domingo, 31 de agosto de 2014

Romantismo (movimento)


Romantismo. Em fins do século XVIII tinha-se , em toda a Europa, a impressão de que o Classicismo era terreno sáfaro. A rigidez clássica, que tolhia a liberdade de composição, já não agradava a ninguém: todos ansiavam por qualquer coisa nova. Na Alemanha, o filósofo Johann Gottlieb Fichte fazia discursos de fogoso patriotismo, incitando os jovens à revolta, à luta contra o absolutismo dos poderosos, o personalismo de um rei, contra tudo que revelasse influência francesa ou ambição napoleônica. O sistema filosófico de Fichte e seus discípulos transformava-se numa espécie de panteísmo: era a revolução filosófica, a revolução política, a revolução das letras. Surgia um lirismo novo, absolutamente pessoal. Nada de heróis, de seres perfeitos; o homem é a medida de todas as coisas – dizia-se; o homem é fraco, tem momentos de covardia e desânimo, mas instantes há em que, livre e bela, a sua alma se expande e ele é gigante, e ele é deus. O escritor, desse modo, procurava emancipar-se da proteção de mecenas e da situação de dependente do público burguês para, aureolado de admiração, ganhar nova consciência de seu papel relativamente às massas. Têm-se como chefes da escola romântica alemã a Friedrich Schiller, Johann Wolfgang von Goethe, o genial autor de “Werther” que, na verdade, prepararam o terreno
Johann Gottlieb Fichte
para o Romantismo. Na verdade seus dirigentes foram os irmãos Schlegel (Friedrich e August Wilhelm), os irmãos Grimm (Jacob e Wilhelm), o filósofo Friedrich Wilhelm Joseph von Schelling e, ainda, Christian Johann Heinrich Heine. Mas foi na França que o Romantismo adquiriu vulto e consistência. O pai e estruturador do Romantismo francês foi Victor Hugo (Victor-Marie Hugo), que lançou o que se conhece como “Manifesto do Romantismo”, no prefácio de seu drama “Cromwell” (1827): “destruamos as teorias, as poéticas e os sistemas; abaixo o velho estudo que mascara a fachada da arte. Não há regras nem modelos, além das leis gerais da natureza e das leis especiais que para cada composição derivam das condições de cada assunto”. Estavam abaladas as velhas crenças, as antigas tradições literárias, o Classicismo. Surgia a Era do Ego, da Individualidade, do Subjetivismo. Outros românticos franceses foram: Lamartine (Alphonse Marie Louis de Prat de Lamartine), Chateaubriand (François René Auguste de Chateaubriand), Madame de Staël (Anne-Louise Germaine Necker). Na Inglaterra o Romantismo surge caracterizado pela luta antinapoleônica e dirigido para a poesia popular. Seus maiores representantes foram Lord Byron (George Gordon Byron) e Walter Scott; o primeiro representava para a juventude de sua época o herói romântico, perseguido pela fatalidade; o segundo fez nascer os sonhos de liberdade, com seus relatos em prosa e verso.



Características do Romantismo – Religiosidade: Elemento de exigência sentimental, pois que o povo é romântico e a literatura deve refletir o povo.

Entusiasmo pela Natureza: As descrições da natureza se tornaram uma constante nos dois gêneros preferidos pela escola: a poesia lírica e o romance.

Medievalismo: Retorno aos temas da Idade Média (tradições, romances de cavalaria, superstições, costumes, lendas etc.).

Nacionalismo: Exaltada consciência de uma Pátria.

Subjetivismo: O autor sentia e vibrava, antes de provocar alheio sentimento, alheia vibração: o autor volvia sobre sua intimidade, focalizando a si mesmo como assunto principal pela análise do “Eu”.

Liberdade de Fundo, de Inspiração e de Forma: O escritor não estava mais obrigado a buscar temas na Roma ou na Grécia: a mitologia pagã foi substituída pelas tradições populares.

Imaginação: Esta sobrepujou a razão num programa atrevido formulado por Victor Hugo: nada de regras nem de modelos.

Sentimentalismo: O sentimentalismo tomou proporções de epidemia, numa tristeza vaga, numa insaciedade tediosa e às vezes mórbida (“mal do século”).

Simplificação dos Gêneros Literários: Principalmente no teatro, onde se extingue a lei das três unidades. Nasceu o drama, fusão da tragédia e da comédia, que pintava o mundo, a realidade da vida.




Contexto histórico



A Revolução Belga, por Gustaf Wappersde Wappers.
O culto à natureza e à imaginação já havia começado com os escoceses no século XIII, quando surgiram as primeiras histórias de cavaleiros e donzelas, em verso. Nessa época, as narrativas eram chamadas de romance, palavra que deriva do advérbio latino romanice, que significa "na língua de Roma". A origem do que viria a ser conhecido como "romantismo", no entanto, fora plantada no século XVII, quando o "espírito clássico" começaria a ser contestado na Grã-Bretanha. O romantismo surgiu na Europa em uma época em que o ambiente intelectual era de grande rebeldia. Na política, caíam sistemas de governo despóticos e surgia o liberalismo político (não confundir com o liberalismo econômico do Século XX). No campo social imperava o inconformismo. No campo artístico, o repúdio às regras. A Revolução Francesa é o clímax desse século de oposição. Alguns autores neoclássicos já nutriam um sentimento mais tarde dito romântico antes de seu nascimento de fato, sendo assim chamados pré-românticos. Nesta classificação encaixam-se Francisco Goya e Manuel Maria Barbosa du Bocage. O romantismo surge inicialmente naquela que futuramente seria a Alemanha e na Inglaterra. Na Alemanha, o romantismo, teria, inclusive, fundamental importância na unificação germânica com o movimento Sturm und Drang (“tempestade e ímpeto”, foi um movimento literário romântico alemão, que ocorreu no período entre 1760 a 1780.). O romantismo viria a se manifestar de forma bastante variada nas diferentes artes e marcaria, sobretudo, a literatura e a música (embora ele só venha a se manifestar realmente aqui mais tarde do que em outras artes). À medida que a escola foi sendo explorada, foram surgindo críticos à sua demasiada idealização da realidade. Destes críticos surgiu o movimento que daria forma ao realismo. No Brasil, o romantismo coincidiu com a Independência política do Brasil em 1822, com o Primeiro reinado, com a guerra do Paraguai e com a campanha abolicionista.




