terça-feira, 5 de maio de 2015

Biografia de Rafael Sanzio


Rafael Sanzio (auto-retrato 1506).
Rafael Sanzio. (em italiano: Raffaello Sanzio). Nasceu em Urbino, a 6 de Abril de 1483, e, faleceu em Roma, a 6 de Abril de 1520. Frequentemente referido apenas como Rafael, foi um mestre da pintura e da arquitetura da escola de Florença durante o Renascimento italiano, celebrado pela perfeição e suavidade de suas obras. Também é conhecido por Raffaello Sanzio, Raffaello Santi, Raffaello de Urbino ou Rafael Sanzio de Urbino. Junto com Michelangelo e Leonardo da Vinci forma a tríade de grandes mestres do Alto Renascimento. Urbino era então capital do ducado do mesmo nome e seu pai, Giovanni Santi, pintor de poucos méritos, mas, um homem culto e bem relacionado na corte do duque Federico da Montefeltro. Transmitiu ao filho, de precoce talento, o amor pela pintura e as primeiras lições do ofício. O duque, personificação do ideal renascentista do príncipe culto, encorajara todas as formas artísticas e transformara Urbino em centro cultural, a que foram atraídos homens como Donato Bramante (Donato di Angelo del Pasciuccio), Piero della Francesca e Leone Battista Alberti.


Biografia


Deposição de Cristo (1507).
Rafael era filho de Giovanni Santi, poeta (escreveu uma “Crônica” famosa em rima) e também pintor para a corte de Mântua. Quando o nascimento de Rafael, ele dirigia um famoso estúdio em Urbino. Giovanni ensinou seu filho a pintar e o introduziu à corte humanista de Urbino, que, ao final do século XV, havia se tornado um dos mais ativos centros culturais da Itália, sob a regência de Federico da Montefeltro, falecido sete meses antes do nascimento de Rafael. Lá, Rafael pode conhecer os trabalhos de Paolo Uccello, Luca Signorelli, e Melozzo de Forlì (Michelozzodegli Ambrosi). Precoce, aos dezessete anos (em 1500) Rafael já era considerado um mestre. De acordo com Giorgio Vasari, Rafael foi levado pelo pai aos onze anos para ser aprendiz de Pietro Perugino (Pietro di Cristoforo Vanucci), em Perúgia, mas esta informação é discutida por algumas autoridades no assunto. É de consenso geral que Rafael estava na Úmbria a partir de 1492, ano do falecimento de seu pai. Com Perugino, Rafael aprendeu a técnica do afresco ou pintura mural. Em sua primeira obra de realce, “O Casamento da Virgem” (1504), a influência de Perugino evidencia-se na perspectiva e na relação proporcional entre as figuras, de um doce lirismo, e a arquitetura. A disposição das figuras é, no entanto, mais informal e animada que a do mestre.

Siena e Florença


Trionfo di Galatea (detalhe), Villa Farnesina
Em 1504, Rafael se mudou para Siena com o pintor Pinturicchio (Bernardino di Betti), a quem ele tinha fornecido desenhos para os afrescos da Libreria Picolomini. De lá foi para Florença atraído pelos trabalhos que estavam sendo realizados, no Palazzo della Signoria, por Leonardo da Vinci e Michelangelo. Sob a influência sobretudo da obra de da Vinci, absorveu a estética renascentista e executou diversas madonas, entre as quais a Madona Esterházy e A Bela Jardineira. Viveu na cidade nos quatro anos seguintes, viajando a outras cidades ocasionalmente. Em 1507, uma nobre de Perugia lhe encomendou uma "Deposição de Cristo", hoje exposta na Galleria Borghese, em Roma. Fez uso das grandes inovações introduzidas na pintura do Renascimento, e de da Vinci a partir de 1480: o chiaroscuro (claro-escuro), contraste de luz e sombra que empregou com moderação, e o sfumato (esfumado), sombreado levemente esbatido, em vez de traços, para delinear as formas. A influência de Michelangelo, patente na Pietà e na Madona do baldaquino, consistiu sobretudo na exploração das possibilidades expressivas da anatomia humana. Em Florença, Rafael tornou-se amigo de vários pintores locais, destacando-se Fra Bartolomeo (Baccio della Porta), um proponente do idealismo renascentista. A influência de Fra Bartolomeo o levou a abandonar o estilo suave e gracioso de Perugino e abraçar a grandiosidade e formas mais poderosas. Entretanto, a maior influência sobre a obra de Rafael durante seu período florentino veio de Leonardo da Vinci e suas composições, figuras e gestuais, bem como suas técnicas inovadoras como o chiaroscuro e o sfumato.


