quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Biografia de Protágoras


Demócrito (centro) e Protágoras (direita)
por Salvator Rosa.
Protágoras. (em grego antigo: Πρωταγόρας;). Nasceu em Abdera, c. 490 a.C.; faleceu na Sicília, c. 415 a.C.1. Protágoras foi um sofista da Grécia Antiga, célebre por cunhar a frase: O homem é a medida de todas as coisas, das coisas que são, enquanto são, das coisas que não são, enquanto não são”. Foi influenciado por Heráclito e influenciou Platão, Jeremy Bentham, Friedrich Nietzsche e Ferdinand Canning Scott Schiller. Nascido em Abdera, foi discípulo de Demócrito, amigo de Péricles e Sócrates. Tinha mais de 70 anos de idade quando publicou um livro pelo qual foi acusado de impiedade. Fugiu de Atenas e morreu num naufrágio, quando tentava chegar à Sicília. Primeiro filósofo a ser chamado “sofista”, dele é largamente citada a afirmação segundo a qual “o homem é a medida de todas as coisas”. Platão, no seu “Protágoras”, apresenta-o como filósofo arguto, mas presunçoso. Publicou obras em todos os gêneros, de que existem ainda alguns restos: discurso intitulado Processo Sobre o Salário; uma Política; um tratado sobre Erros dos Homens; Hades; Verdade; Antilogias; Luta; e Discursos Destruidores. É personagem de Platão, em seus diálogos filosóficos. Tendo como base para isso o pensamento de Heráclito. Tal frase expressa bem o relativismo tanto dos Sofistas em geral quanto o relativismo do próprio Protágoras. Se o homem é a medida de todas as coisas, então coisa alguma pode ser medida para os homens, ou seja, as leis, as regras, a cultura, tudo deve ser definido pelo conjunto de pessoas, e aquilo que vale em determinado lugar não deve valer, necessariamente, em outro. Esta máxima (ou axioma) também significa que as coisas são conhecidas de uma forma particular e muito pessoal por cada indivíduo, o que vai contra, por exemplo, ao projeto de Sócrates de chegar ao conceito absoluto de cada coisa. Assim como Sócrates, Protágoras foi acusado de ateísmo (tendo inclusive livros seus queimados em uma praça pública), motivo pelo qual fugiu de Atenas, estabelecendo-se na Sicília, onde morreu aos setenta anos. Um dos diálogos platônicos tem como título Protágoras, onde é exposto um diálogo de Sócrates com o sofista. Protágoras dizia que os sábios e os bons oradores deveriam guiar através de conselhos as outras pessoas.


