quarta-feira, 30 de abril de 2014

Teano (filósofa)


Teano. (em grego: Θεανώ; século VI a.C.). Teano foi uma matemática e filósofa da Grécia Antiga.




Biografia




Era filha de Pitonax de Creta (um físico e filósofo seguidor do orfismo), que foi uma grande discípula de Pitágoras. Teano foi aluna de Pitágoras e supõe-se que tenha sido sua mulher. Acredita-se que ela e as duas filhas tenham assumido a escola pitagórica após a morte do marido. Em outros relatos acredita-se que tenha sido filha de Brontino de Metaponto - sucessor de Pitágoras; ou ainda a filha de Pitágoras e mulher de Brontino, ou a filha de Milo de Crotona. Na escola grega conduzida por Pitágoras havia muitas mulheres acadêmicas e mestras. Os que participavam da escola viviam de maneira pública e publicavam os trabalhos todos sob o nome de Pitágoras. Assim, hoje torna-se difícil determinar cada trabalho individualmente.



Pensamento



Não há escritos remanescentes, embora exista uma literatura apócrifa. Historiadores afirmam que o trabalho mais importante por ela deixado relaciona-se ao princípio filosófico da "doutrina do meio-termo"*. Mary Ellen Waithe a considerou uma filósofa pitagórica em sua obra sobre as filósofas da história. Dentro da tradição pitagórica, Teano considerava que tudo que existe por ser distinto numericamente. O número é o princípio da realidade e da individualidade.

* A Doutrina do meio-termo do filósofo grego Aristóteles faz parte da ética do sistema aristotélico. Ela é um estado considerado o ideal, para Aristóteles. Todos os excessos são considerados vícios. Excesso de coragem é a temeridade, a impulsividade. A falta de coragem é a covardia. Ambas são consideradas vícios. É preciso buscar o equilíbrio, que é a virtude, ou seja, a coragem em si.





Referências



terça-feira, 29 de abril de 2014

Shennong e o Agriculturalismo


Shennong
Shennong. (Shen-nung; chinês tradicional: 神農, chinês simplificado: 神农, pinyin: Shénnóng, Wade-Giles: Shen2-nung2; japonês: Shinno, 神農; em coreano: 신농, Sinnong; em vietnamita: Thần Nông), cujo nome significa literalmente Divino Agricultor, também é conhecido como o Imperador dos cinco grãos (chinês tradicional: 五穀先帝, chinês simplificado: 五谷先帝, pinyin: Wǔgǔxiāndì), foi um lendário imperador da China e herói, considerado como um dos Três Soberanos (também conhecido como "Três Imperadores"), que viveram cerca de 5.000 anos atrás. Shen Nong supostamente ensinou aos antigos chineses não só as suas práticas de agricultura, mas também o uso de medicamentos à base de plantas.


Religião popular


De acordo com algumas versões dos mitos sobre Shennong, ele acabou morrendo como resultado de suas pesquisas sobre as propriedades das plantas, através da experimentação em seu próprio corpo, depois, em um de seus testes, ele comeu uma flor amarela de uma erva daninha que causou a ruptura de seu intestinos antes ele tivesse tempo de beber o chá antidotal: tendo assim dado a sua vida para a humanidade, desde então, recebeu honras especiais e um culto como o Rei dos Medicamentos. O sacrifício de vacas ou bois para Shennong em suas várias manifestações, não é de todo o caso, porcos e ovelhas eram aceitáveis. Fogos de artifício e incensos também eram usados, especialmente próximo a sua estátua no dia de seu aniversário em 26 de Abril, de acordo com a tradição popular. Sob os seus vários nomes, Shennong é a divindade, especialmente dos agricultores, comerciantes de arroz e praticantes da Medicina Tradicional Chinesa. Existem muitos templos e outros locais dedicados à sua adoração.


Influência da filosofia chinesa


Mais tarde, Shennong inspirou o Agriculturalismo uma filosofia agrarianista chinesa que defendia uma utopia de comunismo e igualitarismo camponês. Acreditavam que a sociedade chinesa deveria ser modelada a partir do sábio e rei Shennong, um herói popular que foi retratado na literatura chinesa como "um trabalhador dos campos, junto a todos os outros, e que consultava a todos os outros, sobre qualquer decisão que precisasse ser tomada".
O Agriculturalismo


Agriculturalismo, ou Escola Agrarianismo, Escola Agrônoma, em chinês Nongjia (農家/农家), foi uma filosofia de Agrarianismo chinês que defendia uma utopia de comunismo e igualitarismo camponês. Os Agricultorialistas acreditavam que a sociedade chinesa deveria ser modelada a partir do sábio e rei Shennong, um herói popular que foi retratado na literatura chinesa como "um trabalhador dos campos, junto a todos os outros, e que consultava a todos os outros, sobre qualquer decisão que precisasse ser tomada". Eles encorajaram o cultivo e a agricultura, ensinavam técnicas de cultivo e acreditavam que o desenvolvimento agrícola era a chave para uma sociedade estável e próspera. Agriculturalismo foi reprimido durante a Dinastia Qin e a maioria dos seus textos originais estão perdidos. No entanto, os conceitos originalmente associados ao agriculturalismo tiveram um impacto no confucionismo, no legalismo e na filosofia chinesa como um todo além de influenciar significativamente o pensamento chinês a ponto de ser visto visto como uma essência da identidade chinesa.


História


Agriculturalismo remonta ao Período das Primaveras e Outonos e ao Período dos Reinos Combatentes, durante um período conhecido como o "Cem Escolas do Pensamento" que floresceu de 770 a 221 a.C. Durante esse período, os estados concorrentes, buscaram guerrear uns com os outros para reunir a China como um só país, apadrinhado filósofos, acadêmicos e professores. A competição pelos estudiosos para a atenção dos governantes levaram ao desenvolvimento de diferentes escolas de pensamento, e a ênfase no registro de ensinamentos em livros incentivou a sua propagação. O resultado foi uma época caracterizada por evolução intelectual e cultural significativos. As principais filosofias da China, Confucionismo, Moísmo, Legalismo e o Taoísmo, originaram-se neste período. A tradição chinesa atribui a origem do agriculturalismo ao ministro chinês Hou Ji, uma figura conhecida por suas inovações na agricultura. Os agricultorialistas também enfatizaram o papel de Shennong, o agricultor divino, um governante semi-mítico do início China creditado pelos chineses como o inventor da agricultura. Shennong foi visto como um proto-agriculturalista, cuja governança e foco na agricultura servia de modelo para um governo agriculturalista ideal. Xu Xing, um filósofo que defendia agriculturalismo, estabeleceu-se com um grupo de seguidores no estado de Teng cerca de 315 a.C. Um de seus discípulos visitou o filósofo confucionista Mêncio e um breve relato dessa conversa discutindo a filosofia de Xu Xing existe. A ascensão da Dinastia Qin em 221 a.C. viu a a queima dos livros e o enterrar dos estudiosos, incluindo o agriculturalismo. O legalista da dinastia Qin era intolerante com outras escolas de pensamento, procurando queimar qualquer texto que não aderisse à filosofia legalista. Por, alguns textos agriculturalistas existem, e a maior parte do que é conhecido do agriculturalismo vem de avaliações críticas por outras escolas filosóficas. A bibliografia do Livro de Han (século II) apresenta o agriculturalismo como uma das 10 escolas filosóficas e listas nove livros pertencentes a essa escola.


Filosofia


O Agriculturalismo é primariamente uma filosofia social, econômica e política. A filosofia baseia-se na noção de que a sociedade humana se origina com o desenvolvimento da agricultura e as sociedades são baseadas na "propensão natural das pessoas para o cultivo". Os Agriculturalistas descreveram o antigo sistema político, visto como ideal, como aquela em que "o meio pelo qual o reis sábio levou seu povo para colocar a agricultura a frente de todos os outros assuntos... a razão pela qual Hou Ji empreendeu a agricultura era porque ele a considerou ser a raiz para instruir as massas".