Características



O romantismo seria dividido em três gerações:



  • 1ª geração — As características centrais do romantismo viriam a ser o lirismo, o subjetivismo, o sonho de um lado, o exagero, a busca pelo exótico e pelo inóspito de outro. Também destacam-se o nacionalismo, presente da colectânea de textos e documentos de caráter fundacional e que remetam para o nascimento de uma nação, fato atribuído à época medieval, a idealização do mundo e da mulher e a depressão por essa mesma idealização não se materializar, assim como a fuga da realidade e o escapismo. A mulher era uma musa, ela era amada e desejada mas não era tocada.
  • 2ª geração — Posteriormente também seriam notados o pessimismo e um certo gosto pela morte, religiosidade e naturalismo. A mulher era alcançada mas a felicidade não era atingida.
  • 3ª geração — Seria a fase de transição para outra corrente literária, o realismo, a qual denuncia os vícios e males da sociedade, mesmo que o faça de forma enfatizada e irônica (vide Eça de Queirós), com o intuito de pôr a descoberto realidades desconhecidas que revelam fragilidades. A mulher era idealizada e acessível.

 

Individualismo


Os românticos libertam-se da necessidade de seguir formas reais de intuito humano, abrindo espaço para a manifestação da individualidade, muitas vezes definida por emoções e sentimentos.


Subjetivismo


O romancista trata dos assuntos de forma pessoal, de acordo com sua opinião sobre o mundo. O subjetivismo pode ser notado através do uso de verbos na primeira pessoa. Trata-se sempre de uma opinião parcelada, dada por um individuo que baseia sua perspectiva naquilo que as suas sensações captam. Com plena liberdade de criar, o artista romântico não se acanha em expor suas emoções pessoais, em fazer delas a temática sempre retomada em sua obra.


Idealização


Empolgado pela imaginação, o autor idealiza temas, exagerando em algumas de suas características. Dessa forma, a mulher é vista como uma virgem frágil, o índio é visto como herói nacional e a noção de pátria também é idealizada.


Sentimentalismo exacerbado


Praticamente todos os poemas românticos apresentam sentimentalismo já que essa escola literária é movida através da emoção, sendo as mais comuns a saudade, a tristeza e a desilusão. Os poemas expressam o sentimento do poeta, suas emoções e são como o relato sobre uma vida. O romântico analisa e expressa a realidade por meio dos sentimentos. E acredita que só sentimentalmente se consegue traduzir aquilo que ocorre no interior do indivíduo relatado. Emoção acima de tudo.


Egocentrismo


Como o nome já diz, é a colocação do ego no centro de tudo. Vários artistas românticos colocam, em seus poemas e textos, os seus sentimentos acima de tudo, destacando-os na obra. Pode-se dizer, talvez, que o egocentrismo é um subjetivismo exagerado.


Natureza interagindo com o eu lírico


A natureza, no romantismo, expressa aquilo que o eu-lírico está sentindo no momento narrado. A natureza pode estar presente desde as estações do ano, como formas de passagens, à tempestades, ou dias de muito sol. Diferentemente do Arcadismo, por exemplo, que a natureza é mera paisagem. No romantismo, a natureza interage com o eu-lírico. A natureza funciona quase como a expressão mais pura do estado de espírito do poeta.


Grotesco e sublime


Há a fusão do belo e do feio, diferentemente do arcadismo que visa a idealização do personagem principal, tornando-o a imagem da perfeição. Como exemplo, temos o conto de “A Bela e a Fera”, no qual uma jovem idealizada, se apaixona por uma criatura horrenda.


Medievalismo


Alguns românticos se interessavam pela origem de seu povo, de sua língua e de seu próprio país. Na Europa, eles acharam no cavaleiro fiel à pátria um ótimo modo de retratar as culturas de seu país. Esses poemas se passam em eras medievais e retratavam grandes guerras e batalhas.


Indianismo


É o medievalismo "adaptado" ao Brasil. Como os brasileiros não tinham um cavaleiro para idealizar, os escritores adotaram o índio como o ícone para a origem nacional e o colocam como um herói. O indianismo resgatava o ideal do "bom selvagem" (Jean-Jacques Rousseau), segundo o qual a sociedade corrompe o homem e o homem perfeito seria o índio, que não tinha nenhum contato com a sociedade européia.


Byronismo


Inspirado na vida e na obra de Lord Byron, poeta inglês. Estilo de vida boêmio, voltado para vícios, bebida, fumo , podendo estar representado no personagem ou na própria vida do autor romântico. O byronismo é caracterizado pelo narcisismo, pelo egocentrismo, pelo pessimismo, pela angústia.