Biografia


De acordo com a maioria dos autores antigos, Protágoras era originário da cidade de Abdera, afirmação contestada pelo dramaturgo ateniense Eupolis, que acreditava ser natural de Teos, na Ásia Menor. Também, com certo consenso, se indicava a 84 olimpíada (444 a 441 a. C.) como seu auge ou época de plenitude, dado a partir do qual, modernamente, é geralmente definida sua data de nascimento em torno do ano 485 a.C. Era considerado discípulo de Demócrito, embora Filóstrato conta que ele também haveria se relacionado com magos da Pérsia nos tempos da expedição do rei Xerxes contra a Grécia. Diz-se que em sua juventude havia trabalhado como carregador, inventando uma almofada chamada tyle que facilitava o transporte da carga. Segundo Diógenes Laércio, Demócrito ficou tão impressionado com a engenhosidade do jovem Protágoras que decidiu adotá-lo como discípulo. Protágoras é tido como um dos criadores da arte retórica, apontando-lhe como o primeiro a introduzir os raciocínios erísticos. Protágoras também é tido como o iniciador da prática de receber honorários em troca de ensinamentos, sendo estes particularmente de preços elevados. Segundo Platão, Protágoras haveria ganho com o seu comércio educativo mais dinheiro do que todo o reunido por "Fídias e outros dez escultores mais". Platão, também refere, de que o critério usado pelo sofista para receber os seus honorários; dizia Protágoras: Quando [um discípulo] tem aprendido comigo, se quiser me entregar o dinheiro que eu estipulo, ou não, se apresenta em um templo, e, depois de jurar que crê que os ensinamentos valem tanto, ali o deposita”. Era famosa na antiguidade uma anedota acerca de um pacto de honorários entre Protágoras e um discípulo seu, chamado Evatlo. Haviam acordado de que o pagamento apenas seria efetuado se o aprendiz chegasse a ganhar um julgamento fazendo uso dos dotes retóricos adquiridos. Evatlo, como não ganhava nenhum caso, se negava a pagar. Então, Protágoras o levou ao tribunal, dizendo-lhe: "Se eu ganhar, terás que me pagar pelos meus honorários; e se tu ganhar, por ter-se cumprido a condição, também deverás me pagar". Isto é conhecido como Paradoxo de Protágoras. Aparentemente, levou uma vida errante, ensinando durante quarenta anos em várias cidades gregas. Sabe-se que visitou Atenas pelo menos duas vezes, e Platão afirma, já com idade avançada, vivendo na Sicília. Sua relação com os atenienses teve dois momentos; um em que foi bem acolhido e manteve estreitas relações com os círculos de poder da cidade, seguido por outro, de repúdio e condenação. O primeiro dos períodos está marcado pela sua amizade com Péricles, com quem, acredita-se, compartilhava ideais filosóficos e políticos. Eram famosos os longos debates que mantinham os dois. Em certa ocasião, segundo Plutarco, discutiram um dia inteiro sobre a morte do atleta Epitimio de Farsalia; se perguntavam quem seria o culpado da sua morte, se era a lança que o atingiu, se era quem a lançou ou se eram os organizadores do evento. Protágoras teve grande prestígio entre os atenienses, o qual se viu refletido no fato de que lhe encarregaram a redação de uma constituição para a nova colônia de Turios, no ano 443 a.C.; texto que estabeleceu, pela primeira vez, o ensino público obrigatório. A filosofia de Protágoras se encaixava bem com as idéias do círculo governante liderado por Péricles, dentro do qual o agnosticismo do sofista não gerava nenhuma rejeição; mas quando Péricles morreu, os novos líderes da cidade deixaram de ser tolerantes. Diógenes Laércio afirma que os problemas começaram para o sofista quando este leu, na casa de Eurípides (ou na casa de Megaclides), seu livro “Sobre os Deuses”, no qual afirmava desconhecer a existência ou inexistência de seres divinos. Como resultado, foi acusado de impiedade por Pitidoro, filho de um dos Quatrocentos (segundo Aristóteles, o acusador foi Evatlo, discípulo do sofista). Filostrato afirma que não está claro se houve ou não um processo para chegar à condenação, que alguns dizem que foi o desterro e outros, a morte. Em todo caso, foi ordenado que suas obras fossem queimadas. E. Derenne situa tais acontecimentos em torno do ano 416 a.C., nas vésperas em que a frota ateniense marchava na expedição contra Siracusa. Seja para fugir da pena de morte, ou em cumprimento da ordem de desterro, Protágoras embarcou rumo à Sicilia. Na metade da viagem o barco virou, a causa pela qual o sofista morreu afogado. A maioria das fontes afirmam que contava com 90 anos, se bem que há algumas que referem a idade de 70.


Obra


Não chegou até nós nenhuma obra completa escrita por Protágoras, mas se conservam valiosos fragmentos nos diálogos de Platão (Protágoras, Crátilo, Górgias e Teeteto) e nos textos de outros autores como Aristóteles, Sexto Empírico e Diógenes Laércio.

Os livros que se conservam dele são os seguintes: A Arte da Erística, Sobre a Luta, Sobre as Matemáticas, Sobre o Estado, Sobre a Ambição, Sobre as Virtudes, Sobre o Estado das Coisas no Princípio, Sobre o Hades, Sobre as Más Ações dos Homens, O Discurso Preceptivo, A Disputa Sobre os Honorários, dos livros de Antilogías. Estes são os seus livros.

Diógenes Laércio: “Vidas e Doutrinas dos Filósofos Ilustres”.

