quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

Biografia de Hippolyte Fizeau

Hippolyte Fizeau
Armand Hippolyte Louis Fizeau. Nasceu em Paris, a 23 de Setembro de 1819, e, faleceu em Venteuil, a 18 de Setembro de 1896. Hippolyte Fizeau foi um físico francês. Descendente de família rica, iniciou cedo sua formação científica. Em 1860 foi eleito para a Academia Francesa e, em 1878, ingressou no Bureau des Longitudes. Em 1849 desenvolveu com sucesso um mecanismo bastante simples que permite medir a velocidade da luz, a chamada Roda de Fizeau.

Pesquisas

Seus primeiros trabalhos foram dedicados à melhoria do processo fotográfico. Juntamente com Léon Foucault investigou os fenômenos de interferência da luz e de transmissão de calor. Em 1848, descobriu independentemente de Christian Andreas Doppler o efeito Doppler para as ondas eletromagnéticas. Na França este efeito é conhecido como efeito Doppler-Fizeau. Em 1849 publicou resultados de medidas da velocidade da luz utilizando um instrumento desenhado por ele e Foucault (experimento de Fizeau e Foucault). Esta foi a primeira vez que se obteve uma medida direta da velocidade da luz. Em 1850 em colaboração de E. Gounelle pôde medir a velocidade da propagação da eletricidade. Em 1853 descreveu um método para aumentar a eficiência das indutâncias num circuito eléctrico utilizando condensadores. Posteriormente estudou a expansão térmica dos sólidos e utilizou um método de interferências para medir a dilatação de materiais cristalinos. Em 1868 sugeriu utilizar um método interferométrico para medir os diâmetros estelares. Um método que foi posto em prática, mas sem êxito devido às limitações técnicas da época, pelo astrônomo Édouard Jean Marie Stephan (1837-1923). Em 1860 passou a fazer parte da Academia Francesa e em 1878 do Bureau des Longitudes, dois dos maiores reconhecimentos por parte da comunidade científica francesa. Também ingressou na Accademia Nazionale dei Lincei. Foi laureado com a medalha Rumford em 1866 e nomeado membro estrangeiro da Royal Society em 1875. A primeira medição satisfatória da velocidade da luz foi realizada em 1849, na qual se usou uma roda dentada que girava rapidamente e disposta de maneira que a luz de um foco após refletir-se num espelho semitransparente, passava através de um dos furos da roda refletindo-se em seguida num espelho, e fazendo girar a roda a uma velocidade adequada conseguia que a luz refletida passasse através do furo seguinte da roda.

Roda de Fizeau

Em 1849, o físico francês Armand-Hyppolyte-Louis
(Imagem: Theresa_knott).
Fizeau (1819-1896) determinou a velocidade da luz no ar realizando o experimento conhecido como Roda de Fizeau ou Experimento da Roda Dentada. A experiência consistia em colocar uma roda dentada no topo de uma montanha, havendo um espelho por trás e um outro espelho há uma distância d. Então, mediu-se o tempo para a luz partir de um ponto, chegar ao espelho e ser refletido de volta para o ponto inicial. Para medir o tempo com a maior precisão possível, Fizeau usou uma roda dentada que transformava feixes contínuos de luz em pulsos luminosos. Em seu experimento, Fizeau utilizou uma distância de 8.633m e uma roda com 720 dentes, que girava numa frequência de 12,6Hz. Após o experimento, ele encontrou uma velocidade de 315.000 Km/s.

Referências
https://pt.wikipedia.org/wiki/Hippolyte_Fizeau
https://es.wikipedia.org/wiki/Hippolyte_Fizeau
https://pt.wikipedia.org/wiki/Roda_de_Fizeau

quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

Biografia de Peter Paul Rubens

Auto-retrato (1623).
Peter Paul Rubens. Nasceu em Siegen, a 28 de Junho de 1577, e, faleceu em Antuérpia, a 30 de Maio de 1640. Rubens foi um pintor flamengo do estilo barroco, proponente de um estilo extravagante que enfatizava movimento, cor e sensualidade. Ele é conhecido por suas obras contrarreformistas, retratos e pinturas históricas de assuntos mitológicos e alegóricos.


Biografia


Primeiros anos


Rubens nasceu em Siegen, na Vestfália, de Jan Rubens e Maria Pypelincks. Seu pai, um calvinista, e sua mãe fugiram de Antuérpia para Colônia em 1568, por causa do crescente tumulto religioso e das perseguições aos protestantes durante o reinado do Duque de Alba (Fernando Ávarez de Teledo y Pimentel) nos Países Baixos Espanhóis. Jan Rubens se tornou um conselheiro jurídico (e amante) de Ana da Saxônia, a segunda esposa de Guilherme I, príncipe de Orange, e se assentou na corte dela em Siegen em 1570. Após Jan Rubens ter sido preso por causa do relacionamento, Peter Paul Rubens nasceu, no ano de 1577. A família retornou para Colônia no ano seguinte e, em 1589, dois anos após a morte de Jan, ele e sua mãe se mudaram novamente para Antuérpia, onde ele foi criado como um católico. A religião apareceria de forma proeminente na maior parte de sua obra e Rubens iria se tornar uma das principais vozes da pintura na Contrarreforma católica. Em Antuérpia, Rubens recebeu uma educação humanista, estudando latim e literatura clássica. Aos quatorze, ele começou o seu aprendizado artístico com Tobias Verhaeght. Subsequentemente, ele estudou sob dois dos principais pintores da cidade na época, o artistas do final do período maneiristas Adam van Noort e Otto van Veen. Começou com Adam van Noort, depois Tobias Verhaeght e finalmente Otto van Veen, que exerceu sobre ele a maior influência. Foi Van Veen que fez nascer em Rubens uma grande admiração pela Itália e pela cultura latina clássica. Isso marcou toda a sua obra e o fez servir aos reinos latinos católicos mesmo sendo germânico filho de pai protestante. Muito de seu treinamento inicial envolveu copiar as obras de artistas anteriores, como as xilogravuras de Hans Holbein, o Jovem e as gravuras de Marcantonio Raimondi baseadas em Rafael Sanzio. Rubens completou a sua educação em 1598, quando então entrou para a Guilda de São Lucas como um mestre independente.


Itália (1600–1608)


Em 1600, Rubens viajou para a Itália. Ele parou
Retrato equestre do Duque de Lerma.
primeiro em Veneza, onde ele viu as pinturas de Ticiano Vecellio, Paolo Veronese e Tintoretto (Jacopo Robusti), antes de assentar em Mântua, na corte do duque Vincenzo I Gonzaga. As cores e as composições de Veronese e Tintoretto tiveram um efeito imediato sobre as pinturas de Rubens e seu estilo posterior, mais maduro, foi profundamente influenciado por Ticiano. Com o apoio financeiro do duque, Rubens viajou a Roma passando por Florença em 1601. Lá, ele estudou grego clássico e a arte romana, copiando obras dos mestres italianos. A escultura helenística "Laocoonte e seus filhos" teve uma influência especial sobre ele, assim como a arte de Michelângelo, Rafael e Leonardo da Vinci. Ele também foi influenciado pela recente - e fortemente naturalística - obra de Caravaggio. Ele posteriormente fez uma cópia de uma obra dele, "O Enterro de Cristo", e recomendou ao seu patrocinador, o duque de Mântua, que comprasse a "Morte da Virgem" (que hoje está no Louvre). Além disso, ele foi instrumental nas aquisições da "Madonna do Rosário" (Kunsthistorisches Museum, Viena) para a igreja dominicana em Antuérpia. Durante sua primeira estadia em Roma, Rubens completou uma encomenda para uma peça de altar, "Santa Helena com a Vera Cruz" para a igreja de Santa Croce in Gerusalemme. Rubens viajou para a Espanha numa missão diplomática em 1603, levando presentes dos Gonzagas para a corte de Filipe III. Enquanto estava lá, ele estudou a enorme coleção de obras de Rafael e Ticiano criada por Filipe II. Ele também pintou um retrato equestre do Duque de Lerma (Museu do Prado), em Madrid - à direita) que já demonstra a influência de obras como o retrato de Carlos V de Ticiano (1548; no Prado), Esta viagem marcou como sendo a primeira de muitas em sua carreira onde ele combinaria as necessidades da arte e da diplomacia. Ele retornou à Itália em 1604, onde permaneceu pelos próximos quatro anos, primeiro em Mântua e depois em Gênova e Roma. Em Gênova, Rubens pintou diversos retratos, como a Marchesa Brigida Spinola-Doria (National Gallery of Art, Washington, D.C.) e o retrato de Maria di Antonio Serra Pallavicini, num estilo que influenciou as pinturas posteriores de Anthony van Dyck, Joshua Reynolds e Thomas Gainsborough. Ele também começou um livro sobre os palácios da cidade. Entre 1606 e 1608, ele ficou a maior parte do tempo em Roma e, durante esse período, ele recebeu, com a ajuda do cardeal Jacopo Serra (o irmão de Maria Pallavicini), sua mais importante encomenda até então, o grande altar da mais moderna e elegante nova igreja da cidade, Santa Maria in Vallicella, também conhecida como Chiesa Nuova. O tema principal tinha que ser São Gregório Magno e importantes santos locais adorando um ícone da Virgem e o Menino. A primeira versão, uma tela simples (atualmente no Musée des Beaux-Arts, em Grenoble), foi imediatamente substituída por uma segunda versão, em três painéis planos que permitem que a verdadeira milagrosa imagem sagrada da "Santa Maria em Vallicella" seja revelada em festas importantes através de uma cobertura removível em cobre, também pintada pelo artista. As experiências de Rubens na Itália continuaram a influenciar sua obra. Ele continuou a escrever muitas de suas correspondências em italiano, assinando seu nome como "Pietro Paolo Rubens" e por toda vida falou, com saudade, em voltar para a península - algo que jamais ocorreria. Não tarda a chegar a fama. Sucedem-se várias outras, principalmente pinturas para igrejas e retratos da aristocracia. Pinta duques, condes e também burgueses, a classe em franca ascensão nos estados italianos. Fica famoso, e é conhecido entre as elites por ser, além de excelente pintor, uma pessoa de fácil relacionamento e grande simpatia.
 
