sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

A História do Ford Maverick

Maverick GT - 1974 (Brasil).
Maverick foi um automóvel criado pela Ford dos Estados Unidos que obteve grande sucesso em seu país de origem. Também foi fabricado no Brasil entre 1973 e 1979, onde foi lançado com enfoque comercial bem diferente do estadunidense e, apesar de não ter obtido sucesso em vendas, tornou-se lendário e hoje é cultuado por pessoas de várias idades. 







O modelo estadunidense 

Maverick Grabber (Imagem: dave_7).
Ao fim dos anos 60, ainda antes da crise do petróleo da década seguinte, a Ford dos Estados Unidos buscava um veículo compacto, barato e econômico – pelo menos para os padrões do país – que pudesse fazer frente à crescente concorrência dos carros europeus e japoneses. O modelo compacto que a fábrica tinha até então, o Ford Falcon, não era tão compacto assim e já estava obsoleto, ainda mais depois que a própria fábrica lançou o moderno e bem-sucedido Mustang em 1964, o qual inaugurou a era dos Pony Cars (Compactos), na contramão dos carros enormes e cheios de frisos que dominaram o mercado estadunidense nas décadas de 50-60. No dia 17 de Abril de 1969 o Maverick foi lançado por US$ 1.995, com 15 cores disponíveis e motores de 2,8 e 3,3 litros, ambos de seis cilindros. Apenas dois anos mais tarde, em 1971, foi lançado o famoso propulsor V8 de 302 Polegadas Cúbicas para o Maverick. Este motor já equipava algumas versões do Mustang e a Ford, a princípio, relutou em equipá-lo no Maverick, temerosa de que isto prejudicasse a sua imagem de carro mais compacto, barato e econômico. A Ford o anunciou como o veículo ideal para jovens casais, ou como segundo carro da casa. O estilo, com o formato fastback da carroceria, foi claramente copiado do Mustang, mas suavizado. O sucesso foi imediato e logo no primeiro ano foram vendidas 579.000 unidades – uma marca melhor do que a do próprio Mustang. Logo vieram outras versões, com apelo esportivo ou de luxo e motorizações diferentes, como os Maverick Sprint e Grabber. Em 1971 outra marca do grupo Ford, a Mercury, lançou o Comet, que basicamente era o mesmo Maverick com grade e capô diferentes. Os dois modelos fizeram sucesso mesmo depois do estouro da crise do petróleo, em 1973, apesar de neste período ter ficado evidente a necessidade de carros ainda mais compactos. Os dois modelos foram produzidos, com poucas modificações, até 1977.

Galeria de imagens


Maverick - 1971, Canadá


Maverick Sedan - 1971, Ottawa

Maverick Coupe - 1972 (Imagem:
Sicnag).


Maverick - 1977, Canadá

Ford Maverick
(Imagem: dave_7).


