quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Biografia de Lineu

Lineu por Alexander Roslin, 1775.
Carolus Linnaeus, em português Carlos Lineu, e em sueco após nobilitação Carl von Linné. Nasceu em Råshult, Kronoberg, a 23 de Maio de 1707 , e, faleceu em Uppsala, a 10 de Janeiro de 1778. Lineu foi um botânico, zoólogo e médico sueco, criador da nomenclatura binomial e da classificação científica, sendo assim considerado o "pai da taxonomia moderna". Foi um dos fundadores da Academia Real das Ciências da Suécia. Lineu participou também no desenvolvimento da escala Celsius (então chamada centígrada) de temperatura, invertendo a escala que Anders Celsius havia proposto, passando o valor de 0° para o ponto de fusão da água e 100° para o ponto de ebulição. Lineu era o botânico mais reconhecido da sua época, sendo também conhecido pelos seus dotes literários. O filósofo suíço Jean-Jacques Rousseau enviou-lhe a mensagem: "Diga-lhe que não conheço maior homem no mundo."; o escritor alemão Johann Wolfgang von Goethe escreveu: "Além de Shakespeare e Spinoza, não conheço ninguém entre os que já não se encontram entre nós que me tenha influenciado mais". O autor sueco August Strindberg escreveu: "Lineu era na realidade um poeta que por acaso se tornou um naturalista". É ainda o cientista da área das ciências naturais mais famoso da Suécia e a sua figura pode ser encontrada nas atuais notas suecas de cem kronor.

Biografia

Primeiros estudos

Brasão de armas de Lineu.
Lineu era o mais velho de cinco irmãos (três mulheres e um rapaz, Samuel) e o seu pai, Nils, era o vigário de Stenbrohult, em Kronoberg. Quando criança, Lineu foi criado para ser da Igreja, como seu pai e seu avô materno haviam sido, mas ele tinha muito pouco entusiasmo pela profissão. Nils passou, no entanto, o seu interesse em plantas para o seu filho. Em ?, em Växjö e passou para o ensino secundário em ?. Os seus resultados escolares eram insuficientes para prosseguir estudos clérigos; no entanto, seu interesse em Botânica impressionou um médico de sua cidade, Johan Rothman, e Lineu foi então mandado para estudar Medicina na Universidade de Lund em 1727. Em Lund, instalou-se na casa do médico Kilian Stobaeus, de quem adquiriu conhecimentos em Medicina e ciências naturais. Transferiu-se para a Universidade de Uppsala um ano depois. A sua estada em Uppsala tornou-se viável graças ao apoio financeiro do clérigo Olof Celsius (tio do cientista Anders Celsius), que o apresentou a Olof Olai Rudbeck, professor de medicina na universidade; este acolheu Lineu na sua casa. Lineu tomou
Busto de Lineu no Jardim Botânico de Wroclaw.
conhecimento também com o professor de medicina Lars Roberg. Lineu passou os sete anos seguintes em Uppsala, interrompendo a estada apenas para as suas viagens à Lapônia (1732) e Dalarna (1734). Durante esse tempo, tomou contacto com uma obra de Sebastien Vaillant, "Sermo de Structura Florum" (Leiden, 1718), após o qual se convenceu que os estames e pistilos das flores seriam as bases para a classificação das plantas e ele escreveu um curto estudo sobre o assunto que lhe permitiu obter a posição de professor adjunto. Começou então a lecionar em 1730. Em 1732, a Academia de Ciências de Uppsala cedeu todos os seus fundos para financiar a sua expedição para explorar a Lapônia, então praticamente desconhecida. O resultado dessa viagem foi o livro Flora Lapponica, publicado em 1737. Durante sua viagem à Lapônia, Lineu conheceu e descreveu em seus diários um jogo tradicional da família tafl, ou Tablut, sendo por esse motivo o Tablut o exemplo melhor documentado de toda essa família de jogos. Lineu iniciou a viagem, que durou cinco meses e em que percorreu mais de dois mil quilômetros, indo até Luleå e atravessando o sistema montanhoso interior até chegar à costa atlântica norueguesa, voltando depois pela mesma via e descendo pela costa do golfo da Bótnia na Finlândia; regressou então a Uppsala viajando através do arquipélago de Åland. Tanto a viagem à Lapônia como a viagem a Dalarna, dois anos depois, tinham objetivos científicos, como o de inventariar recursos naturais de utilidade ao reino. Na viagem a Dalarna, Lineu fez-se acompanhar de um grupo de estudantes, que o assistiam nas suas saídas de campo e recebiam tutoria do seu professor.