Roma


A Sagrada Família (1507).
Na segunda metade de 1508, o Papa Júlio II, encorajado por Donato Bramante, amigo e parente distante de Rafael e arquiteto do Vaticano, contratou os serviços do pintor. Aos 25 anos, Rafael ainda estava forjando seu estilo. Contudo logo conquistou a fama e os favores do papa. Ele começou a ser chamado de o Príncipe dos Pintores. Nos 12 anos seguintes, Rafael nunca deixou Roma que passou a ser sua segunda nação. Trabalhou principalmente para Júlio II e seu sucessor, Leão X (filho de Lorenzo de Medici). Ao final do ano de 1508, ele começou a decoração dos apartamentos de Júlio no Vaticano, os quais, na visão do papa, eram destinados a glorificar o poder da Igreja Romana através da justificação do Humanismo e do Neoplatonismo. Uma série de obras-primas, como a “Disputa” (ou Discussão do Santíssimo Sacramento) e a “Escola de Atenas”, pintados na Stanza della Segnatura (A Stanza della Segnatura está localizada no Vaticano e contém os afrescos mais famosos de Rafael Sanzio. É uma saleta (stanza) em que o Papa Júlio II fazia despachos e encaminhamentos), o tornou o artista mais procurado da cidade. Nos doze anos em que permaneceu nessa cidade incumbiu-se de numerosos projetos de envergadura, nos quais deu mostras de uma imaginação variada e fértil. Dos afrescos do Vaticano, os mais importantes são a "Disputa" (ou "Discussão do Santíssimo Sacramento") e a "Escola de Atenas", ambos pintados na Stanza della Segnatura. O primeiro, que mostra uma visão celestial de Deus, seus profetas e apóstolos a encimar um conjunto de representantes da igreja, equipara a vitória do catolicismo à afirmação da verdade. Já a "Escola de Atenas" é uma alegoria complexa do conhecimento filosófico profano. Mostra um grupo de filósofos de várias épocas históricas ao redor de Aristóteles e Platão, ilustrando a continuidade histórica do pensamento platônico. Após a morte de Júlio II, em 1513, a decoração dos aposentos pontifícios prosseguiu sob o novo papa, Leão X, até 1517. Apesar da grandiosidade do empreendimento, cujas últimas partes foram deixadas principalmente por conta de seus discípulos, Rafael, que então se tornara o pintor da moda, assumiu ao mesmo tempo numerosas outras tarefas: criou retratos, altares, cartões para tapeçarias - os chamados Cartões de Rafael, cenários teatrais e projetos arquitetônicos de construções profanas e igrejas como a de Sant'Eligio degli Orefici. Tamanho era seu prestígio que, segundo o biógrafo Giorgio Vasari, Leão X chegou a pensar em fazê-lo cardeal. Rafael continuou o trabalho nos quartos até 1513, sob o governo de Leão X, mas deixou as últimas seções quase que inteiramente sob cuidado de seus pupilos. Nesse meio tempo, ele realizou outras tarefas como decorações sacras e seculares para vários prédios, retratos, altares, design para pratos e até trabalhos cenográficos. Alguns de seus trabalhos mais famosos desse período nasceram da amizade com que mantinha com um rico banqueiro de Siena, Agostino Chigi, que lhe encomendou o afresco de Galateia para sua Villa Farnesina e as Sibilas na Igreja de Santa Maria della Pace, junto com o projeto e a decoração da Capela de Chigi na Igreja de Santa Maria del Popolo, em 1513. Em 1514, com a morte de Bramante, Rafael foi nomeado para suceder-lhe como arquiteto do Vaticano e assumiu as obras em curso na basílica de São Pedro, onde substituiu a planta em cruz grega, ou radial, por outra mais simples, em cruz latina, ou longitudinal. Sucedeu também a Bramante na decoração das loggias (galerias) do Vaticano, aí realizando composições de lírica simplicidade que pareciam contrabalançar a aterradora grandeza da capela Sistina pintada por Michelangelo.


