terça-feira, 16 de setembro de 2014

Biografia de Federico García Lorca


García Lorca em 1914.
Federico García Lorca. Nasceu em Fuente Vaqueros, a 5 de Junho de 1898, e, faleceu em Granada, a 19 de Agosto de 1936. García Lorca foi um poeta e dramaturgo espanhol, e uma das primeiras vítimas da Guerra Civil Espanhola. Iniciou-se na na literatura com estudos de crítica a Luis de Góngora y Argote e à temática da poesia lírica espanhola. A partir de 1932, dirigiu La Barraca, companhia teatral que viajava pelas pequenas cidades e aldeias, representando perante o povo. Ao rebentar a guerra civil espanhola, foi denunciado por inimigos como republicano; em 19 de Agosto de 1936 foi preso e a seguir fuzilado pelos falangistas.

Biografia

Estátua de Lorca na Plaza de Santa
Ana de Madrid. (Imagem: Lourdes Cardenal).
Nascido numa pequena localidade da Andaluzia, García Lorca ingressou na faculdade de Direito de Granada em 1914, e cinco anos depois transferiu-se para Madrid, onde fez amizade com artistas como Luis Buñuel e Salvador Dalí e publicou seus primeiros poemas. Grande parte dos seus primeiros trabalhos baseia-se em temas relativos à Andaluzia (Impressões e Paisagens, 1918), à música e ao folclore regionais (Poemas do Canto Fundo, 1921-1922) e aos ciganos (Romancero Gitano, 1928). Concluído o curso, foi para os Estados Unidos e para Cuba, período de seus poemas surrealistas, manifestando seu desprezo pelo modus vivendi estadunidense. Expressou seu horror com a brutalidade da civilização mecanizada nas chocantes imagens do Poeta em Nova Iorque, publicado em 1940. Voltando à Espanha, criou um grupo de teatro chamado La Barraca. Não ocultava suas idéias socialistas e, com fortes tendências homossexuais. Foi ainda um excelente pintor, compositor precoce e pianista. Sua música se reflete no ritmo e sonoridade de sua obra poética. Como dramaturgo, Lorca fez incursões no drama histórico e na farsa antes de obter sucesso com a tragédia. As três tragédias rurais passadas na Andaluzia, Bodas de Sangue (1933), Yerma (1934) e A Casa de Bernarda Alba (1936) asseguraram sua posição como grande dramaturgo.

O assassinato e o corpo


Casa de Lorca, em Fuente Vaqueros.
(Imagem: Hilario Iglesias).
Controvérsia significante permanece sobre os motivos e os detalhes do assassinato de Lorca. Motivos pessoais, não-políticas também têm sido sugeridos. A biógrafa de García Lorca, Leslie Stainton, afirma que seus assassinos fizeram comentários sobre sua orientação sexual, o que sugere que ele desempenhou um papel em sua morte. Ian Gibson sugere que o assassinato de García Lorca foi parte de uma campanha de assassinatos em massa que visava eliminar apoiantes da Frente Popular Marxista. No entanto, Gibson propõe que a rivalidade entre a anti-comunista Confederação Espanhola de Direito Autônomo (CEDA) e a Falange Espanhola foi um fator importante na morte de Lorca. O ex-vice parlamentar da CEDA, Ramon Ruiz Alonso García, prendeu Garcia Lorca na casa de Rosales e foi o responsável pela denúncia original que levou ao mandado de captura emitido. Tem sido argumentado que García Lorca era apolítico e tinha muitos amigos em ambos os campos republicanos e nacionalistas . Gibson contesta isso em seu livro de 1978 sobre a morte do poeta. Ele cita, por exemplo, o manifesto publicado do Mundo Obrero (periódico do Partido Comunista de Espanha – PCE), que Lorca assinou mais tarde, e também alega que Lorca foi um defensor ativo da Frente Popular. Lorca leu o manifesto em um banquete em honra do companheiro poeta Rafael Alberti em 9 de Fevereiro de 1936. Muitos anti-comunistas eram simpáticos a Lorca ou assistiram a ele. Nos dias antes de sua prisão ele encontrou abrigo na casa do artista e líder membro da Falange, Luis Rosales. O poeta comunista vasco Gabriel Celaya escreveu em suas memórias que uma vez encontrou García Lorca, na companhia de falangista José Maria Aizpurua. Celaya escreveu ainda que Lorca jantava toda sexta-feira com o fundador e líder falangista José Antonio Primo de Rivera. Em 11 de Março de 1937 foi publicado um artigo na imprensa falangista denunciando o assassinato e lionizing García Lorca, o artigo iniciava: "O melhor poeta da Espanha imperial foi assassinado". Jean Louis Schonberg também apresentou a teoria do "ciúme homossexual". O dossiê relativo ao assassinato, compilados a pedido de Francisco Franco e referido por Gibson e outros, ainda não veio à tona. O primeiro relato publicado de uma tentativa de localizar o túmulo de Lorca pode ser encontrado no livro do viajante britânico e hispanista Gerald Brenan, “A Face da Espanha”. Apesar das tentativas iniciais, como as de Brenan em 1949, o local permaneceu desconhecido durante a era de Franco. Segundo algumas versões, ele teria sido fuzilado de costas, em alusão a sua homossexualidade.