Maverick Coupe - 1970, Canadá






O Maverick no Brasil 

Maverick 1974, fabricado no Brasil. (Imagem:
EUDOXIO).
Em 1967 a Ford, que tinha operações ainda pequenas no Brasil, adquiriu o controle acionário da fábrica da Willys Overland no país. Após extensas modificações, Ford finalizou o projeto que a Willys vinha fazendo em parceria com a fábrica francesa Renault para substituir o Gordini – e lançou o bem-sucedido Corcel, como opção para a faixa de carro popular da Ford Brasil. Além do novo compacto, foram mantidos em fabricação, como opção de carros médios, os modelos já existentes Aero Willys 2600 e sua versão de luxo Itamaraty. Porém, os modelos da Willys, que haviam sido remodelados em 1962 mas ainda eram originários do pós-guerra, já estavam bastante defasados no início da década de 1970. O Galaxie já vinha sendo fabricado desde 1967 mas era demasiadamente luxuoso e caro, com acessórios como direção hidráulica, ar condicionado e câmbio automático. E a General Motors do Brasil, com a marca Chevrolet, lançou em 1968, para abocanhar a faixa de mercado dos carros médios de luxo, o Opala, baseado no modelo europeu Opel Rekord e no modelo estadunidense Chevrolet Impala. A Ford, então, precisava de um carro com estilo e, para os padrões brasileiros, de médio-grande porte. A fábrica fez um evento secreto com 1.300 consumidores em que diferentes veículos foram apresentados sem distintivos e logomarcas que permitissem a identificação – entre eles, estavam o modelo da Ford alemã Taunus, o Cortina da Ford inglesa, o Maverick e até mesmo um Chevrolet Opala, cedido pela própria Chevrolet do Brasil. Essa pesquisa de opinião indicou o moderno Taunus como o carro favorito dos consumidores brasileiros, que sempre tiveram preferência pelo padrão de carro Europeu. Mas a produção do Taunus no Brasil
Maverick Super, 4 portas, 1975. 
(Imagem: João Carlos Munhoz Pizzinato).
se mostrou financeiramente inviável, especialmente pela tecnologia da suspensão traseira independente e pelo motor pequeno e muito moderno para a época. Preocupada em não perder mais tempo, com o
Salão do Automóvel de São Paulo se aproximando, a Ford preferiu o Maverick, que, por ter originalmente motor de seis cilindros, tinha espaço suficiente no capô para abrigar o motor já fabricado para os modelos Willys, e a sua suspensão traseira de molas semi-elípticas era simples e já disponível. Apesar do motor Willys ter sido concebido originalmente na década de 1930, esse foi o meio que a Ford encontrou para economizar em torno de US$ 70 milhões em investimentos para a produção do Taunus. Esse procedimento, que mais tarde chegaria ao conhecimento público, acabou manchando a imagem do Maverick antes mesmo do seu lançamento. O velho motor Willys de seis cilindros ainda era grande demais para o capô do Maverick, e por isso a Ford precisou fazer um redesenho do coletor de exaustão, e nos testes isso causou constantemente a queima da junta do cabeçote. Para amenizar o problema, foi criada uma galeria externa de refrigeração específica para o cilindro mais distante da frente, com uma mangueira específica só para ele. A primeira modificação no motor 184 (3 litros), como era conhecido na Engenharia de Produtos da Ford, foi a redução da taxa de compressão para 7,7:1. Esse motor, que em pouco tempo se tornou o maior vilão da história do Maverick no Brasil, seria o básico da linha, pois a fábrica já previa o lançamento
Maverick GT, 1974.
do modelo com o famoso motor 302 V8, importado do México, como opcional. Dados coletados pelos jornalistas informavam que a Ford gastou 18 meses e 3 milhões de cruzeiros em engenharia, e mais 12 milhões de cruzeiros em manufatura, para modernizar o velho motor 184. A Ford organizou uma pré-apresentação do Maverick com o motor 184 a cerca de 40 jornalistas no dia 14 de Maio de 1973 no prédio do seu Centro de Pesquisas. No dia seguinte à apresentação, o Jornal da Tarde de São Paulo publicou uma reportagem intitulada
"O Primeiro Passeio no Maverick – o repórter Luis Carlos Secco dirigiu o Maverick na pista de teste da Ford, em São Bernardo do Campo". Os comentários foram de que o carro era silencioso, confortável e ágil. O primeiro Maverick nacional de produção deixou a linha de montagem em 4 de Junho de 1973. O público já começava a interessar-se pelo modelo desde o Salão do Automóvel de São Paulo de 1972, quando o carro foi apresentado. O que seguiu foi uma das maiores campanhas de marketing da indústria automobilística nacional, contando inclusive com filmagens nos Andes e na Bolívia. A apresentação oficial à imprensa ocorreu no dia 20 de Junho de 1973, no Rio de Janeiro. Como parte da campanha de publicidade do novo carro, o primeiro exemplar foi sorteado. No Autódromo Internacional do Rio de Janeiro, em Jacarepaguá, foi realizado um test-drive, onde os jornalistas convidados puderam dirigir nove Mavericks, seis deles com
Maverick (Brasil). (Imagem: Renzo Maia).
motor de 6 cilindros e três com o V8 302, importado. O carro apresentava inicialmente três versões:
Super (modelo standard), Super Luxo (SL) e o GT . Os Super e Super Luxo apresentavam-se tanto na opção sedã (quatro portas - lançado alguns meses após o lançamento do Maverick) como cupê (duas portas), sendo sua motorização seis cilindros em linha ou, opcionalmente, V8, todos com opção de câmbio manual de quatro marchas no assoalho ou automático de três marchas na coluna de direção. Já o Maverick GT era o top de linha. Com produção limitada, ele se destacava externamente pelas faixas laterais adesivas na cor preta, capô e painel traseiro com grafismos pintados em preto fosco, rodas mais largas, um par de presilhas em alumínio no capô e, internamente, um conta-giros sobreposto à coluna de direção do volante. O Maverick GT vinha equipado com motor de 8 cilindros em V de 302 polegadas cúbicas, potência de 199 hp (potência bruta, 135 hp líquido), e 4.950cm³ de cilindrada oferecido somente com câmbio manual de quatro marchas com acionamento no assoalho. O Maverick equipado com motor V8 podia acelerar de 0 a 100km/h em pouco mais de dez segundos. Porém, após sucessivos testes realizados por revistas especializadas, os defeitos do novo carro da Ford foram
Maverick GT, 1978. (Imagem: Renzo Maia).
se evidenciando. As revistas criticavam a falta de espaço traseiro nos bancos, bem como a má visibilidade traseira, devido ao formato Fastback do carro. A versão de quatro portas não tinha nenhum desses dois problemas, mas o público brasileiro, à época, tinha preferência por carros de duas portas e o modelo com quatro portas não foi bem aceito. Mas a principal fonte de críticas do Maverick no Brasil foi o motor de seis cilindros herdado do Willys / Itamaraty. Pouco potente, ele acelerava de 0 a 100 km/h em mais de 20 segundos e seu consumo era injustificavelmente elevado, o que deu ao Maverick a fama de 'beberrão' que muito pesou nos anos da crise do petróleo. Era um motor que "andava como um quatro cilindros e bebia como um oito",como afirmava a opinião pública na época. Na verdade esse motor, em algumas faixas de velocidade, consumia até mais do que o motor de oito cilindros. Em 1975, com a conclusão da fábrica de motores da Ford em Taubaté, São Paulo, ele foi abandonado e substituído por um moderno motor de 2,3 litros e quatro cilindros em linha, com comando de válvulas no cabeçote e correia dentada. Era o
Maverick 302 V8 (Brasil).
(Imagem: Renzo Maia).
famoso propulsor Georgia 2.3 OHC. Esse motor, que deu ao veículo um desempenho mais satisfatório, tinha uma aceleração melhor do que o antigo 6 cilindros (0 - 100 Km/h em pouco mais de 16 segundos) e um consumo bem menos elevado (média de 7,5 km por litro de gasolina). Infelizmente o motor 4 cilindros, injustamente, herdou parte da má fama do seis cilindros, pois muitos se perguntavam: se o motor de seis cilindros é tão fraco como pode a Ford oferecer um motor ainda menor? As críticas, ainda que infundadas se tratando do novo motor, e somadas ao fato de o modelo 4 cilindros ter potência alegada de 99 cv brutos,(80 cv líquidos) devido a uma estratégia da Ford para pagar menos taxas na fabricação (para o 6 cilindros a Ford declarava 112 cv brutos), contribuiu para o rápido declínio do Ford Maverick. Ainda no ano de 1975, com o objetivo de homologar o Kit Quadrijet para as pistas na extinta Divisão I (leia mais abaixo), a Ford lançou no Brasil o famoso
Maverick Quadrijet. Verdadeira lenda entre os antigomobilistas e amantes de velocidade, o Maverick Quadrijet era um Maverick 8 cilindros cujo motor era equipado com um Carburador de corpo Quádruplo (daí o nome "Quadrijet"), coletor de admissão apropriado, comando de válvulas de 282º (mais brabo) e Taxa de Compressão do motor elevada para 8:5:1 (a dos motores normais era de 7:3:1), aumentando a potência do carro de 135 cv para 185 cv (potência líquida) a 5.600 RPM. Com essas modificações, de acordo com o teste realizado pela Revista Auto Esporte de Setembro de 1974, o Ford Maverick acelerou de 0 a 100 km/H em incríveis 6,5 segundos e atingiu a Velicidade Máxima de 205 km/h. Mas devido ao alto custo, na época, das peças de preparação importadas que compunham o Kit Quadrijet (que também podia ser
Maverick Grabber
comprado nas revendedoras autorizadas Ford e instalado no motor), pouquíssimos Mavericks saíram de fábrica com essa especificação. No final de 1976, já como modelo 77, foi apresentada a denominada Fase 2 do Maverick. Além de algumas alterações estéticas, como um novo interior, grade dianteira e novas lanternas traseiras, maiores, também trazia algumas melhorias mecânicas como sistema de freios mais eficiente, eixo traseiro com bitola mais larga (melhorando o espaço no banco traseiro, que também foi redesenhado) e suspensão revista para o uso de pneus radiais. Nesta fase foi introduzida a versão
LDO ("luxuosa decoração opcional"), que passou a ser a versão mais cara do Maverick, com acabamento mais refinado e interior monocromático combinando tonalidades de marrom (a maioria) ou azul. Para essa versão foi lançado, como equipamento opcional, um câmbio automático de 4 marchas com acionamento no assoalho, somente para os Mavericks LDO's equipados com o motor 2,3 litros. As versões Super e Super Luxo continuaram a ser produzidas, todas com o motor 2.3 OHC de série. O modelo GT foi o modelo que sofreu as alterações mais drásticas. Em nome de uma maior economia, com a desaprovação de muitos, passou a ser oferecido com o motor 2.3 OHC de série, tendo o 302-V8 se tornado opcional para todos os modelos. Houve mudanças também nas faixas laterais, no
Maverick Grabber.
(Imagem: dave_7).
grafismo traseiro e o capô ganhou duas falsas entradas de ar. O Ford Maverick nacional teve sua produção encerrada em 1979, após 108.106 unidades produzidas. Durante as décadas de 80 e 90, com a inflação e a alta constante dos preços de combustível, o Ford Maverick foi relegado ao posto de carro ultrapassado, obsoleto e beberrão e, durante esse período, a grande maioria deles foi parar nos subúrbios das grandes cidades ou nos ferros-velhos. Mas essa triste realidade começou a mudar no início do século XXI. Atualmente, em uma época onde reinam os pequenos e frágeis carros feitos quase inteiramente de plástico e chapas de aço finíssimas, o Maverick chama a atenção por onde passa, sendo considerado um dos poucos verdadeiros Muscle Car brasileiros (apesar de ter nascido como um Pony Car). O Maverick com motor V8 é na atualidade um objeto de desejo dos admiradores de carros antigos nacionais. Um modelo GT ou LDO (este raríssimo com motor V8) bem conservado e com as características originais é item de coleção. O Maverick com motor 4 cilindros atualmente é o mais comum dentre os apreciadores, devido ao maior número produzido (com relação ao modelo V8),e seu baixo custo, apesar da dificuldade de reposição de peças, sua durabilidade e as grandes possibilidades de preparação ainda o tornam um item de desejo.
 

