quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

Biografia de Pierre Méchain

Pierre Méchain (1882).
Pierre François André Méchain. Nasceu em Laon, a 16 de Agosto 1744, e, faleceu em Castelló de la Plana, a 20 de Setembro de 1804. Pierre Méchain foi um astrônomo e geógrafo francês. Famoso por ter descobertos 8 cometas e 26 objetos celestes, assim como por ter feito parte em numerosas expedições. Sua maior contribuição foi a medida do metro, juntamente com Jean Baptiste Joseph Delambre. O asteroide 21785 Mechain foi assim nomeado em sua homenagem.

Biografia

Estudou matemática em Paris, mas devido a problemas econômicos teve que deixar seus estudos e trabalhar como tutor. Desde muito jovem dedicou-se a estudar astronomia e geografia. Dedicou-se a fazer observações astronômicas detalhadas, tendo falecido quando trabalhando na medida detalhada do Meridiano na Espanha, morte devida à febre amarela que contraiu em Castelló de la Plana.

Obras

Observações astronômicas

Em 1774 estava com Charles Messier e ambos trabalharam no Hotel de Cluny catalogando estrelas. Neste período de colaboração descobriram muitos objetos que Messier comprovou posteriormente sua posição. Alguns dos objetos catalogados por Messier foram descobertos por Méchain, tais como M104, M105, M106 e M107. Participou de inúmeras expedições pela costa francesa e em 1774 observou a ocultação de Aldebarã* pela lua; após isto apresentou uma memória a Academia de Ciências de Paris. Méchain descobriu cometas, seus primeiros foram em 1781 e por meio de seu conhecimento matemático trabalhou em calcular suas órbitas. Algumas de suas descobertas foram atribuídas a outros astrônomos, assim como o descobrimento de 2P/Encke (redescoberto anos mais tarde por Johann Franz Encke). (*Aldebarã é um
a estrela de primeira magnitude, e a estrela mais brilhante da constelação Taurus).

Observações geográficas

Em 1787 Méchain colaborou com Jean Dominique Cassini e Adrien-Marie Legendre na medida precisa da longitude entre Paris e Greenwich. Neste ano os três visitaram em numerosas ocasiões William Herschel em seu observatório astronômico em Slough (Inglaterra).

Publicações

"Base do Sistema Métrico Decimal" juntamente com Jean Baptiste Joseph Delambre (1806).


Veja também:

- Pequena Nebulosa do Haltere (descoberta por Méchain a 5 de Setembro de 1780).
- Cometa Encke  (descoberto por Méchain a 17 de Janeiro de 1786).
- Galáxia do Girassol (descoberta por Méchain a 14 de Junho de 1779).



 
Referências

https://pt.wikipedia.org/wiki/Pierre_Méchain
https://es.wikipedia.org/wiki/Pierre_Méchain

Biografia de Charles Messier

Charles Joseph Messier. Nasceu em
Charles Messier (1770).
Badonviller, a 26 de Junho de 1730, e, faleceu em Paris, a 12 de Abril de 1817. Charles Messier foi um astrônomo francês, conhecido pela compilação e publicação, com a co-autoria de Pierre Méchain, de seu catálogo de objetos do céu profundo, uma lista de 110 objetos astronômicos como nebulosas, aglomerados estelares e galáxias que vieram a ser conhecidos como os "objetos Messier". Pretendia, com a publicação do catálogo, auxiliar a si mesmo e outros astrônomos e observadores em sua atividade astronômica principal durante sua carreira, a investigação de cometas, listando todos objetos que pôde identificar e que poderiam ser facilmente confundidos com cometas transientes, mas que, na realidade, tinham naturezas completamente diferentes e eram fixos no céu noturno. Contudo, Messier, sem intenção, catalogou alguns dos astros mais interessantes para a atual astronomia amadora. Tornou-se um observador do céu ao trabalhar para Joseph-Nicolas Delisle em seu observatório em Paris, aos 21 anos. Foi o primeiro astrônomo a dedicar-se quase exclusivamente à procura de cometas e, enquanto aguardava o retorno do cometa Halley, deparou-se com um falso positivo ao confundir uma nebulosa com o cometa. Para evitar novos enganos, começou a compilar os objetos fixos no céu profundo que poderiam ser facilmente confundidos com um cometa, objeto difuso e de fraco brilho. De 1758 a 1782, com a ajuda de Pierre Méchain após 1774, compilou 107 objetos entre nebulosas, aglomerados estelares e galáxias. Três objetos adicionais foram mais tarde adicionados ao catálogo, após a morte de Messier, completando 110 objetos ao todo. Contudo, foi bem-sucedido em sua principal atividade astronômica, a descoberta e acompanhamento de cometas, Descobriu vinte ao todo, treze descobertos originalmente por ele e outras 7 co-descobertas independentes. Também foi membro de várias academias científicas espalhadas pela Europa, sendo membro estrangeiro da Royal Society e membro efetivo da Académie des Sciences. Em 1806, recebeu de Napoleão Bonaparte a Ordem Nacional da Legião de Honra e dedicou ao imperador francês o Grande Cometa de 1769, considerado "o último cometa astrologicamente apresentado ao público por um astrônomo ortodoxo".