Últimos dias e fuzilamento

Huerta de San Vicente. (Imagem: Alimanja).
Colômbia e México, cujos embaixadores previram que o poeta pudesse ser vítima de um atentado devido ao seu cargo de funcionário da República, lhe ofereceram exílio, mas Lorca rejeitou as ofertas e se dirigiu para a Huerta de San Vicente (Horta de São Vicente) para reunir-se com a sua família. Ali chegou em 14 de Julho de 1936, três dias antes de eclodir em Marrocos a sublevação militar contra a República. No dia 20, o centro de Granada estava em poder das forças falangistas e o cunhado de Federico e prefeito da cidade, Manuel Fernández-Montesinos, foi detido em seu gabinete na prefeitura. Seria fuzilado um mês depois. Nestes momentos políticos alguém lhe perguntou sobre a sua preferência política e ele declarou que se sentia por sua vez católico, comunista, anarquista, libertário, tradicionalista e monárquico. De fato ele nunca se afiliou a nenhuma das facções políticas e jamais discriminou ou se distanciou de nenhum de seus amigos, por nenhuma questão política. Conhecia o líder e fundador da Falange Espanhola, José Antonio Primo de Rivera, muito aficionado à poesia. O próprio Lorca disse sobre ele ao jovem Gabriel Celaya, em Março de 1936: “José Manuel é como José Antonio. Outro bom sujeito. Sabes que toda sexta-feira janto com ele? Costumamos sair juntos em um táxi com as cortinas abaixadas, porque nem a ele lhe convém que lhe vejam comigo, e nem a mim me convém que me vejam com ele”. Esta declaração é entendida pelos estudiosos como um exagero ou uma piada, como assinalou o próprio Celaya ao relatar esta anedota. Ao descrever a cena, resume as consequências dramáticas da atitude insensata de García Lorca: “Federico sorria. Acreditava que aquilo não era mais que uma brincadeira infantil. No via nada por detrás. Ria como de uma boa piada. Mas essa risada, essa confiança em que o homem é sempre humano, essa crença que um amigo, fascista ou não, é um amigo, o levou à morte. Porque foram alguns amigos, amigos que ele tinha entre os seus melhores, aqueles que no último momento acabaram sendo, antes de tudo e sobretudo, fascistas”. Se sentia, como disse ao jornalista e caricaturista Luis Bagaría em uma entrevista para “El Sol” de Madrid pouco antes de sua morte, integramente espanhol, mas “antes que isto homem do mundo e irmão de todos”. “Eu sou espanhol integral e me seria impossível viver fora dos meus limites geográficos; mas odeio o que é espanhol por ser espanhol e nada mais, eu sou irmão de todos e abomino o homem que se sacrifica por uma idéia nacionalista, abstrata, pelo simples fato de que ama a sua pátria com uma venda nos olhos. O bom chinês está mais próximo de mim do que o mau espanhol. Canto a Espanha e a sinto até a medula, mas antes disso sou um homem do mundo e irmão de todos. Desde logo não acredito na fronteira política”. Em Granada buscou refúgio na casa da família de seu amigo, o poeta Luis Rosales, onde se sentia mais seguro, já que dois de seus irmãos, nos quais confiava, eram proeminentes falangistas. No entanto, em 16 de Agosto de 1936, se apresentou ali a Guarda Civil para detê-lo. Acompanhavam aos guardas Juan Luis Trescastro Medina, Luis García-Alix Fernández e Ramón Ruiz Alonso, ex-deputado da CEDA, que haviam denunciado Lorca ante ao governador civil de Granada José Valdés Guzmán. Valdés consultou com Queipo de Llano (Gonzalo Queipo de Llano y Sierra) o que devia fazer, ao que este lhe respondeu: “Dê-lhe café, muito café”. Segundo o historiador Ian Gibson, acusava-se o poeta de “ser espião dos russos, estar em contacto com estes via rádio, haver sido secretário de Fernando de los Ríos e ser homossexual”. Foi levado ao Governo Civil, e logo ao povo de Víznar onde passou sua última noite em uma cela improvisada, junto a outros detidos. Depois de que a data exata de sua morte tenha sido objeto de uma longa polêmica, parece definitivamente estabelecido de que Federico García Lorca foi fuzilado às 4:45hs da madrugada de 18 de Agosto, no caminho que vai de Víznar a Alfacar. Seu corpo permanece enterrado em uma vala comum anônima em algum lugar destas paragens, junto com o cadáver de um mestre nacional, Dióscoro Galindo, e dos bandarilheiros anarquistas Francisco Galadí e Joaquín Arcollas, executados com ele. Trescastro presumiria depois de haver participado pessoalmente nos assassinatos, enfatizando a homossexualidade de Lorca. A vala se encontra na aldeia de Fuente Grande, no município de Alfacar. H. G. Wells (Herbert George Wells) enviou o seguinte despacho às autoridades militares de Granada: H. G. Wells, presidente Pen Club de Londres, deseja com ansiedade notícias de seu ilustre colega Federico García Lorca, e apreciará grandemente a cortesia de uma resposta,... Cuja a resposta foi a seguinte: Coronel governador de Granada a H. G. Wells. — Ignoro lugar hállase D. Federico García Lorca. — Firmado: Coronel Espinosa.