Escola de Atenas (obra)


Scuola di Atene (1511).
A Escola de Atenas (Scuola di Atene no original) é uma das mais famosas pinturas do renascentista italiano Rafael e representa a Academia de Atenas. Foi pintada entre 1509 e 1510 na Stanza della Segnatura sob encomenda do Vaticano. A pintura tem sido vista como “Raphael de obra e a personificação perfeita do espírito clássico da Alta Renascença”. A importância da obra também está em demonstrar como a filosofia e a vida intelectual da Grécia Antiga foram vistas ao final do Renascimento.


Descrição e interpretações


A "Escola de Atenas" é um dos painéis que compõem um grupo de quatro afrescos principais que retratam ramos distintos do conhecimento. Cada tema é identificado acima por um tondo (veja Notas) em separado contendo uma figura feminina majestoso sentada nas nuvens, com putti (veja Notas) carregando frases como: “Buscar também o conhecimento das causas”, “Inspiração Divina”, “Conhecimento das coisas divinas” (Disputa), “Para cada um o que lhe é devido”. Assim, as figuras nas paredes abaixo exemplificam a Filosofia, a Poesia (incluindo a música), a Teologia e o Direito. Não se sabe o quanto o jovem Rafael sabia da filosofia antiga, qual a orientação que ele poderia ter tido de pessoas como Bramante, ou se um programa detalhado foi ditada por seu patrocinador, o Papa Júlio II. No entanto, o afresco foi até recentemente interpretado como uma exortação à filosofia e, de maneira mais profunda, como uma representação visual do papel do amor em elevar as pessoas para o conhecimento superior, em grande parte em dívida com as teorias contemporâneas de Marsilio Ficino e outros pensadores neo-platônicos ligados a Rafael. Uma interpretação do afresco relaciona as simetrias ocultas das figuras e a estrela construída por Bramante foi dada por Guerino Mazzola e colaboradores.


Figuras


A identidade de alguns dos filósofos como Platão ou Aristóteles, são inegáveis. Além disso, as identificações de figuras de Rafael tem sido sempre hipotéticas. Para complicar, além de Giorgio Vasari alguns receberam múltiplas identificações, não só com antigos, mas também com figuras contemporâneas a Rafael. Luitpold Dussler conta entre aqueles que podem ser identificados com alguma certeza: Platão, Aristóteles, Sócrates, Pitágoras, Euclides, Ptolomeu, Zoroastro, o próprio Rafael, Sodoma e Diógenes. Outras identificações ele assegura serem "mais ou menos especulativas". Uma lista mais abrangente de identificações propostas é dada abaixo:
Escola de Atenas (1510-1511).

Os nomes entre parênteses são de personalidades contemporâneas de quem supostamente Raphael pensou ser fisicamente semelhantes.