Portrait of Anne of Austria (1601-1666), Queen of France.

The Felt Hat. (
Portrait of Susanna Lunden(?)

Toilette der Venus

 



Antuérpia (1609–1621)


Ao saber que sua mãe estava doente em 1608,
O Rapto das Filhas de Leucipo.
Rubens planejou viajar da Itália para Antuérpia. Porém, ela morreu antes que ele pudesse vê-la. Sua volta coincidiu com um período de renovada prosperidade na cidade com a assinatura do Tratado de Antuérpia em Abril de 1609, que iniciou a Trégua dos Doze Anos. Em Setembro de 1609, Rubens foi escolhido como o pintor da corte por Alberto VII de Áustria, e da Infanta Isabella Clara Eugenia, soberanos dos Países Baixos Espanhóis. Ele recebeu uma permissão especial para basear seu estúdio em Antuérpia ao invés de Bruxelas, onde estava sediada a corte, e também para trabalhar para outros clientes. Ele se manteve próximo da arquiduquesa Isabella até a sua morte em 1633 e foi utilizado não somente como pintor, mas também como embaixador e diplomata. Rubens cimentou ainda mais seus laços com a cidade quando, em 3 de Outubro de 1609, ele se casou com Isabella Brant, a filha de um dos mais proeminentes humanistas da cidade, Jan Brant. Em 1610, Rubens se mudou para uma casa e um estúdio novos, projetados por ele. Agora, o Museu Rubenshuis, a villa de influência italiana no centro de Antuérpia acomodava o seu estúdio, onde ele e seus aprendizes fizeram a maior parte de suas obras, além de sua coleção de arte pessoal e uma biblioteca, ambas entre as maiores de Antuérpia. Durante este período, ele ampliou o estúdio com a ajuda de diversos estudantes e assistentes, o mais famoso deles fora o jovem Anthony van Dyck, que logo se tornaria o mais famoso retratista flamengo e um colaborador frequente de Rubens. Ele também colaborava frequentemente com muitos especialistas ativos na cidade, incluindo o pintor de animais Frans Snyders, que contribuiu com a águia em seu “caralaha” (1611–12. Philadelphia Museum of Art), e com o seu grande amigo, o pintor de flores Jan Bruegel, o Velho. Peças de altar, como a "O Erguimento da Cruz" (1610) e "A Descida da Cruz" (1611-1614) para a Catedral de Nossa Senhora foram particularmente importantes para estabelecer Rubens como o mais importante pintor nos Flandres após a sua volta. O "O Erguimento da Cruz", por exemplo, demonstra a síntese que Rubens fez da "Crucificação" de Tintoretto para a Scuola Grande di San Rocco, em Veneza, as figuras dinâmicas de Michelangelo e o seu estilo pessoal. Esta pintura é geralmente lembrada como um grande exemplo da arte religiosa barroca. Rubens fez uso de gravuras e de capas de livros, especialmente para o seu amigo Balthasar Moretus, o proprietário da grande Editora Plantin-Moretus, para espalhar a sua fama por toda a Europa durante a sua carreira. Com a exceção de um par de água-fortes, ele mesmo apenas produziu desenhos dessas gravuras, deixando a impressão em si para os especialistas, como Lucas Vorsterman. Ele recrutou diversos entalhadores treinados por Hendrik Goltzius, a quem ele cuidadosamente ensinou para que aprendessem o estilo mais vigoroso que ele queria. Ele também projetou a última xilogravura importante anterior ao revival da técnica no século XIX. Rubens também deixou claro os direitos de autor de suas gravuras, principalmente na Holanda, onde sua obra era largamente copiada através delas. Ele também estabeleceu os direitos de autor na Inglaterra, França e Espanha. A produção dos quadros obedecia a um esquema montado por ele, segundo o qual ele realizava todos os primeiros esboços e encarregava os aprendizes de montar um modelo em escala menor, que era apresentado ao cliente. Se aprovado, Rubens traçava a lápis na tela e os discípulos colocavam a cor e o óleo, cabendo ao mestre de novo fazer a "arte final".



O Ciclo Maria de Médici e as missões diplomáticas (1621–1631)


Em 1621, a rainha-mãe da França, Maria de Médici, encomendou a Rubens dois grandes ciclos alegóricos celebrando a sua vida e a de seu recém-finado marido, Henrique IV para o Palácio do Luxemburgo, em Paris. O desde então chamado "Ciclo de Maria de Médici" (atualmente no Louvre) foi instalado em 1625 e, embora ele tenha começado o trabalho no segundo ciclo, jamais teve tempo de terminá-lo. Maria foi exilada da França em 1630 por seu filho, Luís XIII, e morreu em 1642, na mesma casa em Colônia onde Rubens vivera quando criança. Com o final da Trégua dos Doze Anos, em 1621, os regentes Habsburgos espanhóis confiaram a Rubens numerosas missões diplomáticas. Em 1624, o embaixador francês escreveu de Bruxelas: "Rubens está aqui para pintar o retrato do príncipe da Polônia, por ordens da infanta" (o príncipe Władysław IV Vasa foi a Bruxelas como convidado pessoal da Infanta Isabella em 2 de Setembro de 1624). Entre 1627 e 1630, a carreira diplomática de Rubens esteve particularmente ativa e ele frequentemente se movimentava entre as cortes da Espanha e da Inglaterra tentando promover a paz entre os Países Baixos Espanhóis e as Províncias Unidas. Ele também fez diversas viagens para o norte da Holanda, tanto como artista quanto como diplomata. Nas cortes, ele por vezes encontrava pessoas que acreditavam que cortesãos não deveriam colocar as mãos em nenhuma forma de arte ou comércio, mas ele foi também recebido como um cavalheiro em diversas outras. Foi durante este período que Rubens foi, por duas vezes, elevado ao título de cavaleiro, a primeira por Filipe IV, em 1624, e a segunda, por Carlos I, em 1630. Rubens esteve em Madrid por oito meses entre 1628 e 1629. Além das negociações diplomáticas, ele realizou ali diversas obras importantes para Filipe IV e outros patrocinadores privados. Ele também pôde começar um novo estudo sobre as obras de Ticiano, copiando várias delas, inclusive a "Queda do Homem" de Madrid (1628-1629). Durante a sua estadia, ele se tornou amigo do pintor da corte espanhola, Diego Velázquez, e os dois planejaram visitar a Itália juntos no ano seguinte. Rubens, porém, retornou para Antuérpia e Velásquez viajou sem ele. Sua estadia em Antuérpia seria breve e ele logo viajou para Londres, onde ele permaneceu até abril de 1630. Uma obra importante deste período é a "Alegoria sobre a Paz e Guerra" (1629; National Gallery, Londres). Ela é um bom exemplo da forte preocupação de Rubens com a paz e foi presenteada a Carlos I. Enquanto a reputação de Rubens entre os colecionadores e a nobreza continuava a crescer durante esta década, ele e seu estúdio continuaram a pintar obras monumentais para contratantes locais em Antuérpia. A "Assunção da Virgem Maria" (1625-1626) para a Catedral de Antuérpia é um bom exemplo.


