domingo, 30 de março de 2014

Biografia de Nefertiti


Busto de Nefertitit. 
(imagem: Magnus Manske).
Nefertiti. (c. 1380 - 1345 a.C.) foi uma rainha da XVIII dinastia do Antigo Egito, esposa principal do faraó Amenófis IV, mais conhecido como Aquenáton.

Raízes familiares

As origens familiares de Nefertiti são pouco claras. O seu nome significa "a mais Bela chegou", o que levou muitos investigadores a considerarem que Nefertiti teria uma origem estrangeira, tendo sido identificada por alguns autores como Tadukhipa, uma princesa do Império Mitanni (império que existiu no que é hoje a região oriental da Turquia), filha do rei Tushratta. Sabe-se que durante o reinado de Amenófis III chegaram ao Egito cerca de trezentas mulheres de Mitanni para integrar o harém do rei, num gesto de amizade daquele império para com o Egito; Nefertiti pode ter sido uma dessas mulheres, que adotou um nome egípcio e os costumes do país. Contudo, nos últimos tempos tem vingado a hipótese de Nefertiti ser egípcia, filha de Ay, alto funcionário egípcio responsável pelo corpo de carros de guerra que chegaria a ser faraó após a morte de Tutancâmon. Aye era irmão da rainha Tié, esposa principal do rei Amenófis III, o pai de Aquenáton; esta hipótese faria do marido de Nefertiti o seu primo. Sabe-se que a família de Aye era oriunda de Akhmin e que este tinha tido uma esposa que faleceu (provavelmente a mãe de Nefertiti durante o parto), tendo casado com a dama Tié. De igual forma o nome Nefertiti, embora não fosse comum no Egito, tinha um alusão teológica relacionada com a deusa Hathor, sendo aplicado à esposa real durante a celebração da festa Sed do rei (uma festa celebrada quando este completava trinta anos de reinado).


Casamento com Amenófis

Aquenáton e Nefertiti. 
(imagem: French: Miroir - Antiquité égyptienne
 du Musée du Louvre. Akhénaton et Néfertiti
Calcaire peint).
Não se sabe que idade teria Nefertiti quando casou com Amenófis (o futuro Aquenáton). A idade média de casamento para as mulheres no Antigo Egito eram os treze anos e para os homens os dezoito. É provável que tenha casado com Amenófis pouco tempo antes deste se tornar rei. O seu marido não estava destinado a ser rei. Devido à morte do herdeiro, o filho mais velho de Amenófis III, Tutmés, Amenófis ocupou o lugar destinado ao irmão. Alguns autores defendem uma co-regência entre Amenófis III e Amenófis IV, mas a questão está longe de ser pacífica no meio egiptológico. A prática das co-regência era uma forma do rei preparar uma sucessão sem problemas, associando um filho ao poder alguns anos da sua morte. Nos primeiros anos do reinado de Amenófis começaram a preparar-se as mudanças religiosas que culminariam na doutrina chamada de "atonismo" (dado ao fato do deus Aton ocupar nela uma posição central). Amenófis ordenou a construção de quatro templos dedicados a Aton junto ao templo de Amon em Karnak, o que seria talvez uma tentativa por parte do faraó de fundir os cultos dos dois deuses. Num desses templos, de nome Hutbenben (Casa da pedra Benben), Nefertiti aparece representada como a única oficiante do culto, acompanhada de uma filha, Meketaton. Esta cena pode ser datada do quarto ano do reinado, o que é revelador da importância religiosa desempenhada pela rainha desde o início do reinado do seu esposo. No ano quinto do reinado, Amenófis IV decidiu mudar o seu nome para Aquenáton, tendo Nefertiti colocado diante do seu nome de nascimento o nome Nefernefernuaton, "perfeita é a perfeição de Aton". Nefertiti passou a partir de então a ser representada com a coroa azul, em vez do toucado constituído por duas plumas e um disco solar, habitual nas rainhas egípcias. Durante algum tempo defendeu-se que Aquenáton teria introduzido pela primeira vez na história do mundo o conceito do monoteísmo, impondo às classes sacerdotais e populares o conceito de um só deus, o deus do sol, onde o disco solar representava o deus sol que regia sobre tudo na face da terra. Hoje em dia porém considera-se que seria um henoteísmo exacerbado. Os muitos templos que celebravam os deuses tradicionais do Egito foram todos rededicados pelo rei ao novo deus por ele imposto. Especula-se que esta pequena revolução, entre outros possíveis objetivos, possa ter servido para consolidar e engrandecer ainda mais o poder e importância do faraó. Após o reinado de Aquenáton, o Egito antigo voltaria às suas práticas religiosas politeístas.

Nefertiti em Aquetáton

Aquenáton decidiu, igualmente a construção de uma nova capital para o Egito dedicada a Aton, que recebeu o nome de Aquetáton ("O Horizonte de Aton"). A cidade situava-se a meio caminho entre Tebas e Mênfis, sendo o lugar onde se encontram hoje as suas ruínas conhecido como Amarna. A cidade foi inaugurada no oitavo reinado de Aquenáton. Demorando apenas 3 anos para ficar pronta! Um talatat (bloco de pedra) de Hermópolis (perto de Amarna) mostra a rainha Nefertiti a destruir o inimigo do Egito, personificado por mulheres prisioneiras, numa cena que até então tinha sido reservada aos reis desde os tempos da Paleta de Narmer.