Romantismo nas belas-artes



A Liberdade Guiando o Povo por Eugène Delacroix.
Segundo Giulio Carlo Argan na sua obra “Arte Moderna”. O romantismo e o neoclassicismo são simplesmente duas faces de uma mesma moeda. Enquanto o neoclássico busca um ideal sublime, objetivando o mundo, o romântico faz o mesmo, embora tenda a subjetivar o mundo exterior. Os dois movimentos estão interligados, portanto, pela idealização da realidade (mesmo que com resultados diversos). As primeiras manifestações românticas na pintura ocorreram quando Francisco Goya passou a pintar depois de começar a perder a audição. Um quadro de temática neoclássica como Saturno devorando seus filhos, por exemplo, apresenta uma série de emoções para o espectador que o fazem se sentir inseguro e angustiado. Goya cria um jogo de luz-e-sombra, linhas de composição diagonais e pinceladas "grosseiras" de forma a acentuar a situação dramática representada. Apesar de Goya ter sido um acadêmico, o romantismo somente chegaria à Academia mais tarde. O francês Eugène Delacroix é considerado um pintor romântico por excelência.
Eugène Delacroix (auto-retrato).
Sua tela “A Liberdade Guiando o Povo” reúne o vigor e o ideal românticos em uma obra que estrutura-se em um turbilhão de formas. O tema são os revolucionários de 1830 guiados pelo espírito da Liberdade (retratados aqui por uma mulher carregando a bandeira da França). O artista coloca-se metaforicamente como um revolucionário ao se retratar em um personagem da turba, apesar de olhar com uma certa reserva para os acontecimentos (refletindo a influência burguesa no romantismo). Esta é provavelmente a obra romântica mais conhecida. A busca pelo exótico, pelo inóspito e pelo selvagem formaria outra característica fundamental do romantismo. Exaltavam-se as sensações extremas, os paraísos artificiais, a natureza em seu aspecto mais bruto. Lançar-se em "aventuras" ao embarcar em navios com destino aos polos, por exemplo, tornou-se uma forma de inspiração para alguns artistas. O pintor inglês William Turner refletiu este espírito em obras como “Mar em Tempestade” onde o retrato de um fenômeno da Natureza é usado como forma de atingir os sentimentos supracitados. Géricault (Jean-Louis André Théodore Géricault) é outro dos grandes nomes do romantismo na pintura. A sua obra A Jangada da Medusa, pintada por volta de 1819, com a mistura entre os elementos barrocos, o naturalismo e o dramatismo pessoal das personagens, é uma das mais célebres pinturas do movimento romântico.



Romantismo na literatura



William Blake
O romantismo surge na literatura quando os escritores trocam o mecenato aristocrático pelo editor, precisando assim cativar um público leitor. Esse público estará entre os pequenos burgueses, que não estavam ligados aos valores literários clássicos e, por isso, apreciariam mais a emoção do que a sutileza das formas do período anterior. A história do romantismo literário é bastante controversa. Em primeiro lugar, as manifestações em poesia e prosa popular na Inglaterra são os primeiros antecedentes, embora sejam consideradas "pré-românticas" em sentido lato. Os autores ingleses mais conhecidos desse pré-romantismo "extra-oficial" são William Blake (cujo misticismo latente em The Marriage of Heaven and Hell - O Casamento do Céu e Inferno, 1793 atravessará o romantismo até o Simbolismo) e Edward Young (cujos Night Thoughts - Pensamentos Noturnos, 1742, re-editados por Blake em 1795, influenciarão o ultrarromantismo), ao lado de James Thomson, William Cowper e Robert Burns. O romantismo "oficial" é reconhecido nas figuras de Samuel Taylor Coleridge e William Wordsworth (Lyrical Ballads - Baladas Líricas, 1798), fundadores; Lord Byron (Childe Harold's Pilgrimage, Peregrinação de Childe Harold, 1818), Percy Bysshe Shelley (Hymn to Intellectual Beauty - Hino à Beleza Intelectual, 1817) e John Keats (Endymion, 1817), após o Romantismo de Jena. Em segundo lugar, os alemães procuraram renovar sua literatura através do retorno à natureza e à essência humana, com assídua recorrência ao "pré-romantismo extra-oficial" da Inglaterra. Esses escritores alemães formaram o movimento Sturm und Drang ("tempestade e ímpeto"), donde surge então, mergulhado no sentimentalismo, o pré-romantismo "oficial", isto é, conforme as convenções historiográficas. Goethe (Die Leiden des Jungen Werther - O Sofrimento do Jovem Werther, 1774), Schiller (An die Freude - Ode à Alegria, 1785) e Johann Gottfried Herder (Auszug aus einem Briefwechsel über Ossian und die Lieder alter Völker - Extrato da correspondência sobre Ossian e as canções dos povos antigos, 1773) formam a Tríade. Alguns jovens alemães, como Friedrich Schegel e Novalis (Georg Philipp Friedrich von Hardenberg), com novos ideais artísticos, afirmam que a literatura, enquanto arte literária, precisa expressar não só o sentimento como também o pensamento, fundidos na ironia e na auto-reflexão. Era o "romantismo de Jena", o único romantismo autêntico em nível internacional. Em terceiro lugar, a difusão europeia do romantismo tomou como românticas as formas pré-românticas da Inglaterra e da Alemanha, privilegiando, portanto, apenas o sentimentalismo em detrimento da complicada reflexão do romantismo de Jena. Por isso, mundialmente, o romantismo é uma extensão do pré-romantismo. Assim, na França, destacam-se Stendhal (Henri-Marie Beyle), Victor Hugo e Alfred de Musset; na Itália Giacomo Leopardi e Alessandro Manzoni; em Portugal Almeida Garrett e Alexandre Herculano; na Espanha José de Espronceda e José Zorilla. Tendo o liberalismo
Victor Hugo
como referência ideológica, o romantismo renega as formas rígidas da literatura, como versos de métrica exata. O romance se torna o gênero narrativo preferencial, em oposição à epopéia. É a superação da retórica, tão valorizada pelos clássicos. Os aspectos fundamentais da temática romântica são o historicismo e o individualismo. O historicismo está representado nas obras de Walter Scott (Inglaterra), Vitor Hugo (França), Almeida Garrett (Portugal), José de Alencar (Brasil), entre tantos outros. São resgates históricos apaixonados e saudosos ou observações sobre o momento histórico que atravessava-se àquela altura, como no caso de Honoré de Balzac ou Stendhal (ambos franceses). A outra vertente, focada no individualismo, traz consigo o culto do egocentrismo, vazado de melancolia e pessimismo (Mal-do-Século). Pelo apego ao intimismo e a valores extremados, foram chamados de Ultra-Românticos. Esses escritores como Byron, Alfred de Musset e Álvares de Azevedo beberam do Sturm und Drang alemão, perpetuando as fontes sentimentais. O romantismo é um movimento que vai contra o avanço da modernidade em termos da intensa racionalização e mecanização. É uma crítica à perda das perspectivas que fogem àquelas correlacionadas à razão. Por parte o romantismo nos mostra como bases de vida o amor e a liberdade.