Últimos anos


A última década de Rubens se passou em Antuérpia ou nas redondezas. Obras grandes para compradores estrangeiros ainda o ocupavam, como as pinturas para o teto do Salão de Banquetes do Palácio de Whitehall, de Inigo Jones, mas ele também explorou algumas possibilidades artísticas mais pessoais. Em 1630, quatro anos após a morte de sua primeira esposa, o artista, então com 53 anos de idade, se casou com a donzela Hélène Fourment, de dezesseis. Ela inspirou nele figuras voluptuosas em muitas pinturas da década de 1630, incluindo "A Festa de Vênus" (Kunsthistorisches Museum, Viena), "As Três Graças" (Prado, Madrid) e "O Julgamento de Páris" (Prado, Madrid - à direita). Nesta última pintura, que foi feita para a corte espanhola, a jovem esposa do artista foi reconhecida como sendo a figura de Vênus. Num retrato íntimo dela, "Hélène Fourment embrulhada em peles", também conhecido como Het Pelsken, a esposa de Rubens chega a ser representada com base nas esculturas clássicas da Vênus Pudica, como na Vênus de Médici. Em 1635, Rubens comprou uma propriedade fora de Antuérpia, o Castelo Elewijt (ou Steen), onde ele passou os seus últimos dias. Paisagens, como a sua Château de Steen com o caçador (National Gallery, Londres) e "Fazendeiros retornando do campo" (Galeria Pitti, Florença), refletem a natureza mais pessoa de muitas de suas obras finais. Ele também se baseou nas tradições holandesas de Pieter Bruegel, o Velho, para se inspirar para obras como Kermis Flamengo (ca. 1630; Louvre, Paris). Rubens morreu de gota (doença reumatológica, inflamatória e metabólica) em 30 de Maio de 1640 e foi enterrado na Igreja de São Tiago em Antuérpia. Ele deixou oito filhos, três com Isabella e cinco com Hélène, sendo que o caçula nasceu oito meses após a sua morte.


Arte


Rubens foi um artista muito prolífico. Suas obras sob encomenda foram majoritariamente sobre assuntos religiosos, pinturas "históricas", que incluem assuntos mitológicos, e cenas de caçadas. Ele pintou muitos retratos, especialmente de amigos e autorretratos, e, no final de sua vida, ele pintou diversas paisagens. Ele também projetou diversas tapeçarias e gravuras, além de sua própria casa. Seus desenhos são muito vigorosos, mas não tão detalhados; ele também se utilizou de estudos em óleo para se preparar para suas obras. Ele foi um dos últimos artistas a fazer uso consistente de painéis de madeira como meio de apoio, mesmo para obras grandes, e se utilizou também de lona, especialmente quando a obra precisaria ser enviada para lugares distantes. Para suas peças de altar, ele por vezes pintou em ardósia para reduzir problemas com reflexos.


Retrato de Helena Fourment (obra)



O Retrato de Helena Fourment é um óleo sobre
(Imagem: Yelkrokoyade)
madeira de Peter Paul Rubens, concebido na Flandres entre 1630-1632. O monumental quadro, de medidas invulgares de 186 x 85cm, retrata a segunda esposa do flamengo pintor e é uma das muitas pinturas em que Rubens retratou a Helena. A pintura valorosa pertenceu à coleção de Catarina II da Rússia, após ser-lhe vendido, em 1779, por Sir Robert Walpole, e esteve em exibição do Museu do Ermitage, em São Petersburgo.



História


Em 1630 Rubens casou com Helène Fourment, em português Helena Fourment, filha de um mercador antuérpio rico que importava e exportava sedas e tapetes. Helena tornou-se então a segunda mulher do pintor, incrivelmente, trinta e seis anos mais nova que o esposo. A partir desta data, Helena Fourment apareceu com frequência na produção de Rubens, quer em composições de carácter mitológico ou religioso quer em retratos individuais e familiares. Após a Revolução Russa e a nacionalização dos bens, os comunistas russos, precisados de dinheiro para a guerra e comida para sustentar milhões de pessoas, decidiram vender os incrivelmente numerosos e valiosos bens que antes pertenciam à Coroa imperial russa e à riquíssima e poderosa aristocracia do país, sem excluir jóias, quadros, porcelanas, entre outros objectos de valor. Também precisados de armas, não olharam os meios para atingir os fins, e a maioria das jóias imperiais foram derretidas na Casa da Moeda. Até mesmo os muitos Ovos de Páscoa que Peter Carl Fabergé criara estiveram em risco de desaparecer. Aos quadros não se deu o mesmo tratamento e, sim, foram vendidos, o que, indiretamente, fez com que Retrato de Helena Fourment viesse parar nas mãos de Calouste Gulbenkian, e então a Portugal. A pintura de excelência esta hoje em dia exposta em Portugal, na cidade de Lisboa, no Museu Calouste Gulbenkian. A peça foi adquirida por Calouste Gulbenkian conhecido como Senhor 5% em 1930 - cerca de 300 anos depois de ter sido concebida por Peter Paul Rubens -, por intermédio de Antikvariat, em Moscovo.


Composição e técnica


Esta obra reflete grande magnanimidade técnica na plasticidade e imperiosidade dos volumas, plenos na obra de Peter Paul Rubens, e na concepção das texturas, que muito reconhecimento deram a Rubens, e a excelência da luz no busto da figura. Para conceder uma aparência monumental à esposa, visto que esta o desejava e a sua estatura, um pouco baixa, por sinal, não ajudava, Rubens pôs a sua esposa em cima de um banco e alongou-lhe o vestido negro, fazendo com que Helena aparentasse ser mais alta. Depois, visto que Helena não se achou contentada, Rubens baixou a linha do horizonte, o que acentuou a verticalidade e excelência da mulher retratada, ou seja Helena. Esta traja, elegantemente, diga-se, um chapéu negro com pluma de avestruz, tal como o vestido, este último de cetim, com mangas brancas volumosas, decoradas com laços de cetim cor melancia, moda em voga na burguesia crescente da época, e já que Rubens e a esposa eram muito ricos, não havia com certeza problemas em Helena ser assim trajada. O que é certo é que, em todas as pinturas que fez suas, Rubens não se cansou de demonstrar a elegância, brilho e esplendor com que a sua família era conhecida pela Europa mais eclética. Especial atenção para o último plano que exibe um sol nascente, por trás de obnubilantes nuvens acinzentadas. A par da composição, o resultado visual é de grande impacto no público, que sabe sem dúvida que a obra é testemunho de um nome maior que marcou o Barroco e os séculos contemporâneos e que fez renascer a pintura da Flandres.