Sucesso nas pistas

Os Maverick equipados com o potente motor V8 fizeram algum sucesso nas pistas brasileiras, de 1973 a 1977 das quais participou, como o Campeonato
Maverick Grabber
Brasileiro de Turismo, provas de
Endurance e a antiga Divisão 3. Devido à grande capacidade cúbica do motor 302 V8, alguns Maverick 8 cilindros receberam extensas modificações, como por exemplo o modelo construído pela Ford especialmente para a Divisão 3, por intermédio do preparador Luiz Antonio Greco. O motor recebeu, entre outros itens, cabeçotes de alumínio Gurney-Weslake, iguais aos usados no lendário Ford GT-40, comando de válvulas especial e 4 carburadores de corpo duplo Weber 48 IDA. Segundo relatos, com esta modificação o motor atingiu a potência de 350cv líquidos, cerca de 3 vezes a potência original. No Campeonato Brasileiro de Turismo o maior rival do Maverick era o Chevrolet Opala, um carro bastante potente, um pouco mais leve e econômico com seu motor de 6 cilindros e 4,1 litros. Tal disputa durou até a retirada do apoio oficial da Ford do Brasil a esta competição, por causa dos resultados pouco expressivos do Maverick nas pistas o que acabou originando o Campeonato Brasileiro de Stock Car, uma categoria que por anos foi monomarca e só teve Opalas. Grandes pilotos tiveram o Maverick sob seu comando nas competições, entre eles Bird Clemente, Nilson Clemente, José Carlos Pace, Bob Sharp, Edgar Mello Filho e Paulo Gomes, o "Paulão" , Wellington Silva e o argentino Luís Ruben Di Palma.

 


Ford Maverick 4-Portas Sedan 1973



Referências

http://pt.wikipedia.org/wiki/Ford_Maverick

Biogarafia de Voltaire


Voltaire, por Nicolas de Largillière (cerca de 1724 e 1725).
Voltaire. (François Marie Arouet). Nasceu em Paris, a 21 de Novembro de 1694, e, faleceu, também em Paris, a 30 de Maio de 1778. Voltaire foi um escritor, ensaísta, deísta e filósofo iluminista francês. Conhecido pela sua perspicácia e espirituosidade na defesa das liberdades civis, inclusive liberdade religiosa e livre comércio. É uma dentre muitas figuras do Iluminismo cujas obras e ideias influenciaram pensadores importantes tanto da Revolução Francesa quanto da Americana. Escritor prolífico, Voltaire produziu cerca de 70 obras em quase todas as formas literárias, assinando peças de teatro, poemas, romances, ensaios, obras científicas e históricas, mais de 20 mil cartas e mais de 2 mil livros e panfletos. Foi um defensor aberto da reforma social apesar das rígidas leis de censura e severas punições para quem as quebrasse. Um polemista satírico, ele usou frequentemente suas obras para criticar a Igreja Católica e as instituições francesas do seu tempo. Voltaire é o patriarca de Ferney. Ficou conhecido por dirigir duras críticas aos reis absolutistas e aos privilégios do clero e da nobreza. Por dizer o que pensava, foi preso duas vezes e, para escapar a uma nova prisão, refugiou-se na Inglaterra. Durante os três anos em que permaneceu naquele país, conheceu e passou a admirar as ideias políticas de John Locke.

Idéias

Estátua de Voltaire (panthéon de Paris). Obra de Jean-Antoine Houdon.
Voltaire foi um pensador que se opôs à intolerância religiosa e à intolerância de opinião existentes na Europa no período em que viveu. Suas idéias revolucionárias acabaram por fazer com que fosse exilado de seu país de origem, a França. O conjunto de idéias de Voltaire constitui uma tendência de pensamento conhecida como Liberalismo. Exprime na maioria dos seus textos a preocupação da defesa da liberdade, sobretudo do pensar, criticando a censura e a escolástica, como observamos na seguinte frase, escrita por Evelyn Beatrice Hall como tentativa de descrever o espírito de Voltaire: "Não concordo com nenhuma das palavras que me diz, mas lutarei até com minha vida se preciso for, para que tenhas o direito de dizê-las". Destaca-se que Voltaire, em sua vida, também foi "conselheiro" de alguns reis, como é o caso de Frederico II, o Grande, da Prússia, um déspota esclarecido. Voltaire foi influenciado, pelo cientista Isaac Newton e pelo filósofo John Locke. Defendia as liberdades civis (de expressão, religiosa e de associação); Criticou as instituições políticas da monarquia, combatendo o absolutismo; Criticou o poder da Igreja Católica e sua interferência no sistema político; Foi um defensor do livre comércio, contra o controle do Estado na economia; Foi um importante pensador do iluminismo francês e suas idéias influenciaram muito nos processos da Revolução Francesa e de Independência dos Estados Unidos.