Viagens na Europa

Vista de Hartekamp do canal Leiden-Haarlem,
com o jardim de George Clifford in Heemstede
na atualidade.
Depois disso, Lineu se mudou para os Países Baixos, em 1735, de modo a obter a qualificação necessária para a obtenção do grau de doutor. Era usual a ida de suecos para os Países Baixos desde meados do século XVII para obter doutoramentos, devido à influência cultural deste país na Suécia dessa época. Após apenas alguns dias na pequena Universidade de Harderwijk, obteve o grau de doutor em medicina, com um trabalho sobre a malária. Conheceu Jan Frederick Gronovius e mostrou-lhe o rascunho de seu trabalho em Taxonomia, o "Systema Naturae". Nele, as desajeitadas descrições usadas anteriormente - physalis amno ramosissime ramis angulosis glabris foliis dentoserratis - haviam sido substituídas pelos concisos e hoje familiares nomes "Gênero-espécie" - Physalis angulata - e níveis superiores eram construídos de uma maneira simples e ordenada. Embora esse sistema, nomenclatura binomial, tenha sido criado pelos irmãos Johann e Gaspard Bauhin, Lineu ficou com o crédito de tê-lo popularizado. Lineu nomeou os taxa em formas que lhe pareciam pessoalmente do senso-comum, por exemplo, seres humanos são Homo sapiens (de "sapiência"), mas ele também descreveu uma segunda espécie humana, Homo troglodytes ("homem das cavernas",
O jardim botânico de Lineu, em Uppsala.
nome dado por ele ao chimpanzé, hoje em dia mais comumente colocado em outro gênero, Pan). A classe Mammalia foi nomeada por suas glândulas mamárias porque uma das definições de mamíferos é que eles amamentam seus filhotes. Lineu permaneceu nos Países Baixos durante um ano, tendo ido então a Londres em 1736. Visitou a Universidade de Oxford e conheceu diversas personalidades da comunidade científica, como o médico Hans Sloane e os botânicos Philip Miller e Johann Jacob Dillenius. Após alguns meses, Lineu voltou a Amsterdã, onde continuou a impressão do seu livro Genera Plantarum, o ponto de partida para o seu sistema de taxonomia. Em 1737, começou a trabalhar e estudar no jardim de George Clifford em Heemstede, na Holanda do Norte. Clifford colecionou plantas de todo o mundo graças às suas ligações comerciais com mercadores holandeses e o seu jardim era famoso. Lineu descreveu o jardim na obra Hortus Cliffortianus. No ano seguinte, tendo concluído este trabalho, Lineu iniciou a sua viagem de regresso à Suécia: permaneceu em Leiden durante um ano, enquanto imprimiu a sua obra Classes Plantarum; viajou então até Paris, antes de navegar até Estocolmo.