A lista não contempla três títulos conhecidos a partir de outras fontes: Sobre a Verdade (chamada também “Refutações” ou “Sobre os Discursos Convincentes”), Sobre os Deuses e Sobre o Ser. Bodrero explica a omissão reparando na frase “Os livros que se conservam dele são os seguintes” e assinalando que os textos não inclusos na enumeração já constituíam obras perdidas nos tempos de Diógenes Laércio. Mario Untersteiner, por sua vez, conjectura que os títulos citados na lista não seriam senão capítulos das Antilogias. Segundo Untersteiner, Protágoras haveria escrito apenas duas obras: Sobre a Verdade e as Antilogias. Esta última, que constava de dois livros, haveria sido dividida em quatro seções subdivididas, por sua vez, nos títulos mencionados por Diógenes Laércio. O esquema proposto por Untersteiner é o seguinte:


Seção
Capítulos
Sobre os Deuses
Sobre os Deuses; Sobre o Hades
Sobre o Ser
Sobre o Ser; A Arte da Erística; A disputa Sobre os Honorários
Sobre o Estado
Sobre o Estado; Sobre a Ambição; Sobre as Virtudes; Sobre o Estado das Coisas no Princípio; Sobre as Más Ações dos Homens, O Discurso Preceptivo
Sobre as Artes
Sobre a Luta; Sobre as Matemáticas


Pensamento


O homem como medida de todas as coisas


O princípio filosófico mais famoso de Protágoras refere-se à condição do homem enfrentado o mundo que o rodeia. Habitualmente se designa com a expressão Homo mensura (O homem é a medida), forma abreviada da frase Homo omnium rerum mensura est (O homem é a medida de todas as coisas), que se traduz para o latim a sentença original em grego. Esta última, segundo Diógenes Laércio, haveria sido a seguinte:



πάντων χρημάτων μέτρον ἔστὶν ἄνθρωπος, τῶν δὲ μὲν οντῶν ὡς ἔστιν, τῶν δὲ οὐκ ὄντων ὠς οὐκ ἔστιν‭
O homem é a medida de todas as coisas, daquelas que são por aquilo que são e daquelas que não são por aquilo que não são.


A frase surgiu, segundo refere Sexto Empírico, na obra perdida de Protágoras Os Discursos Destruidores, e chegou até nós através da transcrição de vários autores antigos. Além de Diógenes Laércio, é citada por Platão, Aristóteles, Sexto Empírico e Hérmias.


A teoria dos juízos contrários


O domínio desta técnica proporcionaria ao possuidor (o dialéctico) a disposição, por meio da sua arte, de tornar mais forte o argumento mais fraco. No entanto, é importante ressaltar que Protágoras não contemplava o uso desta técnica de forma meramente instrumental, por mero afã oportunista, mas que a apoiava em um discurso complexo no qual se debateria a virtude.


Cepticismo e agnosticismo


Também fez uma proposição de agnosticismo: quanto aos deuses, não tenho meios de saber se existem ou não, nem qual é a sua forma. Me impedem muitas coisas: a obscuridade da questão e a brevidade da vida humana.


Paradoxo de Protágoras


O Paradoxo de Protágoras ou Paradoxo do Advogado é um antigo problema de lógica com raízes na Grécia Antiga. Protágoras, notável sofista grego, concordara, um dia, em ensinar retórica a um discípulo, mediante determinada importância, de que metade seria paga ao terminar o curso e a outra metade depois da primeira causa ganha pelo discípulo. Como este protelasse muito sua atividade jurídica, Protágoras o leva ao tribunal com o seguinte tema de acusação: “Se meu discípulo perde este processo, a decisão do tribunal obrigá-lo-á a pagar-me; se ele ganha a causa, terá, igualmente, de pagar-me, de acordo com o contrato que estabelecemos”. O discípulo mostrou-se à altura do mestre quando respondeu: “Se ganhar este processo, nada terei que pagar, porque essa é a decisão dos juízes; se perder, igualmente nada terei que pagar, porque assim ficou estipulado no contrato com Protágoras. Como se vê, de qualquer maneira, nada terei que pagar”.


Citações

  • "O homem é a medida de todas as coisas; daquelas que são por aquilo que são e daquelas que não são por aquilo que não são."

- Conforme citado em Theaetetus por Platão seção 152a.

  • "Existem dois lados para cada pergunta."

- Conforme citado no Vidas dos Filósofos Eminentes, por Diógenes Laertius, Livro IX, Sec. 51.



Referências

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