Após a sua morte

Busto de García Lorca em Santoña, Cantabria.
Após a sua morte foram publicados “Primeras Canciones” e “Amor de Don Perlimplín con Belisa en su Jardín”. Uma das obras mais estremecedoras sobre o fato de sua morte é o poema “El Crimen fue en Granada” (O Crime foi em Granada), escrito por Antonio Machado em 1937. Por outro lado, o periódico falangista de San Sebastián, “Unidad”, publicou em 11 de Março de 1937, uma cordial elegia assinada por Luis Hurtado Álvarez e intitulada “A la España imperial le han asesinado su mejor poeta”. Uma das biografias sobre Federico García Lorca mais documentadas, controvertidas e populares é o best-seller publicado em 1989 e intitulado Federico García Lorca: A Life (Vida, paixão e morte de Federico García Lorca, edição em espanhol em 1998), do hispanista de origem irlandesa Ian Gibson. Em 2009, em aplicação da lei para a recuperação da memória histórica aprovada pelo governo de José Luis Rodríguez Zapatero, foi aberta a vala onde supostamente descansavam os restos do poeta, não se encontrando nada. Em Maio de 2012, foi revelada a sua última carta, endereçada a seu amigo íntimo, o escritor e crítico Juan Ramírez de Lucas.


Romancero Gitano
O Romancero gitano é uma obra poética de Federico García Lorca, publicada em 1928. É composta por dezoito romances com temas como a noite, a morte, o céu, a lua. Todos os poemas têm algo em comum, tratam da cultura cigana. Apresenta uma grande síntese entre a poesia popular e a alta, transcorre entre dois motivos centrais, Andaluzia e os ciganos, tratados de maneira metafórica e mítica. A obra reflete as penas de um povo perseguido que vive à margem da sociedade e que se vê perseguido pelos representantes da autoridade, e por sua luta contra essa autoridade repressiva. Entretanto, o próprio García Lorca afirma que o seu interesse se concentra não em descrever uma situação concreta, mas sim, no confronto que ocorre vez ou outra entre as forças opostas: em um poema que descreve o conflito entre a Guarda Civil e os ciganos, chama a estas partes de “romanos” e “cartagineses”, para dar a entender essa permanência de conflito.

Análise

  • Área da obra: Ambientado em Andaluzia, nos bairros ciganos.
  • Recursos: Metáforas, personificações, comparações, repetições.