Primeiros anos
Voltaire Nu, obra de Jean-Baptiste Pigalle (1776).
Voltaire nasceu em uma família abastada, burguesa e aristocrata, em Paris, em 21 de Novembro de 1694. Sua mãe morreu depois do parto. Estudou com os jesuítas no Colégio Collège Louis-le-Grand onde revelou-se um aluno brilhante. Frequentou a Societé du Temple, de libertinos e livres pensadores. Por causa de versos irreverentes contra os governantes foi preso na Bastilha (1717-1718), onde iniciou a tragédia Édipo (1718) e o Poema da Liga (1723). Logo tornou-se rico e célebre, mas uma altercação com o príncipe de Rohan-Chabot valeu-lhe nova prisão e foi obrigado a exilar-se na Inglaterra (1726-1728). Ali, orientou definitivamente sua obra e seu pensamento para uma filosofia reformadora. Celebrou a liberdade em uma tragédia (Brutus, 1730), criticou a guerra (História de Carlos XII, 1731), os dogmas cristãos (Epístola a Urânio, 1733), as falsas glórias literárias (O Templo do Gosto, 1733) e escreveu um dos livros que mais o projetaram, as Cartas Filósoficas ou “Cartas Sobre os Ingleses”, que criticava o regime político francês, fazendo espirituosas comparações entre a liberdade inglesa e o atraso da França absolutista, clerical e obsoleta. Casou-se esse livro pelas suas autoridades, refugiou-se no Castelo de Cirey, onde procurou rejuvenescer a tragédia (Zaire, 1732; A morte de César, 1735; Mérope, 1743). Logrou obter um lugar na Academia Francesa (1746) graças a algumas poesias (Poema de Fontenoy, 1745), e, no mesmo ano, foi para a corte, na condição de historiógrafo real. Convidado por Frederico II, o Grande, da Prússia, foi viver na corte de Potsdam, onde publicou inicialmente um conto Zadig (1747) e posteriormente O século de Luís XIV (1751) e Micrômegas (1752). Em 1753, depois de um conflito com o rei, retirou-se para uma casa perto de Genebra. Ali, chocou ao mesmo tempo os católicos (A Donzela de Orleans, 1755), os protestantes (Ensaio Sobre os Costumes, 1756) e criticou o pensamento de Jean-Jacques Rousseau (Poema Sobre os Desastres de Lisboa, 1756).

Início de carreira

Cândido ou O Otimismo, 1759.
Replicando seus opositores com um conto Cândido (1759), refugiou-se em seguida em Fernay. Prosseguiu sua obra escrevendo tragédias (Tancredo, 1760), contos filosóficos dirigidos contra os aproveitadores (Jeannot e Colin, 1764), os abusos políticos (O Ingênuo, 1767), a corrupção e a desigualdade das riquezas (O Homem de Quarenta Escudos, 1768), denunciou o fanatismo clerical e as deficiências da justiça, celebrou o triunfo da razão (Tratado Sobre a Tolerância, 1763; Dicionário Filosófico, 1764). Iniciado maçom no dia 7 de Março de 1778, mesmo ano de sua morte, numa das cerimônias mais brilhantes da história da maçonaria mundial, a Loja Les Neuf Sœurs, Paris, inicia ao octogenário Voltaire, que ingressa no Templo apoiado no braço de Benjamin Franklin, embaixador dos EUA na França nessa data. A sessão foi dirigida pelo Venerável Mestre Joseph Jérôme Lefrançois de Lalande na presença de 250 irmãos. O venerável ancião, orgulho da Europa, foi revestido com o avental que pertenceu a Helvetius e que fora cedido, para a ocasião, pela sua viúva. Chamado à Paris em 1778, foi recebido em triunfo pela Academia e pela Comédie-Française, onde lhe ofereceram um busto. Esgotado, morreu a 30 de Maio de 1778. Voltaire foi um teórico sistemático, mas um propagandista e polemista, que atacou com veemência alguns abusos praticados pelo Antigo Regime. Tinha a visão de que não importava o tamanho de um monarca, deveria, antes de punir um servo, passar por todos os processos legais, e só
Le fanatisme ou Mahomet.
então executar a pena, se assim consentido por lei. Se um príncipe simplesmente punisse e regesse de acordo com o seu bem-estar, seria apenas mais um "salteador de estrada ao qual se chama de 'Sua Majestade'". As idéias presentes nos escritos de Voltaire estruturam uma teoria coerente, mas por vezes contraditória, que em muitos aspectos expressa a perspectiva do Iluminismo. Defendia a submissão ao domínio da lei, baseava-se em sua convicção de que o poder devia ser exercido de maneira liberal e racional, sem levar em conta as tradições. Por ter convivido com a liberdade inglesa, não acreditava que um governo e um Estado liberais, tolerantes fossem utópicos. Não era um democrata, e acreditava que as pessoas comuns estavam curvadas ao fanatismo e à superstição. Para ele, a sociedade deveria ser reformada mediante o progresso da razão e o incentivo à ciência e tecnologia. Assim, Voltaire transformou-se num perseguidor ácido dos dogmas, sobretudo os da Igreja Católica, que afirmava contradizer a ciência, no entanto, muitos dos cientistas de seu tempo eram padres jesuítas. Sobre essa postura, o catedrático de filosofia Carlos Valverde escreve um surpreendente artigo, no qual documenta uma suposta mudança de comportamento do filósofo francês em relação à fé cristã, registrada no tomo XII da famosa revista francesa Correpondance Littérairer, Philosophique et Critique (1753-1793). Tal texto traz, no número de Abril de 1778, páginas 87-88, o seguinte relato literal de Voltaire: "Eu, o que escreve, declaro que havendo sofrido um vômito de sangue faz quatro dias, na idade de oitenta e quatro anos e não havendo podido ir à igreja, o pároco de São Suplício quis de bom grado me enviar a M. Gautier, sacerdote. Eu me confessei com ele, se Deus me perdoava, morro na Santa Religião Católica em que nasci esperando a misericórdia divina que se dignará a perdoar todas minhas faltas, e que se tenho escandalizado a Igreja, peço perdão a Deus e a ela. Assinado: Voltaire, 2 de Março de 1778 na casa do marqués de Villete, na presença do senhor abade Mignot, meu sobrinho e do senhor marqués de Villevielle. Meu amigo". Este relato foi reconhecido como autêntico por alguns, pois seria confirmado por outros documentos que se encontram no número de Junho da mesma revista, esta de cunho laico, decerto, uma vez que editada por Grimm, Denis Diderot e outros enciclopedistas. Já outros questionam a
Voltaire - François-Marie Arouet 1694-1778, realmente foi um dos escritores mais influentes do Iluminismo francês e europeu.
necessidade de alguém que já acredita em Deus ter que se converter a uma religião específica, como o catolicismo. No caso de Voltaire não teria ocorrido reconversão. Voltaire morreu em 30 de Maio de 1778. A revista lhe exalta como "o maior, o mais ilustre e talvez o único monumento desta época gloriosa em que todos os talentos, todas as artes do espírito humano pareciam haver se elevado ao mais alto grau de sua perfeição". A família quis que seus restos repousassem na abadia de Scellieres. Em 2 de Junho, o bispo de Troyes, em uma breve nota, proíbe severamente ao prior da abadia que enterre no Sagrado o corpo de Voltaire. Mas no dia seguinte, o prior responde ao bispo que seu aviso chegara tarde, porque - efetivamente - o corpo do filósofo já tinha sido enterrado na abadia. Livros históricos afirmam que ele tentou destruir a Igreja a favor da maçonaria. A Revolução Francesa trouxe em triunfo os restos de Voltaire ao Panteão de Paris - antiga igreja de Santa Genoveva - , dedicada aos grandes homens. Na escura cripta, frente a de seu inimigo Jean-Jacques Rousseau, permanece até hoje a tumba de Voltaire com este epitáfio: "Aos louros de Voltaire. A Assembléia Nacional decretou em 30 de Maio de 1791 que havia merecido as honras dadas aos grandes homens". Voltaire introduziu várias reformas na França, como a liberdade de imprensa, tolerância religiosa, tributação proporcional e redução dos privilégios da nobreza e do clero. Mas também foi precursor da Revolução Francesa, ela que instaurou a intolerância, a censura e o aumento dos impostos para financiar as guerras, tanto coloniais, quanto napoleônicas (Europa). Se, em uma obra tão diversificada, Voltaire dava preferência a sua produção épica e trágica, foi, entretanto morreu em 100a.c nos contos e nas cartas que se impôs. Como filósofo, foi o porta voz dos iluministas. Não seria exagero dizer que Voltaire foi o homem mais influente do século XVIII. Seus livros foram lidos por toda a Europa e vários monarcas pediam seus conselhos.