1: Zenão de Cítio ou Zenão de Eleia 2: Epicuro 3: desconhecido (acredita-se ser o próprio Rafael) 4: Anicius Manlius Severinus Boethius ou Anaximandro ou Empédocles 5: Averroes 6: Pitágoras 7: Alcibíades ou Alexandre, o Grande 8: Antístenes ou Xenofonte 9: Rafael, ou Monalisa, Fornarina como uma personificação do Amor ou ainda Francesco Maria della Rovere 10: Ésquines ou Xenofonte 11: Parménides 12: Sócrates 13: Heráclito ou Miguelângelo. 14: Platão segurando o Timeu (Leonardo da Vinci). 15: Aristóteles segurando Ética a Nicômaco 16: Diógenes de Sínope 17: Plotino 18: Euclides ou Arquimedes acompanhado de estudantes (Bramante) 19: Estrabão ou Zoroastro (Baldassare Castiglione ou Pietro Bembo). 20: Ptolomeu R: Apeles (Rafael). 21: Protogenes (Il Sodoma ou Pietro Perugino).


Cartões de Rafael (obra)


Chamam-se Cartões de Rafael ao conjunto das obras do pintor do Renascimento, Rafael realizados entre 1515 e 1516, e a partir das quais se criaram as tapeçarias para cobrir as paredes da Capela Sistina de Roma. As obras celebram os Atos dos Apóstolos e são uma encomenda do Papa Leão X. As tapeçarias foram tecidas no estúdio de Pieter Coecke van Aelst em Bruxelas e são feitas de lã, seda e ouro. As últimas tapeçarias foram expedidas para Roma alguns meses depois da morte de Rafael. O inventário feito depois da morte de Leão X faz referência a um conjunto de dez obras chamada de Scuola Vecchia. Os cartões voltaram para Roma mas por terem sido duplicados em Bruxelas permitiram a sua reedição para diferentes monarcas. Assim certas cópias existem em Mântua e Madrid. Em 1623 o conjunto das sete obras existentes foi comprado em Gênova por Carlos I de Inglaterra e faz parte da coleção Real. Estão conservada no Museu Vitória e Alberto de Londres. Para celebrar a visita do Papa Bento XVI ao Reino Unido em 2010, o Vaticano emprestou quatro tapeçarias ao Museu Vitória e Alberto e foram expostas ao lado dos desenhos originais.


O tema e a obra


As cenas da vida de São Pedro são tiradas dos Evangelhos enquanto as referentes a São Paulo o são das suas próprias paulinas e dos escritos de São Jerônimo:

  • A vida de Pedro
    • A pesca Milagrosa ou A multiplicação dos peixes (João 21:1-14)
    • Jesus dá a chave do paraíso a Pedro (Mateus 16:16-19)
    • A cura do estropiado (Atos 3:1-8)
    • A morte de Ananias (Atos 5:1-10)

  • A vida de Paulo
    • São Paulo a pregar em Atenas (Atos 17:16-34). A personagem de pé ao lado esquerdo com um boné vermelho é um retrato de Leão X
    • A conversão do procônsul Sérgio Paulo ou da cegueira de Elimas (Atos 13:6-12)
    • O sacrifício de Listra (Atos 14:14)
    • A lapidação de Santo Estêvão (sem cartão) e durante o qual Paulo estava presente antes da sua conversão.
    • A conversão de São Paulo (sem cartão)
    • São Paulo na prisão (sem cartão)

Os sete cartões


A pesca milagrosa (1515).

Jesus dá a chave do paraíso a Pedro (1515).

A cura do estropiado. (1515-1516)

A morte de Ananias (1515).

São Paulo a pregar em Atenas (1515).

A conversão do procônsul Sérgio Paulo (1515).

O sacrifício de Listra (1515).







Transfiguração (obra)

Transfiguração (1518-1520).
A Transfiguração é uma pintura, considerada a última e uma das mais importantes obra de Rafael Sanzio (1483-1520), baseada na Transfiguração de Jesus, descrita no Novo Testamento da Bíblia, no livro de Mateus, capitulo 17, versículos 1 a 13. Foi encomendada em 1517, pelo Cardeal Giulio de Medici, posteriormente Papa Clemente VII. A obra desvia de seu estilo sereno e apresenta uma nova sensibilidade de um mundo turbulento e dinâmico, tende em direção a uma expressão chamada de Barroco. Rafael morreu em Roma no dia do seu aniversário de 37 anos, segundo seu biografo Giorgio Vasari, Leão X pensou em nomeá-lo como cardeal. Seu corpo repousou por um certo tempo em uma das salas na qual ele havia demonstrado sua genialidade. Foi honrado com um funeral público e foi sepultado no Panteão de Roma. A pintura da Transfiguração precedeu seu corpo durante a procissão fúnebre.