Vida familiar

Estela que representa a família real.
Museu Egípcio do Cairo.
Nefertiti teve seis filhas com Aquenáton: Meritaton, Meketaton, Anchesenamon, Neferneferuaton, Neferneferuré e Setepenré. Pensa-se que as três primeiras filhas nasceram em Tebas antes do sexto ano de reinado e as três últimas em Aquetáton entre o sexto e o nono ano de reinado. A segunda filha do casal, Meketaton, faleceu pouco antes do décimo segundo ano de reinado, como mostra uma cena que representa Aquenáton e Nefertiti a chorar diante do leito de morte da filha, essa filha teria morrido afogada. Durante o reinado de Aquenáton espalhou-se por todo Egito uma peste, além de um surto de malária, conhecido na época como "doença mágica" que matou 3 filhas do casal, além de quase ceifar a vida de Tutancâmon. A família real é representada em várias estelas em cena de intimidade familiar, com Nefertiti a amamentar uma filha ou com o casal a brincar com estas enquanto recebe os raios de Aton, que terminam em mãos com o símbolo do ankh. Trata-se de representações até então não presentes na arte egípcia. Um aspecto que gera alguma perplexidade nestas representações são os crânios alongados dos membros da família real. Aquenáton, por exemplo, surge em estátuas e relevos como um homem muito diferente da norma e representado fora dos padrões rígidos da cultura milenar da época, exibindo femininos e andróginos, com uma cintura fina, porém com quadris largos e coxas decididamente femininas. Além disso, em várias obras os seus seios são aparentes. A sua face também aparece alongada e com lábios carnudos, femininos e sensuais. Para alguns estas características indicariam que a família sofreria de síndrome de Marfan, enquanto que outros consideram tratar-se de uma mera tendência estética exagerada, que visava criar novos padrões estéticos à semelhança do que tinha acontecido no campo da religião, segundo historiadores, Aquenáton queria mostrar nessas esculturas que somos muito mais que imagens, e pedia para ser retratado dessas formas para escandalizar os co-cidadãos, e também pelo fato de querer mostrar que ele era o "Grande esposo real" de Nefertiti, que assumiu a direção do Egito como co-regente, deixando Aquenáton livre para ser o sumo sacerdote de Aton, as únicas imagens reais de Aquenáton e Nefertiti foram esculpidas em suas tumbas mortuárias, onde mostram claramente que Nefertiti era a mulher mais bela da época e Aquenáton não tinha os traços dos egípcios conhecidos. Com Kia, uma esposa secundária, Aquenáton teve dois filhos, Nebnefer, que morreu durante o surto de peste e Tutancaton que depois que voltou á Tebas foi obrigado a mudar seu nome para Tutancâmon, pois depois da morte de Aquenáton, o Deus Aton, foi proscrito por alguns anos. Kia teria morrido no parto de Tutancâmon, e a mesma serviu apenas para dar a Aquenáton dois filhos homens para continuar o reinado, visto que Nefertiti não conseguia gerar filhos varões.

O desaparecimento da rainha

Busto inacabado de Nefertiti. 
(imagem: Magnus Manske).
Nefertiti acompanhou o seu marido lado a lado em seu reinado porém, a certa altura, no ano 12 do reinado de Amenófis ela esvanece e não é mais mencionada em qualquer obra comemorativa ou inscrições e parece ter sumido sem deixar quaisquer pistas. Este desaparecimento foi interpretado inicialmente como uma queda da rainha, que teria deixado de ser a principal amada do faraó, preterida a favor de Kiya. Objetos da rainha encontrados num palácio situado no bairro norte de Amarna sustentam a visão de um afastamento. Hoje em dia considera-se que o mais provável foi o contrário: Kiya foi talvez afastada por uma Nefertiti ciumenta. Uma hipótese que procura explicar o silêncio das fontes considera que Nefertiti mudou novamente de nome para Anchetcheperuré Nefernefernuaton. Esta mudança estaria relacionada com a sua ascensão ao estatuto de co-regente. Ainda segundo a mesma hipótese quando Aquenáton faleceu Nefertiti mudou novamente de nome para Anchetcheperuré Semencaré e governou como faraó durante cerca de dois anos. Há ainda outra hipótese, como os sacerdotes de Amon não aceitavam o Deus Aton como único do Egito, eles teriam mandado assassinar Nefertiti pois a consideravam o braço direito de Aquenáton, sua morte teria desestabilizado o faraó que tinha em sua figura o apoio indiscutível para o Projeto do "Deus Único" representado por Aton, cerca de dois anos depois, Aquenáton veio a falecer de forma misteriosa, assim, sua filha primogênita com Nefertiti - Meritaton, foi elevada ao estatuto de "grande esposa real". O seu reinado foi curto, pois segundo historiadores, ela, seu marido e outros habitantes de Amarna na época foram assassinados e proscritos. Restando de sangue real apenas, Tutancâmon então com 9 anos e sua outra irmã Anchesenamon com 11 anos. Porém, muitos especialistas acreditam que esta pessoa foi um filho de Aquenáton. Já outros egiptólogos, como o professor David O'Oconnor da Universidade de Nova York (Universidade de Nova Iorque), especulam: Poderia se tratar de amor entre iguais, entre dois homens, dadas as características singulares de Aquenáton?

O busto de Nefertiti

Busto de Nefertiti. 
(imagem: Arkadiy Etumyan).
A 6 de Dezembro de 1912 foi encontrado em Amarna o famoso busto da rainha Nefertiti, por vezes também designado como o "busto de Berlim" em função de se encontrar na capital alemã. A descoberta foi da responsabilidade de uma equipe arqueológica da Sociedade Oriental Alemã (Deutsche Orient Gesellchaft) liderada por Ludwig Borchardt (1863-1938). A peça foi encontrada na zona residencial do bairro sul da cidade, na casa e oficina do escultor Tutmés. O busto de Nefertiti mede 50cm de altura, tratando-se de uma obra inacabada. A prova encontra-se no olho esquerdo da escultura, que não tem a córnea incrustada; Ludwig Borchardt julgou que esta se teria desprendido quando encontrou o busto, mas estudos posteriores revelaram que esta nunca foi colocada para não causar inveja as deusas. Segundo o costume da época os achados de uma escavação eram partilhados entre o Egito e os detentores da licença de escavação. O busto de Nefertiti acabaria por ser enviado para a Alemanha, onde foi entregue a James Simon, uma dos patrocinadores da expedição. Contudo, a forma como saiu do Egito é pouco clara e alvo de disputas. Atualmente o Egito alega que Borchardt escondeu a peça, versão contraposta à que alega que os responsáveis pelas antiguidades egípcias não deram importância ao busto, deixando-o partir. Em 1920 a obra foi doada ao Museu Egípcio de Berlim, onde passou a ser exibida a partir de 1923, tornando-se uma das atrações da instituição. Até então, as representações conhecidas da rainha, mostravam-na com um crânio alongado, sendo a rainha vista como uma mulher que provavelmente sofria de tuberculose. O busto revelou-se determinante na alteração da percepção da rainha, que muitas mulheres dos anos 30 procurariam imitar em bailes de máscaras. Durante a Segunda Guerra Mundial a Alemanha retirou as peças dos museus de Berlim para colocá-las em abrigos. O busto de Nefertiti foi guardado num abrigo na Turíngia, onde permaneceu até ao fim da guerra até que o exército americano o levou para Wiesbaden. Em 1956 o busto regressou a Berlim Ocidental.