Obras

Estátua de Voltaire, (Instituto e Museu Voltaire - Ville de Genève- Suíça). Obra de Jean-Antoine Houdon.
As principais obras de Voltaire:
  • Édipo, 1718
  • Mariamne, 1724
  • La Henriade, 1728
  • História de Charles XII, 1730
  • Brutus, 1730
  • Zaire, 1732
  • Le Temple du Goût, 1733
  • Cartas Filosóficas, 1734
  • Adélaïde du Guesclin, 1734
  • Le Fanatisme ou Mahomet, (escrita em 1736, representada em 1741)
  • Mondain (Voltaire), 1736
  • Epître sur Newton, 1736
  • Tratado de Metafísica, 1736
  • L'Enfant Prodigue, 1736
  • Essai sur la Nature du Feu, 1738
  • Elementos da Filosofia de Newton, 1738
  • Zulime, 1740
  • Mérope, 1743
  • Zadig ou O Destino, 1748,
  • Sémiramis 1748
  • Le Monde Comme il Va, 1748
  • Nanine, ou Le Péjugé Vaincu, 1749
  • Le Siècle de Louis XIV, 1751
  • Micrômegas, 1752,
  • Rome Sauvée, 1752
  • Poème sur le Désastre de Lisbonne, 1756
  • Essai sur les Mœurs et l'esprit des Nations, 1756
  • Histoire des Voyages de Scarmentado Écrite par lui-même, 1756
  • Cândido ou O Otimismo, 1759
  • Le Caffé ou l'Ecossaise, 1760
  • Tancredo, 1760
  • Histoire d'un Bon Bramin, 1761
  • La Pucelle d'Orléans, 1762
  • Tratado Sobre a Tolerância, 1763
  • Ce qui Plait aux Dames, 1764
  • Dictionnaire Philosophique Portatif, 1764
  • Jeannot et Colin, 1764
  • De l'horrible Danger de la Lecture, 1765
  • Petite Digression, 1766
  • Le Philosophe Ignorant, 1766
  • L'ingénu, 1767
  • L'homme aux 40 Écus, 1768
  • A Princesa da Babilônia, 1768
  • Canonisation de Saint Cucufin, 1769
  • Questions sur l'Encyclopédie, 1770
  • Les Lettres de Memmius, 1771
  • Il Faut Prendre un Parti, 1772
  • Le Cri du Sang Innocent, 1775
  • De l'âme, 1776
  • Dialogues d'Euhémère, 1777
  • Irene, 1778
  • Agathocle, 1779
  • Correspondance avec Vauvenargues, établie en 2006