Romantismo na música



Beethoven (1820), por Joseph Karl Stieler.
As primeiras evidências do romantismo na música aparecem com Ludwig van Beethoven. Suas sinfonias, a partir da terceira, revelam uma música com temática profundamente pessoal e interiorizada, assim como algumas de suas sonatas para piano também, entre as quais é possível citar a “Sonata Patética”. Outros compositores como Chopin (Fryderyk Franciszek Chopin ou Szopen), Tchaikovsky (Pyotr Ilyich Tchaikovsky), Felix Mendelssohn (Jakob Ludwig Felix Mendelssohn Bartholdy), Franz Liszt, Edvard Hagerup Grieg e Johannes Brahms levaram ainda mais adiante o ideal romântico de Beethoven, deixando o rigor formal do classicismo para escreverem músicas mais de acordo com suas emoções. Na ópera, os compositores mais notáveis foram Verdi (Giuseppe Fortunino Francesco Verdi) e Wagner (Wilhelm Richard Wagner). O primeiro procurou escrever óperas, em sua maioria, com conteúdo épico ou patriótico - entre as quais as óperas “Nabucco”, “I Vespri Sicilianni”, “I Lombardi nella Prima Crociata” - embora tenha escrito também algumas óperas baseadas em histórias de amor como “La Traviata”; O segundo enfocava histórias mitológicas germânicas, caso da Tetralogia do “Anel do Nibelungo” e outras óperas como “Tristão e Isolda” e “O Holandês Voador”, ou sagas medievais como “Tannhäuser”, “Lohengrin” e “Parsifal”. Mais tarde na Itália o romantismo na ópera se desenvolveria ainda mais com Puccini (Giacomo Antonio Domenico Michele Secondo Maria Puccini).



Referências


sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Biografia de Pierre de Coubertin


Pierre de Coubertin
Pierre de Frédy. (Pierre de Coubertin). Nasceu em Paris a 1 de Janeiro de 1863, e, faleceu em Genebra a 2 de Setembro de 1937, mais conhecido pelo seu título nobiliárquico de Barão de Coubertin, foi um pedagogo e historiador francês, tendo ficado para a história como o fundador dos Jogos Olímpicos da era moderna.





Biografia



Nascido na capital francesa em uma família aristocrática, ele era descendente de Fernando III de Castela, Pierre de Frédy foi inspirado pelas suas visitas a colégios ingleses e americanos, propondo-se a melhorar os sistemas de educação. A certo ponto, após ter idealizado uma competição internacional para promover o atletismo e tirando partido de um crescente interesse internacional nos Jogos Olímpicos da antiguidade, alimentado por descobertas arqueológicas nas ruínas de Olímpia, o barão de Coubertin concebeu um plano para fazer reviver os Jogos Olímpicos. O nome dele era Pierre de Frédy, mas era mais conhecido como Barão de Coubertin.





Jogos Olímpicos



Para publicar os seus planos, organizou um congresso internacional em 23 de Junho de 1894 na Sorbonne em Paris. Aí propôs que fosse reinstituída a tradição de realizar um evento desportivo internacional periódico, inspirado no que se fazia na Grécia antiga. Este congresso levou à constituição do Comitê Olímpico Internacional, do qual o barão de Coubertin seria secretário geral. Foi também decidido que os primeiros Jogos Olímpicos da era moderna teriam lugar em Atenas, na Grécia e que a partir daí, tal como na antiguidade, seriam realizados a cada quatro anos (uma Olimpíada). Dois anos depois realizaram-se os Jogos Olímpicos de Verão de 1896, que foram um sucesso. Após os Jogos de 1896, Demetrius Vikelas abandonou o posto de presidente do COI e Pierre de Coubertin tomou o seu lugar na frente da organização. Apesar do sucesso dos primeiros jogos, o Movimento Olímpico enfrentaria tempos difíceis, com os Jogos Olímpicos de 1900 e de 1904 a serem completamente obscurecidos pelas exposições mundiais em que foram integrados, e passando completamente despercebidos. A situação melhorou com a realização dos Jogos Olímpicos de Verão de 1906 que, utilizando o pretexto de comemorar os 10 anos da primeira edição, serviram para limpar a imagem e promover os Jogos como um evento internacional por excelência. A partir de então os Jogos Olímpicos continuariam a ganhar audiência, tornando-se o mais importante evento desportivo mundial. Pierre de Coubertin abandonou a presidência do COI após os Jogos Olímpicos de Verão de 1924, realizados em Paris, a sua cidade natal, e com um sucesso muito maior que a anterior edição de 1900. Foi sucedido no cargo por Henri de Baillet-Latour.





