos Estados Unidos, Franklin Roosevelt, que a recebeu na Casa Branca. Depois, ela foi convidada por Eleanor Roosevelt a fazer um tour pela América relatando suas experiências em combate. Como presente ganhou uma pistola Colt automática, e no Canadá foi presenteada com um rifle Winchester, que atualmente está no Museu das Forças Armadas de Moscou. Promovida a major, nunca mais voltou ao combate mas se tornou instrutora e treinou vários snipers soviéticos até a guerra terminar. Em 1943, ela recebeu a Estrela de Ouro de Herói da União Soviética, fato que rendeu sua imagem num selo comemorativo. Seu rifle preferido era um Rifle Tokarev SVT-40, semi-automático, conforme foto acima. Depois da guerra, ela terminou seus estudos na Universidade de Kiev e começou uma carreira como historiadora. De 1945 a 1953, foi assistente de pesquisas do Chefe do Quartel-General da Marinha Soviética. Em 1976, foi novamente lembrada em outra edição dos selos comemorativos. Sendo depois integrada ao Comitê Soviético de Veteranos da Guerra. Pavlichenko morreu dia 10 de Outubro de 1974, aos 58 anos, e foi enterrada no Cemitério Novodevichy em Moscou. Dois anos depois um navio cargueiro ucraniano seria batizado com seu nome.

Shanina em 1944.
Roza Yegorovna Shanina. Nasceu a 3 de Abril de 1924, e, faleceu a 28 de Janeiro de 1945. Roza foi uma franco-atiradora soviética durante a Segunda Guerra Mundial, creditada com 54 mortes confirmadas, incluindo 12 atiradores inimigos durante a Ofensiva de Vilnius. Os jornais ocidentais a descreviam como o "Terror invisível" da Prússia Oriental, se tornaria mais tarde a primeira mulher franco-atiradora a receber a extinta "Ordem of Glory", por ser a primeira mulher a servir na frente da Bielorússia, morreria mais tarde durante a ofensiva alemã.

Lobkovskaya comandando a companhia.
Nina Alexeyevna Lobkovskaya. Nasceu em c.1925, foi uma combatente russa que atuou como franco-atiradora para o Exército Vermelho soviético durante a Segunda Guerra Mundial. A ela foram creditadas 309 mortes durante a guerra. Por causa desse recorde, ela é considerada uma das melhores atiradoras de elite de todos os tempos.

Juba, O Atirador de Bagdá: biografia ficcional de autoria do brasileiro Carlos Latuff.
Juba(em árabe: جوبا, transl. Joba) é a alcunha atribuída pelas forças de ocupação no Iraque a um franco-atirador da resistência iraquiana. Seu nome se tornou popular a partir de uma matéria do jornal britânico The Guardian, publicada em 5 de Agosto de 2005. Muito embora a imprecisão das informações e as lendas urbanas que o cercam, aparentemente o seu modus operandi é situar-se em algum local oculto, a cerca de 200m de suas vítimas, efetuar um disparo e retirar-se imediatamente. Os relatos da imprensa indicam que nunca efetua um segundo disparo e costuma deixar como marcas registradas no local dos fatos o cartucho vazio e uma mensagem em árabe. Por vezes, atua em conjunto com um cinegrafista também oculto e vídeos com suas atuações são facilmente encontrados nas redes de troca de arquivo P2P e nos camelôs de Bagdá. Não foi determinado se é um único indivíduo ou se são diversos combatentes da resistência agindo do mesmo modo.