Política


Para os agriculturalistas, a sociedade ideal, modelada seguindo Shennong , é comunista, agrarianista e igualitária. Os agriculturalistas acreditavam que o governo ideal é liderado por um rei benevolente que trabalha ao lado das pessoas nos campos de cultivo. O rei agriculturalista não é pago pelo governo por meio de seus tesouros, seus meios de subsistência é derivado dos lucros que ganha trabalhando nos campos e cozinhando suas próprias refeições e não por sua liderança. Disse então Xu Xing:


O governante de Teng é uma soberano direito e digno. No entanto, ele ainda tem que ouvir o Caminho. AUm governante sábio cultiva a terra, juntamente com o seu povo para ganhar a vida. Ele governa enquanto cozinha as suas próprias refeições. Agora, que Teng tem celeiros e tesourarias significa que [o governante] inflige sofrimento ao povo para engordar a si mesmo. Como esse pode ser um governante digno?
Xu Xing

Economia



Diferentemente dos confucionistas, os agricultorialistas não acreditavam na divisão do trabalho, argumentando que as políticas econômicas de um país precisa basear-se numa autossuficiência igualitária . Apoiavam a fixação de preços, em que todos os bens similares, independentemente das diferenças de qualidade e demanda, possuem exatamente o mesmo preço imutável. Eles sugeriram que as pessoas devem ser pagas na mesma quantidade para os mesmos serviços, uma política criticada pelos confucionistas por incentivar produtos de baixa qualidade, que "destrói os padrões sérios do artesanato".


Recepção


O agriculturalismo foi criticado amplamente por escolas filosóficas rivais, incluindo o moísta Mo Zi e os confucionistas Mêncio e Yang Zhu. Mêncio criticou seu principal proponente Xu Xing por defender que os governantes devem trabalhar nos campos com seus súditos, argumentando que o igualitarismo agriculturalista ignorava a divisão do trabalho central para a sociedade. Ele ressalta que outros governantes chineses anteriores não trabalhavam nos campos, mas foram igualmente bem-sucedidos e reverenciados como Shennong. Mêncio rejeitou Xu Xing como um "bárbaro sulista de língua solta".


Influências


A queima dos livros de filosofias rivais a legalista Dinastia Qin destruiu vários textos agriculturalistas. No entanto, agriculturalismo em seu auge fortemente influenciado as políticas agrárias de confucionismo, legalismo e outras escolas filosóficas, muitos conceitos originalmente associados aos agriculturialistas continuaram a existir na filosofia chinesa. A transmissão e tradução de textos filosóficos chineses na Europa durante o século 18 teve uma grande influência no desenvolvimento de Agrarianismo na Europa. A filosofia agrarianista francesa, uma predecessora do agrarianismo moderno de François Quesnay e dos fisiocratas, dizem ter sido modelada seguindo as políticas agrárias da filosofia chinesa.

Referências



Biografia de Albrecht von Haller


Albrecht von Haller
(imagem: Magnus Manske).
Albrecht von Haller. Nasceu em Berna, a 16 de Outubro de 1708, e, faleceu, também em Berna, a 12 de Dezembro de 1777. Albrecht von Haller foi um médico, poeta e naturalista suíço. Fundou o Jardim botânico da Universidade de Gotinga (Botanischen Garten der Universität Göttingen) em 1736.




Biografia




  • A atenção de Haller tinha sido direcionada para a profissão da medicina, futuramente Médico, botânico, fisiologista, anatomista e poeta. Considerado um dos maiores fisiologistas modernos e o criador da fisiologia experimental. Nasceu em Berna, e morou na casa de um médico no Biel após a morte de seu pai em 1721. Era um jovem doente e e muito tímido, quando fez 16 anos foi para a Universidade de Tübingen 1723, onde estudou sob Rudolph Camerarius Elias Jr. e Duvernoy Johann. Insatisfeito com o seu progresso, ele trocou de Tübingen em 1725 para Leiden, onde Boerhaave estava no auge de sua fama, e tinha começado a aula de anatomia. Nessa universidade, ele se formou em Maio de 1727, trabalho de sucesso em sua tese para provar que o duto chamado salivares, reclamada como uma recente descoberta por Georg Daniel Coschwitz (1679-1729), que era nada mais do que um vaso sanguíneo, também demonstrou a irritabilidade das fibras musculares e a sensibilidade do sistema nervoso. Mudou-se para Basiléia, na Suíça, onde iniciou estudos sobre a flora do país. Foi durante sua estadia que também seu interesse em botânica foi despertado e, no decorrer de uma excursão, através de Sabóia, Baden e vários dos cantões da Suíça, iniciou uma coleção de plantas que depois foi à base de sua grande obra sobre a flora da Suíça.*
  • Após completar seu estágio em medicina,
    Jardim Botânico de Göttingen
    (imagem: Valérie Chansigaud).
    participou de importantes pesquisas sobre botânica e anatomia, tornando-se professor em medicina, anatomia, cirurgia e botânica na Universidade de Göttingen em 17 anos, Além do trabalho normal de suas aulas, fundou na cidade o horto florestal, o centro anatômico e o instituto fisiológico, um museu, uma escola de obstetrícia, e instituições similares e continuando sem interrupção as originais pesquisas em botânica e fisiologia, dos quais os resultados são preservados em numerosos trabalhos associados ao seu nome, ele também continuou a perseverar seu hábito juvenil de composição poética, ao mesmo tempo, ele realizou um jornal mensal ao qual ele se diz ter contribuído doze mil artigos relacionados com quase todos os ramos do conhecimento humano. Ele também interessou-se vivamente na maioria das questões religiosas, tanto passageiro e permanente, do seu dia, e a construção da Igreja Reformada em Göttingen foi devido principalmente a sua energia incansável. Mas o principal resultado, foi o seu poema intitulado Die Alpen, que foi concluída em Março de 1729, e apareceu na primeira edição (1732) de sua Gedichte. Este poema de 490 hexâmetros (Forma de Medida) é historicamente importante como um dos primeiros sinais de despertar a valorização das montanhas, mas é principalmente concebido para contrastar a vida simples e suavemente amorosa dos habitantes dos Alpes com a existência corrupta e decadente dos moradores das planícies.*
  • Retornando à Suíça, exerceu vários cargos públicos em Berna, e começou a prática como um médico, mas seus melhores trabalhos foram dedicados à botânica e anatômica pesquisas que rapidamente deram-lhe uma reputação européia, e obtido por ele o lugar George II em 1736 uma cadeira de medicina, anatomia, botânica e cirurgia no recém-fundada Universidade de Göttingen. Ele se tornou um Fellow da Royal Society em 1743, um membro estrangeiro da Academia Real Sueca de Ciências, em 1747, e foi enobrecido em 1749. E escreveu trabalhos, criou o método experimental em fisiologia e formulou a doutrina da irritabilidade, a distinção entre tecidos sensíveis e irritáveis, típica do sistema muscular.

Reconheceu o mecanismo da respiração, do automatismo cardíaco e da importância da bile na digestão das gorduras. Descreveu o desenvolvimento embrionário e estudou a anatomia dos órgãos genitais, do cérebro e do sistema cardiovascular e provou que o sistema nervoso era o responsável pelas sensações. Entre seus muitos trabalhos científicos destacou-se Elementa Physiologiae Corporis Humani, um notável tratado, sagrando-se o maior fisiologista do século XVIII. *

 

Publicações


Científicas



  • Erläuterungen zu Boerhaaves Institutiones (7 tomos), 1739-44
  • Enumeratio Methodica Stirpium Helveticae Indigenarum (descrição da flora alpina suíça) 1742
  • Primae Lineae Physiologiae, 1747
  • De Partibus Corporis Humani Sensilibus et Irritabilibus, 1752
  • Elementa Physiologiae Corporis Humani (8 tomos), 1757-66
  • Historia Stirpium Helvetiae Über Die Schweizerische Alpenflora, 1768.