Citações

  • Le château de Ferney.
    "Je ne connais d'autre liberté que celle de ne dépendre de personne ; c'est celle où je suis parvenu après l'avoir cherchée toute ma vie".
    "O trabalho espanta os três grandes males: o vício, a pobreza e o tédio".
- “le travail éloigne de nous trois grands maux: l'ennui, le vice, et le besoin”.
- Candide. in: Oeuvres complètes - Volume 8 - Página 412, Voltaire, chez A. Houssiaux, 1853.
  • "Deus concedeu-nos o dom de viver; compete-nos a nós viver bem".
- “Dieu nous a donné le vivre; c'est à nous de nous donner le bien vivre”.
- Le sottisier: suivi des Remarques sur le Discours sur l'inégalité des conditions et sur le Contrat social - página 76, Voltaire - Garnier, 1883 - 334 páginas.
  • "Se Deus não existisse, então seria necessário inventá-lo".
- “Si Dieu n'existait pas il faudrait l'inventer”.
- Collection complette des oeuvres de Voltaire: Volume 22 - Página 406, Voltaire – 1771.
  • "A alma é um fogo que convém alimentar, que se apaga se não a alimentarmos".
- “L'ame est un feu qu'il faut nourrir Et qui s'éteint s'il ne s'augmente”.
- Collection complette des oeuvres de Mr. de Voltaire: Mélanges de poésies, de littérature, d'histoire et de philosophie - Página 162, Voltaire - Cramer, 1757.
  • "Quem prova demais não prova nada”.
- “Qui prouve trop, ne prouve rien”.
- Remarques fur Rodugme, in: Oeuvres completes de Voltaire - Volume 50 de Oeuvres completes de Voltaire - Página 538, Voltaire - mpr. de la Société littéraire-typographique, 1784.
  • "Acreditar em milagres é um absurdo, equivale de certo modo a desonrar a Divindade".
- "Dicionário Filosófico", p. 248, 2. ed., São Paulo: Abril Cultural, 1978.
  • " Meus amigos, uma falsa ciência gera ateus, mas a verdadeira ciência leva os homens a se curvar diante da divindade..."
- “Mes amis, une fausse science fait les athées: une vraie science prosterne l'homme devant la Divinité”...
- " Les A, B, C ou Dialogues entre A, B, C, 1768"
  • "Os homens que comem carne e tomam beberagens fortes têm todos um sangue azedo e adusto, que os torna loucos de mil maneiras diferentes. Sua principal demência se manifesta na fúria de derramar o sangue de seus irmãos e devastar terras férteis, para reinarem sobre cemitérios".
- A Princesa da Babilônia, Capitulo III
  • " É verdade que há entre vós muitas mulheres que continuam falando a seus cães; mas estes resolveram não responder, desde que os forçaram, às chicotadas, a ir à caça e ser cúmplices da matança dos nossos velhos amigos comuns, os cervos, os gamos, as lebres e as perdizes”.
- A Princesa da Babilônia, Capitulo III
  • "Os voluptuosos careiam companheiros de devassidão. Os interesseiros reúnem sócios. Os políticos congregam partidários. O comum dos homens ociosos mantém relações. Os príncipes têm cortesões. Só os virtuosos possuem amigos”.
- Voltaire, Dicionário Filosófico. São Paulo: Editora Martin Claret, 2002. p. 23. ISBN 85-7232-508-5
  • "[...] Para chamar belo a alguma coisa é preciso que nos cause admiração e prazer".
- Voltaire, Dicionário Filosófico. São Paulo: Editora Martin Claret, 2002. p. 54. ISBN 85-7232-508-5
  • "Todos os que se disseram filhos de deuses foram os pais da impostura. Serviram-se da mentira para ensinar verdades, eram indignos de a ensinar, não eram filósofos, eram, quando muito, mentirosos cheios de prudência".
- Voltaire, Dicionário Filosófico. São Paulo: Editora Martin Claret, 2002. p. 232. ISBN 85-7232-508-5
  • Voltaire aos 70 anos. Gravura publicada no frontispício de "A Philosophical Dictionary".
    "Os filósofos sempre foram perseguidos por fanáticos. Será possível, no entanto, que os homens de letras se imiscuam também e eles próprios aticem contra os seus confrades as armas com que todos são trespassados, uns após outros?"
- Voltaire, Dicionário Filosófico. São Paulo: Editora Martin Claret, 2002. p. 235. ISBN 85-7232-508-5
  • "O preconceito é uma opinião sem julgamento. Assim em toda terra inspiram-se às crianças todas as opiniões que se desejam antes que elas as possam julgar".
- Voltaire, Dicionário Filosófico. São Paulo: Editora Martin Claret, 2002. p. 428. ISBN 85-7232-508-5
  • "Como é que um homem pode se tornar senhor de outro homem e por que espécie de incompreensível magia pôde esse homem se tornar senhor de muitos outros homens?"
- Voltaire, Dicionário Filosófico. São Paulo: Editora Martin Claret, 2002. p. 462. ISBN 85-7232-508-5
  • "Que é virtude? Beneficência para com o próximo".
- Voltaire, Dicionário Filosófico. São Paulo: Editora Martin Claret, 2002. p. 481. ISBN 85-7232-508-5
  • "Filósofo, amante da sabedoria, ou seja, da verdade".
- Voltaire, Dicionário Filosófico. São Paulo: Editora Martin Claret, 2002. p. 232. ISBN 85-7232-508-5
  • "Que ingenuidade, que pobreza de espírito, dizer que os animais são máquinas privadas de conhecimento e sentimento, que procedem sempre da mesma maneira, que nada aprendem, nada aperfeiçoam! (...) Bárbaros agarram esse cão que tão prodigiosamente vence o homem em amizade, pregam-no em cima de uma mesa e dissecam-no vivo para mostrarem-te suas veias mesentéricas. Descobres nele todos os mesmos órgãos de sentimentos de que te gabas. Responde-me maquinista, teria a natureza entrosado nesse animal todos os órgãos do sentimento sem objetivo algum? Terá nervos para ser insensível? Não inquires à natureza tão impertinente contradição".
- Voltaire, Dicionário Filosófico. (Em resposta a Descartes)
  • "A história não passa de um quadro dos crimes e dos infortúnios".
- Voltaire, O Ingênuo, X, apud RÓNAI, Paulo. Dicionário Universal Nova Fronteira de Citações. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1985. p. 437.
  • "As opiniões causaram mais males do que a peste ou terremotos neste pequeno nosso mundo".
- Carta para Élie Bertrand (1759-01-05)
  • "Um historiador é um tagarela que arrelia os mortos".
- Voltaire, Le Sotissier apud RÓNAI, Paulo. Dicionário Universal Nova Fronteira de Citações. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1985. pp. 442-443.
  • "Admiramo-nos do pensamento; mas o sentimento é igualmente maravilhoso".
- Voltaire, Dicionário Filosófico. São Paulo: Editora Martin Claret, 2002. p. 464. ISBN 85-7232-508-5