Regresso à Suécia

Estátua em Palm house, Sefton Park, Liverpool.
Voltou à Suécia em 1738, onde praticou medicina (especializando-se no tratamento da sífilis) e leccionou em Estocolmo até ser nomeado professor em Uppsala em 1741. No jardim botânico da Universidade de Uppsala, Lineu organizou as plantas de acordo com o seu sistema de classificação, com a ajuda do arquiteto Carl Hårleman. O jardim botânico original de Lineu ainda pode ser visto em Uppsala. Ele também originou a prática de se usar os glifos de ♂ - (lança e escudo) Marte e ♀ - (espelho de mão) Vênus como símbolos de macho e fêmea. Fez depois mais três expedições a diversas partes da Suécia, pagas pelo Parlamento: em 1741 foi a Stora Alvaret, em Öland e a Gotland; em 1746 a Västergötland; e em 1749 à Escânia. Estas viagens tinham como motivação "a necessidade de explorar o próprio país" e as suas descrições seriam publicadas em sueco. O seu trabalho Systema Naturae continuou a sofrer revisões que o fizeram crescer de uma pequena obra a um trabalho com vários volumes, à medida que as suas ideias se desenvolviam e ele recebia mais e mais espécimens animais e vegetais de diversos lugares do mundo. O seu orgulho no seu trabalho levou-a a afirmar "Deus creavit, Linnaeus disposuit" ("Deus criou, Lineu organizou"). Essa sua percepção pessoal é evidente na capa do Systema Naturae, em que é representado um homem dando nomes do
Estátua de Lineu como um estudante universitário em Lund.
sistema de Lineu a novas criaturas do Jardim do Éden. Em 1739, Lineu se casou com Sara Lisa Moraea, filha de um médico, com quem havia noivado cinco anos. Do casamento nasceram sete filhos: Carolus, Elisabeth, Sara Magdalena, Lovisa, Sara Christina, Johannes e Sophie. Destes, só cinco chegaram à idade adulta, quatro raparigas e Carolus, o único a quem foi permitido estudar e formar-se em botânica. Nesse mesmo ano, Lineu co-fundou a Academia Real das Ciências da Suécia (Kungliga vetenskapsakademien). Ele conseguiu a cadeira de Medicina em Uppsala dois anos depois, logo a trocando pela cadeira de Botânica. Ele continuou a trabalhar em suas classificações, estendendo-as para o reino dos animais e dos minerais. A teoria da evolução ainda não existia, e Lineu estava apenas tentando categorizar o mundo natural de uma forma conveniente. Durante este período, Lineu tomou conta dos jardins botânicos da Universidade e foi por diversas vezes vice-chanceler desta, além de presidente da Academia Real que havia ajudado a fundar. Em 1745, Lineu decidiu inverter a escala de Celsius, desenhando o termômetro da forma como é conhecido na atualidade: 0° correspondendo ao ponto de fusão do gelo e 100° ao ponto de ebulição da água (Anders Celsius havia inventado a escala, mas de forma invertida, com o ponto de ebulição mais baixo que o de fusão). O rei Adolfo Frederico concedeu um título nobiliárquico a Lineu em 1757, tendo Lineu tomado o nome von Linné em 1761, e assinando frequentemente Carl Linné.

Últimos anos

Lineu continuou os seus estudos botânicos depois da obtenção do seu título nobre, tendo mantido correspondência com diversas personalidades de todo o mundo. Por exemplo, Catarina II da Rússia enviou-lhe sementes do seu país. Os últimos anos de vida de Lineu foram afetados por problemas de saúde: sofria de gota e dores de dentes. Sofreu um primeiro acidente vascular cerebral em 1774 e um segundo um ano mais tarde, que inutilizou o lado direito do seu corpo. Faleceu em 10 de Janeiro de 1778, durante uma cerimônia religiosa na catedral de Uppsala, onde foi sepultado. Após a sua morte, as coleções de Sinvaldo foram vendidas pela sua esposa a um inglês, Sir James Edward Smith, em 1784, sendo atualmente mantidas pela Linnean Society, em Londres.