Literária



  • Versuch Schweizerischer Gedichten (!), Bern 1732;
  • Zweyte, vermehrte und veränderte Auflage u.d.T. Versuch von Schweizerischen Gedichten von 1734
  • Alfred, König der Angelsachsen, 1773
  • Fabius und Cato, 1774
  • Briefe über einige Einwürfe nochlebender Freygeister wieder die Offenbarung (3 Teile), 1775-77



Haller é a abreviatura padrão usada para indicar Albrecht von Haller como autoridade na descrição e classificação científica de um nome botânico.




Referências






domingo, 27 de abril de 2014

Biografia de William Lilly


William Lilly
William Lilly. Nasceu em Diseworth (Leicestershire), a 1 de Maio de 1602, e, faleceu em Hersham (Surrey), a 9 de Junho de 1681. William Lilly foi um dos mais importantes astrólogos do seu tempo e o seu conhecimento é ainda amplamente estudado e aplicado pelos astrólogos atuais em todo o mundo. Lilly não só interpretava os horóscopos relativos ao nascimento das pessoas como foi o maior especialista na Astrologia Horária, interpretando os mapas astrais traçados para questões que eram formuladas. Em 1666, Lilly causou grande polêmica por alegadamente predizer o Grande Incêndio de Londres, cerca de 14 anos antes de ter acontecido. Por esta razão, muitas pessoas acreditavam que ele pode ter iniciado o fogo, mas não há nenhuma evidência para apoiar tais alegações. Chegou a ser acusado por este crime, tendo ido testemunhar ao Parlamento, mas foi declarado inocente.



Biografia



William Lilly nasceu a 1 de Maio de 1602 na aldeia de Diseworth, Leicestershire. Começou a estudar Astrologia em 1632 e em 1641 iniciou uma prática profissional nesta área.



Obra



  • 1647 - Christian Astrology, em três volumes: An Introduction to Astrology, The Resolution of All Manner of Questions e An Easie And Plaine Method Teaching How to Judge upon Nativities
  • 1651 - Monarchy or no Monarchy.

 

 Bibliografia




  • CURRY, Patrick. Prophecy and Power: Astrology in Early Modern England. Princeton University Press, 1989.
  • LILLY, William. Christian Astrology, Book 1: An Introduction to Astrology; Book 2: The Resolution of All Manner of Questions, 1647. 2a. ed., 1659. Re-publicado por Astrology Classics (Bel Air, Maryland), 2004; por Ascella Publications, ed. D. Houlding, London, 1999; e [em facsimile da edição de 1647] por Regulus Press, London, 1985.
  • LILLY, William. Christian Astrology, Book 3: An Easie And Plaine Method Teaching How to Judge upon Nativities, 1647. 2a. ed., 1659. Re-publicado por Astrology Classics (Bel Air, Maryland), 2004; por Ascella Publications, ed. D. Houlding, London, 2000; e [em facsimile da edição de 1647] por Regulus Press, London, 1985.
  • LILLY, William. History of His Life and Times from the year 1602 to 1681, 1715, London, por Elias Ashmole. Re-publicado por Kessinger, 2004.
  • LILLY, William; ASHMOLE, Elias. Lives of Those Eminent Antiquaries Elias Ashmole and Mr. William Lilly. London: T. Davies, 1772. Reimpresso por Kessinger da edição de 1942.
  • PARKER, Derek. Familiar to All: William Lilly and Astrology in the Seventeenth Century. London: Cape, 1973.
  • TRAISTER, Barbara Howard. The Notorious Astrological Physician of London: works and days of Simon Forman. Chicago; London: University of Chicago Press, 2001.

 

Referências




Sede da ONU


Território Internacional em Nova Iorque, NY
A Sede da Organização das Nações Unidas está localizada em Nova Iorque, Estados Unidos. Foi construída entre 1949 e 1952, com projeto do arquiteto brasileiro Oscar Niemeyer e está localizada no setor leste de Manhattan.






Equipe de Projeto



Em vez de anunciar um concurso para o projeto do complexo das Nações Unidas, a ONU preferiu montar uma equipe de arquitetos de diversos países para a composição do projeto. O arquiteto americano Wallace Harrison foi o diretor de planejamento e os governos dos países indicaram seus representantes. A equipe de arquitetos consistiu em N.D. Bassov (União Soviética), Gaston Brunfaut (Bélgica), Ernest Cormier (Canadá), Le Corbusier (França/Suíça), Liang Ssu-cheng (China), Sven Markelius (Suécia), Oscar Niemeyer (Brasil), Howard Robertson (Reino Unido), G.A. Soilleux (Austrália) e Julio Villamajo (Uruguai). O comitê apreciou 50 estudos diferentes antes de chegar a uma decisão. O desenho derivou de uma proposta de Niemeyer/Corbusier.




Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Sede_da_ONU

Palafita


Pilotis Pré-Histórico
Palafita. Chamam-se genericamente de palafitas sistemas construtivos usados em edificações localizadas em regiões alagadiças cuja função é evitar que as casas sejam arrastadas pela correnteza dos rios. As palafitas são comuns em todos os continentes sendo que em áreas tropicais e equatoriais de alto índice pluviométrico é maior. São construções sobre estacas de madeira muito utilizadas nas margens dos rios, na Amazônia, áreas do Pantanal (Brasil), em países da África e Ásia. Também são encontradas em bairros como o de alagados (Bahia) e em São Vicente, São Paulo, nas imediações da ponte do mar pequeno.

Origem

 

Cidade de Nyaung Shwe no lago Inle, Mianmar.
Acredita-se que a palafita tenha surgido no período neolítico. As palafitas da pré-história foram descobertas no século XIX no lago de Zurique, Suíça e em lagos e regiões pantanosas da Itália, Alemanha e França. Dependendo das regiões, as construções sobre palafitas podem empregar o uso de barro e ser confeccionadas em palha, madeira e ramos trançados no piso de modo aceitar um revestimento de Argila, possibilitando desta forma o uso do fogo em seu interior. Com uma plataforma em sua base montada sobre caibros e estacas evitavam-se as inundações.

Teoria lacustre

Durante o Inverno excepcionalmente seco de 1853-1854, o lago de Zurique baixou a um nível nunca atingido e assim descobriu-se em Obermeilen antigos pilotis, utensílios em pedra, ossos e peças em cerâmica. O arqueólogo Suíço, Ferdinand Keller identificou os vestígios como sendo da era Pré-histórica e a partir daí desenvolveu a sua célebre teoria lacustre (ou teoria dos lacustres): a densidade das estacas em madeira, a sua posição vertical e a sua situação nas zonas litorais de pouca profundidade levou-o a concluir que as estacas tinham servido para suster plataformas em madeira sobre as quais se levantavam as habitações. Com as escavações arqueológicas de Emil Vogt no Wauwilermoos de Lucerna nasceu um longo debate sobre as construções palafitas, já que para uns elas eram postas diretamente no solo, e para outros elevada (sobre estacas). As pesquisas arqueológicas mais recentes mostraram que existem os dois tipos.

Imagens:

  • Gerhard Schauber
  • 3coma14 City of Yawnghwe in the Inle Lake (Heho, Burma).