Conteúdo e estrutura

Lorca estiliza o mundo cigano, distante do costumismo e tipismo folclórico. Pode-se dividir o Romancero em duas séries, deixando de um lado os três dos arcanjos que simbolizam Córdoba, Granada e Sevilha. A primeira série é mais lírica, com a presença dominante das mulheres, a segunda é mais épica e predominam os homens. O cigano, por suas crenças e códigos, choca com duas realidades; o amor e "os outros" que invadem seus direitos ou prestígio, gente de sua própria raça ou a sociedade que os marginaliza e oprime, cujo braço armado é a Guarda Civil, e muitas vezes leva a sangue e morte. O amor, o direito pessoal, as crenças, levam à morte ou ferida moral de difícil cura. Um romance destacável é o da Guarda Civil espanhola, que não é representado com muita simpatia e que toma na obra um papel antagônico.


Bibliografia

Em sua curta existência, García Lorca deixou importantes obras-primas da literatura, muitas delas publicadas postumamente, dentre as quais:

Poesia
  • Livro de Poemas - 1921
  • Ode a Salvador Dalí - 1926.
  • Canciones (1921-24) - 1927.
  • Romancero gitano (1924-27) - 1928.
  • Poema del cante jondo (1921-22) - 1931.
  • Ode a Walt Whitman - 1933.
  • Canto a Ignacio Sánchez Mejías - 1935.
  • Seis poemas galegos - 1935.
  • Primeiras canções (1922) - 1936.
  • Poeta em Nueva York (1929-30) - 1940.
  • Divã do Tamarit - 1940.
  • Sonetos del Amor Oscuro - 1936

Prosa
  • Impressões e Paisagens - 1918
  • Desenhos (publicados em Madri) - 1949
  • Cartas aos Amigos - 1950

Teatro
  • Assim que passarem cinco anos - Lenda do tempo - 1931.
  • Retábulo de Don Cristóvão e D.Rosita - 1931.
  • Amores de Dom Perlimplim e Belisa em seu jardim" - 1926.
  • Mariana Pineda - 1925.
  • Dona Rosinha, a solteira - 1927.
  • Bodas de Sangue (Trilogia) - 1933.
  • Yerma (Trilogia) - 1934.
  • A Casa de Bernarda Alba (Trilogia) - 1936.
  • Quimera - 1930.
  • El publico - 1933.
  • O sortilégio da mariposa - 1918.
  • A sapateira prodigiosa - 1930.
  • Pequeno retábulo de Dom Cristóvão - 1931.


Referências

domingo, 14 de setembro de 2014

Biografia de William Turner


William Turner (auto-retrato, 1798).
William Turner. (Joseph Mallord William Turner). Nasceu em Londres, a 23 de Abril de 1775, e, faleceu em Chelsea, a 19 de Dezembro de 1851. William Turner foi um pintor romântico inglês, considerado por alguns um dos precursores da modernidade na pintura, em função dos seus estudos sobre cor e luz.


Biografia

Turner foi batizado em 14 de Maio de 1775, porém sua data de nascimento é desconhecida. Nasceu em Maiden Lane, Covent Garden, Londres, Inglaterra. Seu pai, William Turner, era barbeiro e fabricante de perucas. Sua mãe, Mary Marshall, veio de uma família de açougueiros. Em 1789, ingressa na Real Academia de Artes de Londres. Começou como pintor topográfico e pouco a pouco foi se inclinando para as paisagens, principalmente as marinhas. Em 1802 foi admitido como membro da Academia de Londres. Algum tempo depois, fez sua primeira viagem ao continente. Ficou entusiasmado com a pintura dos grandes mestres no Museu do Louvre, então enriquecido com os saques de Napoleão. Claude Lorrain e Nicolas Poussin eram seus pintores preferidos. Turner dedicou-se à pintura da paisagem com paixão, energia, força, interpretando seus temas de forma ética. Seus trabalhos transmitiam uma emoção extrema e foi considerado o ponto culminante da paisagem romântica. (Click sobre as imagens para ver em tamanho real).

Desenhos de William Turner
Landscape with Barn. (cerca de 1795).


Fisherman's Cottage, Dover. (cerca de 1790).

Landscape with Trees and Figures. (cerca de 1796).


Man with Horse and Cart Entering a Quarry. (cerca de 1797).

Near Grindelwald. (cerca de 1796).