Comitê Olímpico Internacional



Sede do COI em Lausanne. (imagem:
Arnaud Gaillard (arnaud () amarys.com).
Segundo a Carta Olímpica, o Comitê Olímpico Internacional (COI) é uma organização não-governamental. Foi criada em 23 de Junho de 1894, por iniciativa de Pierre de Coubertin, com a finalidade de reinstituir os Jogos Olímpicos realizados na antiga Grécia e organizar e promover a sua realização de quatro em quatro anos. O COI é financiado através de publicidade e comercialização de artigos comemorativos dos Jogos e através da venda dos direitos de transmissão dos eventos Olímpicos. Em 1896, após uma pausa de 1500 anos, realizaram-se os primeiros Jogos Olímpicos da era moderna, que o barão de Coubertin esperava ajudassem a fomentar a comunicação e paz internacional. Atualmente, o objetivo do COI é a administrar e legislar sobre os Jogos, e também servir como entidade legal que detém os direitos de autor, marcas registadas e outras propriedades relacionadas com os Jogos Olímpicos. Por exemplo, a Bandeira Olímpica, o Lema Olímpico e o Hino Olímpico pertencem e são administrados pelo COI. Adicionalmente há outras organizações, nomeadamente os Comitês Olímpicos Nacionais e as Federações Esportivas Internacionais, que são controladas pelo COI e que coletivamente são designadas por Movimento Olímpico. As cidades que desejarem ser sedes dos Jogos Olímpicos de Verão ou de Inverno devem entregar uma proposta candidatura para seus Comitês Olímpicos Nacionais que devem autorizar ou não a sua candidatura. Estes devem entregar a proposta de organização ao COI, que tem a palavra final na decisão de onde se realizarão os Jogos, através da votação de delegados que representam a maioria dos países membros. Por lei, todos os membros do COI têm de se retirarem ao atingirem 81 anos de idade.



A Bandeira



Bandeira Olímpica
A Bandeira Olímpica foi criada pelo Barão Pierre de Coubertin em 1913.

História


Pierre de Coubertin disse: “A Bandeira Olímpica possui um fundo branco, com cinco anéis entrelaçados no centro: azul, amarelo, preto, verde e vermelho. Este desenho é simbólico; representa os cinco continentes habitados do mundo, unidos pelo Olimpismo, enquanto as seis cores são aquelas que aparecem em todas as bandeiras nacionais até o presente momento”. - Pierre de Coubertin, 1931.

É, pois, um engano afirmar que cada cor representa um continente.

  • Azul - Europa
  • Preto - África
  • Amarelo - Ásia
  • Verde - Oceania
  • Vermelho - América
  • Branco - Simboliza a paz mundial

 

Bandeiras específicas

 


Há bandeiras olímpicas que são apresentadas pelas cidades que sediarão os próximos Jogos. Tradicionalmente, a bandeira é passada do prefeito da cidade sede dos Jogos que se encerram para o prefeito da cidade sede seguinte durante a Cerimônia de Encerramento. A bandeira é, então, levada para a nova sede e exposta na prefeitura.


Bandeira da Antuérpia


A primeira bandeira olímpica foi apresentada pelo COI durante os Jogos Olímpicos de Verão de 1920 em Antuérpia, Bélgica. Ao final dos Jogos, a bandeira não foi encontrada e uma nova precisou de ser feita para os Jogos de 1924. Em 1997, durante um banquete promovido pelo Comitê Olímpico dos Estados Unidos da América, um repórter estava entrevistando Hal Haig Prieste, que havia conquistado um bronze nos saltos ornamentais nos Jogos de 1920. O repórter mencionou que o COI não sabia dizer o que havia acontecido com a bandeira original. "Eu posso te ajudar", disse Prieste, "Está em minha mala". Ao fim dos Jogos da Antuérpia, Prieste subiu no mastro onde a bandeira estava hasteada e a roubou. A bandeira voltou para as mãos do COI numa cerimônia especial realizada em 2000 em Sydney. A Bandeira da Antuérpia está hoje exposta no Museu Olímpico de Lausanne, Suíça, com uma placa agradecendo a Prieste pela "doação".


Bandeira de Paris


Uma nova bandeira olímpica foi criada para os Jogos de 1924, em Paris, e passada para a próxima cidade sede dos Jogos Olímpicos de Verão ou de Inverno até os Jogos de Inverno de 1952, em Oslo, Noruega, quando uma bandeira em separado foi criada para os Jogos de Inverno. A Bandeira de Paris continuou a ser usada nos Jogos de Verão até os Jogos de Seul, em 1988.


Bandeira de Oslo


A Bandeira de Oslo foi apresentada ao COI pelo prefeito da cidade norueguesa durante os Jogos de Inverno de 1952. Desde então, tem sido passada para a próxima cidade-sede dos Jogos de Inverno.


Bandeira de Seul


A Bandeira Olímpica atual foi apresentada ao COI durante os Jogos de Seul, em 1988. Desde então, ao final de cada edição, é passada ao prefeito da próxima cidade-estado.




Lema Olímpico



O Lema Olímpico Citius, Altius, Fortius (O mais rápido, o mais alto, o mais forte) foi proposto pelo Barão Pierre de Coubertin quando da criação do Comitê Olímpico Internacional em 1894. Coubertin pegou emprestado a frase de seu amigo Henri Didon, um pastor dominicano que, entre outras coisas, era um entusiasta do esporte. O lema foi introduzido nos Jogos Olímpicos de Verão de 1924, em Paris. O lema foi também o nome de um jornal sobre história olímpica entre 1992 e 1997, quando este foi renomeado para Jornal da História Olímpica. Um lema informal, porém mais conhecido, também introduzido por Coubertin, é “O mais importante não é vencer, mas participar!” Coubertin pegou esse lema de um sermão do Bispo da Pensilvânia durante os Jogos Olímpicos de Verão de 1908.