Referências

Biografia de François Rabelais


François Rabelais
François Rabelais. (Françhois Rabelaiche). Nasceu em Chinon em 1494, e, faleceu em Paris, a 9 de Abril de 1553. François Rabelais foi um escritor, padre e médico francês do Renascimento, que usou, também, o pseudônimo Alcofribas Nasier (um anagrama de seu verdadeiro nome). * Nascido em Chinon de la Turaine, por decisão paterna seguiu a carreira eclesiástica: foi frade menor da Ordem dos franciscanos durante 15 anos, em Fontenay le Comte. Ordenado padre em 1511, entregava-se, apesar do espírito da sua ordem e da proibição dos seus superiores, ao estudo das ciências naturais e das línguas antigas (compreendendo o grego e o hebreu). Em 1523, teve de fugir, mas, protegido por Godofredo de Estissac, bispo de Maillezais, obteve o perdão e entrou na Ordem dos Beneditinos. Em 1532, completou um curso de medicina, ingressando como médico num hospital de Lião. Inspirando-se em antigas versões populares da Idade Média, escreveu sua primeira obra importante, As Grandes e Inestimáveis Crônicas do Grande e Enorme Gigante Gargântua, que alcançou um sucesso surpreendente. O sucesso do primeiro livro entusiasmou Rabelais, que prosseguiu no desenvolvimento do mesmo tema, dando-lhe, porém, um sentido mais objetivo, produzindo a segunda obra, a mais famosa: La Vie très Horrifique du Grand Gargantua, père de Pantagruel. Gargântua e Pantagruel é uma das obras-primas da literatura universal de todos os tempos, não só por ser poderosamente pitoresca no seu vocabulário e no seu estilo, mas também porque, na crueza da linguagem, o cepticismo e as loucas fantasias, se descortina uma crítica superior, um vivo amor pela humanidade, a paixão da justiça e o culto da verdadeira ciência”.
 

Rabelais por Gustave Doré, 1894.
Ficou para a posteridade como o autor das obras primas cômicas Pantagruel e Gargântua, que exploravam lendas populares, farsas, romances, bem como obras clássicas. O escatologismo é usado para condenação humorística. A exuberância da sua criatividade, do seu colorido e da sua variedade literária asseguram a sua popularidade. Os detalhes da vida de Rabelais, são esparsos e de muito difícil interpretação. Foi um sacerdote de fraca vocação, erudito apaixonado pelo saber, de espírito ousado e com propensão para as novidades e para as reformas. Depois de aparentemente ter estudado Direito, tornou-se franciscano e iniciou os seus contatos com o movimento humanístico, trocou correspondência com G. Budé e com Erasmo de Roterdã. Mais tarde mudou-se para o convento de Puy-Saint-Martin e a partir de 1521, ou talvez mais cedo, começou a receber ordens sacras. Depressa adquiriu fama de grande humanista junto dos seus contemporâneos, mas a sátira religiosa, o humor escatológico e as suas narrativas cómicas abriram-lhe o caminho para a perseguição. A sua vida estava dependente do poder de várias figuras públicas, nos tempos perigosos de intolerância que se viviam em França. Por ordem da Sorbonne, viu confiscados os seus livros, tendo então passado para a ordem dos beneditinos. Interessa-se pelo Direito e sobretudo pela Medicina. Médico em Lyon, aí publica uma edição dos Aforismos de Hipócrates, Pantagruel, em 1532, seguido, em 1534, por Gargântua. A proteção do cardeal J. Du Bellay salva-o da repressão da Sorbonne que lhe condenara a obra. Depois de receber a permissão para o abandono do hábito, obtém o doutoramento em Medicina. A publicação de Tiers Livre, em 1546, obriga-o a refugiar-se em Metz e a passar dois anos em Roma. Só com a protecção do cardeal J. Du Bellay lhe é assegurada uma existência mais calma. O Quart Livre, concluído em 1552 só foi publicado 11 anos após a sua morte. Rabelais serviu-se da imaginação popular que herdara do espírito medieval, da estrutura narrativa das gestas, do estilo picaresco e da riqueza vocabular para versar alguns dos problemas mais decadentes do seu tempo, como a vivência religiosa, a administração da justiça ou a guerra justa. Pretendeu libertar as pessoas da superstição e das interpretações adulteradas que a Idade Média alimentara, não indo embora contra o Evangelho nem contra o valor divino. A obra de Rabelais constitui uma das mais originais manifestações da crença do homem nas suas capacidades, simbolizadas pelo gigantismo das personagens. Inimigo da Idade Média, ataca o génio da cavalaria, a mania conquistadora, o espírito escolástico e sobretudo o sistema de educação. Rabelais renegou as tradições, a escolástica, o pedantismo monacal, a rotina dogmática da Universidade de Paris. O ensaísta russo Mikhail Mikhailovich Bakhtin analisou a obra rabelaisiana em A Cultura Popular na Idade Média: o contexto de François Rabelais; também em "O Cronotopo de Rabelais", em Questões de Literatura e de Estética.




Precedente do anarquismo




Em Gargantua e Pantagruel (1532-52), François Rabelais escreveu no Abby de Thelema (palavra grega que significa "vontade" ou "desejo"), um utopia imaginária onde seu princípio era "Faça Como Queira", lugar no qual não havia governantes ou governados. Graças a esta contribuição literária, bem como aos seus questionamentos críticos de fundo ético através da sátira aos governantes de seu tempo, Rabelais é considerado por alguns anarquistas, entre eles Voltairine de Cleyre, um importante precursor do pensamento ácrata no final do medievo.




Pantagruel




Pantagruel é o herói do primeiro romance de François Rabelais Les horribles et épouvantables faits et prouesses du très renommé Pantagruel Roi des Dipsodes, fils du Grand Géant Gargantua ("Os horríveis e apavorantes feitos e proezas do mui renomado Pantagruel, rei dos dipsodos, filho do grande gigante Gargântua"), publicado em 1532. Pantagruel é filho do gigante Gargântua e de sua mulher Badebec, que morre durante o parto. Um grande boa-vida, alegre e glutão, destaca-se desde a infância por sua força descomunal - superada apenas por seu apetite. Seu nome significa "tudo alterado" e é também o nome de um demónio do folclore bretão cuja actividade preferida era a de jogar sal na boca dos bêbados adormecidos, para lhes causar sede e fazê-los beber ainda mais. Em suas andanças, Pantagruel encontra Panurge, um clérigo arruinado que se tornará seu companheiro de aventuras e também protagonista de vários episódios do romance. Fortemente inspirada na tradição oral do medievo, nas gestas e nos romances de cavalaria, a narrativa constitui-se de episódios épicos, cómicos, eventualmente delirantes e grotescos, narrados em linguagem simples. Após o grande sucesso do seu primeiro livro, Rabelais publica o segundo romance, Gargântua, originalmente chamado La vie très horrifique du grand Gargantua, père de Pantagruel (" A vida mui horrífica do grande Gargântua, pai de Pantagruel"). Em virtude da censura da Sorbonne, Rabelais escreveu ambos os livros sob o pseudônimo Alcofrybas Nasier, um anagrama de seu próprio nome. De todo modo, Pantagruel acabou condenado pela Sorbonne, sendo incluído entre os livros obscenos e censurados. Em 1564 o Index librorum prohibitorum, promulgado pelo Papa, classificou as obras de Rabelais como heréticas.




Gargântua




Gargantua por Rabelais, 1873.
Gargântua é o primeiro volume da história dos gigantes Gargântua e Pantagruel, do francês François Rabelais. Apesar de ser o primeiro na ordem cronológica, foi o segundo a ser escrito. O livro trata da história do gigante Gargântua, pai de Pantagruel, rei dos dipsodos. Os livros ficaram famosos na França, mas foram proibidos pela Sorbonne por seu conteúdo obsceno. Em virtude da censura, Rabelais escreveu ambos os livros sob o pseudônimo Alcofrybas Nasier, um anagrama de seu próprio nome. De todo modo, Gargântua, assim como Pantagruel, acabou condenado pela universidade francesa, sendo incluído entre os livros obscenos e censurados. Em 1564, o Index librorum prohibitorum, promulgado pelo Papa, classificou as obras de Rabelais como heréticas.




Citações



  • "O bom vinho alegra o coração do homem".

- le bon vin réjouit le cœur de l'homme
- "Le Tiers livre" - Página 482; de François Rabelais, Pierre Michel - Publicado por le Livre de poche, 1966 - 542 páginas

  • "Um homem nobre nunca odeia um bom vinho: é um preceito monarcal"

- Jamais un homme noble ne hait le bon vin: c'est un précepte monacal.
- "Oeuvres complètes Gargantua Pantagruel Le tiers livre Le quart livre Le cinquième et dernier livre Lettres et oeuvres diverses Gargantua Pantagruel Le tiers livre Le quart livre Le cinquième et dernier livre Lettres et oeuvres diverses" - Página 11; de François Rabelais, Guy Demerson, Michel Renaud, Geneviève Demerson - Publicado por Editions du Seuil, 1995 - 1579 páginas

  • "O vinho tem o poder de encher a alma de toda a verdade, de todo o saber e filosofia".