Referências:


https://pt.wikipedia.org/wiki/Peter_Paul_Rubens
https://pt.wikipedia.org/wiki/Retrato_de_Helena_Fourment

terça-feira, 22 de dezembro de 2015

Biografia de Cícero

Cícero
Marco Túlio Cícero. (em latim Marcus Tullius Cicero). Nasceu em Arpino, a 3 de Janeiro de 106 a.C., e, faleceu em Formia, a 7 de Dezembro de 43 a.C.). Cícero foi um filósofo, orador, escritor, advogado e político romano. Cícero é normalmente visto como sendo uma das mentes mais versáteis da Roma antiga. Foi ele quem apresentou aos Romanos as escolas da filosofia grega e criou um vocabulário filosófico em Latim, distinguindo-se como um linguista, tradutor, e filósofo. Um orador impressionante e um advogado de sucesso, Cícero provavelmente pensava que a sua carreira política era a sua maior façanha. Hoje em dia, ele é apreciado principalmente pelo seu humanismo e trabalhos filosóficos e políticos. A sua correspondência, muita da qual é dirigida ao seu amigo Ático, é especialmente influente, introduzindo a arte de cartas refinadas à cultura Europeia. Cornélio Nepos, o biógrafo de Ático do século I a.C., comentou que as cartas de Cícero continham tal riqueza de detalhes "sobre as inclinações de homens importantes, as falhas dos generais, e as revoluções no governo" que os seus leitores tinham pouca necessidade de uma história do período. Durante a segunda metade caótica do século I a.C., marcada pelas guerras civis e pela ditadura de Júlio César, Cícero patrocinou um retorno ao governo republicano tradicional. Contudo, a sua carreira como estadista foi marcada por inconsistências e uma tendência para mudar a sua posição em resposta a mudanças no clima político. A sua indecisão pode ser atribuída à sua personalidade sensível e impressionável: era propenso a reagir de modo exagerado sempre que havia mudanças políticas e privadas. "Oxalá que ele pudesse aguentar a prosperidade com mais auto-controle e a adversidade com mais firmeza!" escreveu Caio Asínio Pólio, um estadista e historiador Romano seu contemporâneo.

Vida pessoal

Primeiros anos

Cícero nasceu em 106 a.C. em Arpino, uma cidade
Cícero (afresco de 1464)
numa colina, 100 quilômetros a sul de Roma. Por isso, ainda que fosse um grande mestre de retórica e composição Latina, Cícero não era "Romano" no sentido tradicional, e sempre se sentiu envergonhado disto durante toda a sua vida. Durante este período na história Romana, se, alguém quisesse ser considerado uma pessoa com cultura, era necessário falar Grego e Latim. A classe alta Romana até preferia usar a língua Grega em correspondência privada, sabendo que tinha expressões mais refinadas e precisas, era mais subtil, e em parte por causa da grande variedade de nomes abstratos. Cícero, como a maioria dos seus contemporâneos, foi educado com os ensinamentos dos antigos filósofos, poetas e historiadores gregos. Os professores mais proeminentes de oratória na altura também eram Gregos. Cícero usou o seu conhecimento da língua Grega para traduzir muitos dos conceitos teóricos da filosofia grega em Latim, apresentando-os desta forma a uma maior audiência. Foi precisamente a sua educação que o ligou à elite Romana tradicional. O pai de Cícero era um rico equestre com bons contatos em Roma. Apesar de ter problemas de saúde que o impediam de entrar na vida pública, compensou por isto ao estudar extensivamente. Apesar de pouco ser conhecido sobre a mãe de Cícero, Hélvia, era comum as mulheres de importantes cidadãos Romanos serem responsáveis pela casa. O irmão de Cícero, Quinto, escreveu uma carta a dizer que ela era uma dona de casa frugal. O cognome de Cícero em Latim significa grão-de-bico. Os Romanos normalmente escolhiam sobrenomes realistas. Plutarco explica que o nome foi originalmente dado a um dos antepassados de Cícero porque ele tinha uma covinha na ponta do nariz que parecia um grão-de-bico. Plutarco diz também que foi dito a Cícero para mudar este nome depreciativo quando ele decidiu entrar na política, mas que este recusou, dizendo que ele ia fazer Cícero mais glorioso do que Escauro ("com tornozelos inchados") e Catulo ("Cachorrinho"). De acordo com Plutarco, Cícero era um estudante extremamente talentoso, cuja aprendizagem atraiu a atenção de toda a Roma, dando-lhe a oportunidade de estudar a lei Romana sob Quinto Múcio Cévola. Outros estudantes eram Caio Mário, o Jovem, Sérvio Sulpício Rufo (que se tornou advogado, um dos poucos que Cícero considerava serem superiores a ele próprio em assuntos legais), e Tito Pompônio. Os dois últimos tornaram-se amigos de Cícero por toda a vida, e Pompônio (que mais tarde recebeu o apelido de "Ático" por causa do seu amor pela cultura helênica) iria ser o maior conselheiro e suporto emocional de Cícero. Cícero queria seguir uma carreira no serviço público civil nos passos do Cursus honorum. Em 90–88 a.C., Cícero serviu Cneu Pompeu Estrabão e Lúcio Cornélio Sula durante a Guerra Social, apesar de não ter interesse nenhum na vida militar. Cícero era, antes de tudo, um intelectual. Cícero começou a sua carreira como advogado a cerca de 83-81 a.C. O seu primeiro caso importante de que se tem registo aconteceu em 80 a.C., e foi a defesa de Sexto Róscio, acusado de parricídio. Aceitar este caso foi um ato corajoso: parricídio era considerado um crime horrível, e as pessoas acusadas por Cícero, o mais famoso sendo Lucio Cornelio Crisógono, eram favoritos do ditador Sula. Nesta altura, teria sido fácil para Sula mandar alguém assassinar o desconhecido Cícero. A defesa de Cícero foi um desafio indireto ao ditador, e o seu caso foi forte o suficiente para absolver Róscio. Em 79 a.C., Cícero partiu para a Grécia, Ásia Menor e Rodes, talvez devido à ira potencial de Sula. Cícero viajou para Atenas, onde se encontrou de novo com Ático, que se tinha tornado num cidadão honorário de Atenas e apresentou Cícero a alguns Atenienses importantes. Em Atenas, Cícero visitou os lugares sagrados dos filósofos. Mas antes de tudo, ele consultou retóricos diferentes para aprender um estilo de falar menos exaustivo. O seu maior instrutor foi Apolônio Mólon de Rodes. Ele ensinou a Cícero uma forma de oratória mais expansiva e menos intensa que iria caracterizar o estilo individual de Cícero no futuro. No fim dos anos 90 e inícios dos 80 a.C., Cícero apaixonou-se pela filosofia, o que iria ter grande importância na sua vida. Eventualmente, ele iria introduzir a filosofia grega ao romanos e criaria um vocabulário filosófico latino. Em 87 a.C., Filão de Larissa, o chefe da Academia fundada por Platão em Atenas 300 anos antes, chegou a Roma. Cícero, "inspirado por um extraordinário zelo pela filosofia", sentou-se entusiasticamente aos seus pés e absorveu a filosofia de Platão, chegando a dizer que Platão era o seu deus. Admirava especialmente a seriedade moral e política de Platão, mas também respeitava a sua imaginação. Mesmo assim, Cícero rejeitou a teoria das Ideias dele.

Família

Cícero provavelmente casou-se com Terência quando tinha 27 anos, em 79 a.C. De acordo com os costumes da classe alta da época, era um casamento de conveniência, mas existiu harmoniosamente durante uns 30 anos. A família de Terência era rica, mas embora tivesse origem nobre, tinha ligações familiares com a plebe, eram os Terêncios Varrões, e preenchendo os requerimentos das ambições políticas de Cícero em termos ambos econômicos e sociais. Ela tinha uma meia-irmã (ou talvez prima) chamada Fábia, que em criança se tinha tornado numa virgem vestal, o que era uma grande honra. Terência era uma mulher independente e (citando Plutarco) "tinha mais interesse na carreira política do marido do que o deixava a ele ter nos assuntos da casa". Era uma mulher pia e provavelmente com os pés bem realista. Nos anos 40 a.C., as cartas de Cícero a Terência tornaram-se mais curtas e frias. Ele queixou-se aos amigos que Terência o tinha traído, mas não explicou em que sentido. Talvez o casamento simplesmente não pudesse aguentar a pressão do tumulto político em Roma, o envolvimento de Cícero nele, e várias outras disputas entre os dois. Parece que o divórcio aconteceu em 45 a.C. No fim de 46 a.C., Cícero casou-se com um jovem moça patrícia, Publília, de quem ele tinha sido o guardião. Pensa-se que Cícero precisava do dinheiro dela, especialmente depois de ter de pagar de volta o dote de Terência. Este casamento não durou muito tempo. Apesar do seu casamento com Terência ter sido um de conveniência, sabe-se que Cícero tinha grande afeição pela sua filha Túlia. Quando ela ficou doente subitamente em fevereiro de 45 a.C. e morreu depois de aparentemente ter recuperado de dar à luz em Janeiro, Cícero ficou arrasado. "Perdi a única coisa que me ligava à vida" escreveu ele a Ático. Ático disse-lhe para o visitar durante as primeiras semanas depois deste evento, para que ele o pudesse consolar. Na grande biblioteca de Ático, Cícero leu tudo o que os filósofos gregos tinham escrito sobre como vencer a tristeza, "mas a minha dor derrota toda a consolação". Júlio César, Marco Júnio Bruto e Sérvio Sulpício Rufo mandaram-lhe cartas de condolência. Cícero esperava que o seu filho Marco Túlio Cicero Minor se tornasse num filósofo como ele, mas Marco queria uma carreira militar. Ele juntou-se ao exército de Pompeu em 49 a.C. e depois da derrota de Pompeu na Farsália em 48 a.C., foi perdoado por Júlio César. Cícero enviou-o para Atenas para estudar como um discípulo do filósofo peripatético Cratipo em 48 a.C., mas o jovem usou a ausência "do olho vigilante do seu pai" para "comer, beber e ser feliz". Depois do assassinato de Cícero, ele juntou-se ao exército dos Liberatores (facção do senado romano que organizou o assassinato de Júlio César nos Idos de Março de 44 a.C.), mas foi mais tarde perdoado por Augusto (Gaius Iulius Caesar Octavianus Augustus). Os remorsos de Augusto por ter posto Cícero na lista de proscrição durante o segundo triunvirato fê-lo dar considerável ajuda à carreira de Marco, o filho de Cícero. Este tornou-se num áugure, e foi nomeado cônsul em 30 a.C. juntamente com Augusto, e mais tarde feito procônsul da Síria e da província da Ásia.