A alegada múmia de Nefertiti

Nefertiti
(imagem: Andreas Praefcke).
Em Junho de 2003 a egiptóloga Joanne Fletcher da Universidade de York anunciou que ela e a sua equipe teriam identificado uma múmia como sendo a rainha Nefertiti. Em 1898 o egiptólogo Victor Loret descobriu o túmulo do rei Amenófis II no Vale dos Reis. Como foi o trigésimo quinto túmulo a ser encontrado, este recebeu a designação de "KV35" na moderna egiptologia (King Valley´s 35). Para além da múmia deste rei, encontraram-se onze múmias numa câmara selada do túmulo. Três destas múmias foram deixadas no local, devido ao seu elevado estado de deterioração, tendo as restantes sido levadas para o Museu Egípcio. Duas múmias eram de mulheres e a terceira de um rapaz. Uma peruca encontrada neste túmulo junto a uma das múmias chamou a atenção de Joanne Fletcher que a identificou com as perucas de estilo núbio utilizadas no tempo de Aquenáton. Para Fletcher, especialista em cabelos, esta peruca foi usada por Nefertiti. Para além disso, o lóbulo da orelha estava furado em dois pontos (uma marca da realeza), com impressões de uma tiara no crânio. A múmia não tinha cabelo o que corresponderia à necessidade de Nefertiti manter o cabelo raspado para poder utilizar a coroa azul e também para proteger-se contra piolhos e o calor do Egito na época retratada. Contudo, a arcada dentária da múmia estava identificada como sendo de uma mulher de vinte e cinco anos, o que torna pouco provável tratar-se de Nefertiti. Mas, logo depois se reparou outro detalhe interessante, os ossos da múmia estavam juntos e sólidos, o que só pode significar que a múmia tinha entre trinta e trinta e cinco anos, o que de novo levanta a possibilidade desta ser a múmia de Nefertiti. A misteriosa múmia foi teoricamente golpeada na boca destruindo boa parte de seu rosto. Os ferimentos mostravam que tal golpe foi realizado depois da mumificação, quando possíveis homens teriam entrado na tumba, mas não há uma pista do porque. A explicação para o golpe foi que, na tentativa de apagar Aquenáton da história egípcia, teriam golpeado a rainha na boca, impedindo que seu ka entrasse no pós-vida, como uma vingança.Todas as jóias que a ligavam com a realeza foram roubadas. Mas ainda assim através do raio-X foi possível identificar os famosos 'pinos de Nefer' usados pela rainha Nefertiti e também usados na mumificação de membros da família real. O cérebro da múmia também foi preservado, uma característica da décima oitava dinastia(a dinastia em qual Aquenáton governou). Baseados nos estudos da Dra. Joanne Fletcher, era bastante provável que a múmia fosse de Nefertiti. Com isso, ela conseguiu permissão do governo egípcio para performar um exame de DNA. Infelizmente, o exame mostrou que a múmia não era de Nefertiti, mas sim da irmã dela. As buscas pela múmia de Nefertiti continuam.

Referências:

sábado, 29 de março de 2014

Biografia de Charles Augustin de Coulomb


Charles Coulomb
Charles Augustin de Coulomb. Nasceu em Angoulême, a 14 de Junho de 1736, e, faleceu em Paris, a 23 de Agosto de 1806. Coulomb foi um físico francês. Em sua homenagem, deu-se seu nome à unidade de carga elétrica, o coulomb. Engenheiro de formação, Coulomb foi principalmente físico. Publicou 7 tratados sobre eletricidade e magnetismo, e outros sobre torção, atrito entre sólidos, etc. Experimentador genial e rigoroso, realizou uma experiência histórica com uma balança de torção para determinar a força exercida entre duas cargas elétricas (lei de Coulomb). Durante os últimos quatro anos da sua vida, foi inspetor geral do ensino público e teve um papel importante no sistema educativo da época.