On the Aar between Unterseen and Lake of Brienz. (de até

Villa d'Este. (cerca de 1796).


Waterfall of Lodore, Cumberland. (não datado).






Turner foi extremamente precoce, brilhante e bem sucedido. Iniciou na arte aos 13 anos com seus desenhos e com 15 anos atingiu sua reputação. Era um homem solitário, sem amigos e quando pintava não permitia a presença de pessoas, mesmo que fossem outros artistas. Uma de suas preocupações principais foi a aplicação da luz e sua incidência sobre as cores da maneira mais natural possível. Para tanto, dedicou-se intensamente ao estudo dos paisagistas holandeses do século XVIII, muito em voga naquela época na Europa. Em sua obra os motivos eram em geral paisagens, e o mar era uma constante nos quadros do pintor inglês. Também foi de grande relevância para sua pintura a viagem que fez a Veneza em 1812, quando o pintor descobriu a importância da cor e conseguiu dar corpo à atmosfera de uma maneira que, anos depois, os impressionistas retomariam. Não surpreendentemente, Veneza se torna sua cidade preferida, uma fusão da água e da civilização, pintando-a muitas vezes em 1819 e depois em 1828. De 1830 a 1840, Turner deixou de lado a forma e criou espaços voláteis de nuvens e cores, como em “Chuva, Vapor e Velocidade” (1844), por exemplo, que remete aos quadros abstratos do século XX. Não é sem motivo que foi qualificado por muitos historiadores como o primeiro pintor de vanguarda. Sua última exposição foi em 1850. No ano seguinte veio a falecer doente e solitário como sempre viveu. Após meses desaparecido, foi descoberto muito doente por sua empregada. Morreu em Chelsea em Dezembro, de 1851. Suas obras mais importantes estão na National Gallery e na Tate Gallery, ambas em Londres. Está sepultado na Catedral de São Paulo, na capital inglesa. (Click sobre as imagens para ver em tamanho real).

Pinturas de William Turner
Ullswater from Gobarrow Park. (1819).

Calais Sands at Low Water - Poissards Collecting Bait. (1832).

The Red Rigi. (1842).

Scarborough town and castle: morning: boys catching crabs. (cerca de 1810).

Rome from Monte Mario. (1820).

Nantes from the Ile Feydeau. (1829-30).

Calais Pier. (1803).

The Shipwreck. (1805).

Melrose. (1831).

A Coast Scene with Fishermen Hauling a Boat Ashore (The Iveagh Sea-Piece).

Shipwreck of the Minotaur. (cerca de 1810).

The gatehouse at Rye House, Hertfordshire, United Kingdom. (cerca de 1793).

St John's Church, Margate. (cerca de 1786).

View of Ehrenbreitstein. (1835).

Fort Vimieux. (1831).


 

Obras em leilão

Desde 1897 nenhuma obra de Turner era leiloada.

  • Em Abril de 2006, foi leiloado na Christie's, o quadro “Giudecca, La Donna della Salute and San Giorgio”, pintado pelo artista na cidade de Veneza, sendo esta a cidade retratada na obra. O quadro atingiu o valor de 20,5 milhões de libras, quase 28,5 milhões de euros.
  • Em 2006, a obra “Glaucus and Scylla” (1840) foi devolvida pelo Kimbell Art Museum em Fort Worth aos herdeiros de uma família vítima do Holocausto. A pintura foi comprada de novo pelo museu em Abril de 2007, num leilão da Christie's por 5,7 milhões de dólares.
  • Em Dezembro de 2007 a aquarela “Bamborough Castle” foi leiloada pela Sotheby's, em Londres, por 2.932.500 libras (4.081.500 euros). A aquarela data dos anos 30 do século XIX e em 1872 foi comprada pelo conde de Dudley por 3.309 libras - então um preço recorde para uma obra deste gênero - até que passou para as mãos da família Vanderbilt e não era vista em público desde 1889.
  • Em Julho de 2010 a obra, intitulada “Roma Moderna - Campo Vaccino”, datada de 1838, foi vendida num leilão da Sotheby's de Londres por 35,5 milhões de euros. A obra foi comprada pelo museu J. Paul Getty de Los Angeles.


Referências

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Pritaneu


Pritaneu de Éfeso. (Imagem: Elelicht).