Obras

Cícero foi declarado um pagão justo pela Igreja católica, e por essa razão muitos dos seus trabalhos foram preservados. Santo Agostinho (Agostinho de Hipona) e outros citavam os seus trabalhos "De re publica" (Da República) e "De Legibus" (Das Leis), devido a essas citações é que se podem recriar diversos de seus trabalhos usando os fragmentos que restam. Cícero também articulou um conceito abstrato de direitos, baseado em lei antiga e costume. Dos livros de Cícero, seis sobre retórica sobreviveram, assim como partes de oito livros sobre filosofia. Dos seus discursos, oitenta e oito foram registados, mas apenas cinquenta e oito sobreviveram. Seu livro De Natura Deorum, que discute teologia, foi considerado, por Voltaire, possivelmente o melhor livro de toda a Antiguidade.

Carreira pública

Questor

O seu primeiro cargo foi como um dos vinte questores anuais, um trabalho de treino para a administração pública em áreas diferentes, mas com ênfase tradicional na administração e a contabilidade rigorosa de dinheiro público sob a orientação de um magistrado veterano ou comandante provincial. Cícero serviu como questor na Sicília Ocidental em 75 a.C. e demonstrou grande honestidade e integridade na forma como lidava com os habitantes. Como resultado, os gratos Sicilianos pediram a Cícero que processasse Caio Verres, um governador da Sicília, que tinha pilhado a ilha. A sua acusação de Caio Verres foi um grande sucesso forense para Cícero. Depois do fim deste caso, Cícero tomou o lugar de Hortênsio, advogado de Verres, como o maior orador de Roma. A oratória era considerada uma grande arte na Roma antiga, e uma ferramenta importante para espalhar conhecimento e promover-se a si próprio em eleições, em parte porque não havia meios de comunicação regulares na altura. Apesar dos seus grandes sucessos como advogado, Cícero não tinha uma genealogia com reputação: não era nem nobre nem patrício. Cícero cresceu num tempo de confusão civil e guerra. A vitória de Sula na primeira de muitas guerras civis deu lugar a uma infra-estrutura constitucional que sabotava a liberdade, o valor fundamental da República Romana. De qualquer modo, as reformas de Sula fortaleceram a posição dos equestres, contribuindo para o aumento do poder político dessa classe. Cícero era um eques Italiano e um novus homo, mas acima de tudo, era um constitucionalista romano. A sua classe social e lealdade à República certificaram-se que ele iria "comandar o suporto e confiança do povo assim como as classes médias Italianas." O fato dos optimates (facção conservadora de senadores romanos) nunca o terem aceitado realmente, prejudicou os seus esforços para reformar a República ao mesmo tempo que preservava a constituição. Mesmo assim, ele foi capaz de subir o cursus honorum, ocupando cada posto exatamente na idade mais jovem possível, ou perto dela: Questor em 75 a.C. (31 anos), Edil em 69 a.C. (37 anos), e Pretor em 66 a.C. (40 anos), onde serviu como presidente do Tribunal de "Reclamação" (ou extorsão). Foi depois eleito Cônsul quando tinha 43 anos.

Cícero e Pompeu

Cônsul

Cícero foi eleito Cônsul em 63 a.C. O seu co-cônsul nesse ano, Caio Antônio Híbrida, teve um papel menor. Nesse cargo, ele destruiu uma conspiração para derrubar a República, liderada por Lúcio Sérgio Catilina. O Senado deu a Cícero o direito de usar o Senatus Consultum de Re Publica Defendenda (uma declaração de lei marcial), e ele fez Catilina deixar a cidade com quatro discursos (as famosas Catilinárias), que até hoje são exemplos estupendos do seu estilo retórico. As Catilinárias enumeraram os excessos de Catilina e os seus seguidores, e denunciaram os simpatizantes senatoriais dele como sendo patifes e devedores dissolutos, que viam Catilina como uma esperança final e desesperada. Cícero exigiu que Catilina e os seus seguidores deixassem a cidade. Quando acabou o seu primeiro discurso, Catilina saiu do Templo de Júpiter Estator. Nos seus próximos discursos, Cícero não se dirigiu diretamente a Catilina, mas ao Senado. Com estes discursos, Cícero queria preparar o Senado para o pior caso possível, e também entregou mais provas contra Catilina.  Catilina fugiu e deixou para trás outros conspiradores para começarem a revolução de dentro, enquanto Catilina iria atacar a cidade com um exército de "falidos morais e fanáticos honestos". Catilina tinha tentado ter ajuda dos Alóbroges, uma tribo da Gália Transalpina, mas Cícero, trabalhando com os Gauleses, conseguiu recuperar cartas que incriminavam cinco conspiradores e os forçaram a confessar os seus crimes em frente ao Senado. O Senado então decidiu qual seria o castigo dos conspiradores. Como era o corpo conselheiro dominante das várias assembleias legislativas e não um corpo judicial, o seu poder tinha limites. Contudo, o país estava a funcionar em lei marcial, e temia-se que as opções normais (prisão domiciliária ou exílio), não eram o suficiente para remover a ameaça contra o estado. A princípio, a maioria dos Senadores queriam usar a "pena extrema", mas muitos foram desencorajados por Júlio César, que criticou o precedente que iria ser criado, e falou a favor de prisão perpétua em vária cidades italianas. Catão (Marco Pórcio Catão Uticense) então defendeu a pena de morte e todo o Senado concordou. Cícero ordenou que os conspiradores fossem levados a Tuliano (Prisão Mamertina localizada no Fórum Romano da Roma Antiga), onde foram estrangulados. O próprio Cícero acompanhou o ex-cônsul Públio Cornélio Lêntulo Sura, um dos conspiradores, a Tuliano. Cícero recebeu o honorífico pai da pátria por ter suprimido a conspiração, mas desde então viveu com medo de ser julgado ou exilado por ter condenado cidadãos Romanos à morte sem julgamento.

Exílio e retorno

Em 60 a.C., Júlio César convidou Cícero para ser o quarto membro do grupo que era formado por ele, Cneu Pompeu e Marco Licínio Crasso, o que mais tarde seria chamado o Primeiro Triunvirato. Cícero recusou porque suspeitava que isto prejudicasse a República. Em 58 a.C., Públio Clódio Pulcro, o tribuno dos plebeus, introduziu uma lei (a Leges Clodiae) com a ameaça do exílio a quem quer que tivesse executado um cidadão Romano sem julgamento. Cícero, tendo executado membros da conspiração de Catilina quatro anos antes sem um julgamento formal, e tendo atraído a ira de Clódio ao arruinar o seu álibi num caso, era o alvo da nova lei. Cícero disse que o senatus consultum ultimum o protegia de castigo, e tentou ganhar o suporto de senadores e cônsules, especialmente de Pompeu. Quando a ajuda não se materializou, ele foi exilado. Chegou à Tessalônica, na Grécia, no dia 23 de Maio de 58 a.C. O exílio fê-lo cair em depressão, como é possível ver numa carta em que diz a Tito Pompônio Ático que foram os pedidos deste último que o impediram de se suicidar. Depois novo Tribuno Tito Ânio Papiano Milão ter intervindo, o Senado, com a excepção de Clódio, foi unânime no seu voto a favor de chamar Cícero de volta. Cícero voltou para a Itália no dia 5 de Agosto de 57 a.C., em Brundísio. Foi acolhido por uma multidão e pela sua querida filha Túlia. Cícero tentou reintegrar-se na política, mas falhou no seu ataque de uma lei de César. A conferência em Luca, em 56 a.C., forçou Cícero a mudar a sua posição e a dar o seu suporto ao Triunvirato. Com isto, Cícero voltou aos seus trabalhos literários e abandonou a política durante os próximos anos.