Biografia

Coulomb nasceu em uma família abastada, filho de Henri Coulomb e Catherine Bajet. Sua família tinha se mudado para Paris, e lá Coulomb estudou no prestigiado Collège des Quatre-Nations. O curso de matemática, ministrado por Pierre Charles Le Monnier, motivou Coulomb a seguir a carreira matemática. Coulomb nasceu em 14 de Junho de 1736. Seus pais eram de famílias bem conhecidas na região de Angoulême, capital de Angoumois, no sudoeste da França. Após a
Balança de Torção de Coulomb.
educação básica em sua cidade natal, a família de Coulomb mudou-se para Paris, e Coulomb continuou seus estudos no Colégio Mazarin, recebendo o melhor ensino em matemática, astronomia, química e botânica. Durante este período seu pai perdeu todo o seu dinheiro, devido a maus investimentos financeiros, decidindo ir para Montpellier, sua mãe permanecendo em Paris. Entretanto, devido a desentendimentos entre Coulomb e sua mãe a respeito de sua carreira, cujos interesses incluíam a matemática e a astronomia, Coulomb optou por partir para Montpellier com seu pai. Lá, entrou para a Sociedade de Ciências em 1757. Desejava entrar na “École Génie” em Mézières e, para isso, precisava se preparar muito para os exames. Desta forma, retornou a Paris em 1758 e foi preparado por Camus, examinador para os cursos de artilharia. Em fevereiro de 1760, Coulomb entrou na “École Génie”, onde viria a se formar engenheiro militar em novembro de 1761. Passou nove anos (de 1764 a 1772) nas “Índias Ocidentais”, atual América, supervisionando os trabalhos de construção do “Fort Bourbon”, em Martinique (província francesa próxima da Venezuela), onde teve a oportunidade de realizar inúmeros experimentos sobre mecânica de estruturas, atrito em máquinas e elasticidade de materiais. Todavia, o extenso período na província abalou muito a sua saúde, o que fez com que, em 1772, regressasse a Paris, onde passou a dedicar-se somente à experimentação científica e a escrever importantes trabalhos a respeito de mecânica aplicada. Seu primeiro trabalho, “Sur une application des règles, de maximis et minimis à quelque problèmes de statique, relatifs à l’architecture”, contribuiu muito para a utilização de cálculos precisos na área de engenharia. Em um de seus trabalhos mais famosos Coulomb trata do equilíbrio de torção, mostrando como a torção pode viabilizar medidas de forças muito pequenas com grande precisão, descrevendo um método que utiliza fibras de diversos materiais, que foi um aperfeiçoamento da balança de torção, utilizada por Henry Cavendish para medir a atração gravitacional. Em 1779, Coulomb foi enviado a Rochefort para colaborar com o Marquês de Montalembert na construção de uma fortaleza. Este marquês, assim como Coulomb, possuía grande reputação entre os engenheiros militares. Durante este período, Coulomb aproveitou para continuar seus estudos e conquistou o grande prêmio na Academia de Ciências em 1781 (já havia conquistado outro em 1777 graças a um trabalho sobre o magnetismo terrestre) devido à sua teoria do atrito nas máquinas simples. Nesse trabalho, Coulomb investigou o atrito estático e dinâmico entre superfícies e desenvolveu uma série de equações, estabelecendo a relação entre a força de atrito e variáveis como o força normal, tempo, velocidade, etc. Além do prêmio, Coulomb assumiu um posto permanente na Academia de Ciências, não assumindo mais nenhum projeto de engenharia (área onde passou a ser apenas consultor), dedicando-se exclusivamente à física. Utilizando a metodologia de medir forças através da torção, Coulomb estabeleceu a relação entre força elétrica, quantidade de carga e distância, enfatizando a semelhança desta com a teoria de Isaac Newton para a gravitação, que estabelece a relação entre a força gravitacional e a quantidade de massa e distância. Além disso, estudou as cargas elétricas puntuais e a distribuição de cargas em superfícies de corpos carregados eletricamente. Em 1789 teve início a Revolução Francesa, ocasionando muitas modificações nas instituições às quais Coulomb estava ligado. A Academia de Ciências foi dissolvida, dando origem ao “Instituto da França”. Coulomb também se aposentou do exército, passando a realizar suas pesquisas em uma casa que possuía perto de Blois. Em 1802 assumiu o posto de inspetor geral de instrução pública, cargo que ocupou até o final da sua vida. Coulomb morreu em Paris em 23 de agosto de 1806.


Lei de Coulomb




Representação do vetor campo elétrico de uma onda eletromagnética circularmente polarizada. 
(imagem: Dave3457).


Diagrama que descreve o mecanismo básico da lei de Coulomb. As cargas iguais se repelem e as cargas opostas se atraem. 
(imagem: User:Dna-Dennis).

A Lei de Coulomb é uma lei da física que descreve a interação eletrostática entre partículas eletricamente carregadas. Foi formulada e publicada pela primeira vez em 1783 pelo físico francês Charles Augustin de Coulomb e foi essencial para o desenvolvimento do estudo da Eletricidade. Esta lei estabelece que o módulo da força entre duas cargas elétricas puntiformes (q1 e q2) é diretamente proporcional ao produto dos valores absolutos (módulos) das duas cargas e inversamente proporcional ao quadrado da distância r entre eles. Esta força pode ser atrativa ou repulsiva dependendo do sinal das cargas. É atrativa se as cargas tiverem sinais opostos. É repulsiva se as cargas tiverem o mesmo sinal. Após detalhadas medidas, utilizando uma balança de torção, Coulomb concluiu que esta força é completamente descrita pela seguinte expressão:

\vec{F} = \frac{1}{4\pi\varepsilon_0} \frac{q_1q_2}{r^2} \hat{r},
em que:

\vec{F} é a força, em Newtons (N);
\varepsilon_0\approx 8.854\times 10^{-12} C2 N−1 m−2 (ou F m−1) é a constante elétrica,r é a distância entre as duas cargas pontuais, em metros (m) eq1 e q2, os respectivos valores das cargas, em Coulombs (C).
\hat{r} é o vetor que indica a direção em que aponta a força eléctrica.
Por vezes substitui-se o fator 1/(4\pi\varepsilon_0) pork, a constante de Coulomb, com k \approx 8.98\times 10^9 N·m²/C².
Assim, a força elétrica, fica expressa na forma:

\vec{F} = k \frac{q_1q_2}{r^2} \hat{r},
A notação anterior é uma notação vectorial compacta, onde não é especificado qualquer sistema de coordenadas.
Se a carga 1 estiver na origem e a carga 2 no ponto com coordenadas cartesianas (x,y,z) a força de Coulomb toma a forma:


\vec{F} = \frac{1}{4\pi\varepsilon_0} \frac{q_1q_2}{(x^2+y^2+z^2)^{3/2}} (x\hat{\imath}+y\hat{\jmath}+z\hat{k}),
Como a carga de um Coulomb (1 C) é muito grande, costuma-se usar submúltiplos dessa unidade. Assim, temos:
1 milicoulomb = 10^ -3 C
1 microcoulomb = 10^ -6 C
1 nanocoulomb = 10^ -9 C
1picocoulomb = 10^ -12 C


Constante de Coulomb


A Constante de Coulomb, também chamada de constante eletrostática, é a constante de proporcionalidade k na equação da força eletrostática da lei de Coulomb:
F = k \frac{|q_1||q_2|}{r^2}
Seu valor para o vácuo, em unidades SI, é de aproximadamente 9 × 109 N·m2/C2.
A constante eletrostática no vácuo (k_0) é definida em termos de outra constante, a constante elétrica — ou permissividade elétrica do vácuo (\epsilon_0) —, da seguinte maneira:

k_0 = \frac{1}{4\pi\varepsilon_0}

Referências

quinta-feira, 27 de março de 2014

História da Clepsidra


Clepsidra moderna em Ilmenaux,
Alemanha. (Imagem: Manecke).
Clepsidra ou relógio de água foi um dos primeiros sistemas criados pelo homem para medir o tempo. Trata-se de um dispositivo movido a água, que funciona por gravidade, no mesmo princípio da ampulheta (de areia).


História


Egito

Nas clepsidras de recipientes cilíndricos ou em forma de paralelepípedo, com o passar do tempo, à medida que o nível caía, a pressão também se reduzia, reduzindo a vazão da água, prejudicando a linearidade da medição. Os antigos egípcios graduaram os recipientes fonte e receptor para compensar essas diferenças e também implementaram os recipientes em forma de cones, visando a atenuar os problemas da pressão. Ainda assim, uma precisão muito melhor não era obtida. A mais antiga clepsidra conhecida foi descoberta em Karnak em 1904. O medidor de tempo é da era de Amenófis III, aproximadamente de 1400 a.C. e está exposta no Museu Egípcio do Cairo. Tratava-se de um único recipiente com um orifício na base, pelo qual saía a água. A medição dos intervalos de tempo era feita por graduações nas paredes do recipiente. As primeiras clepsidras do Egito Antigo datam da época de 1600 a.C., e sua precisão era da ordem de 5 a 10 minutos.

Grécia

 

Clepsidra persa. (Imagem: Maahmaah).
Alguns exemplares foram identificados na Grécia antiga, (c. 500 a.C.). A palavra "clepsidra" vem do grego κλεψύδρα (klepsydra), retomado no Latim clepsydra. Sua formação vem de duas palavras gregas, κλέπτειν (kleptein), [ocultar, roubar], e ὕδωρ, ὕδατος (hydôr, hydatos), [água]. Outros registros diversos de clepsidras ao longo da história: Associa-se a clepsidra a duas fontes gregas. Os textos acerca da clepsidra são bastante numerosos. Pausânias de Esparta indica claramente a situação diante da gruta de Pan e de Apolo, ao pé das descida da Acrópole de Atenas e quase sob o Propileus (Propileus em grego — Προπυλαια, é a porta monumental que serve como a entrada para uma acrópole). O viajante grego cita (IV, 31 et 33) uma outra fonte do nome "clepsidra", situada na Acrópole do monte Ithome e cuja água alimentava a fonte Arsinoe, na praça do mercado de Messene:


  • Princípio da Clepsidra de Ctésibios.
    Em Messene, a fonte Clepsidra (conforme Pausânias, a fonte em cujas águas as ninfas Itome e Neda, que amamentaram Zeus, o lavaram depois que os deuses Curetes salvaram Zeus da barbária de seu pai Cronos (Saturno (mitologia), tempo) Essa é a água de Arsinoe já citada. A fonte Clepsidra fica no ponto mais baixo da estrada que vai ao santuário de Zeus' Ithomatos, bem próximo ao templo de Ártemis Laphria .
  • Em Atenas sob a Acrópole, a água da fonte Clepsidra alimentava a enorme Clepsidra Torre dos Ventos - relógio Hidráulico da Ágora.


A precisão da Clepsidra, para determinar com precisão o minuto do nascimento, tendo em vista a construção de horóscopos, foi criticada por Cláudio Ptolomeu, porque o fluxo da água pode se tornar irregular. Na Grécia antiga a precisão da Clepsidra foi bastante melhorada por volta de 270 a.C. Para que a variação de nível no recipiente fonte, o superior, não causasse variação na vazão de saída, o inventor grego Ctesíbio desenvolveu um sistema que mantinha o nível nível constante pelo método de vasos comunicantes com um dreno superior.

Galeria de imagens

Relógio d'água de padre Embriaco a palazzo Berardi. (Imagem: Lalupa).

Relógio d'água em Villa Borhgese gardens, Roma, Itália. (Imagem: Karelj).

The water clock on Southwold pier Suffolk. (Imagem: Keith Evans).

Relógio d'água na frente da administração municipal de Luterbach. (Imagem: Blademaster88).

Relógio d'água em Yao SEIBU, Yao, Osaka, Japão. (Imagem:
日本語: 撮影者:Kansai explorer).

Relógio das águas - Iguatemi Porto Alegre - RS. (Imagem:
Marcus Guimarães).




Oriente

 

Há informações acerca de dispositivos que podem ser considerados como clepsidras desde 2679 a.C., na China. Ali, o astrônomo Y. Hang inventou uma clepsidra que indicava os movimentos dos planetas (em 721). Em 1088, o engenheiro chinês Su Song fez construir uma clepsidra com mais de 10 metros de altura, em Kaifeng.