Pesquisador


Competente pesquisador interessado na antiguidade clássica, Rafael foi designado, em 1515, para supervisionar a preservação de preciosas inscrições latinas em mármore. Dois anos depois, foi nomeado encarregado geral de todas as antiguidades romanas, para o que executou um mapa arqueológico da cidade. Fez um exame detalhado da estrutura e dos elementos arquitetônicos do Panteão, como ninguém havia feito até aquele momento. Sua última obra, a “Transfiguração”, encomendada em 1517, desvia-se da serenidade típica de seu estilo para prefigurar coordenadas do novo mundo turbulento—o da expressão barroca. Em consequência da profundidade filosófica de muitos de seus trabalhos, a reputação de humanista e pensador neoplatônico de Rafael implantou-se em Roma. Entre seus amigos havia respeitados homens, como Castiglione e Pietro Aretino, além de muitos artistas. Em 1519, ele projetou os cenários para a comédia “I Suppositi”, de Ludovico Ariosto. Coberto de honrarias, Rafael morreu em Roma em 6 de Abril de 1520.


Arquitetura


O primeiro trabalho arquitetônico conquistado por Rafael foi a posição de arquiteto da nova Basílica de São Pedro, cuja construção começou em 1506. A posição havia sido vagada pela morte de Bramante em 1514. Rafael mudou a planta de um desenho de inspiração grega para um design longitudinal. Contudo este projeto foi modificado novamente após sua morte. Dois anos depois ele projetou as linhas da importante Villa Madama em Roma. Construída para o papa, era uma imitação das vilas que existiam por toda a Roma clássica e cuja descrição Rafael encontrou nos textos de Plínio o Velho (Gaius Plinius Secundus). Villa Madona – a mais antiga, foi projeto inacabado de Rafael, onde repete com muito cuidado aquilo que vinha descrito nos textos. O projeto original era majestoso e complexo, envolvendo uma ampla extensão de terreno que seria necessário graduar com uma sucessão de terraços, perspectivas renascentistas e jardins à italiana até o rio Tibre. Para a realização dos respectivos contrafortes também foi pedida a colaboração de Antonio da Sangallo (Antonio Giamberti da Sangallo, dito o Velho), conhecido pelas suas capacidades técnicas nas fortificações. A Villa Madama foi a primeira vila suburbanas segundo o modelo das vilas romanas, projetadas para festas e entretenimento, integrada com a natureza, arquitetura de veraneio, construídas em Roma no século XVI. Foi idealizada com a intenção de rivalizar com as descrições das vilas da Antiguidade, como a famosa descrição que Plínio fez da sua própria, e com as vilas contemporâneas como a da Vila Farnesina. Rafael projeta também a Capela Chigui, Santa Maria del Popolo, em Roma. E também várias salas no Palazzo Pontefici, inclusive a Stanza della Segnatura onde se encontra a sua obra prima “Escola de Atenas” (pintura).


Política


O prestígio de Rafael até mesmo deu a sua obra um papel na criação e fortalecimento de alianças políticas, como no caso de trabalhos hoje em dia expostos no Museu do Louvre, que foram enviados à corte francesa, e o retrato de Lourenço de Médici para o partido florentino. Rafael nunca se casou, ainda que algumas fontes afirmem que em 1514 ele estava noivo de Maria Bibbiena, sobrinha de um cardeal, mas o noivado terminou devido à morte prematura da jovem. Diz a lenda que seu grande amor foi “Fornarina” (padeirinha), mas sua existência jamais foi confirmada. Segundo Vasari, a morte prematura de Rafael foi causada por excesso de amor.