- le vin possède le pouvoir de remplir l’âme de toute vérité, de tout savoir et de toute philosophie.
- Oeuvres complètes, Volume 7 de Oeuvres de François Rabelais - Página 909, François Rabelais, ‎Abel Lefranc - H. et E. Champion, 1913

  • "Tudo chega com o tempo, para quem sabe esperar."

- Tout vient à point, qui peut attendre
- "Rabelaesiana", in: "Oeuvres de F. Rabelais" - Página 648; de François Rabelais - Publicado por Ledentu, 1835 - 677 páginas

  • "O hábito não faz o monge".

- l'habit ne fait pas le moine.
- provérbio citado em "Oeuvres", volume 2, página 495; Por François Rabelais; Publicado por J.-F. Bastien, 1783, 528 páginas

  • "Pouco tenho, devo muito, o resto fica para os pobres" (em seu testamento)

- I owe much — I possess nothing — I give the rest to the poor
- "The Parterre", volume 2, página 40; Publicado por E. Wilson, 1835


 

Atribuídas




  • "Conheço muitos que não puderam quando deviam, porque não quiseram quando podiam."

- citado em "Duailibi Essencial: Minidicionário com mais de 4.500 frases essenciais" - Página 303, Roberto Duailibi, Marina Pechlivanis, Elsevier Brazil, 2006, ISBN 8535219579, 9788535219579 - 496 páginas




Referências






sexta-feira, 25 de abril de 2014

Biografia de Graciliano Ramos


Vidas Sêcas, de Graciliano Ramos.
Graciliano Ramos. (Graciliano Ramos de Oliveira). Nasceu em Quebrangulo, Estado de Alagoas, a 27 de Outubro de 1892, e, faleceu no Rio de Janeiro, Estado do Rio de Janeiro, a 20 de Março de 1953. Graciliano Ramos foi um romancista, cronista, contista, jornalista, político e memorialista brasileiro do século XX, mais conhecido por seu livro Vidas Secas (1938). * “A sua obra, pensada em particular ou em conjunto, nos dá a sensação de coisa pesada, opressiva ainda que lúcida; em perfeita coerência com a natureza introspectiva, analista, cética e desconfiada do autor, moldado como foi pelo meio e uma educação cheios de violência, ignorância, incompreensão e injustiças”. (Nelly Novais Coelho).



Biografia



Graciliano Ramos nasceu em Quebrangulo, em 27 de Outubro de 1892. Primeiro de dezesseis irmãos de uma família de classe média do sertão nordestino, ele viveu os primeiros anos em diversas cidades do Nordeste brasileiro, como Buíque (PE), Viçosa e Maceió (AL). Terminando o segundo grau em Maceió, seguiu para o Rio de Janeiro, onde passou um tempo trabalhando como jornalista. Em Setembro de 1915, motivado pela morte dos irmãos Otacília, Leonor e Clodoaldo e do sobrinho Heleno, vitimados pela epidemia de peste bubônica, volta para o Nordeste, fixando-se junto ao pai, que era comerciante em Palmeira dos Índios, Alagoas. Neste mesmo ano casou-se com Maria Augusta de Barros, que morreu em 1920, deixando-lhe quatro filhos. Foi eleito prefeito de Palmeira dos Índios em 1927, tomando posse no ano seguinte. Ficou no cargo por dois anos, renunciando a 10 de Abril de 1930. Segundo uma das auto-descrições, "(...) Quando prefeito de uma cidade do interior, soltava os presos para construírem estradas". Os relatórios da prefeitura que escreveu nesse período chamaram a atenção de Augusto Frederico Schmidt, editor carioca que o animou a publicar Caetés (1933). Entre 1930 e 1936 viveu em Maceió, trabalhando como diretor da Imprensa Oficial, professor e diretor da Instrução Pública do estado. Em 1934 havia publicado São Bernardo, e quando se preparava para publicar o próximo livro, foi preso em decorrência do pânico insuflado por Getúlio Vargas após a Intentona Comunista de 1935. Com ajuda de amigos, entre os quais José Lins do Rego, consegue publicar Angústia (1936), considerada por muitos críticos como sua melhor obra. Em 1938 publicou Vidas Secas. Em seguida estabeleceu-se no Rio de Janeiro, como inspetor federal de ensino. Em 1945 ingressou no antigo Partido Comunista do Brasil - PCB (que nos anos sessenta dividiu-se em Partido Comunista Brasileiro - PCB - e Partido Comunista do Brasil - PCdoB), de orientação soviética e sob o comando de Luís Carlos Prestes; nos anos seguintes, realizaria algumas viagens a países europeus com a segunda esposa, Heloísa Medeiros Ramos, retratadas no livro Viagem (1954). Ainda em 1945, publicou Infância, relato autobiográfico. Adoeceu gravemente em 1952. No começo de 1953 foi internado, mas acabou falecendo em 20 de Março de 1953, aos 60 anos, vítima de câncer do pulmão.



Vidas Secas (livro)


Vidas Secas é o quarto romance de Graciliano Ramos, escrito entre 1937 e 1938, publicado originalmente em 1938 pela Editora José Olympio. As ilustrações na primeira edição foram feitas pelo artista plástico Aldemir Martins.


Tema


A obra é inspirada em muitas histórias que Graciliano acompanhou na infância sobre a vida de retirantes, na história, o pai de família Fabiano acompanhado pela cachorra Baleia, estes são considerados os personagens mais famosos da literatura brasileira. Escrito em terceira pessoa, Graciliano não focaliza os efeitos do flagelo da seca através da crítica mas em narrar a fuga da família, a desonestidade do patrão e arbitrariedade da classe dominante, impossibilitada de adquirir o mínimo de sobrevivência.


Crítica


O professor Leopoldo M. Bernucci considerou a obra naturalista mas não fatalista:


Embora a idéia de determinismo em Graciliano, socialmente falando, leve em si as marcas de uma visão trágica nos moldes do romance naturalista, ela não se traduz aqui, pura e simplesmente, em fatalista.




Alfredo Bosi considerou que "o roteiro do autor de Vidas Secas norteou-se por um coerente sentimento de rejeição que adviria do contato do homem com a natureza ou com o próximo".



Angústia (livro)


Angústia é um romance publicado por Graciliano Ramos em 1936. À época Graciliano estava preso pelo governo de Getúlio Vargas e contou com ajuda de amigos, entre os quais José Lins do Rego, para a publicação. A obra apresenta um narrador em primeira pessoa, Luís da Silva, funcionário público de 35 anos, solitário, desgostoso da vida e que acaba se envolvendo com sua vizinha, Marina. Com traços existencialistas, Luís mistura fatos do passado e do presente, narra num ritmo frenético como um grande monólogo interior. O leitor de Angústia certamente lembrará de Crime e Castigo, de Fiódor Dostoiévski, pois em ambos há as angústias de um crime, o medo de ser pego, a febre; em Angústia o crime é o clímax, enquanto em Crime e Castigo é o ponto de partida para a história, e a personagem consegue a redenção. Outra influência marcante é a dos naturalistas brasileiros, especialmente à Aluízio Azevedo, o determinismo e a animalização do homem. O narrador não quer ser um rato, luta contra isso; compara-se o tempo todo os homens aos bichos, porcos, formigas, ratos, e usa-se verbos de animais para as reações humanas.