A Guerra Civil de Júlio César

A luta entre Pompeu e Júlio César ficou mais intensa em 50 a.C.. Cícero escolheu o lado de Pompeu, mas ao mesmo tempo também evitou alienar César abertamente. Quando César invadiu a Itália em 49 a.C., Cícero fugiu de Roma. César, querendo a legitimidade que o patrocínio de um senador e veterano lhe daria, tentou atrair o favor de Cícero, mas este saiu de Itália e viajou para Dirráquio, na Ilíria, onde o pessoal de Pompeu estava. Cícero depois viajou com as forças de Pompeu até Farsália em 48 a.C., apesar de estar a perder a fé na competência e intenções do grupo de Pompeu. Eventualmente, ele provocou a hostilidade de Catão, que lhe disse que ele teria sido mais útil aos optimates se tivesse ficado em Roma. Depois da vitória de César, Cícero voltou a Roma, mas com cuidado. César perdoou-o e Cícero tentou ajustar-se à situação e manter o seu trabalho político, esperando que César ressuscitasse a República e as suas instituições. Numa carta a Marco Terêncio Varrão em c. 20 de Abril de 46 a.C., Cícero criou a sua estratégia sob a ditadura de César. Contudo, ele foi completamente surpreendido pela ação dos Liberatores, que assassinaram César nos Idos de Março em 44 a.C.. Cícero não tinha sido incluído na conspiração, apesar dos conspiradores terem a certeza de que ele simpatizava com eles. Marco Júnio Bruto chamou o nome de Cícero e pediu-lhe que restaurasse a República quando levantou o punhal ensaguentado depois do assassinato.Numa carta escrita em Fevereiro de 43 a.C. a Trebónio, um dos conspiradores, Cícero disse que desejava ter sido convidado para "aquele glorioso banquete nos Idos de Março"! Cícero tornou-se num líder popular durante o período de instabilidade depois do assassínio. Ele não tinha nenhum respeito por Marco Antônio, que queria vingar-se dos assassinos de César. Em troca da amnistia dos assassinos, Cícero fez com que o Senado concordasse em não considerar César um tirano, o que permitiu aos Cesarianos terem suporto legal.

Oposição a Marco Antônio, e morte

Cícero e Marco Antônio transforaram-se nos dois homens mais importantes de Roma: Cícero era o porta-voz do Senado, e Marco Antônio o cônsul, líder da facção Cesariana, e executor oficial do testamento de César. Os dois homens nunca tinham estado em termos amigáveis e a relação deles piorou com a opinião de Cícero que Marco Antônio estava a tomar liberdades com a sua interpretação dos desejos e intenções de César. Quando Otaviano (Gaius Iulius Caesar Octavianus Augustus), o herdeiro e filho adotivo de César, chegou a Itália em Abril, Cícero formou um plano para o usar contra Marco Antônio. Em Setembro, Cícero começou a atacar Marco Antônio numa série de discursos chamadas Filípicas, em honra das denunciações Demóstenes contra Filipe II da Macedônia. Elogiando Otaviano, ele disse que o jovem apenas queria honra e não iria fazer o mesmo erro que o seu pai adotivo. Durante este tempo, a popularidade de Cícero não tinha par. Cícero apoiou Décimo Júnio Bruto Albino como governador da Gália Cisalpina e disse ao Senado para declarar Marco Antônio como um inimigo do estado. O discurso de Lúcio Pisão (Lúcio Calpúnio Pisão Cesonino), o sogro de César, atrasou isto, mas Marco Antônio foi considerado um inimigo do estado quando se recusou a acabar o cerco de Mutina, que estava nas mãos de Décimo Bruto. O plano de Cícero, contudo, falhou. Marco Antônio e Otaviano reconciliaram-se e tornaram-se aliados, juntamente com Marco Emílio Lépido, formando assim o Segundo Triunvirato depois das batalhas sucessivas de Fórum dos Galos (Forum Gallorum) e Mutina. O Triunvirato começou a usar proscrições para se livrarem dos seus inimigos e rivais potenciais imediatamente depois de legislarem a aliança e a legalizarem por um termo de cinco anos com imperium consular. Cícero e todos os seus contatos e apoiantes estavam entre aqueles considerados inimigos do estado e, segundo Plutarco, Otaviano discutiu durante dois dias contra colocar Cícero na lista. Cícero foi procurado viciosamente. Era visto com simpatia por grande parte do público e muitas pessoas recusaram-se a reportá-lo. Foi apanhado no dia 7 de Dezembro de 43 a.C. ao deixar a sua villa em Fórmias numa liteira para ir para a costa, onde ele esperava embarcar num barco a caminho da Macedônia. Quando os assassinos, Herénio (um centurião) e Popílio (um tribuno), chegaram, os escravos de Cícero disseram que não o tinham visto, mas reportado por Filólogo, um liberto do seu irmão Quinto Cícero. Depois de ser descoberto, diz-se que as últimas palavras de Cícero foram: "Não há nada correto no que estás a fazer, soldado, mas tenta matar-me corretamente". Fez uma vênia aos seus captores, inclinando a cabeça para fora da liteira num gesto gladiador para facilitar a tarefa. Ao mostrar o seu pescoço e garganta aos soldados, estava a indicar que não iria resistir. Segundo Plutarco, Herénio matou-o primeiro, e depois cortou-lhe a cabeça. Seguindo ordens de Marco Antônio, as suas mãos, que tinham escrito as Filípicas, também foram cortadas e pregadas, juntamente com a sua cabeça, na Rostra no Fórum Romano de acordo com a tradição de Caio Mário e Sula, que tinham feito o mesmo às cabeças dos seus inimigos. Cícero foi a única vítima das proscrições a ter este tratamento. Segundo Dião Cássio (numa história por vezes atribuída a Plutarco por engano), a esposa de Marco Antônio, Fúlvia, pegou na cabeça de Cícero, arrancou-lhe a língua, e trespassou-a com o seu gancho de cabelo numa vingança final contra o seu poder de discursar. O filho de Cícero, Marco, vingou a morte do seu pai quando foi cônsul em 30 a.C., ao anunciar a derrota naval de Marco Antônio em Áccio em 31 a.C. contra Otaviano e Agripa. Na mesma reunião, o Senado votou para proibir os futuros descendentes de Antônio de usarem o nome Marco. Otaviano iria mais tarde encontrar um dos seus netos a ler um livro escrito por Cícero. O rapaz tentou esconder o livro, com medo da reação do avô. Otaviano, agora Augusto, tirou-lhe o livro, leu parte, e devolveu-lhe, dizendo: "Ele era um homem sábio, cara criança, um homem sábio que amava a sua pátria".

Legado

Cícero era um escritor talentoso e enérgico, com um interesse numa grande variedade de tópicos de acordo as tradições filosóficas e helenísticas nas quais ele tinha sido treinado. A qualidade e acessibilidade de textos dele favoreceram grande distribuição e inclusão nos currículos escolares. Os seus trabalhos estão entre os mais influenciais na cultura Europeia, e ainda hoje constituem um dos corpos mais importantes de material primário para a escrita e revisão da história romana. Depois da guerra civil, Cícero sabia que o fim da República esta perto. A guerra tinha destruído a República e a vitória de César tinha sido absoluta. O assassinato de César não restituiu a República, apesar de mais ataques à liberdade pelo "próprio capanga de César, Marco Antônio". A sua morte apenas sublinhou a estabilidade do governo de um único homem, visto que foi seguida pelo caos e mais guerras civis entre os assassinos de César, Bruto e Cássio, e finalmente entre os seus apoiantes, Marco Antônio e Otaviano.