Hino Olímpico



O Hino Olímpico (Grego: Ολυμπιακός Ύμνος) foi composto pelo grego Spyridon Samaras, com letra do poeta romano Kostís Palamás em 1800. O hino foi adotado pelo Comitê Olímpico Internacional (COI) em 1958. É executado durante a Cerimônia de Abertura de cada edição, quando a Bandeira Olímpica é hasteada, e na Cerimônia de Encerramento, quando ela é arriada. O hino começou a ser cantado em grego, mas em várias edições foi traduzido para o idioma do país anfitrião. Em Sydney 2000, o hino voltou a ser cantado em greciano na Cerimônia de Abertura, o que foi repetido em Pequim 2008.



Letra

 


Grego lírico
Transliteração ao alfabeto latino
Versão em Português
Versão em Português (Brasil)
Αρχαίο Πνεύμ' αθάνατο, αγνέ πατέρα
του ωραίου, του μεγάλου και τ'αληθινού,
κατέβα, φανερώσου κι άστραψ'εδώ πέρα
στην δόξα της δικής σου γης και τ'ουρανού.

Στο δρόμο και στο πάλεμα και στο λιθάρι,
στων ευγενών Αγώνων λάμψε την ορμή,
και με τ' αμάραντο στεφάνωσε κλωνάρι
και σιδερένιο πλάσε κι άξιο το κορμί.

Κάμποι, βουνά και θάλασσες φέγγουν μαζί σου
σαν ένας λευκοπόρφυρος μέγας ναός,
και τρέχει στο ναό εδώ, προσκυνητής σου,
Αρχαίο Πνεύμ' αθάνατο, κάθε λαός.
Arkhéo Pnévma athánato, aghné patéra
tou oraéou, tou meghálou kai t'alithinoú,
katéva, phanerósou ki ástraps'edhó péra
stin dhóksa tis dhikís sou ghis kai t'ouranoú.

Sto dhrómo kai sto pálema kai sto lithári,
ston evghenón Aghónon lámpse tin ormí,
kai me t'amáranto stefánose klonári
kai sidherénio pláse ki áksio to kormí.

Kámpi vouná kai thálasses féngoun mazí sou
san énas levkopórfyros méghas naós,
kai trékhei sto naó edhó, proskynitís sou,
Arkhaéo Pneúm' athánato, káthe laós.
Oh! Arcaico espírito imortal, imaculado
Pai da beleza, da grandeza e da veracidade
Desça, se faça presente e faça brilhar aqui e
Mais além, na Glória de sua Terra e Céu

Na corrida, na luta e no arremesso, faça
brilhar o ímpeto das nobres competições
Modelando com aço e dignidade o corpo
Coroando-o com a imperecível rama do louro

Campos, montanhas e mares se vão contigo
Tal como um alvirrubro magno templo
Para o qual se conduz aqui como seu peregrino
Oh, arcaico espírito imortal, cada nação..
Espírito imortal, o pai de pura
beleza, a grande e verdadeiro
declínio, a revelação e mostrou aqui
a glória da terra e o céu.

Dê vida e vivacidade aos jogos nobres!
Lançar coroas de louros inmarchitables.
Os vencedores na corrida e na luta!
Criar em nossos peitos, corações de aço!

Nos campos, montanhas e mares brilhar com você
em um tom rosa e formam um grande templo
onde todas as nações se reúnem para adorar,
Oh espírito imortal das Olimpíadas!





Presidentes



Desde a fundação do COI, em 1894, nove pessoas já assumiram o posto de presidente:

  1. Dimítrios Vikélas
    Dimítrios Vikélas (1894–1896) — foi o primeiro presidente, por ser presidente do Comitê Olímpico da Grécia, anfitrião da primeira edição dos Jogos Olímpicos da Era Moderna
  2. Pierre de Coubertin (1896–1925) — eleito como Presidente Honorário dos Jogos Olímpicos (1925–1937), título nunca mais empregado a qualquer outro presidente do COI
  3. Henri de Baillet-Latour (1925–1942) — morreu enquanto ainda presidia a entidade
  4. Sigfrid Edström (1942–1952) — como vice-presidente assumiu após a morte do antecessor, mas só foi efetivado em 1946. Eleito como Presidente Honorário Vitalício (1952–1964)
  5. Avery Brundage (1952–1972) — eleito como Presidente Honorário Vitalício (1972–1975)
  6. Lord Killanin (1972–1980) — eleito por unanimidade como Presidente Honorário Vitalício (1980–1999)
  7. Juan Antonio Samaranch (1980–2001) — eleito como Presidente Honorário Vitalício (2001–2010)
  8. Jacques Rogge (2001–2013)
  9. Thomas Bach (2013–2017)





Morte



Coubertin manteve-se como Presidente Honorário do COI até à sua morte em 1937 em Genebra na Suíça. Foi enterrado em Lausanne (local da sede do COI), mas o seu coração está sepultado separadamente, num monumento perto das ruínas da antiga Olímpia.