Crítica


Alfredo Bosi afirma que Angústia foi a experiência mais moderna e até certo ponto marginal de Graciliano Ramos e que "tudo nesse romance sufocante lembra o adjetivo 'degradado' que se apõe ao universo do herói problemático; estamos no limite entre o romance de tensão crítica e o romance intimista. Foi a experiência mais moderna, e até certo ponto marginal, de Graciliano. Mas a sua descendência na prosa brasileira está viva até hoje". Apesar de ter lido Crime e Castigo de Fiódor Dostoiévski, Ramos inicialmente recusou qualquer semelhança da obra com Angústia, em 12 de Novembro de 1945, ele escreveu a Antonio Candido avaliando as considerações do crítico a respeito de Angústia:


Onde as nossas opiniões coincidem é no julgamento de Angústia. Sempre achei absurdos os elogios a este livro, e alguns, verdadeiros disparates, me exasperam, pois nunca tive semelhança com Dostoiévski nem com outros gigantes. O que sou é uma espécie de Fabiano, e seria Fabiano completo se a seca houvesse destruído a minha gente, como v. bem conhece.
Graciliano Ramos


Inicialmente Graciliano declara ter lido Dostoiévski, mas negou qualquer influência até as vésperas da morte, segundo seu filho Ricardo Ramos. Por fim, o autor reconhece ter sofrido influência de Dostoiévski, Tolstoi, Balzac e Zola e também seu permanente interesse pela literatura russa. O próprio autor diz sobre a obra para Antonio Candido:


Acho em Angústia numerosos defeitos, repetições excessivas, minúcias talvez desnecessárias. E tudo mal escrito. Mas se, apesar disso, der ao leitor uma impressão razoável, devo concordar com v. É possível até que as falhas tenham concorrido para levar na história aparência de realidade. E alguns capítulos não me parecem ruins.
Graciliano Ramos

Caetés (livro)



Caetés é o primeiro romance do escritor brasileiro Graciliano Ramos publicado em 1933 pela Livraria Schmidt Editora. A história desenvolve-se em Palmeira dos índios, cidade em que viveu Graciliano Ramos.


Sinopse


João Valério, o personagem principal, introvertido e fantasioso, apaixona-se por Luisa, mulher de Adrião, dono da firma comercial em que trabalha. O caso amoroso é denunciado por uma carta anônima, levando o marido traído ao suicídio. Arrependido, João Valério, afasta-se de Luisa, continuando, porém, como sócio da firma. Neste romance em primeira pessoa, aparecem duas instâncias de narração, diferentes entre si: o livro que o narrador-personagem João Valério escreve (cujo título é também Caetés) não se assemelha ao romance Caetés que Graciliano está escrevendo, entretanto, o narrador personagem acaba por se inscrever entre essas duas linhas, colocando-se ele próprio e toda a sociedade de Palmeira dos índios analogicamente como índios caetés. No romance homônimo escrito pelo personagem, o tema principal é a deglutição do bispo Sardinha pelos índios, episódio presente no Manifesto Antropófago de Oswald de Andrade enquanto no romance de Gracialiano, o índio deixa de ser um ícone do processo constitutivo da nação, para se transformar em um personagem. Benjamin Abdala Júnior diz que "na interação dos caracteres, como ocorrem em relação ao João Valério, de Caetés, afirmam-se as marcas do autor implícito".


Crítica


Os críticos não acolheram bem Caetés e os detratores chegam a dizer que, em Caetés, temos mais de Eça de Queirós do que Graciliano Ramos. Antonio Candido foi um desses críticos ao afirmar que o romance é um "exercício de técnica literária mediante o qual [o autor] pode aparelhar-se para os grandes livros posteriores". Já Osman Lins exprimiu seu apreço por Caetés indicando o excesso de rigor com que a crítica o teria apreciado: "críticos exigentes fazem certas restrições à obra, entretanto límpida, arguta e equilibrada”.




São Bernardo (livro)


São Bernardo é um romance escrito por Graciliano Ramos publicado em 1934 e situado na segunda etapa do modernismo brasileiro.


Adaptação para o cinema


São Bernardo foi adaptado para o cinema por Leon Hirszman em 1972 e ganhou 9 prêmios em festivais nacionais e internacionais, com Othon Bastos e Isabel Ribeiro nos papéis centrais.




A Terra dos Meninos Pelados (livro)


A Terra dos Meninos Pelados é um livro de contos infanto-juvenis de Graciliano Ramos publicado em 1937.


Sinopse


Conta a história um menino chamado Raimundo, que era careca e tinha um olho azul e outro preto. Por ser considerado estranho, seus vizinhos não falam com ele e o apelidam de Raimundo Pelado. Por não ter amigos, começa a falar sozinho, cria um país imaginário chamado Tatipirun, onde as pessoas têm um olho preto e outro azul, onde não existem cabelos em suas cabeças, e onde as plantas e animais falam. Quando Raimundo "chega" na cidade de Tatipirun se depara com um carro vindo em sua direção,e acha que vai ser atropelado,só que ai o carro "explica" (os carros, animais, plantas e outros falam) que em Tatipirun ninguém é machucado nem ofendido. Andando um pouquinho mais, Raimundose se depara com a Laranjeira, ele pensa que a laranjeira tem espinhos e ela se sente ofendida, mas, com um pedido de desculpa, tudo se resolve.


História


Escrito por Graciliano logo após ser solto da prisão da Ilha Grande, num quarto de pensão no Rio de Janeiro, onde morava com a esposa e as filhas, a obra lhe rendeu um prêmio do então chamado Ministério de Educação e Cultura, ainda em 1937. No ano seguinte iria elaborar o romance Vidas Secas e apenas em 1946 é que cuidaria de iniciar Memórias do Cárcere, publicado apenas em 1953.




Brandão Entre o Mar e o Amor (livro)


Brandão Entre o Mar e o Amor é um romance único escrito pelos cinco mais renomeados autores brasileiros Jorge Amado, Graciliano Ramos, José Lins do Rego, Aníbal Machado e Rachel de Queiroz. A obra literária foi publicada em 1981.


Sinopse


Atendendo a uma "vocação irremediável", Brandão abandona a casa paterna e, após breve itinerância circense, lança-se a uma vida de aventuras no mar, um sonho de infância, onde vem a conhecer aquela que viria ser a grande paixão de sua vida. Lúcia é um mistério oriental, que Brandão recebe como um presente e com ela retorna à sua terra para assumir uma fazenda, que lhe coubera como herança de família. A beleza exótica de Lúcia atrairia também Mário, amigo de Brandão dos tempos de faculdade, que se deixa consumir na luta por um amor impossível, quase uma autoflagelação imposta por uma vida de fracassos. A teia amorosa se completa - ou se complica - quando Glória, mulher autoritária, frívola e irrealizada aparece na história usando de todos os meios ao seu alcance para conquistar o homem por quem se apaixonara... O livro conta a história de Brandão, que se lança a uma vida de aventuras no mar, onde vem conhecer Lúcia, sua grande paixão.




Histórias de Alexandre (livro)


Histórias de Alexandre é um livro de contos de Graciliano Ramos, publicado em 1944. Compendiando histórias coletadas do folclore alagoano, Graciliano reúne neste livro contos e fanfarronices de um típico mentiroso do sertão. A obra foi reeditada em 1962 com o título de Alexandre e Outros Heróis, reunindo, além dos contos de Alexandre, a história de A Terra dos Meninos Pelados e Pequena História da República.



Infância (livro)


Infância é um livro de Graciliano Ramos. Foi publicado em 1945. O livro percorre um período que vai dos dois anos do narrador até a puberdade. Sua construção acompanha os passos do autor, redescobridor de seu mundo de menino nordestino, repleto de lembranças dolorosas: "Medo. Foi o medo que me orientou nos meus primeiros anos, pavor". Num misto de imaginação e memória, o retrato de sua meninice revela o desprezo pela criança como sujeito social, na passagem do século XIX para o XX, onde o autor deixa perceber claramente a severidade como instrumento mais eficaz para o modelo de educação aí vigente: "Aquele que ama o seu filho, castiga-o com freqüência (...)". Graciliano esboça um quadro de nossa história dos costumes, em que uma ética pedagógica grosseira surge identificada com práticas punitivas contra crianças: cascudos, bolos de palmatória, puxões de orelhas e castigos de toda sorte.