Pritaneu. (em grego clássico: Πρυτανεῖον; transliteração: Prytaneion; "presidência") era a sede dos “prítanes”, ou seja, dos membros do governo das cidades-estado da Grécia Antiga. O termo é também usado para descrever qualquer das estruturas antigas onde oficiais se reuniam, normalmente no âmbito de funções relacionadas com o governo de uma cidade. O termo é ainda referido para designar o edifício onde os oficiais e vencedores dos Jogos Olímpicos se reuniam em Olímpia. O Pritaneu situava-se normalmente no centro da cidade, na “ágora”, e albergava o fogo sagrado e eterno de Héstia (ou Vesta), a deusa do lar e da família e símbolo da vida da cidade. O fogo dos pritaneus das colônias era levado do pritaneu da cidade-mãe Era no Pritaneu que os magistrados se reuniam e recebiam as homenagens dos seus conterrâneos e os embaixadores estrangeiros. O local também era palco de sacrifícios de oferendas aos deuses da cidade.



Atenas

Em Atenas, o Pritaneu funcionava no Tholos ("círculo" em grego), um templo circular com 18 metros de diâmetro situado no lado sudoeste da ágora que fazia parte do complexo do “Buletério” (onde funcionava a Bulé, o conselho de cidadãos). O Tholos funcionava como uma espécie de estrutura polivalente, que servia como refeitório e alojamento para alguns oficiais. Esta função tornou-se necessária após as reformas de Clístenes, que obrigavam a que um terço do senado a estar permanentemente presente no complexo, qualquer que fosse a hora do dia ou da noite. O edifício foi construído cerca de 470 a.C. por Címon (em grego: Κίμων, transliteração: Kímon), como refeitório dos membros da Bulé.



Olímpia

Em Olímpia o Pritaneu era onde os sacerdotes e magistrados viviam; os altos sacerdotes viviam no Theokoleon. Situa-se a noroeste do templo de Hera e era usado para celebrações e festas pelos vencedores dos Jogos Olímpicos. Era também o lugar onde se encontrava o altar de Héstia, onde ardia a chama olímpica original.

Galeria de Imagens
Efeso, peristilio rodio e prytaneion. (Imagem: sailko).




Efeso, peristilio rodio e prytaneion. (Imagem: sailko).

Pritaneu, Éfeso.


Pritaneu, Éfeso.

Ruines antiques d'Ephèse en Turquie. Photo par Traroth.


Pritaneu de Éfeso. (Imagem: CherryX).





Prítane


Prítane (em grego: πρύτανις; transliteração: prýtanis; plural: πρυτάνεις; prytáneis) era a designação dada aos mais altos magistrados de muitas das cidades da Grécia Antiga. O termo é também usado num contexto mais específico para designar o representante das tribos no conselho dos Quinhentos (bulé) ou os membros executivos desse órgãos. O termo, como basileu ou tirano, é provavelmente de origem pré-grega, possivelmente cognato do etrusco "(e)pruni". O mandato ou período de tempo entre a nomeação e substituição de um grupo de prítanes era designado pritania. Em Atenas, uma pritania tinha a duração de um décimo do ano (36 dias). Os prítanes tinham como sede um edifício chamado pritaneu, que normalmente se situava no centro da cidade, na ágora, ao lado ou anexo ao Buletério (sede do bulé, o governo da cidade). Durante todo o seu mandato, os prítanes permaneciam no pritaneu, 24 horas por dia, sendo as suas despesas de alojamento e alimentação pagas
Clístenes.
(Imagem: http://www.ohiochannel.org/).
pela cidade.



Em Atenas

Quando Clístenes reorganizou o governo ateniense em 508–507 a.C., substituiu a velha bulé (conselho) de Sólon, com 400 membros, por uma nova bulé com 500 membros. A antiga assembleia era formada por 100 membros de cada uma das tribos ancestrais. Clístenes criou dez novas tribos e a bulé passou a ter 50 membros por cada uma das tribos. Cada uma das delegações das tribos formava o corpo executivo do conselho durante um décimo do ano, de forma a que anualmente havia dez grupos de prítanes, os quais eram escolhido por sorteio. Os prítanes estavam no seu posto todos os dias durante o seu mandato, ficando alojados no Tholos, o pritaneu de Atenas, um edifício circular (daí o seu nome) situado na ágora junto ao Buletério. Além de instalações para funções administrativas, o Tholos dispunha de alojamentos, que eram usados não só pelos prítanes, mas também por convidados ilustres da cidade (embaixadores, por exemplo) e personalidades que a cidade queria homenagear. Os prítanes exerciam diversas funções administrativas e religiosas em estreita ligação com a bulé (conselho) e a eclésia (assembleia de cidadãos):