Nome

Local de nascimento de Lineu em Råshult.
Lineu é conhecido na Suécia pelo nome Carl von Linné e em inglês por Carl Linnaeus. O seu nome totalmente latinizado, Carolus Linnaeus, foi-lhe atribuído após nobilitação em 1757, devido ao seu estatuto acadêmico, é traduzido para português como Carlos Lineu. Sem esse estatuto, Lineu ter-se-ia chamado Carl Nilsson ("filho de Nils"). Na literatura científica, é utilizada a abreviatura "L." para identificar Lineu como o autor da descrição de determinado taxon. Numa competição, Lineu identificou-se como "Carl Nelin", um criptônimo de "Carl Nilsson/Linné". Ao longo dos tempos, Lineu recebeu diversas alcunhas, como "Princeps botanicorum" ("o príncipe dos botânicos"), "o segundo Adão" ou "o Plínio do Norte". Existem cerca de duzentos descendentes de Lineu, mas nenhum com o nome "von Linné" por descenderem apenas de duas filhas (Carl von Linné filho não teve descendentes). O gênero botânico Linnaea foi nomeado em homenagem a Lineu por Johan Frederik Gronovius.

Obras

Casa de Lineu em Uppsala.
Lineu escreveu as suas principais obras científicas em latim, mas os seus diários de viagem e cartas em sueco são considerados os seus melhores trabalhos do ponto de vista literário. Entre estes encontram-se os relatórios das viagens a Öland e Gotland (Öländska och Gothländska resor, 1745), a Västergötland (Wästgöta Resa, 1747) e à Escânia (Skånska resa, 1751). Lineu enviou estudantes seus a diversos locais no mundo, incluindo as Índias Orientais, China, Japão e Ártico; os jovens enviaram descrições de espécies animais e vegetais, além de amostras de espécimens, de volta. Alguns desses enviados não voltaram, tendo falecido de doenças ou em assaltos em zonas problemáticas, e sofrido problemas mentais e físicos que impossibilitaram o seu regresso à Suécia. No entanto, muitos dos relatórios chegaram a Lineu e este construiu e expandiu as suas principais obras científicas também com base nesses relatos. No total, Lineu escreveu mais de setenta livros e trezentos artigos científicos. Algumas das suas obras científicas mais relevantes são:
  • Systema Naturae (1735)
  • Fundamenta Botanica (1736)
  • Flora Lapponica (1737)
  • Genera Plantarum (1735-1737)
  • Hortus Cliffortianus (1737)
  • Flora Suecica (1745)
  • Fauna Suecica (1746)
  • Philosophia Botanica (1751)
  • Species Plantarum (1753)
  • Clavis Medicinae Duplex (1766)
  • Mundus Invisibilis (1767)

Lineu com traje lapônico,
pintura de Hendrik Hollander, 1853.
Lineu concebeu a idéia de divisio et denominatio (divisão e denominação), como forma de organizar os organismos vivos, algo que transparece na sua obra Systema Naturae, considerado o ponto de partida da moderna nomenclatura binomial. Para as plantas, Lineu utilizou as características sexuais recentemente descobertas nestas. Os animais e minerais, os outros dois reinos do sistema animal-vegetal-mineral idealizado por Lineu, foram organizados pela sua aparência externa. Orientou teses de estudantes na Universidade de Uppsala, supervisionando (e escrevendo grande parte de) 186 dissertações. Lineu escreveu ainda quatro autobiografias, encaradas nessa época mais como curriculum vitae do que como veículo de auto-elogio. O estilo descritivo poético de Lineu, em particular nos relatos das suas viagens, influenciou a literatura sueca do século XVIII, tendo este tipo de obra sido predominante na Suécia em particular na segunda metade do século. Os relatos das suas viagens são, por esta razão, os livros mais populares de Lineu na Suécia. Lineu empregou termos como "nicho" e "equilíbrio entre espécies" e descreveu a Natureza como "recheada de maravilhas e segredos", mostrando uma preocupação ecológica com alguns contornos modernos.