De Natura Deorum (obra)

De Natura Deorum (Sobre a Natureza dos Deuses) é um diálogo filosófico de Cícero, escrito em 45 a.C.. Este trabalho é organizado em três livros, que discutem a teologia de vários filósofos gregos e romanos. Os diálogos se concentram na discussão das teologias estoicas e epicuristas. Cícero coloca como dialogantes nessa obra Veleio (que expõe a doutrina de Epicuro), Balbo (que expõe a doutrina dos estóicos) e Cota, que expõe a doutrina da Nova Academia.

Referências
https://pt.wikipedia.org/wiki/Cícero
https://pt.wikipedia.org/wiki/De_Natura_Deorum

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

Biografia de Eurípides

Eurípides
Eurípides. (também grafado Eurípedes; do grego antigo: Εὐριπίδης). Nasceu em Salamina, cerca de 480 a.C., e, faleceu em Pela, Macedônia, 406 a.C. Eurípides foi um poeta trágico grego, do século V a.C., o mais jovem dos três grandes expoentes da tragédia grega clássica, que ressaltou em suas obras as agitações da alma humana e em especial a feminina. Tratou dos problemas triviais da sociedade ateniense de seu tempo, com o intuito de moderar o homem em suas ações, que se encontravam descontroladas e sem parâmetros, pois o que se firmava naquela sociedade era uma mudança de valores de tradições que atingiam diretamente no modo de pensar e agir dos homens gregos.


Vida


Pouco se sabe de sua vida, mas parece ter sido austero e pouco sociável. Apaixonado pelo debate de idéias, suas investigações e estudos lhe trouxeram mais aflições do que certezas. Alguns críticos o chamaram de "filósofo de teatro", mas não há certeza se Eurípedes, de fato, pertenceu a alguma escola filosófica, mas sim a grupos de filósofos. Contudo, parece inegável a influência do filósofo Anaxágoras de Clazômenas e também do movimento sofístico. Ao longo da sua vida, Eurípides foi considerado quase um marginal e foi frequentemente satirizado nas comédias de Aristófanes. No final da vida, talvez desiludido com a natureza humana, viveu recluso rodeado de livros e morreu em 406 a.C., dois anos antes de Sófocles.


Estilo


Para Eurípides, os mitos (elementos vitais da tragédia) eram apenas coleções de histórias cuja função era perpetuar crenças sobre concepções primitivas. Por tal motivo, opta por relatar em suas tragédias a história dos negados e/ou vencidos, podendo citar como exemplo a obra As Troianas, em que o autor relata a história das mulheres da cidade de Troia (lembrando que na época as mulheres não eram consideradas como membros da sociedade). Nisso se diferencia tanto de seus predecessores quanto rompe com características importantes aos gregos. Esse rompimento talvez lhe tenha impedido de construir peças harmônicas e perfeitas no seu conjunto, já que os mitos cumpriam muito bem esse papel de fundo. Mesmo assim, compôs cenas memoráveis e agudas análises psicológicas. As suas peças não são acerca dos deuses ou a realeza, mas sobre pessoas reais. Colocou em cena camponeses ao lado de príncipes e deu igual peso aos seus sentimentos. Mostrou-nos a realidade da guerra, criticou a religião, falou dos excluídos da sociedade: as mulheres, os escravos e os velhos. Em termos dramatúrgicos Eurípedes adicionou o prólogo à peça, no qual “situa a cena” (apresenta o que se vai passar). E criou também o “deus ex machina” que servia muitas vezes para fazer o final da peça. Embora premiado poucas vezes (cinco) nos concursos trágicos de Atenas (Dionísias Urbanas, Lenéias), (apesar de ter escrito cerca de 92 peças), no final do século V a.C., desfrutou de grande popularidade nos séculos subseqüentes,é atualmente muito mais popular que Ésquilo ou Sófocles. Os recursos dramáticos que utilizou em suas tragédias, notadamente as posteriores a 420 a.C., influenciaram diversos gêneros dramáticos posteriores, entre eles a "Comédia Nova", o drama (e também o melodrama) e a novela. Apresentou as suas primeiras tragédias na Grande Dionisíaca de 445 a.C., mas só venceu a primeira competição em 441 a.C.. O enredo de suas tragédias foi muitas vezes aproveitado por dramaturgos modernos, como Jean Racine, Johann Wolfgang von Goethe e Eugene O'Neil.


Medeia (obra)


Medeia (em grego, ΜΗΔΕΙΑ - MĒDEIA, na transliteração) é uma tragédia grega de Eurípides, datada de 431 a.C. Nela foi apresentado o retrato psicológico de uma mulher carregada de amor e ódio a um só tempo. Medeia representa um novo tipo de personagem na tragédia grega, como esposa repudiada e estrangeira perseguida, ela se rebela contra o mundo que a rodeia, rejeitando conformismo tradicional. Tomada de fúria terrível, mata os filhos que teve com o marido, para vingar-se dele e automodificar-se. É vista como uma das figuras femininas mais impressionantes da dramaturgia universal. "A Medeia, apresentada nas Grandes Dionísias de 431 a.C. juntamente com mais duas tragédias e um drama satírico que se perderam, não era a primeira peça de Eurípides... Mas é talvez a mais antiga das tragédias conservadas". Considerada chocante para os seus contemporâneos, Medeia foi a última das peças apresentadas no festival Dionísico naquele ano. Não obstante, a peça continuou a fazer parte do repertório teatral de tragédias e experimentou um interesse renovado com o surgimento do movimento feminista, atendendo ao tema da decisão de uma mulher, Medeia, sobre a sua própria vida num mundo dominado pelos homens. A peça manteve-se como a tragédia grega mais frequentemente encenada ao longo do século XX.


Produção e inovações estilísticas


Medeia teve a primeira encenação em 431 a.C. no festival de Dionísio. Neste festival, todos os anos, três dramaturgos competiam entre si, cada um escrevendo uma tetralogia, tendo Eurípides apresentado além de Medeia três peças que se perderam: as tragédias Filotetes e Díctis e a sátira Theristai. Em 431 a.C., a competição foi entre Eufórion (o filho do famoso dramaturgo Ésquilo), Sófocles (o principal rival de Eurípides) e Eurípides. Eufórion ganhou, e Eurípides foi o último classificado. A forma da peça difere de muitas outras tragédias gregas pela sua simplicidade: todas as cenas envolvem apenas dois atores, Medeia e outra pessoa. Estes encontros servem para destacar o talento e a determinação de Medeia em manipular poderosas figuras masculinas para atingir os seus próprios fins. A peça é também a única tragédia grega em que um assassino de familiares fica impune no final e o único sobre o assassínio de crianças em que a ação é executada a sangue frio e não em estado de insanidade temporária.