Referências

Biografia de Avicena


Avicena
Avicena. [Abu Ali al-Husayn ibn Siná – persa Pur-e-Sina: filho de Sina]. Filósofo e médico iraniano. Nasceu em Afshana, perto de Bukhara, em ca. 980, e, faleceu em Hamadan, Irã, em 1037. Avicena estudou diversas ciências, entre elas Medicina e Filosofia. A Medicina ocupa lugar destacado na obra de Avicena, que foi um clínico notável, deixando importantes tratados em que descreve com precisão várias doenças, entre as quais a meningite aguda, as febres eruptivas, a apoplexia etc. No campo filosófico, é considerado – ao lado de Averróis – um dos grandes conhecedores da filosofia aristotélica, muitas vezes comparado à Aristóteles e chamado por muitos de o “Príncipe dos Filósofos”, tentou harmonizar as teorias filosóficas aristotélicas à religião islâmica. Tanto o conhecimento filosófico como o da medina de Avicena, teve papel relevante no desenvolvimento do pensamento medieval. Entre suas obras figuram: Cânon de Medicina – obra em que encerra tratados estudados nas principais faculdades européias até a metade do século XVII; Poema da Medicina (trabalho em versos, no Cânon); Kitãb ach-Chifã (enciclopédia das ciências filosóficas). Segundo eminente historiador, a filosofia de Avicena era um conjunto de peripatetismo e de teorias orientais. Esse último elemento da doutrina, o mais importante segundo a opinião do próprio Avicena, era uma espécie de panteísmo. Como método, o famoso sábio deu uma classificação rigorosa das ciências, dividindo-as em: 1º – Ciência Superior, ou das coisas que estão fora da matéria (filosofia primária); 2º – Ciência Inferior, ou das coisas materiais (física); 3º – Ciência Média, ou das coisas que estão em relação com o que é material e com o que não é. Na sua teoria do ser distingue: 1º – O Possível, cuja existência não é necessária (as coisas que nascem e que se aniquilam); 2º – O Que é Possível em si mesmo é necessário por uma causa exterior (as esferas e as inteligências); 3º – O Que é Necessário em si mesmo (Deus)”.

Avicena foi um polímata persa, escreveu tratados sobre variado conjunto de
Exemplar do Cânon de 1597.
assuntos, dos quais, aproximadamente 240 chegaram aos nossos dias. Em particular, 150 destes tratados se concentram em filosofia e 40 em medicina. Suas obras mais famosas são o “Livro da Cura”, uma vasta enciclopédia filosófica e científica, e o “Cânone da Medicina” , que era o texto padrão em muitas universidades medievais., entre elas a Universidade de Montpellier e a Universidade Católica de Leuven, ainda em 1650. Ela apresenta um sistema completo de medicina em acordo com os princípios de Galeno e Hipócrates). Suas demais obras incluem ainda escritos sobre filosofia, astronomia, alquimia, geografia, psicologia, teologia islâmica, lógica, matemática, física, além de poesia. Ele é considerado como o mais famoso e influente polímata da Era de Ouro Islâmica.

Contexto

Avicena criou um extenso corpus literário durante a época geralmente conhecida como “Era de Ouro do Islão”, na qual traduções de textos greco-
Um desenho de Avicena de 1271
romanos, persas e indianos foram extensivamente estudados. Textos greco-romanos (médio, neoplatônicos e aristotélicos da escola de Kindi foram comentados, foram novamente editados e foram substancialmente desenvolvidos pelos intelectuais islâmicos, que também evoluíram a partir de sistemas matemáticos, astronômicos, de álgebra, trigonometria e medicina hindus e persas. A dinastia Samânida, na parte oriental da Pérsia, chamada de Grande Khorasan e na Ásia Central e também a dinastia Búyida na parte ocidental da Pérsia e do Iraque estimularam uma atmosfera propícia para o desenvolvimento cultural e acadêmico. Sob os Samânidas. Bucar a rivalizava com Bagdá como a capital cultural do mundo islâmico. O estudo do Corão e do Hadith floresceu neste ambiente. A filosofia (Fiqh) e a teologia (Kalam) também se desenvolveram, principalmente pelas mãos de Avicena e seus adversários. Al-Razi e Al-Farabi providenciaram a metodologia e o conhecimento necessário sobre medicina e filosofia. Avicena teve acesso às grandes bibliotecas de Balkh, Khwarezm, Gorgan, Rey, Isfahan e Hamadan. Vários textos (como o Ahd with Bahmanyar) mostram que ele debateu pontos filosóficos com os grandes acadêmicos de seu tempo. Aruzi Samarqandi descreve como Avicena, antes de deixar Khwarezm, conhecera Abu Rayhan Biruni (um famoso cientista e astrônomo), Abu Nasr Iraqi (um renomado matemático), Abu Sahl Masihi (um respeitado filósofo) e Abu al-Khayr Khammar (um importante médico).