Últimos anos


A morte precoce de Rafael, no dia em que completava 37 anos, reforçou a aura mística que rodeava sua figura. Admirado pela aristocracia e pela corte papal, que o viam como o “príncipe dos pintores”, foi encarregado pelo Papa Júlio II de decorar com afrescos as salas do Vaticano hoje conhecidas como as “Stanze de Jesus Cristo”. Em seus últimos anos (1518-1520), a intervenção do estúdio em seus trabalhos tornou-se mais significativa, como pode-se ver em obras como o "Il Spasimo da Sicília", para uma igreja de Palermo, e a "Visitação", hoje abrigada pelo Museu do Prado em Madrid. Também a decoração do "Quarto de Constantino" no Vaticano foi executada inteiramente por seus pupilos, baseado em desenhos do mestre. Seus últimos trabalhos autorais foram um retrato duplo do Louvre, o pequeno mas monumental "A Visão de Ezequiel" e a "Transfiguração". Rafael morreu em Roma no seu aniversário de 37 anos, (alegadamente apenas a algumas semanas depois de Leão X apontá-lo como cardeal), acometido por uma febre após um encontro à meia-noite, e foi profundamente lamentado por todos aqueles que reconheciam sua grandeza. Seu corpo repousou por um certo tempo em uma das salas na qual ele havia demonstrado sua genialidade e foi honrado com um funeral público. Sua obra Transfiguração precedeu seu corpo durante a procissão fúnebre. A "incansável mão da morte" (nas palavras de seu biógrafo) pôs um limite em suas conquistas e privou o mundo de um benefício maior de seus talentos, na idade em que a maioria dos outros homens começa a ser útil. Rafael foi enterrado no Panteão de Roma, o mais honorável mausoléu na Itália, atendendo seu próprio pedido. Em sua tumba foi colocada uma frase de Pietro Bembo em latim que diz: “Aqui jaz Rafael, que fez temer à Natureza por si fosse derrotada, em sua vida, e, uma vez morto, que morresse consigo”.


Principais obras


O primeiro trabalho, registrado de Rafael foi um altar para a Igreja de San Nicola da Tolentino na cidade de Castello, entre Perúgia e Urbino. A peça foi encomendada em 1500 e terminada um ano depois. Foi muito danificada por um terremoto em 1789, restando atualmente somente alguns fragmentos na Pinacoteca Tosio Martenigo, na Brescia. Outra peça importante de seus primeiros anos foi o altar de Oddi para a capela de mesmo nome na igreja de São Francisco de Perúsia. Rafael, provavelmente como membro da oficina de Pietro Perugino, trabalhou também nos afrescos do Collegio del Cambio. O Casamento da Virgem, de 1504, foi sua principal obra desse período, ainda influenciado pelo estilo de Perugino. Logo depois Rafael concluiu três pequenos quadros: Visão de um Cavaleiro, As Três Graças e São Miguel. Neles já se expunha o seu estilo amadurecido e o frescor que lhe acompanharia a vida toda.


*Notas


1- Tondo (no plural tondi) é uma composição de pintura ou escultura realizada sobre um suporte de formato redondo no interior de um disco, e não em retângulo como é corrente na pintura. O termo provém da língua italiana, sendo uma aférese da palavra rotondo (redondo).

2- Putto (do latim putus ou do italiano puttus, menino) é um termo que, no campo das artes, se refere a pinturas ou esculturas de um menino nu, geralmente gordinho e representado frequentemente com asas. Derivado da figura do Cupido jovem, simboliza o amor e pureza. Usado também no plural: "putti". No campo da história da arte, foi retomado noutras línguas a partir do italiano. Giorgio Vasari foi dos primeiros a descrevê-lo nas suas obras de arte, nomeadamente na sua obra Vite de' più eccellenti architetti, pittori, et scultori italiani, da Cimabue insino a' tempi nostri (1550-1565).



Referências





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