Resumo


Medeia centra-se na vontade de vingança de uma esposa contra o marido infiel. A história passa-se em Corinto algum tempo depois da expedição dos Argonautas comandados por Jasão para reconquistar o Tosão de Ouro, durante a qual ele conheceu Medeia. A peça começa com Medeia enraivecida com Jasão por este se casar com Glauce, filha de Creonte (rei de Corinto). A Ama, ouvindo a angústia de Medeia, teme o que ela poderá fazer a si mesma ou aos seus filhos. Creonte, antecipando a ira de Medeia, chega e revela a sua decisão de mandá-la para o exílio. Medeia implora o adiamento por um dia da expulsão, acabando Creonte por concordar. A seguir Jasão chega para explicar e justificar a sua aparente traição. Ele explica que não podia deixar perder a oportunidade de casar com uma princesa, sendo Medeia apenas uma mulher bárbara, mas espera um dia juntar as duas famílias e manter Medeia como sua amante. Medeia e o Coro das mulheres coríntias, não acreditam nele. Ela lembra-lhe que ela deixou o seu próprio povo por ele ("Eu sou a mãe dos teus filhos. Para onde posso fugir, uma vez que toda a Grécia odeia os bárbaros?"), e que ela o salvou e matou o dragão. Jasão promete apoiá-la após seu novo casamento, mas Medeia rejeita-o: "Celebra as tuas núpcias. Que ainda pode ser que, com o auxílio do deus, se diga que casarás de maneira a chorares o casamento". A seguir Medeia encontra Egeu, rei de Atenas. Ele revela que apesar de casado ainda não tem filhos e que visitou o oráculo de Delfos para obter solução. Medeia conta-lhe a sua situação e implora a Egeu que a deixe ir para Atenas, que ela o ajudará a acabar com a sua infertilidade. Egeu, inconsciente do plano de vingança de Medeia, concorda. Medeia, em seguida, fixada na ideia de assassinar Glauce e Creonte, decide envenenar alguns mantos (uma herança de família e presente do Deus do Sol Helios de quem ela é descendente) e uma coroa dourada, na esperança de que a noiva não seja capaz de resistir a usá-los e, consequentemente, ser envenenada. Medeia decide também matar os seus próprios filhos, não porque as crianças tenham feito algo de mal, mas porque sente que é a melhor forma de magoar Jasão. Ela pede a visita de Jasão mais uma vez e maliciosamente pede-lhe desculpa por contrariar a decisão dele de casar com Glauce. Quando Jasão parece convencido do arrependimento dela, Medeia convence Jasão a permitir que ela dê as vestes a Glauce na esperança de que Glauce interceda junto de Creonte para que este não obrigue os filhos ao exílio. Jasão acaba por concordar e permite que os seus filhos sejam portadores e entreguem a Glauce de presente as vestes e a coroa envenenadas. A seguir, um mensageiro conta as mortes de Glauce e de Creonte. Quando as crianças chegaram com as vestes e a coroa, de imediato Glauce as vestiu alegremente e foi procurar o pai dela. Os venenos fizeram logo efeito e Glauce cai no chão, morrendo rapidamente. Creonte tomou-a firmemente a tentar salvá-la, mas ao entrar em contacto com as vestes e a coroa envenenadas sucumbe também. Enquanto se regozija com o sucedido, Medeia decide dar um passo em frente. Desde que Jasão a envergonhou para tentar começar uma nova família, Medeia resolve destruir a anterior família dele, matando os próprios filhos. Medeia hesita por momentos, quando considera a dor que as mortes dos seus filhos lhe causará. No entanto, ela mantem a sua determinação de causar a Jasão a maior dor possível e sai do palco com uma faca para matar seus filhos. Enquanto o Coro lamenta a decisão dela, ouvem-se as crianças a gritar. Jasão regressa para confrontar Medeia sobre o assassínio de Creonte e Glauce e rapidamente descobre que os seus filhos foram mortos também. Então Medeia aparece acima do palco com os corpos de seus filhos na carruagem do Deus Sol Hélios. Quando a peça foi realizada, nesta cena utilizaram o mecanismo "mechane" normalmente reservado para a colocação em cena de um deus ou uma deusa. Medeia confronta Jasão, divertindo-se com a sua dor por ser incapaz de pegar nos seus filhos de novo. Medeia foge para Atenas, sendo o Coro que remata a peça expressando a concretizacão da vontade dos deuses no sucedido:De muita coisa é Zeus no Olimpo o Senhor! e muita coisa os deuses fazem sem se contar. Vimos o que se esperava não se realizar. P'ra o que não se sabia o deus achar caminho; Assim vistes o drama terminar.


Temas


A caracterização de Medeia por Eurípides apresenta as profundas emoções da paixão, do amor e da vingança. Medeia é amplamente lida como um texto proto-feminista, na medida em que com simpatia explora as desvantagens de ser uma mulher numa sociedade patriarcal, embora tenha também sido interpretada como uma expressão de atitudes misóginas. Em conflito com este tom de simpatia (ou reforçando uma leitura mais negativa) está a identidade bárbara de Medeia, que iria hostilizar um público grego do século V a.C..


Inovação euripidiana e reação


Embora a peça seja considerada uma das grandes peças de teatro clássicas do ocidente, o público ateniense não reagiu muito favoravelmente e concedeu-lhe apenas o terceiro prêmio no festival de Dionísio em 431 A.C.. Uma possível explicação pode ser encontrada num scholium de manuscrito da peça, que afirma que tradicionalmente os filhos de Medeia eram mortos pelos coríntios após a fuga dela; A aparente invenção por Eurípides do filicídio de Medeia pode ter ofendido o seu público tal como aconteceu com o seu primeiro tratamento do mito de Hipólito. No século IV a.C., a cerâmica de figuras vermelhas do sul italiano engloba uma série de representações de Medeia que estão relacionadas com a peça de Eurípides — sendo a mais famosa um vaso de Munique. No entanto, essas representações diferem sempre consideravelmente das cenas da peça, ou são demasiado genéricas para suportar qualquer ligação directa com a peça de Eurípedes – isto pode refletir a apreciação sobre a peça. No entanto, o carácter violento e poderoso da princesa Medeia e sua dupla natureza — amorosa e destrutiva — tornou-se um padrão para os períodos posteriores da antiguidade e parece ter inspirado inúmeras adaptações, assim se tornando um cânone para as classes letradas. Com a redescoberta do texto pelo teatro da Roma Augusta (a peça foi adaptada pelos dramaturgos Quinto Ênio, Lúcio Ácio, Ovídio, Sêneca, o jovem e Hosídio Geta, entre outros), e depois na Europa do século XVI e à luz da crítica literária moderna do século XX, Medeia tem provocado reações diferentes dos variados críticos e escritores que tentaram interpretar as reações da sua sociedade à luz dos pressupostos genéricos do passado, proporcionando uma nova interpretação aos seus temas universais de vingança e justiça numa sociedade injusta.


Obras


Eurípedes foi o último dos três grandes autores trágicos da Atenas clássica (os outros dois foram Ésquilo e Sófocles). Especialistas estimam que Eurípedes tenha escrito 95 peças, embora quatro delas provavelmente tenham sido escritas por Crítias. Ele foi autor do maior número de peças trágicas da Grécia que chegaram até nós: dezoito no total (de Ésquilo e Sófocles sobreviveram, de cada um, sete peças completas). Hoje, é amplamente aceito que Rhesus, tida como a décima nona peça completa, possivelmente não seja de Eurípedes. Fragmentos, algumas substanciais, da maioria das outras peças também sobreviveram.


Tragédias

1. Alceste (438 a.C., segundo prêmio)
2. Medeia (431 a.C., terceiro prêmio)
3. Os Heráclidas (c. 430 a.C.)
4. Hipólito (428 a.C., primeiro prêmio)
5. Andrômaca (c. 425 a.C.)
6. Hécuba (c. 424 a.C.)
7. As Suplicantes (c. 423 a.C.)
8. Electra [Há uma outra tragédia grega, homônima de Eurípedes (o Electra, de Sófocles)]. (c. 420 a.C.)
9. Héracles (c. 416 a.C.)
10. As Troianas (415 a.C., segundo prêmio)
11. Ifigênia em Táuris (c. 414 a.C.)
12. Íon (c. 413 a.C.)
13. Helena (412 a.C.)
14. As Fenícias (c. 410 a.C., segundo prêmio)
15. Orestes (408 a.C.)
16. As Bacantes e Ifigênia em Áulis (405 a.C., póstumas, primeiro prêmio)

Tragédias incompletas

As peças abaixo chegaram até nós de forma fragmentada; algumas consistem apenas de um punhado de linhas, embora alguns fragmentos sejam tão extensos que é possível uma reconstrução tentativa:
 
1. Telephus (438 aC)
2. Cretans (c. 435 aC)
3. Stheneboea (antes de 429 aC)
4. Bellerophon (c. 430 aC)
5. Cresphontes (c. 425 aC)
6. Erechtheus (422 aC)
7. Phaethon (c. 420 aC)
8. Wise Melanippe (c. 420 aC)
9. Alexandros (415 aC)
10. Palamedes (415 aC)
11. Sisyphus (415 aC)
12. Captive Melanippe (412 aC)
13. Andromeda (412 aC junto com Helena, dele)
14. Antiope (c. 410 aC)
15. Archelaus (c. 410 aC)
16. Hypsipyle (c. 410 aC)
17. Philoctetes (c. 410 aC)

Drama satírico

1. O Ciclope (data desconhecida)

Drama apócrifo

Esta tragédia, de acordo com a maior parte dos eruditos modernos, não é de Eurípides, e sim de um tragediógrafo anônimo do século IV a.C..
 
1. Reso (c. 350 a.C.)