Outros

 

  • Clepsidra ateniense reconstituída.
    (Imagem: Marsyas).
    Na Índia, há relato de uma clepsidra constituída de um pequeno navio (com um furo no fundo) que naufragava num pequeno tanque, marcando assim intervalos de tempo.
  • Clepsidras mais aperfeiçoadas vieram a ser feitas pelos árabes. Eram instrumentos com função mais decorativa do que de medição do tempo. Por exemplo, em 801, o califa de Bagdá, Harun al-Rashid, presenteou, por meio de seu embaixador e dois monges de Jerusalém, uma clepsidra ao Imperador do Sacro Império Romano-Germânico, Carlos Magno. Tratava-se de uma peça movida a vazão de água, feita em bronze adamascado de ouro com um mostrador. Nas horas inteiras, uma quantidade igual à hora em questão caía sobre uma campainha (sineta), soando as horas. Nas horas doze, abriam-se doze pequenas janelas e de cada uma delas saía a efígie de um cavaleiro.
  • Três clepsidras eram usadas nos tribunais das antigas Grécia e Roma para marcar a duração das preleções da acusação, defesa e do juiz.
  • Há indícios de conhecimento dos princípios da clepsidra entre povos ameríndios.
  • Ao final do século XIX, na França, havia uma sofisticada clepsidra de mesa que consistia de um tambor metálico com eixo, dividido em diversos compartimentos ou setores circulares, interligados por pequenos furos. Esse tambor descia entre duas colunas verticais. Em cada uma das duas pontas de eixo enrolava-se um cordão que ficava suspenso no alto do conjunto. A água enchia um dos compartimentos inicialmente, e sua vazão corria para o compartimento seguinte. Em conjunto com o desbalanceamento do cilindro, proviam uma descida lenta, de modo que a posição do tambor sobre a escala graduada numa das colunas indicava as horas.

 

Usos

 

A clepsidra foi utilizada ao longo da história para medir períodos curtos, tais como:

  • A duração de um discurso de defesa (justiça) na Grécia antiga;
  • A duração dos turnos de guarda das legiões romanas;
  • A duração de períodos curtos em experimentos, como no caso de Galileu Galilei no estudo da queda de corpos em 1610;
  • Medição do tempo à noite ou em condições meteorológicas que não permitiam o uso de relógios de sol.

 

Características

 
Relógio d'água persa antigo. (Imagem: Maahmaah).
Consiste em dois recipientes, colocados em níveis diferentes: um na parte superior contendo o líquido, e outro, na parte inferior, com uma escala de níveis interna, inicialmente vazio. Através de uma abertura parcialmente controlada no recipiente superior, o líquido passa para o inferior, observando-se o tempo decorrido pela escala. Este tipo de instrumento evoluiu tecnicamente de forma a permitir uma medição do tempo com maior exatidão. Conforme desenvolvido por Ctesíbio, são utilizados três reservatórios (A, B, C). O reservatório A contém uma maior quantidade de água e seu objetivo é alimentar água ao reservatório B, cujo nível é mantido fixo por meio de um alívio (dito '"ladrão"), ou dreno quase no topo do mesmo. A água em B flui continuamente por meio de um orifício em sua base, indo para o recipiente C, o qual é graduado para indicar o tempo decorrido. Essa vazão é constante, pois o nível do recipiente B é constante. Mesmo com essa significativa melhoria, tais relógios são ainda imprecisos, pois há fatores que influem na duração do fluxo de água:

  • A variação da pressão atmosférica
  • As impurezas da água
  • A temperatura da água
A fabricação de uma Clepsidra exige muita precisão, em especial no que se refere ao orifício para vazão de água.

Hoje

 
A clepsidra é encontrada atualmente em funcionamento em poucos lugares, como no Rio Grande do Sul, em Porto Alegre, no Shopping Iguatemi. Há também clepsidras na Alemanha, nos estados de Indianapolis e no Colorado (Estados Unidos), em Sydney (Austrália) e dois na Colúmbia Britânica (Canadá).

Referências

Museu Nacional do Bargello


Museu Nacional do Bargello (Museo Nazionale del Bargello) é um museu florentino instalado em um dos mais antigos edifícios públicos da cidade, o Palazzo del Bargello, também conhecido como Palazzo del Podestà ou Palazzo del Popolo.


Palácio do Bargello, em 2008. (Imagem: Kandi).

Imagem antiga do Palácio do Bargello



Histórico

O palácio passou por muitas modificações em sua longa história, sendo usado como sede do Capitano del Popolo, da prisão, do Podestà e do Conselho de Justiça,
Oceano de Giambologna. 
(Imagem: Wolfgang Sauber).
até ser destinado em fins de 1859 para abrigar um museu, a ser criado, que deveria documentar a história e a arte da Toscana. Para isso teve de ser restaurado, e as obras só foram concluídas em 1865, ano de sua inauguração, integrando-se aos festejos comemorativos a Dante Alighieri. Nesta ocasião o museu exibiu duas mostras, uma dedicada a Dante e outra à arte medieval, com muitas obras emprestadas de outras instituições, como o Museu de Cluny e o Museu Victoria and Albert, que assim contribuíam para a formação de um núcleo inicial de acervo. Ainda nesta primeira fase foram reorganizadas duas salas no térreo para exibirem a coleção de armas remanescentes da época Medicea, em grande parte dispersa, e outras peças transferidas do Palazzo Vecchio, e deste também vieram uma série de esculturas que eram lá expostas no Salone dei Cinquecento, e foram instaladas no primeiro pavimento do novo museu. A seguir foram transferidas esculturas dos Uffizi e objetos de joalheria, cerâmica, esmaltes e estatuetas da coleção do Palácio Pitti, e recebeu algumas doações de colecionadores privados. Outras instituições estatais também cederam acervos, como os selos do Arquivo do Estado, as moedas da Zecca, e uma variedade de peças antigamente guardadas em mosteiros e igrejas que foram extintos depois da Unificação Italiana. Em 1887, com a comemoração do centenário de Donatello, foi organizada uma ala especial no primeiro piso, com numerosas obras do artista, de seus seguidores e de outros mestres que documentam o ambiente artístico e cultural da sua época. No final do século a coleção foi sendo grandemente ampliada, sendo de destacar a doação da rica coleção do antiquário Louis Carrand, de Lyon, com mais de 3 mil peças. Doações importantes subseqüentes (1886 Conti, 1899 Ressman, 1906 Franchetti) definiram o perfil do museu como dedicado às artes decorativas, embora a seção de escultura renascentista ainda seja notável pela quantidade de obras-primas que possui.