Biografia

A única fonte de informações para a primeira parte da vida de Avicena é a sua autobiografia, escrita por seu discípulo, Jūzjānī. Na falta de outras, é impossível
Estátua de Avicena em Ankara.
ter certeza do quanto dela é verdadeiro. Já foi notado que ele usa sua autobiografia para avançar a sua teoria do conhecimento (de que é impossível para um indivíduo adquirir informações e compreender a ciência filosófica aristotélica sem ser um mestre) e já se questionou se a cronologia dos eventos descrita não está ajustada para se conformar de forma mais perfeita ao modelo aristotélico. Em outras palavras, se Avicena descreveu a si estudando na "ordem correta". Porém, dada a ausência de quaisquer outras evidências, o relato deve ser tomado pelo literalmente. Avicena teria nascido por volta de 980 d.C. perto de Bukhara (atualmente no Uzquequistão, a capital dos Samânidas, uma dinastia persa na Ásia Central e no Grande Khorasan. Sua mãe, chamada Setareh, era também de Bukhara, enquanto que seu pai, Abdullah, seria um respeitado acadêmico Ismaili de Balkh, uma importante cidade do Império Samânida, no que é hoje a Província de Balkh, no Afeganistão. Seu pai foi, na época do nascimento de seu filho, o zelador das propriedades do samânida Nuh ibn Mansur. Ele educou seu filho cuidadosamente em Bukhara e diz-se que não havia mais nada que ele não tivesse aprendido já aos dezoito anos. De acordo com a sua autobiografia, Avicena já tinha memorizado todo o Corão aos dez anos. Ele aprendeu aritmética indiana de um verdureiro indiano e começou a aprender mais de um sábio errante que ganhava a vida curando os doentes e ensinando os jovens. Ele também estudou a Fiqh sob o acadêmico hanafi Ismail al-Zahid.

Figh é a jurisprudência islâmica e é constituída pelas decisões dos académicos islâmicos que dirigem as vidas dos muçulmanos.


Filosofia de Avicena

Ibn Sīnā escreveu extensivamente sobre a filosofia islâmica primitiva, especialmente nos temas de lógica, ética e metafísica. A maior parte de suas obras foram escritos em árabe, que era a linguagem científica ‘’de fato’’ na época no Oriente Médio, e algumas em persa. Na Idade de ouro islâmica, por causa do sucesso de Avicena em reconciliar o neoplatonismo e o aristotelianismo juntamente com o Kalam, o “avicenismo” eventualmente se tornou a principal escola de filosofia islâmica já no século XII, com Avicena assumindo um papel de autoridade maior no assunto. O “avicenismo” também teve influência na Europa medieval, particularmente as suas doutrinas sobre a alma e a distinção entre existência-essência, principalmente por causa dos debates e tentativas de censura que elas provocaram na Europa escolástica. Essa situação foi particularmente visível em Paris, onde o “avicenismo” foi proscrito em 1210. Mesmo assim, a sua psicologia e a sua teoria do conhecimento influenciaram William de Auvergne e Alberto Magno, enquanto que a sua metafísica teve impacto no pensamento de Tomás de Aquino.

Obras

  • Al-Qanun - O Cânone da Medicina;
  • Kitab al-Shifa;
  • Al-Najat;
  • Al-Hidaya;
  • Al-Isharat wa'l-tanbihat.