Referências


quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Biografia de Protágoras


Demócrito (centro) e Protágoras (direita)
por Salvator Rosa.
Protágoras. (em grego antigo: Πρωταγόρας;). Nasceu em Abdera, c. 490 a.C.; faleceu na Sicília, c. 415 a.C.1. Protágoras foi um sofista da Grécia Antiga, célebre por cunhar a frase: O homem é a medida de todas as coisas, das coisas que são, enquanto são, das coisas que não são, enquanto não são”. Foi influenciado por Heráclito e influenciou Platão, Jeremy Bentham, Friedrich Nietzsche e Ferdinand Canning Scott Schiller. Nascido em Abdera, foi discípulo de Demócrito, amigo de Péricles e Sócrates. Tinha mais de 70 anos de idade quando publicou um livro pelo qual foi acusado de impiedade. Fugiu de Atenas e morreu num naufrágio, quando tentava chegar à Sicília. Primeiro filósofo a ser chamado “sofista”, dele é largamente citada a afirmação segundo a qual “o homem é a medida de todas as coisas”. Platão, no seu “Protágoras”, apresenta-o como filósofo arguto, mas presunçoso. Publicou obras em todos os gêneros, de que existem ainda alguns restos: discurso intitulado Processo Sobre o Salário; uma Política; um tratado sobre Erros dos Homens; Hades; Verdade; Antilogias; Luta; e Discursos Destruidores. É personagem de Platão, em seus diálogos filosóficos. Tendo como base para isso o pensamento de Heráclito. Tal frase expressa bem o relativismo tanto dos Sofistas em geral quanto o relativismo do próprio Protágoras. Se o homem é a medida de todas as coisas, então coisa alguma pode ser medida para os homens, ou seja, as leis, as regras, a cultura, tudo deve ser definido pelo conjunto de pessoas, e aquilo que vale em determinado lugar não deve valer, necessariamente, em outro. Esta máxima (ou axioma) também significa que as coisas são conhecidas de uma forma particular e muito pessoal por cada indivíduo, o que vai contra, por exemplo, ao projeto de Sócrates de chegar ao conceito absoluto de cada coisa. Assim como Sócrates, Protágoras foi acusado de ateísmo (tendo inclusive livros seus queimados em uma praça pública), motivo pelo qual fugiu de Atenas, estabelecendo-se na Sicília, onde morreu aos setenta anos. Um dos diálogos platônicos tem como título Protágoras, onde é exposto um diálogo de Sócrates com o sofista. Protágoras dizia que os sábios e os bons oradores deveriam guiar através de conselhos as outras pessoas.


Biografia


De acordo com a maioria dos autores antigos, Protágoras era originário da cidade de Abdera, afirmação contestada pelo dramaturgo ateniense Eupolis, que acreditava ser natural de Teos, na Ásia Menor. Também, com certo consenso, se indicava a 84 olimpíada (444 a 441 a. C.) como seu auge ou época de plenitude, dado a partir do qual, modernamente, é geralmente definida sua data de nascimento em torno do ano 485 a.C. Era considerado discípulo de Demócrito, embora Filóstrato conta que ele também haveria se relacionado com magos da Pérsia nos tempos da expedição do rei Xerxes contra a Grécia. Diz-se que em sua juventude havia trabalhado como carregador, inventando uma almofada chamada tyle que facilitava o transporte da carga. Segundo Diógenes Laércio, Demócrito ficou tão impressionado com a engenhosidade do jovem Protágoras que decidiu adotá-lo como discípulo. Protágoras é tido como um dos criadores da arte retórica, apontando-lhe como o primeiro a introduzir os raciocínios erísticos. Protágoras também é tido como o iniciador da prática de receber honorários em troca de ensinamentos, sendo estes particularmente de preços elevados. Segundo Platão, Protágoras haveria ganho com o seu comércio educativo mais dinheiro do que todo o reunido por "Fídias e outros dez escultores mais". Platão, também refere, de que o critério usado pelo sofista para receber os seus honorários; dizia Protágoras: Quando [um discípulo] tem aprendido comigo, se quiser me entregar o dinheiro que eu estipulo, ou não, se apresenta em um templo, e, depois de jurar que crê que os ensinamentos valem tanto, ali o deposita”. Era famosa na antiguidade uma anedota acerca de um pacto de honorários entre Protágoras e um discípulo seu, chamado Evatlo. Haviam acordado de que o pagamento apenas seria efetuado se o aprendiz chegasse a ganhar um julgamento fazendo uso dos dotes retóricos adquiridos. Evatlo, como não ganhava nenhum caso, se negava a pagar. Então, Protágoras o levou ao tribunal, dizendo-lhe: "Se eu ganhar, terás que me pagar pelos meus honorários; e se tu ganhar, por ter-se cumprido a condição, também deverás me pagar". Isto é conhecido como Paradoxo de Protágoras. Aparentemente, levou uma vida errante, ensinando durante quarenta anos em várias cidades gregas. Sabe-se que visitou Atenas pelo menos duas vezes, e Platão afirma, já com idade avançada, vivendo na Sicília. Sua relação com os atenienses teve dois momentos; um em que foi bem acolhido e manteve estreitas relações com os círculos de poder da cidade, seguido por outro, de repúdio e condenação. O primeiro dos períodos está marcado pela sua amizade com Péricles, com quem, acredita-se, compartilhava ideais filosóficos e políticos. Eram famosos os longos debates que mantinham os dois. Em certa ocasião, segundo Plutarco, discutiram um dia inteiro sobre a morte do atleta Epitimio de Farsalia; se perguntavam quem seria o culpado da sua morte, se era a lança que o atingiu, se era quem a lançou ou se eram os organizadores do evento. Protágoras teve grande prestígio entre os atenienses, o qual se viu refletido no fato de que lhe encarregaram a redação de uma constituição para a nova colônia de Turios, no ano 443 a.C.; texto que estabeleceu, pela primeira vez, o ensino público obrigatório. A filosofia de Protágoras se encaixava bem com as idéias do círculo governante liderado por Péricles, dentro do qual o agnosticismo do sofista não gerava nenhuma rejeição; mas quando Péricles morreu, os novos líderes da cidade deixaram de ser tolerantes. Diógenes Laércio afirma que os problemas começaram para o sofista quando este leu, na casa de Eurípides (ou na casa de Megaclides), seu livro “Sobre os Deuses”, no qual afirmava desconhecer a existência ou inexistência de seres divinos. Como resultado, foi acusado de impiedade por Pitidoro, filho de um dos Quatrocentos (segundo Aristóteles, o acusador foi Evatlo, discípulo do sofista). Filostrato afirma que não está claro se houve ou não um processo para chegar à condenação, que alguns dizem que foi o desterro e outros, a morte. Em todo caso, foi ordenado que suas obras fossem queimadas. E. Derenne situa tais acontecimentos em torno do ano 416 a.C., nas vésperas em que a frota ateniense marchava na expedição contra Siracusa. Seja para fugir da pena de morte, ou em cumprimento da ordem de desterro, Protágoras embarcou rumo à Sicilia. Na metade da viagem o barco virou, a causa pela qual o sofista morreu afogado. A maioria das fontes afirmam que contava com 90 anos, se bem que há algumas que referem a idade de 70.