Espaços e Obras

Pátio interno

Este espaço passou por diversas transformações, e nas obras de restauro do século XIX sua aparência original foi em grande parte recuperada. Hoje abriga várias esculturas, com peças monumentais antigamente expostas no Palazzo Vecchio e no Palácio Pitti. A peça mais antiga é um sarcófago romano decorado, e outras dignas de nota são uma pia batismal de Santa Maria Novella, seis estátuas de músicos de Benedetto da Maiano e outra, representando Afonso de Aragão, obra de Francesco Laurana. Do século XVI são importantes uma estátua do Oceano, de Giambologna (Jean Boulogne) e peças que foram criadas para a incompleta fonte de Bartolomeo Ammannati.

Sala de Michelangelo e da Escultura do Cinquecento

 

Baco de Michelangelo.
Esta sala, uma das mais antigas do palácio, foi redecorada por Gaetano Bianchi com motivos giottescos e uma série de panóplias e escudos antigos. Novamente remodelada depois da grande enchente de 1966, hoje preserva apenas em suas paredes um afresco da Madonna e fragmentos da decoração pictórica do século XIX, como testemunho. Dentre suas esculturas estão o Baco, o Tondo Pitti, o Busto de Brutus e o Davi-Apolo, todas de Michelangelo; algumas peças de Benvenuto Cellini, como o Narciso, o Ganimedes e um busto de Cosimo I dei Medici; o Mercúrio e o Baco de Giambologna; o Baco de Jacopo Sansovino, além de obras de Baccio Bandinelli, Giovan Francesco Rustici e outros florentinos.
 

Sala dos Marfins

Com as 265 peças em marfim da Coleção Carrand, que vão do século V ao século XVII, com destaque para um díptico figurando cenas da vida de São Paulo, e outro mostrando Adão em ato de nomear os animais. Também mostra peças carolíngias, sendo especialmente raros o flabellum ventilabrum (um abanador) da Abadia de Saint Philibert de Tournus, e um olifante oriundo da Sainte-Chapelle de Paris. Outros itens interessantes do século XIV são espelhos aristocráticos, pentes decorados com cenas mitológicas, e objetos de toillette em marfim, ébano e madrepérola. Também aqui são mostradas algumas esculturas em madeira, telas e mosaicos, dentre os quais um Pantocrator do século XII é a peça mais importante.

Capela de Maria Madalena e Sacristia

Construída a partir de 1280, esta era a capela onde os condenados à morte aguardavam a execução. Originalmente era decorada com afrescos da escola de Giotto (Giotto di Bondone) e de Sebastiano Mainardi, que foram recobertos com cal quando o espaço foi transformado em cárcere. Restaurada no século XIX, mostra o aspecto original. Hoje exibe entalhes em madeira, peças de altar, pinturas e itens de ourivesaria sacra, como bustos-relicários, cruzes e outros objetos de culto.

Galeria de artes

Majolica plate ( 1550s ) of Apollo and Marsyas from Urbino.

Majolica plate ( 17th century ) showing a ball game, from Montelupo.

Majolica plate ( 17th century ) of Alexander the Great, by workshop of Francesco Grue, from Castelli.

Unknown Miniaturist, Italian (active in second half of 15th century in Florence)

Marble bust ( 14th century ) of Cosimo I of Tuscany, by Baccio Bandinelli.

Marble bust ( 1453-55 ) of Piero de' Medici by Mino da Fiesole.


Sala da Coleção Carrand

Expõe a maior parte da rica Coleção Carrand, um exemplo típico do colecionismo eclético do século XIX, que foi doada à cidade de Florença com a condição de ser exposta no Bargello. Conta com esmaltes, armas, marfins, cerâmicas, estatuetas, peças orientais, medalhas e uma série de outros objetos que cobrem um período de mais de 12 séculos, com várias procedências. São especialmente interessantes as jóias bizantinas e lombardas, as medalhas e esmaltes franceses dos séculos XII a XV, objetos domésticos flamengos, e as miniaturas da escola gótica francesa.

Coleção Islâmica

Destinada para abrigar a coleção dos Grãos-Duques da Toscana e peças de outras coleções privadas, com destaque para as peças em metais preciosos, exemplares refinados da artesania árabe, com vasos, armas e taças. Também são preciosas as cerâmicas persas dos séculos XII a XIV, com decoração caligráfica, os tapetes do século XIII, os vidros sírios do século XIV e os marfins egípcios do século XII.

Salão de Donatello e da Escultura do Quattrocento

 

São Jorge de Donatello.
Este grande salão, que antigamente era o local de reunião do Conselho Comunal, foi subdividido no século XVI e restaurado no século XIX, e hoje apresenta uma rica reunião de obras de Donatello (Donato di Niccoló di Betto Bardi) e de outros mestres do primeiro Quattrocento florentino. De Donatello é o Davi em mármore encomendado pela Opera di Santa Maria del Fiore em 1408, mas jamais instalado na fachada da famosa catedral. Adquirido pela Comune e levada ao Palazzo Vecchio, tornou-se um símbolo da cidade e seus ideais cívicos e republicanos. Outra peça insigne é o São Jorge antigamente exposto no externo de Orsanmichele, um dos pontos altos da produção juvenil do artista. Outro Davi, este em bronze, é da fase madura de Donatello e foi o primeiro nu em tamanho natural realizado desde a Antigüidade clássica, causando impacto ao ser exposto pela primeira vez. Outro mestre com trabalho nesta sala é Lorenzo Ghiberti, com o relevo O Sacrifício de Isaac, criada como peça de concurso para a segunda porta do Batistério de Florença, com a qual saiu-se vencedor. Também se mostra a peça que Filippo Brunelleschi apresentou para o mesmo concurso, e algumas Madonnas em terracota de Michele da Firenze, Michelozzo Michelozzi, Agostino di Duccio e Luca della Robbia.