O Cânone da Medicina

A sua principal obra médica é o enciclopédico al-Qanun (ou "O Cânone da Medicina"), mais importante no seu tempo que a obra de Rasis ou de Galeno.
Uma cópia árabe do Cânone da Medicina
O Cânone foi iniciado em Gorgan, depois em Ray e completado em Hamadã e é o maior trabalho desenvolvido por Avicena, com cerca de um milhão de palavras. Esta obra foi muito bem-recebida pela comunidade científica e compreendia 5 livros (I- Generalidades, II- Matéria médica, III- Doenças da cabeça aos pés, IV- Doenças não específicas de órgãos, V- Drogas compostas). A parte farmacêutica encontra-se nos livros II e V que invocam, respectivamente, a medicamentos simples e os medicamentos compostos. O livro II está dividido em duas partes, a primeira acerca das propriedades das drogas (qualidades, virtudes e modos de conservação) e a segunda consiste numa lista de fármacos e as suas virtudes terapêuticas, ordenados alfabeticamente. Ambos os livros contêm uma lista extensa de medicamentos simples, uns tratados sobre venenos, uma secção acerca da preparação e manipulação de medicamentos e ainda uma longa lista de receitas e fórmulas medicinais. Muita dessa informação é proveniente em Dioscórides e Galeno, mas Avicena introduziu e argumentou grandes novidades com drogas utilizadas por árabes, persas, indianos e gregos. O seu Cânone foi traduzido posteriormente, no século XIII, para o latim por Gerardo de Cremona e posteriormente imprimido e reimprimido por toda a Europa. Depois de Avicena e até ao século XVIII, todo o trabalho farmacêutico na matéria médica foi influenciado pelo seu trabalho. Foi o livro de estudo adotado nas Universidades de Montpellier e Louvain até 1650. Ficou conhecido como o príncipe dos médicos pelo seu Cânone. A vasta informação fornecida pelo o Al-Qanun, apelou a numerosos comentários e notas (até ao século XIX). Além do Al-Qanun, Ibn Sina escreveu cerca de 40 trabalhos médicos, a maioria preservados na forma de manuscritos.


Citações de Avicena
  • "O vinho é o amigo do moderado e o inimigo do beberrão”.
  • "O conhecimento de qualquer coisa, dado que todas as coisas tem causas, não é adquirido ou conhecido por completo a menos que seja conhecido por suas causas".
    • "Da Medicina, (c. 1020)
  • "A conversa secreta é um encontro direto entre Deus e a alma, abstraída de todas as restrições materiais".
    • Citado em 366 Leituras do Islam (2000), editado por Robert Van der Weyer.


Referências


A Origem da Dança Cancan


Le café de Paris por Jean Béraud, pintura na qual foram retratadas dançarinas de Cancan.
Cancan é uma dança francesa. Desde 1850, Céleste Mogador, dançarina vedete do Bal Mabille, em Paris - que mais tarde se juntaria a orquestra do cabaré Moulin Rouge - inventou uma dança nova, a quadrilha: Oito minutos para cortar a respiração em harmonias perfeitas e com Offenbach como mestre da música incontestável. A quadrilha era composta por meninas de 1,70 metro de altura, vestindo roupas coloridas e esvoaçantes, com liberdade de movimentos, ao som de trombones e cornetas. A nova dança foi considerada um ritmo endiabrado, de contrapeso, flexibilidade, em passos extremos de sensualidade e acrobacias, em que as dançarinas, em seu traje fascinante, faziam perder a cabeça de toda a Paris. Em Londres, em 1861, Charles Morton, inspirado pela quadrilha francesa, inventou o cancan. O termo refere-se aos ruídos provocados pelos passos marcados da própria dança. Enquanto na Inglaterra a dança chocava os ingleses, que chegavam a condená-la como "indecência", na França, o cancan não parava de crescer, mantendo como quesitos as dançarinas de 1,70m, e a arte de mexer os quadris, levantar as saias e frou-frous, exibindo as jarreteiras, encantando e provocando o desejo no público entusiasmado.

La Goulue (Louise Weber)

Jane Avril

Yvette Guilbert, por Toulouse-Lautrec.


Algumas das grandes damas do cancan francês foram Louise Weber (La Goulue), Jane Avril e Yvette Guilbert. O cancan foi tema inspirador para muitos pintores do impressionismo, como Toulouse-Lautrec. Alguns cabarés tornaram-se internacionalmente famosos pelo cancan, como o Moulin Rouge e o Chat Noir. O Can-Can é uma mistura da Polca e da Quadrilha e foi dançado pela primeira vez em 1822. Durante alguns anos, foi declarado ilegal, por ser considerado imoral e indecente, sendo então proibido pela polícia. O Can-Can é caracterizado principalmente por passos firmes e saltitantes, chutando alto e fortemente a perna. Normalmente o figurino desta dança consiste em meias de renda, botas de saltos altos, corpetes, penas na cabeça e saias de babados. Depois da liberação da dança, ela tornou-se muito popular por volta de 1830, e sua popularidade durou até 1944, quando então esta passou a ser apresentada em revistas e comédias musicais, principalmente na França. Originalmente o Can-Can era dançado por ambos os sexos; hoje, entretanto, é dançado só por mulheres. As músicas mais conhecidas do Can-Can foram compostas por Jacques Offenbach. O pintor Toulouse-Lautrec pintou quadros célebres de dançarinas de Can-Can.
Bailarinas de cancan num cartaz do final do século XIX.