Histórias Incompletas (livro)


Histórias Incompletas é um livro de contos de Graciliano Ramos, publicado em 1946. É composto pelos contos:


  • Um ladrão
  • Luciana
  • Minsk
  • Cadeia
  • Festa
  • Baleia
  • Um incêndio
  • Chico Brabo
  • Um intervalo
  • Venta-romba




Insônia (livro)


Insônia é um livro de contos de Graciliano Ramos que foi publicado em 1947, pela Editora José Olympio, reunindo 13 contos:


  • Insônia
  • Um ladrão
  • O relógio do hospital
  • Paulo; Luciana
  • Minsk
  • A prisão de J. Carmo Gomes
  • Dois dedos
  • A testemunha
  • Ciúmes
  • Um pobre-diabo
  • Uma visita
  • Silveira Pereira


Com exceção de Uma visita, Luciana e A testemunha, todos os textos já haviam sido publicados na coletânea Dois dedos, de 1945.




Memórias do Cárcere (livro)


Memórias do Cárcere é um livro de memórias de Graciliano Ramos, publicado postumamente (1953) em dois volumes. O autor não chegou a concluir a obra, faltando o capítulo final. Graciliano havia sido preso em 1936 por conta de seu envolvimento político, exagerado por parte das autoridades após o pânico insuflado com a chamada Intentona Comunista, de 1935. A acusação formal nunca chegou a ser feita.


Enredo


No livro, Graciliano descreve a companhia dos mais variados tipos encontrados entre os presos políticos: descreve, entre outros acontecimentos, a entrega de Olga Benário para a Gestapo, insinua as sessões de tortura aplicadas a Rodolfo Ghioldi e relata um encontro com Epifrânio Guilhermino, único sujeito a assassinar um legalista no levante comunista do Rio Grande do Norte. Durante a prisão, diversas vezes Graciliano destrói ou afirma destruir as anotações que poderiam lhe ajudar a compor uma obra mais ampla. Também dá importância ao sentimento de náusea causado pela imundície das cadeias, chegando a ficar sem alimentação por vários dias, em virtude do asco. Da cadeia, Graciliano faz comentários sobre a feitura e a publicação de Angústia, uma de suas melhores obras.


Censura


Diz o crítico Wilson Martins, a respeito da censura que o livro sofreu, adulterando o original do autor para sempre:


Houve também na história dessas relações, a grande crise provocada por Memórias do Cárcere. Sabia-se que o PCB exerceu forte pressão sobre a família de Graciliano Ramos para impedir-lhe a publicação, acabando por aceitá-la à custa de cortes textuais e correções cuja verdadeira extensão jamais saberemos. Nas idas e vindas entre a família e os censores do Partido, resultaram, pelo menos, três “originais”, datilografados e redatilografados ao sabor das exigências impostas. Supõe-se que o último deles recebeu o imprimatur canônico, acontecendo, apenas, que, na confusão inevitável de tantos “originais”, as páginas escolhidas para ilustrar os volumes diferiam sensivelmente das impressas, suscitando dúvidas quanto à respectiva autenticidade.
Wilson Martins, in: Gazeta do Povo




Ainda segundo o crítico, fez publicar a denúncia no jornal O Estado de S. Paulo, recebendo então acerbas críticas do PCB, o que para ele era a comprovação da veracidade das alterações feitas na obra que, após reveladas, haviam incomodado o editor, José Olympio. Os filhos de Graciliano, Ricardo e Clara, teriam mais tarde confirmado a intervenção política no texto.


Filme


Memórias do Cárcere também foi filmado por Nelson Pereira dos Santos em 1984. Graciliano é interpretado por Carlos Vereza, e sua mulher Heloísa (que lhe faz algumas visitas na prisão) é interpretada por Glória Pires.




Viagem (livro)


Viagem é o um livro de crônicas de Graciliano Ramos. Publicado postumamente em 1954 narra a viagem que Graciliano fez em 1952 à Tchecoslováquia e à URSS. Apesar de ser filiado ao Partido Comunista, a convite de Luís Carlos Prestes, sua narrativa se pretende neutra. Apesar do tom neutro, o livro não é isento de críticas ao pensamento político brasileiro; ao falar do culto soviético à imagem de Josef Stalin, Graciliano provoca: "Realmente não compreendemos, homens do Ocidente, o apoio incondicional ao dirigente político; seria ridículo tributarmos veneração a um presidente da república na América do Sul" (RAMOS:2007,54).




Alexandre e Outros Heróis (livro)


Alexandre e Outros Heróis é o nome de um livro que foi dado à reunião de três obras do escritor brasileiro Graciliano Ramos: Histórias de Alexandre (contos do folclore infanto-juvenil), Pequena História da República (sátira à história do Brasil, inédita até então) e A Terra dos Meninos Pelados (infantil). O livro Alexandre e Outros Heróis foi reeditada postumamente, em 1962.




Citações

Obras


Caetés


1933

    Publicações Europa-América, Editor: Francisco Lyon de Castro, Gráfica Europam, Lda., Mira-Sintra, Edição n°40 890/3580

  • "Luisa queria mostrar-me uma passagem no livro que lia.Curvou-se. Não me contive e dei-lhe dois beijos no cachaço. Ela ergueu-se, indignada:

-O senhor é doido?Que ousadia é essa?Eu...

Não pôde continuar. Dos olhos, que deitavam faíscas, saltaram lágrimas. Desesperadamente perturbado, gaguejei tremendo:

-Perdoe, minha senhora. Foi uma doidice.

- Cap. 1,página 13

  • "Ateu! Não é verdade. Tenho passado a vida a criar deuses que morrem logo, idolos que depois derrubo. Uma estrela no ceu, algumas mulheres na terra.."

- Últimas três linhas de Caétes


São Bernardo


1934

    Publicações Europa-América, Editor: Francisco Lyon de Castro, Gráfica Europam, Lda., Mira-Sintra, Edição n°40 836/3277

- Cap. 3,página 14

  • Começo declarando que me chamo Paulo Honório, peso oitenta e nove quilos e completei cinquenta anos pelo S.Pedro. A idade, o peso, as sobrancelhas cerradas e grisalhas, este rosto vermelho e cabeludo, têm-me rendido muita consideração. Quando me faltavam estas qualidades, a consideração era menor.”

- Cap. 4,página 16

  • Resolvi estabelecer-me aqui na minha terra, município de Viçosa, Alagoas, e logo planeei adquirir a propriedade São Bernardo, onde trabalhei, no eito, com salário de cinco tostões.”

- Cap. 6,página 23

  • Naquele segundo ano houve dificuldades medonhas. Plantei mamona e algodão, mas a safra foi ruim, os preços baixos,vivi meses aperreado, vendendo macacos e fazendo das fraquezas forças para não ir ao fundo”.

Angústia


1936

  • "Certos lugares que me davam prazer tornaram-se odiosos. Passo diante de uma livraria, olho com desgosto as vitrinas, tenho a impressão de que se acham ali pessoas, exibindo títulos e preços nos rostos, vendendo-se. É uma espécie de prostituição."

- Cap. 1

  • "Os defeitos, porém, só me pareceram censuráveis no começo das nossas relações. Logo que se juntaram para formar com o resto uma criatura completa, achei-os naturais, e não poderia imaginar Marina sem eles, como não a poderia imaginar sem corpo."

- Cap. 14

  • "Escolher marido por dinheiro. Que miséria! Não há pior espécie de prostituição."

- Cap. 17

  • "É uma tristeza. A senhora lavando, engomando, cozinhando, e seu Ramalho na quentura da usina elétrica, matando-se para sustentar os luxos daquela tonta. Sua filha não tem coração."

- Cap. 18

  • "Nunca presto atenção as coisas, não sei para que diabo quero olhos. Trancado num quarto, sapecando as pestanas em cima de um livro, como sou vaidoso, como sou besta! Idiota. Podia estar ali a distrair-me com a fita. Depois, finda a projeção, instruir-me vedos as caras. Sou uma besta. Quando a realidade me entra pelos olhos, o meu pequeno mundo desaba."