Systema Naturae

Systema Naturae
Systema Naturae (de nome completo: Systema naturae per regna tria naturae, secundum classes, ordines, genera, species, cum characteribus differentiis, synonymis, locis) foi um livro escrito por Lineu, no qual o autor faz a delineação das suas ideias para uma classificação hierárquica das espécies. Lineu concebeu o seu "Systema" dividindo a Natureza em três reinos: Animalia, Vegetalia e Mineralia. Foi um livro publicado em latim. A primeira edição foi de 1735. A primeira edição continha apenas 10 páginas. Na sua 13ª edição, em 1770, tinha já 3000 páginas. A 10ª edição do Systema Naturae de Linnaeus, 1758 é o trabalho que iniciou a aplicação geral da nomenclatura binomial zoológica. Portanto, esta data é aceita como ponto de partida da nomenclatura zoológica e da lei da prioridade.


Taxonomia

O Reino Vegetal

As ordens e classes de plantas, de acordo com a sua obra Systema Sexuale, nunca foram previstas representar grupos naturais (em oposição a ordines naturales na sua obra Philosophia Botanica) mas apenas para uso em identificação. Foram usados nesse sentido até ao século XIX. As classes lineanas para as plantas, no seu sistema sexual, eram:

Classis 1. Monandria
Classis 2. Diandria
Classis 3. Triandria
Classis 4. Tetrandria
Classis 5. Pentandria
Classis 6. Hexandria
Classis 7. Heptandria
Classis 8. Octandria
Classis 9. Enneandria
Classis 10. Decandria
Classis 11. Dodecandria
Classis 12. Icosandria
Classis 13. Polyandra
Classis 14. Didynamia
Classis 15. Tetradynamia
Classis 16. Monadelphia
Classis 17. Diadelphia
Classis 18. Polyadelphia
Classis 19. Syngenesia
Classis 20. Gynandria
Classis 21. Monoecia
Classis 22. Dioecia
Classis 23. Polygamia
Classis 24. Cryptogamia


Taxonomia de Lineu


A hierarquia da classificação
científica dos seres vivos.
A Taxonomia de Lineu é extensamente usada nas ciências biológicas. A taxonomia de Lineu classifica as coisas vivas em uma hierarquia, começando com os Reinos. Reinos são divididos em Filos. Filos são divididos em classes, então em ordens, famílias, gêneros e espécies e, dentro de cada um em subdivisões. Grupos de organismos em qualquer uma destas classificações são chamados taxa (singular, taxon), ou phyla, ou grupos taxonômicos.

Esquema Taxonômico

Sumário apresentado do mais geral para o mais específico:
  • Império
    • Superdomínio
  • Domínio
  • Reino
  • Filo (animais) / Divisão (plantas)
    • Subfilo / Subdivisão
    • Superclasse
  • Classe
    • Subclasse
    • Superordem
  • Ordem
    • Subordem
    • Superfamília
  • Família
    • Subfamília
  • Gênero
    • Subgênero
  • Espécie
    • Subespécie

Exemplo

Considere-se a classificação do hibisco-da-síria:

  • Reino: Plantae (Todas as plantas)
  • Divisão: Magnoliophyta
  • Classe: Magnoliopsida
  • Ordem: Malvales
  • Família: Malvaceae
  • Gênero: Hibiscus
  • Espécie: Hibiscus syriacus