  • Não é aos homens que me dirijo, é a ti, Deus de todos os seres, de todos os homens e de todos os tempos (…). Que as pequenas diferenças entre as vestimentas que cobrem nossos fracos corpos, entre nossos costumes ridículos, entre todas as nossas leis imperfeitas, entre todas nossas opiniões insensatas (…) que todas essas pequenas nuances que distinguem os átomos chamados homens não sejam motivos de perseguição”.
- Voltaire, Tratado Sobre a Tolerância, 1763, in Historie.
  • "O segredo de aborrecer é dizer tudo".
- Le secret d'ennuyer est celui de tout dire.
- Oeuvres complètes de Voltaire - Correspondance Particulière‎ - Vol. 12, Página 146, de Voltaire, Jean-Antoine-Nicolas de Caritat Condorcet, Marie Jean Antoine Nicolas Caritat de. - Condorcet, Alexandre Marie Goujon - Publicado por T. Desoër, 1817
  • "O abuso da graça é afetação; o abuso do sublime, absurdo. Toda perfeição é um defeito".
- “l'abus du sublime est l'ampoulé: toute perfection est près d'un défaut”.
- Dictionnaire philosophique‎ - Página 560, de Voltaire - Publicado por Cosse et Gaultier-Laguionie, 1838 - 948 páginas
  • "Que é então o perseguidor? É aquele cujo orgulho ferido e o fanatismo em furor irritam o príncipe ou magistrados contra homens inocentes, cujo único crime consiste em não serem da mesma opinião".
- “Quel est le persécuteur? c’est celui dont l’orgueil blessé et le fanatisme en fureur irritent le prince ou les magistrats contre des hommes innocents, qui n’ont d’autre crime que de n’être pas de son avis”.
- Dictionnaire philosophique‎ - vol. 6, Página 391, de Voltaire, Adrien Jean Quentin Beuchot - publicado por Lequien fils, 1829
  • "As paixões são como ventanias que enchem as velas dos navios; às vezes elas oprimem, mas sem elas não poderia navegar".
- “On parla des passions. Ah! qu'elles sont funestes! disait Zadig. Ce sont les vents qui enflent les voiles du vaisseau, repartit l'ermite: elles le submergent quelquefois; mais sans elles il ne pourrait voguer”.
- "Zadig - Histoire Orientale" in: "Oeuvres complètes de Voltaire", Volume 18‎ - Página 164, Voltaire - Pourrat Frères, 1831
  • "Os preconceitos, meu amigo, são os reis do vulgo”.
- “Les préjugés, ami, sont les rois du vulgaire”.
- L'esprit de Monsieur de Voltaire ...‎ - Página 135, Voltaire - 1760 - 298 páginas
  • "Os homens que procuram a felicidade são como os embriagados que não conseguem encontrar a própria casa, apesar de saberem que a têm”.
- “Les hommes qui cherchent le bonheur sont comme des ivrognes qui ne peuvent trouver leur maison, mais qui savent qu'ils en ont une”.
- Voltaire; Page:Voltaire - Œuvres complètes Garnier tome32.djvu/614
  • "A mentira é um vício apenas quando faz mal; quando faz bem é uma grande virtude".
- “Le mensonge n'est un vice que quand il fait du mal ; c'est une très grande vertu quand il fait du bien”.
- Oeuvres complètes (correspondência de 21 de outubro de 1736) - Volume 11, Página 218, Voltaire - Firmin Didot,1869
  • "A amizade é um casamento entre almas, e esse casamento é sujeito ao divórcio".
- “L'amitié est le mariage de l'âme, et ce mariage est sujet à divorce”.
- "Amitié" in Œuvres complètes de Voltaire - Volume 31, Página 244, Voltaire - Impr. de la Société littéraire-typographique, 1785
  • "Casamento é a única aventura aberta aos covardes".
- “Le mariage est la seule aventure ouverte aux lâches”.
- Voltaire citado em "Épreuve, non vendue" - Página 82, Claudec, 2007, ISBN 2952911312, 9782952911313
  • "Todas as grandezas desse mundo não valem um bom amigo".
- “Toutes les grandeurs de ce monde ne valent pas un bon ami”.
- Contes de Guillaume Vadé - Página 101, Voltaire - Cramer, 1764 - 386 páginas
  • Estátua n0 Hôtel de Ville of Paris.
    "Que Deus me proteja dos meus amigos. Dos inimigos, cuido eu".
- “Dieu de me dén livrer de mes amis; quant à mes ennemis, je m'en charge”.
- Voltaire citado em "La Vie de Voltaire" - página 393, Theophile Imarigeon Duvernet, F. Buisson, 1797
  • "Quando se trata de dinheiro, todos têm a mesma religião”.
- “Quand il s'agit d'argent, tout le monde est de la même religion”.
- Œuvres complétes: Lettes inédites - Página 226, Voltaire - Antoine-Augustin Renouard, 1822
  • "Aquilo a que chamamos acaso não é, não pode deixar de ser, senão a causa ignorada de um efeito conhecido".
- “Ce que nous appellons hazard n'est, & ne peut être que la cause ignorée d'un effet connu”.
- Questions sur l'Encyclopedie,: distribuées en forme de dictionnaire - Página 282, Voltaire - 1771
  • "O acaso é uma palavra sem sentido. Nada pode existir sem causa”.
- “Le hasard est un mot vide de sens; rien ne peut exister sans cause”.
- Œuvres complètes de Voltaire - Página 302, Voltaire, Pierre Augustin Caron de Beaumarchais, Jean-Antoine-Nicolas de Caritat Condorcet (marquis de) - 1785
  • "O mundo me intriga. Não posso imaginar que este relógio exista e não haja relojoeiro".
- “L'univers m'embarrasse, et je ne puis songer Que cette horloge existe , et n'ait point d'horloger”.
- Oeuvres complètes, Volume 1 - página 55, Voltaire, A. Ozanne, 1838
  • "A leitura engrandece a alma".
- “La lecture agrandit l'âme”.
- L'ingénu,: histoire veritable. Tirée des manuscrits du Pere Quesnel - Página 45, Voltaire, Pasquier Quesnel - 1767 - 89 páginas
  • "A primeira lei da natureza é a tolerância; já que temos todos uma porção de erros e fraquezas".
- Nous sommes tous pétris de faiblesse & d'erreurs; pardonnons-nous réciproquement nos sotises, c'est la premiere loi de la Nature.
- Dictionnaire philosophique - página 304, Voltaire, 1765
  • "A dúvida não é uma condição agradável, mas a certeza é absurda”.
- “Le doute n'est pas une condition agréable, mais la certitude est absurde”.
- Voltaire in: Carta a Frederick II da Prussia (6 de abril de 1767)
  • "Preconceitos são a razão dos tolos".
- “Les préjugés sont la raison des sots”.
- Nouvelle edition de la Religion naturelle: Poëme en quatre parties - Página 23, Voltaire - 1756 - 78 páginas
  • "É melhor correr o risco de salvar um homem culpado do que condenar um inocente".
- “Il vaut mieux hasarder de sauver un coupable que de condamner un innocent”.
- Œuvres complètes de Voltaire: Volume 44 - Página 25, Voltaire, Pierre Augustin Caron de Beaumarchais, Jean-Antoine-Nicolas de Caritat Condorcet (marquis de) - Impr. de la Société littéraire-typographique, 1785
  • "Todo o homem é culpado do bem que não fez".
- “Est coupable de tout le bien qu'il ne fait pas”.
- Le siecle de Louis XIV. - Página 60, Voltaire - 1752 - 479 páginas