Obra


Não chegou até nós nenhuma obra completa escrita por Protágoras, mas se conservam valiosos fragmentos nos diálogos de Platão (Protágoras, Crátilo, Górgias e Teeteto) e nos textos de outros autores como Aristóteles, Sexto Empírico e Diógenes Laércio.

Os livros que se conservam dele são os seguintes: A Arte da Erística, Sobre a Luta, Sobre as Matemáticas, Sobre o Estado, Sobre a Ambição, Sobre as Virtudes, Sobre o Estado das Coisas no Princípio, Sobre o Hades, Sobre as Más Ações dos Homens, O Discurso Preceptivo, A Disputa Sobre os Honorários, dos livros de Antilogías. Estes são os seus livros.

Diógenes Laércio: “Vidas e Doutrinas dos Filósofos Ilustres”.

A lista não contempla três títulos conhecidos a partir de outras fontes: Sobre a Verdade (chamada também “Refutações” ou “Sobre os Discursos Convincentes”), Sobre os Deuses e Sobre o Ser. Bodrero explica a omissão reparando na frase “Os livros que se conservam dele são os seguintes” e assinalando que os textos não inclusos na enumeração já constituíam obras perdidas nos tempos de Diógenes Laércio. Mario Untersteiner, por sua vez, conjectura que os títulos citados na lista não seriam senão capítulos das Antilogias. Segundo Untersteiner, Protágoras haveria escrito apenas duas obras: Sobre a Verdade e as Antilogias. Esta última, que constava de dois livros, haveria sido dividida em quatro seções subdivididas, por sua vez, nos títulos mencionados por Diógenes Laércio. O esquema proposto por Untersteiner é o seguinte:


Seção
Capítulos
Sobre os Deuses
Sobre os Deuses; Sobre o Hades
Sobre o Ser
Sobre o Ser; A Arte da Erística; A disputa Sobre os Honorários
Sobre o Estado
Sobre o Estado; Sobre a Ambição; Sobre as Virtudes; Sobre o Estado das Coisas no Princípio; Sobre as Más Ações dos Homens, O Discurso Preceptivo
Sobre as Artes
Sobre a Luta; Sobre as Matemáticas


Pensamento


O homem como medida de todas as coisas


O princípio filosófico mais famoso de Protágoras refere-se à condição do homem enfrentado o mundo que o rodeia. Habitualmente se designa com a expressão Homo mensura (O homem é a medida), forma abreviada da frase Homo omnium rerum mensura est (O homem é a medida de todas as coisas), que se traduz para o latim a sentença original em grego. Esta última, segundo Diógenes Laércio, haveria sido a seguinte:



πάντων χρημάτων μέτρον ἔστὶν ἄνθρωπος, τῶν δὲ μὲν οντῶν ὡς ἔστιν, τῶν δὲ οὐκ ὄντων ὠς οὐκ ἔστιν‭
O homem é a medida de todas as coisas, daquelas que são por aquilo que são e daquelas que não são por aquilo que não são.


A frase surgiu, segundo refere Sexto Empírico, na obra perdida de Protágoras Os Discursos Destruidores, e chegou até nós através da transcrição de vários autores antigos. Além de Diógenes Laércio, é citada por Platão, Aristóteles, Sexto Empírico e Hérmias.


A teoria dos juízos contrários


O domínio desta técnica proporcionaria ao possuidor (o dialéctico) a disposição, por meio da sua arte, de tornar mais forte o argumento mais fraco. No entanto, é importante ressaltar que Protágoras não contemplava o uso desta técnica de forma meramente instrumental, por mero afã oportunista, mas que a apoiava em um discurso complexo no qual se debateria a virtude.


Cepticismo e agnosticismo


Também fez uma proposição de agnosticismo: quanto aos deuses, não tenho meios de saber se existem ou não, nem qual é a sua forma. Me impedem muitas coisas: a obscuridade da questão e a brevidade da vida humana.


Paradoxo de Protágoras


O Paradoxo de Protágoras ou Paradoxo do Advogado é um antigo problema de lógica com raízes na Grécia Antiga. Protágoras, notável sofista grego, concordara, um dia, em ensinar retórica a um discípulo, mediante determinada importância, de que metade seria paga ao terminar o curso e a outra metade depois da primeira causa ganha pelo discípulo. Como este protelasse muito sua atividade jurídica, Protágoras o leva ao tribunal com o seguinte tema de acusação: “Se meu discípulo perde este processo, a decisão do tribunal obrigá-lo-á a pagar-me; se ele ganha a causa, terá, igualmente, de pagar-me, de acordo com o contrato que estabelecemos”. O discípulo mostrou-se à altura do mestre quando respondeu: “Se ganhar este processo, nada terei que pagar, porque essa é a decisão dos juízes; se perder, igualmente nada terei que pagar, porque assim ficou estipulado no contrato com Protágoras. Como se vê, de qualquer maneira, nada terei que pagar”.


Citações

  • "O homem é a medida de todas as coisas; daquelas que são por aquilo que são e daquelas que não são por aquilo que não são."

- Conforme citado em Theaetetus por Platão seção 152a.

  • "Existem dois lados para cada pergunta."

- Conforme citado no Vidas dos Filósofos Eminentes, por Diógenes Laertius, Livro IX, Sec. 51.



Referências