Características

Lineu - pintura de Johan Henrik Scheffel, 1739.
Quando um cientista classifica um novo inseto, ele procura classificá-lo dentro de uma categoria já existente, baseado em uma lógica estabelecida, verifica qual família ele pertence e no fim encontra o nome mais adequado àquela espécie. Lineu estabeleceu o mais usado padrão de classificação taxonômica. Uma qualidade da Taxonomia de Lineu é que ela pode ser usada para desenvolver um sistema simples e prático para organizar dos diferentes tipos de organismos vivos. O aspecto mais importante é o uso geral da nomenclatura binominal, a combinação de um nome genérico e de um nome específico (syriacus, neste exemplo), para identificar a espécie. No exemplo acima, o hibisco da síria é unicamente identificado pelo binome Hibiscus syriacus. Nenhuma outra espécie de planta pode ter este binome. Deste modo, a todas as espécies pode se dar um único e estável nome. Regras para o nomeamento a classificação apropriados para todos os tipos de organismos vivos sob o sistema taxonômico de Lineu tem sido adotadas por biólogos profissionais. As regras que governam a nomenclatura e classificação das plantas e dos fungos estão contidas no Código Internacional de Nomenclatura Botânica, mantido pela Associação Internacional para a Taxonomia das Plantas. Códigos similares existem para animais e bactérias. Cientistas seguem estes códigos de modo que os nomes dos organismos possam ser os mais claros e estáveis possíveis. Durante o tempo, nosso entendimento das relações entre as coisas vivas mudou. A grande mudança foi a aceitação difundida da evolução como o mecanismo da diversidade biológica e a formação das espécies. Agora, em alguns sistemas, incentiva-se geralmente que os grupos taxonômicos sejam monofiléticos (ver cladística). Originalmente Lineu tinha 3 Reinos em seu esquema, chamados Plantae, Animalia e um grupo adicional Mineralia para minerais, o qual foi abandonado (Cf. Taxonomia dos Minerais segundo Lineu). Desde então, várias formas tem sido movidas para três novos reinos - Monera, para procariontes, Protista (alguns cientistas chamam este grupo de Protoctistas), para protozoários e algas, e Fungi. Este esquema está ainda longe da filogenia ideal e o esquema de cinco reinos foi suplantado pela maior parte no trabalho taxonômico moderno por uma divisão em três domínios - Bacteria e Archaea, que contém os procariontes, e Eukaryota, compreendendo as formas restantes. Isto foi precipitado pela descoberta dos Archaea.

Fundamenta Botanica


Fundamenta Botanica foi um livro escrito por Lineu, editado pela primeira vez em 1735, no seu primeiro ano de estadia na Holanda. A publicação desta obra e também de Genera Plantarum e Systema Naturae foi encorajada por Herman Boerhaave, botânico com quem Lineu conviveu nessa época. Nela, Lineu aprimora o seu sistema de nomenclatura e estabelece uma série de axiomas que mais tarde iriam ser aproveitados, expandidos e revistos na sua obra Philosophia Botanica (1750).

Flora Lapponica


Flora lapponica (de seu nome completo: Flora Lapponica Exhibens Plantas per Lapponiam Crescentes, secundum Systema Sexuale Collectas in Itinere Impensis) foi um livro escrito por Lineu, editado pela primeira vez em 1737 em Amsterdã. Este livro resulta de uma expedição de cinco meses efetuada à Lapônia (região norte da Escandinávia), a expensas da Academia de Ciências de Uppsala, em 1732. Esta região era até então muito pouco conhecida. O livro descreve aspectos geográficos, plantas e animais da região, assim como os povos Sami e as suas tradições, além do trajeto percorrido e peculiaridades da viagem. Também como resultado da expedição, surge a obra Florula Lapponica, em que é adotada pela primeira vez, o sistema sexual desenvolvido por Lineu.

Genera plantarum


Genera Plantarum
Genera plantarum foi um livro escrito por Lineu, editado pela primeira vez em 1737 (na cidade de Leyden), durante a sua estadia na Holanda, e em que o autor aplica a todos os gêneros botânicos conhecidos até então, o sistema de classificação anteriormente estabelecido na obra Systema Naturae. É visto como um ponto de partida para a moderna botânica sistemática e funciona como um complemento de Species Plantarum, aplicado aos gêneros. A obra foi lançada numa altura em Lineu trabalhava para o jardim botânico de Georg Clifford, governador da Companhia Holandesa das Índias Orientais. Pela mesma altura, Lineu também publicou a obra Flora Lapponica. A obra recebeu críticas Hans Sloane e de Johann Jacob Dillenius, diretor do Jardim Botânico de Sherard, acusada de trazer a desordem total à ciência botânica. Os trabalhos de preparação do livro remontam até sete anos antes da sua publicação, numa altura em que se dedicava a outras obras tais como Bibliotheca Botanica, Critica Botanica e Classes Plantarum. A 5ª edição aborda mais de mil gêneros.