Vidas Secas


1938


  • Na planície avermelhada os juazeiros alargavam duas manchas verdes. Os infelizes tinham caminhado o dia inteiro, estavam cansados e famintos. Ordinariamente andavam pouco, mas como haviam repousado bastante na areia do rio seco, a viagem progredira bem três léguas. Fazia horas que procuravam uma sombra. A folhagem dos juazeiros apareceu longe, através dos galhos pelados da catinga rala. Arrastaram-se para lá, devagar, Sinhá Vitória com o filho mais novo escanchado no quarto e o baú de folha na cabeça, Fabiano sombrio, cambaio, o aió a tiracolo, a cuia pendurada numa correia presa ao cinturão, a espingarda da pederneira no ombro. O menino mais velho e a cachorra Baleia iam atrás.” Cap. 1
  • Se não fosse aquilo... Nem sabia. O fio da idéia cresceu, engrossou – e partiu-se. Difícil pensar. Vivia tão agarrado aos bichos... Nunca vira uma escola. Por isso não conseguia defender-se, botar as coisas nos seus lugares. O demônio daquela história entrava-lhe na cabeça e saía. Era para um cristão endoidecer. Se lhe tivessem dado ensino, encontraria meio de entendê-la. Impossível, só sabia lidar com bichos.” Cap. 3

Infância


1945


    Publicações Europa-América, Editor: Francisco Lyon de Castro, Gráfica Europam, Lda., Mira-Sintra, Edição n°40 914/3768
  • A primeira coisa que guardei na memória foi um vaso de louça vidrada, cheio de pitombas, escondido atrás de uma porta”. Pág.13
  • Disseram-me depois que a escola nos servira de pouso numa viagem. Tinhamos deixado a cidadezinha onde vivíamos, em Alagoas, entrávamos no sertão de Pernambuco, eu, meu pai, minha mãe,duas irmãs”. Pág.14

Memórias do Cárcere


1953


  • "Quem dormiu no chão deve lembra-se disto, impor-se disciplina, sentar-se em cadeiras duras, escrever em tábuas estreitas. Escreverá talvez asperezas, mas é delas que a vida é feita: inútil negá-las, controná-las, envovê-las em gaze".

Em Liberdade



  • "Se a única coisa que de o homem terá certeza é a morte; a única certeza do brasileiro é o carnaval no próximo ano."

  • "Se a igualdade entre os homens- que busco e desejo- for o desrespeito ao ser humano, fugirei dela."

Obras



As obras de Graciliano Ramos:


  • Caetés - romance - Editora Schmidt, 1933; (ganhador do Prêmio Brasil de Literatura);
  • São Bernardo - romance - Editora Arial, 1934;
  • Angústia - romance - Editora José Olympio, 1936;
  • Vidas Secas - romance, - Editora José Olympio, 1938;
  • A Terra dos Meninos Pelados - contos infanto-juvenis - Editora Globo, 1939;
  • Brandão Entre o Mar e o Amor - romance - Editora Martins, 1942 - Escrito com Jorge Amado, José Lins do Rego, Aníbal Machado e Rachel de Queiroz;
  • Histórias de Alexandre - contos infanto-juvenis - Editora Leitura, 1944;
  • Dois Dedos - coletânea de contos - R.A. Editora, 1945;
  • Infância - memórias - Editora José Olympio, 1945;
  • Histórias Incompletas - coletânea de contos - Editora Globo, 1946;
  • Insônia - contos - Editora José Olympio, 1947;
  • Memórias do Cárcere - memórias - Editora José Olympio, 1953; (obra póstuma)
  • Viagem - crônicas - Editora José Olympio, 1954; (obra póstuma)
  • Linhas Tortas - crônicas - Editora Martins, 1962; (obra póstuma)
  • Viventes das Alagoas - crônicas - Editora Martins, 1962; (obra póstuma)
  • Alexandre e Outros Heróis - contos infanto-juvenis - Editora Martins, 1962); (obra póstuma)
  • Cartas - correspondência - Editora Record, 1980; (obra póstuma)
  • O Estribo de Prata - literatura infantil - Editora Record, 1984; (obra póstuma)
  • Cartas de Amor à Heloísa - correspondência - Editora Record, 1992; (obra póstuma)
  • Vidas Secas - edição especial 70 anos - romance - Editora Record, 2008; (obra póstuma)
  • Angústia - edição especial 75 anos - romance - Editora Record, 2011; (obra póstuma)
  • Garranchos - textos inéditos - Editora Record, 2012. (obra póstuma)

Traduções



Graciliano Ramos também dominava o inglês e o francês. Realizou algumas traduções:


  • Memórias de um Negro, de Booker T. Washington, Companhia Editora Nacional, 1940;
  • A Peste, de Albert Camus, Editora José Olympio, 1950.

Publicações sobre Graciliano Ramos



  • Graciliano Ramos: Cidadão e Artista - Carlos Alberto dos Santos Abel, UNB, 1999.
  • Graciliano Ramos e o Partido Comunista Brasileiro: as Memórias do Cárcere, Ângelo Caio Mendes Corrêa Junior, 2000. (Dissertação de Mestrado em Letras, Universidade de São Paulo | orientador: Alcides Celso de Oliveira Vilaça.
  • Graciliano Ramos: Infância pelas Mãos do Escritor - Taisa Viliese de Lemos, Musa Editora, 2002.
  • Graciliano Ramos - Wander Melo Miranda, Coleção Folha Explica, Publifolha, 2004.
  • A Infância de Graciliano Ramos - Audálio Dantas, Callis, 2005. (Menção Altamente Recomendável, em 2006, da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil, na categoria Informativo.)
  • Graciliano Ramos - Myriam Fraga, Moderna, 2007.
  • Cartas Inéditas de Graciliano Ramos a seus Tradutores Argentinos Benjamin de Garay e Raúl Navarro - Pedro Moacyr Maia, EDUFBA, 2008.
  • Graciliano Ramos: um Escritor Personagem - Maria Izabel Brunacci, Autêntica, 2008.
  • Graciliano Ramos e o Mundo Interior: o Desvão Imenso do Espírito - Leonardo Almeida Filho, UNB, 2008.
  • Graciliano Ramos e o Desgosto de ser Criatura - Jorge de Souza Araujo, EDUFAL, 2008.
  • A Imagem da Linguagem na Obra de Graciliano Ramos - Maria Celina Novaes Marinho, Humanitas FFLCH, 2.ed., 2010.
  • Graciliano Ramos e a Novidade: o Astrônomo do Inferno e os Meninos Impossíveis - Ieda Lebensztayn, Hedra, 2010.
  • Graciliano: Retrato Fragmentado - Ricardo Ramos, Globo, 2011.
  • O Velho Graça - Denis de Moraes, Boitempo, 2012.

Prêmios



Os prêmios concedidos a Graciliano Ramos:


  • 1936 - Prêmio Lima Barreto (Revista Acadêmica) - Angústia
  • 1939 - Prêmio Literatura infantojuvenil (Ministério da Educação) - A Terra dos Meninos Pelados
  • 1942 - Prêmio Felipe de Oliveira - Conjunto da Obra
  • 1962 - Prêmio da Fundação William Faulkner (Estados Unidos) - Vidas Secas, como livro representativo da Literatura Brasileira Contemporânea.
  • 1964 - Prêmios Catholique International du Cinema e Ciudad de Valladolid (Espanha), concedidos a Nelson Pereira dos Santos, pela adaptação para o cinema do livro Vidas Secas.
  • 2000 - Personalidade Alagoana do Século XX
  • 2003 - Prêmio Nossa Gente, Nossas Letras / Prêmio Recordista
  • 2003 - Medalha Chico Mendes de Resistência
  • 2013 - Escolhido pelo Governo Federal para o PNBE - Programa Nacional Biblioteca da Escola - Memórias do Cárcere.

Referências