Mal atribuídas

  • "Eu desaprovo o que dizes, mas defenderei até a morte o seu direito de dizê-lo".
    • Variante: "Eu não concordo com uma palavra do que você diz, mas defenderei até a morte o direito de dizê-las".
- Largamente utilizada e creditada a Voltaire, esta frase é de Evelyn Beatrice Hall, que a utilizou em correspondência com o ensaísta.
  • "O homem só será livre quando o último rei for enforcado nas tripas do último padre".
- Na verdade de Jean Meslier (1664-1729), um cura da comuna francesa de Étrépigny, no livro Extrait des Sentiments de Jean Meslier, editado por Voltaire.

Atribuídas

  • "O repouso é uma boa coisa mas o tédio é seu irmão".
- “Repose is a good thing, but boredom is its brother”.
- Voltaire citado em Fair Game: A Young Girl's Odyssey Through the Not-So-Fabulous Fifties - Página 135, Fran Gabino - Savage Press, 2001, ISBN 1886028524, 9781886028524 - 406 páginas
  • "Eu acredito no Deus que criou os homens, e não no Deus que os homens criaram".
  • "A dose faz o veneno".
  • "Se eles tivessem linguagem humana, seriamos capazes de os matar e comer? Deveríamos cometer estes fratricídios? Que bárbaro abateria e assaria uma ovelha, se essa ovelha invocasse, num pedido afetuoso, que não fosse assassino e canibal ao mesmo tempo?"
  • "É difícil libertar os tolos das amarras que eles veneram".
  • "Todo aquele que desconfia, convida os outros a traí-lo".
  • "O valor dos grandes homens mede-se pela importância dos serviços prestados à humanidade".
  • "Excelente crítico seria o artista que tivesse muita ciência e muito gosto, sem preconceitos e sem invejas".
  • "A guerra é o maior dos crimes, mas não existe agressor que não disfarce seu crime com pretexto de justiça".
  • "Encontra-se oportunidade para fazer o mal cem vezes por dia e para fazer o bem uma vez por ano".
  • "A arte da medicina consiste em distrair enquanto a Natureza cuida da doença".
  • "A perfeição da própria conduta consiste em manter cada um a sua dignidade sem prejudicar a liberdade alheia".
  • "Para que discutir com os homens que não se rendem às verdades mais evidentes? Não são homens, são pedras".
  • "Tenho um instinto para amar a verdade; mas é apenas um instinto".
  • "Uma coletânea de pensamentos é uma farmácia moral onde podemos encontrar a cura dos mais diversos males".
  • "Como é horrível odiarmos quem desejávamos amar".
  • "O meu ofício é dizer o que penso".
  • "Devemos julgar um homem mais pelas suas perguntas que pelas respostas".
  • "Todos têm suas penas, sejam reis ou pastores, sejam cães ou carneiros."
  • "Acontece com os livros o mesmo que com os homens, um pequeno grupo, desempenha um grande papel".
  • "O sucesso sempre foi a criação da ousadia".
  • "Existirá alguém tão esperto que aprenda pela experiência dos outros?"
  • "Uma discussão prolongada significa que ambas as partes estão erradas".
  • "Se queres conversar comigo, define primeiro os termos que usas".
  • "Todos nós sofremos, mas o falar nos dá alívio".
  • "A necessidade obrigatória de falar e o embaraço de nada ter para falar são duas coisas capazes de tornar ridículo ainda mesmo o maior homem".
  • "Os letrados isolados foram pessoas de letras que mais serviços prestaram ao reduzido número de entes pensantes espalhados pelo mundo. Verdadeiros sábios encerrados em seus gabinetes que não argumentaram nos bancos das universidades nem disseram as coisas pela metade nas academias. E esses infelizes letrados têm sido quase todos perseguidos. É constituída de tal maneira a nossa miserável espécie, que aqueles que marcham em caminhos já batidos atiram pedras aos que ensinam um novo caminho".
  • "Sozinho, nenhum homem pode garantir-se contra o mal e promover seu próprio bem. Carece de auxílio. Daí que a sociedade é tão antiga quanto o mundo, podendo ser bastante numerosa ou pulverizada, rara. Com uma freqüência inusitada as revoluções do globo destruíram raças inteiras de homens e de animais em vários países, e as multiplicaram em outros".
  • "Pode ser que não estejamos de acordo com as idéias dos outros, mas devemos estar dispostos a morrer para defender a liberdade de todas as idéias".
  • "O povo não lê nada. O povo trabalha seis dias por semana e no sétimo vai ao prostíbulo".
- Em resposta a quem disse que seus escritos corrompiam o povo.
  • "O trabalho afasta de nós três grandes males: o aborrecimento, o vício e a necessidade!"
  • "A falsa ciência gera ateus; a verdadeira ciência leva os homens a se curvar diante da divindade".
  • "O trabalho é, na maioria das vezes, pai do prazer".
  • "Os homens devem ter corrompido um pouco a natureza, pois não nasceram lobos e acabaram se tornando lobos".
  • "É muito perigoso ter razão em assuntos sobre os quais as autoridades estabelecidas estão completamente equivocadas".
  • "Aos vivos deve-se o respeito, aos mortos não se deve senão a verdade".
  • "Uma única palavra posta fora do lugar estraga o pensamento mais bonito".
  • "Deus é um comediante entretendo uma platéia com medo demais para rir".
  • "Um ditado esperto não prova nada".
  • "Antigas histórias não são mais do que fábulas sobre as quais as pessoas concordam".
  • "Os homens usam o pensar somente para justificar os seus maus feitos, e a palavra somente para esconder seus pensamentos".
  • "É claro que um indivíduo que persegue um homem, seu irmão, porque ele não tem a mesma opinião, é um monstro".
  • "O homem nasceu para a ação, tal como o fogo tende para cima e a pedra para baixo".
  • "A ridícula situação de alguém que critica o que confessa nunca ter lido, já é suficiente para desqualificar a sua crítica".
  • "Entendo e quase invejo a gentil e inocente alegria dos comuns, mas amo a angústia de ser incomum".
  • "A única diferença entre um tigre e um ser humano é que o primeiro mata e estraçalha por fome e instinto, enquanto que o segundo mata por parágrafos!"
  • "A razão é filha do tempo e tudo espera de seu pai".
  • "O bom humor é incompatível com a crueldade".
  • "É perigoso estar certo quando o governo está errado".
  • "A religião começou quando o primeiro patife conheceu o primeiro tolo".

Sobre

  • Era uma daquelas existências anônimas, entomológicas, como existem em certo imóveis, onde se fica sabendo, no fim de quatro anos, que existe um velho senhor no quarto andar que conheceu Voltaire, Pilastre de Rosier, Beaujou, Marcel, Mole, Sophie Arnould, Franklin e Robespierre.”
- Balzac; A Prima Bete.
  • "Voltaire disse que o céu nos tem dado para contrabalançar as muitas dificuldades da vida, duas coisas: a esperança e sono".
- Voltaire sagte, der Himmel habe uns zum Gegengewicht gegen die vielen Mühseligkeiten des Lebens zwei Dinge gegeben: die Hoffnung und den Schlaf.
- Sämmtliche Werke, Volume 4 (kritik der urtheilskraft und beobachtungen uber das gefuhl der schonen und erhabenen), página 209-210, Immanuel Kant, Leopold Voss, 1838

Referências