Hortus Cliffortianus

Hortus Cliffortianus foi uma obra publicada por Lineu, em Amesterdão, no ano de 1737, e escrita em latim. É importante numa perspectiva de interpretação da sua obra posterior, Species Plantarum, do ano de 1753. O nome do livro faz referência a uma jardim, com elementos zoológicos e botânicos, propriedade de George Clifford. Lineu permaneceu lá durante 2 anos e só no espaço de uma ano produziu quase 2 mil página sobre este centro. As condições oferecidas ao autor era boas para o desempenho das suas funções. Durante o mesmo ano, Lineu publicou ainda as seguintes obras: Critica Botanica, Flora Lapponica e Genera Plantarum. O trabalho consistia em descrever todos o material vegetal do jardim, nomeando-os e classificando-os. A obra possui ilustrações de Georg Ehret, e o frontispício da obra foi da autoria de J. Wandelaar. Atualmente, o espaço onde Lineu trabalhou, é agora um hospital para doentes mentais.

Flora Suecica

Flora Suecica, é um livro com ilustrações e descrições botânicas escrito por Lineu no ano de 1745 com o nome de Flora Suecica, Editio Secunda Aucta et Emendata. A segunda edição foi concluída em 1755. Este foi o primeiro relato completo das plantas que crescem na Suécia e um dos primeiros exemplos da flora em idioma moderno. Foi publicado com o nome completo de ''Flora Svecica: Enumerans Plantas Sueciae Indigenas Cum Synopsi Classium Ordinumque, Characteribus Generum, Differentiis Specierum, Synonymis Citationibusque Selectis - Locis Regionibusque Natalibus - Descriptionibus Habitualibus Nomina Incolarum Et Qualitat.

Philosophia Botanica

Philosophia Botanica
Philosophia Botanica é uma obra publicada pelo naturalista sueco Carolus Linnaeus (1707–1778), que teve uma grande influência no desenvolvimento da taxonomia e sistemática botânica, nos séculos XVIII e XIX. Contem a primeira descrição publicada da nomenclatura binomial proposta pelo autor. Philosophia Botanica representa a maturação do pensamento de Lineu acerca de botânica e das respectivas fundações teóricas, sendo uma elaboração das ideias primeiramente publicadas na sua obra Fundamenta Botanica (1736) e Critica Botanica (1737). A obra estabelece uma terminologia botânica básica.

Species Plantarum

Species Plantarum
A obra Species Plantarum foi publicado pela primeira vez em 1753 como um trabalho de dois volumes, escrito por Lineu. É um livro importante por se tratar de um ponto de arranque para a nomenclatura botânica tal como existe hoje em dia. Algumas das características da obra são:


  • continha descrição de todas as plantas conhecidas até então.
  • permitia uma fácil identificação das plantas, por colocar todos os gêneros em classes e ordens artificiais. Através da contagens dos pistilos e estames, mesmo alguém com pouco conhecimento de botânica conseguiria identificar a que gênero determinada planta pertencia.
  • utilizava uma nomenclatura binomial para cada planta listada, separando desta maneira a nomenclatura botânica da taxonomia.

Esta obra sofreu numerosas edições posteriores, expandindo a sua abrangência, mesmo após a morte do seu autor original. Esta obra também marca o ponto de partida para o florescimento do interesse e popularidade da ciência, sendo uma das mais importantes publicações sobre biologia de todos os tempos.

Citações
  • "A estrutura do homem, externa e interna, comparada com a de outros animais, mostra-nos que as frutas e os vegetais suculentos constituem sua alimentação natural."
- Linnaeus, the distinguished naturalist, who flourished about one hundred years since, speaking of the natural dietetic character of man, says that his organization, when compared with that of other animals, shows that ' fruits and esculent vegetables constitute his most suitable food.'
- citado em "Lectures on the science of human life" - Página 150, item 844, de Sylvester Graham, Editora Horsell, 1849, 289 páginas.


Carl von Linné


Referências

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