  • Convocação de sessões com todos os membros da bulé para discutir e redigir os “probuleumata” (προβούλευμα; propostas de lei a serem submetidas à eclésia). Esta convocação era em muitos casos um ato meramente formal, pois na prática muitas dessas reuniões eram obrigatórias e tudo indica que quem fosse mais persuasivo conseguia convencer os prítanes a convocar ou a não convocar certas reuniões extraordinárias.

  • Organização e preparação das sessões da eclésia; em cada pritania deveria ser realizada pelo menos uma. Para este efeito, convocavam os cidadãos, dispersos pelo território da Ática, controlavam o acesso à Pnyx (a colina dedicada ao governo) e supervisionavam os debates. No século V a.C. faziam a contagem dos votos, uma função que no século seguinte foi atribuído aos “proedros” (em grego: πρόεδρος; transliteração: proedros , presidente; foi um título cortesão e eclesiástico bizantino utilizado entre o século X e meados do século XII.), que eram escolhidos por sorteio entre os membros das outras nove tribos (ou seja, os membros da tribo a que pertenciam os prítanes não eram elegíveis.

  • Zelar pelo fogo sagrado da cidade, que se encontrava no Tholos, o qual nunca devia apagar-se. A vigilância deste edifício era confiado em cada dia aos membros de uma “trítia” (Tritia foi uma divisão da população na antiga Ática (Grecia), estabelecida pelas reformas de Clístenes no ano 508 a.C.. O nome significa "trigésimo", e havia, de fato, 30 trítias na Ática.)

  • Recepção dos embaixadores de estados estrangeiros e condução da política do dia-a-dia.



Ruínas do pritaneu de Atenas, o Tholos,
o edifício sede dos prítanes,
situado na ágora da cidade.
Um dos prítanes, escolhido por sorteio, exercia durante um dia a função de “epístata” (ὁ ἐπιστάτης; epistátes), ou seja, presidia ao conselho, que na prática era o chefe de estado e líder executivo, pois o poder dos “arcontes” (título dos membros de uma assembléia de nobres da Atenas antiga, que se reuniam no arcontado.) tinha sido substancialmente diminuído. O epístata era também o guardião do “selo” (pequeno objeto de metal como ouro ou prata (placa, coluna e até anel) usados como assinatura do proprietário e/ou responsável por uma Organização, para selar e autenticar documentos e cartas) da cidade e das chaves do tesouro do estado e dos templos. Esta última função era puramente honorífica, pois os cidadãos tinham o direito de requerer uma grafé pará nómon (ἡ γραφή παρά νόμων) contra o epístata. A grafé pará nómon ou grafé paranómon era uma ação de justiça pública evocada em situações em que alegadamente as leis fundamentais da democracia eram postas em causa por alguma ação ou proposta de lei. Nenhum homem era autorizado a ser epístata mais do que uma vez e provavelmente mais de metade dos adultos masculinos de Atenas tiveram esse posto numa ocasião ou noutra. As reuniões da eclésia ou da bulé eram presididas pelo epístata. No século IV a.C., esta prática mudou e a presidência das reuniões passou a estar a cargo de um proedro.

Galeria de Imagens

Ruins of Prytaneion of Panticapaeum, II b.c.. Kerch, Ukraine. (Imagem: Clipper at the Russian language Wikipedia).


Prytaneion of Panticapaeum, II b.c. (Kerch, Ukraine). (Imagem: Kurgus).

Pritaneu em Dodona. (Imagem: DerHexer).


Pritaneu em Dodona. (Imagem: DerHexer).








Em outras cidades


O título de prítane foi usado em outras cidades-estado da Grécia Antiga, nomeadamente em Rodes, Alexandria e outras cidades da costa ocidental da Ásia Menor. Os cargos associados ao título tinham geralmente a responsabilidade de presidir aos conselhos de algum tipo. Em Mileto, o poder do prítane era tal que podia tornar-se um tirano, segundo o relato de Aristóteles (Política, v.5, 1305a17).


Referências