Cancan na cultura

Na arte

Orfeu no Inferno - cartaz de 1874.
Muitos compositores escreveram música para o cancan. A peça mais famosa é a galop infernal do compositor francês Jacques Offenbach em Orfeu no Inferno (1858). Outros exemplos podem ser vistos em A Viúva Alegre (1905) de Franz Lehár e no musical Can-Can (1954) de Cole Porter o qual serviu de base para o filme musical de 1960 também intitulado Can-Can, de Walter Lang, com Shirley MacLaine, Frank Sinatra e Maurice Chevalier. Algumas outras canções que têm sido associadas com o cancan incluem a Dança do Sabre de Aram Jachaturián e a canção de music-hall Ta-ra-ra Boom-de-ay de Henry Sayers. O cancan tem
Final de "A Viúva Alegre"
(Imagem: Daniel71953 at fr.wikipedia).
aparecido freqüentemente no ballet, sendo os mais notáveis La Boutique Fantasque (1919) e Gaîté Parisienne de Léonide Massine, assim como A Viúva Alegre (ballet). Um bom exemplo pode ser visto no clímax do filme French Cancan (1954) de Jean Renoir. O pintor francês Henri de Toulouse-Lautrec produziu vários quadros e uma grande quantidade de posteres sobre as bailarinas de cancan. Outros pintores que trataram o cancan como tema em suas obras incluem Georges Seurat, Georges Rouault e Pablo Picasso.
 
Jean-François Raffaelli (1850-1924), A Quadrilha naturalista nos embaixadores (1886)

Jane Avril - Toulouse-Lautrec.

Moulin Rouge/ Paris Cancan 1890 - Jules Chéret

La danse au Moulin Rouge - Toulouse-Lautrec

Poster de Leonetto Cappiello mostra a dança can-can

Céleste Mogador

 

A imagem do cancan

O cancan cristaliza a imagem de uma sociedade parisiana frívola e malandra, a qual é descrita caricaturalmente em La Vie Parisienne (A Vida Parisiana) de Jacques Offenbach. Em uma das cenas, as mulheres mostram suas roupa íntimas, levantando suas rendas: a provocação mesclada com cumplicidade tem frenesi. As meias pretas e as cintas-liga tomam apelidos muito gráficos e com grande conotação sexual. O cancan simboliza aí um primeiro panorama da libertação sexual e emancipação da mulher, que é agora quem seduz. O Guide des Plaisirs de París (Guia dos Prazeres de Paris) de 1898, por sua vez, dá a seguinte descrição das bailarinas: um exército de jovens garotas que estão lá para dançar este divino alvoroço parisiano, como sua reputação exige [...] com uma elasticidade quando lançam suas pernas no ar que nos deixa predizer uma flexibilidade moral ao menos igual”.

No cinema

  • French Cancan (1954), de Jean Renoir, com Jean Gabin e María Félix.
  • Can-Can (1960), de Walter Lang, música de Cole Porter, com Frank Sinatra, Shirley MacLaine e Maurice Chevalier.

Em vídeo & Mp3

  • French Can Can (DVD), Jean Renoir. René Château, 1979. (na versão original francesa sem subtítulos).
  • CAN CAN Classics Version (Mp3), 2007-6923838 Legran Studio Composers "I Love Classics" Álbum, publicado com a permissão do proprietário dos direitos sobre a versão.

Outras aparições

  • No jogo Pirata de Super Mario World, a música de apresentação é uma cancan.
  • No jogo Dance Dance Revolution: Disney Dancing Museum, a canção Russian Dance é um cancan.
  • No jogo Super Mario Land, quando Mario obtém uma estrela, se pode ouvir esta um cancan, ao invés da música que vem normalmente quando Mario leva uma estrela em jogos 2D.
  • Na série de jogos de dança Pump It Up, aparece uma versão do cancan mais curta e rápida.
  • A canção foi usada num episódio da série da MTV My Super Sweet 16.

Referências