Galeria do segundo piso

Chamada em italiano de Verone, é uma galeria aberta com arcadas, que foram fechadas e o espaço subdividido quando o palácio era uma prisão, mas suas características originais foram recuperadas para a inauguração do museu. Hoje ali são expostas esculturas decorativas do Cinquecento e uma grande estátua de Jasão, obra de Pietro Francavilla.

Sala da Escultura do Trecento

Um corredor adaptado para receber obras escultóricas da transição entre o século XIII e o XIV, com itens do atelier de Nicola Pisano (talvez de autoria de Arnolfo di Cambio) e de Bernardo Daddi, e algumas peças mais tardias, como uma grande Madonna em madeira do século XV da escola Toscana.

Sala das Majólicas

Com uma preciosa coleção deste tipo de cerâmica (uma terracota recoberta com esmalte opaco metálico e posteriormente pintada com motivos variados) provenientes em sua maioria de antigas e importantes manufaturas de Urbino, Faenza, Gubbio, Casteldurante, Montelupo, Pesaro, Perugia e Castelli d’Abruzzo, e com exemplares mouriscos espanhóis e do raro tipo Médici de porcelana, incluindo vasos e recipientes médicos e farmacêuticos, peças decorativas e outras utilitárias. Também fazem parte desta seção peças contemporâneas das manufaturas Cantagalli, Signa e Chini. Nas paredes, tondi de cerâmica vitrificada de Giovanni della Robbia e Luca della Robbia.

Sala de Verrocchio e da Escultura do segundo Quattrocento

Com um grupo de esculturas de Andrea di Michele di Cione, o “Verrocchio”, onde se destaca o célebre Davi, além de peças menos importantes como relevos e crucifixos. Completando o ambiente há trabalhos de Antonio del Pollaiolo, Mino da Fiesole, Francesco Laurana e Antonio Rossellino.

Galeria de artes

Ivory sculpture ( 13th century ) of Madonna and Child from France.

Bronze statue ( 1560s ) of Ganymede.

Three acolytes

Marble statue ( 14th century ) of Baby Jesus blessing, by workshop of Nicola Pisano.

Turkish helmet ( 15th century).

Marble relief ( 14th century ) by Giovanni di Balduccio, showing a personification of poverty.


Sala dos Pequenos Bronzes

Com uma série de itens decorativos, cópias reduzidas de obras clássicas e estudos diversos, a maior coleção do gênero em toda a Itália, agrupadas por tema, tipo e origem, onde merece especial atenção o grupo de Hércules e Anteu, de Pollaiolo, uma placa de Cellini e o Eros de Jacopo Bonacolsi. Giambologna se faz presente através do Morgante e de uma grande série de estatuetas representando os Trabalhos de Hércules e outras figuras alegóricas. Outros artistas notáveis como Benedetto da Rovezzano, Niccolò Roccatagliata, Antonio Susini e Giovanni Battista Foggini também são bem representados.

Sala de Andrea della Robbia

Um espaço especialmente dedicado à escola deste prolífico e inventivo artista florentino. Sua peça mais antiga no museu é a Madonna dos Arquitetos, de 1475. Obras mais maduras são as cenas da Flagelação e da Assunção de Cristo, além de uma multiplicidade de relevos sacros, em sua maioria representando a Madonna.

Sala de Giovanni della Robbia

David de Donatello.
Dedicada a este importante ceramista e outros que no século XVI continuaram a escola sui generis nesta técnica cujo primeiro expoente foi Andrea della Robbia, pai de pelo menos doze filhos, dos quais muitos seguiram seus passos. Deles um dos mais importantes foi Giovanni, que é representado com diversos itens, e completam a coleção peças de outros mestres menores. O grupo de obras neste gênero do Bargello é único por sua qualidade e tamanho.

Sala das Armas

Esta seção do museu possui cerca de 2 mil peças, cujo núcleo inicial proveio dos arsenais dos Grãos-Duques Médici, do Palazzo Vecchio e do Palácio Pitti. Um acréscimo importante ao núcleo primitivo foi a incorporação da coleção da família Della Rovere e de partes das coleções Carrand e Ressman. O conjunto cobre pelo menos um milênio na história das armas bélicas, ornamentais e desportivas da Europa.

Salas da Escultura Barroca e das Medalhas

Museu Nacional do Bargello
Nestes dois espaços é exposta uma pequena parte da extensa coleção de numismática do Bargello, com compreende mais de 25 mil peças. A primeira seção mostra algumas medalhas florentinas do século XV, com destaque para a medalha cunhada em 1438 para comemorar a visita do Imperador Bizantino João VIII Paleólogo à Itália por ocasião do Concílio de Ferrara. Seguem-se perfis de integrantes da Família d'Este, senhores de Ferrara, criados por Antonio Pisanello, os retratos Malatesta de Matteo de' Pasti e a célebre medalha de Leon Battista Alberti com o projeto do templo Malatesta. O final do século XV está ilustrado com retratos de Lorenzo de Médici e outros humanistas florentinos, de Francesco da Sangallo e Pastorino de' Pastorini. As outras seções exibem peças mais recentes, com exemplares comemorativos papais, da família dos Grão-Duques da Lorena e de artistas de França. A moderna revalorização das medalhas como gênero de miniescultura possibilitou a exposição conjunta deste tipo de obras com itens de estatuária tradicional, do período barroco, onde são notáveis o Busto de Costanza Bonarelli, de Gian Lorenzo Bernini, uma obra-prima da retratística, um busto monumental do Cardeal Ronainini, de Alessandro Algardi, um Busto de Cristo de Tulio Romano, e relevos de Massimiliano Soldani.

Referências