Origem e juventude

Charles Messier nasceu em Badonviller, atualmente
O grande cometa de 1744, com seis
caudas.
no departamento de Meurthe-et-Moselle, Lorena, à época pertencente ao Principado de Salm-Salm, pequeno Estado independente nas montanhas Vosges, encravado entre o Ducado da Lorena e o Reino da França. Era o décimo dos doze filhos de Nicolas Messier, que servia na administração do Principado, e de Françoise B. Grandblaise. Em 1741, quando tinha 11 anos, seu pai morreu e seu irmão mais velho, Hyacinthe, tornou-se chefe de família e responsável por sua educação. Por oito anos treinou Charles em tarefas metódicas e administrativas e este adquiriu um senso de observação de detalhes finos, habilidade importante para a conquista de seu primeiro e único emprego como astrônomo. Interessava-se pela observação do céu e pela astronomia desde a adolescência: alguns raros eventos astronômicos, como a passagem do grande cometa de seis caudas e o eclipse solar anular visível em Badonviller em 25 de Julho de 1748, podem ter estimulado ainda mais seu interesse pela astronomia. Em 1751, seu irmão ofertou-lhe uma oportunidade como auxiliar de astrônomo em Paris e em Setembro daquele ano, Charles deixou Badonviller para se tornar empregado de um astrônomo da marinha francesa, Joseph-Nicolas Delisle. Delisle deu-lhe abrigo em sua própria residência no Collège Royal de France e sua primeira tarefa era copiar detalhadamente um mapa da Grande Muralha da China.

No observatório de Delisle

O observatório de Delisle foi fundado em 1748 em
O Hôtel de Clugny, em 1829, poucos
anos após a morte de Messier.
uma torre do Hôtel de Clugny (atualmente Museu de Cluny), construído em 1480 sobre as ruínas de termas romanas do século IV. No século XVIII, o local foi alugado para a administração da Marinha Real Francesa. Com Delisle, Messier aprendeu a usar os instrumentos astronômicos e anotar cada detalhe de suas observações. A primeira observação registrada foi o trânsito de Mercúrio em 6 de Maio de 1753. O próprio Delisle introduziu-o à astronomia elementar e convenceu-o sobre a utilidade das medições exatas das posições dos objetos em todas as suas observações, característica encontrada em seu futuro catálogo.

Primeiras descobertas

Em 1757, Messier iniciou sua busca pelo cometa Halley. O retorno deste corpo celeste era esperado para 1758, o que muitos astrônomos consideravam ser apenas uma especulação científica. O auxiliar de astrônomo chegou a elaborar uma carta celeste com a provável trajetória do cometa, calculada erroneamente por Delisle. Durante sua procura por Halley, descobriu outro cometa em 14 de Agosto de 1758, observando e anotando suas posições na abóbada celeste dia após dia cuidadosamente até 2 de Novembro daquele ano. A descoberto desse objeto levou-o à procura de novos cometas com auxílio de telescópios, inventando, assim, a "caça de cometas", uma nova área da astronomia. Durante estas observações, descobriu em 28 de Agosto um objeto muito semelhante a um cometa de brilho fraco. Inicialmente, tratou-o como outro cometa, mas concluiu que este objeto não se movia em relação às estrelas vizinhas, descobrindo, assim, seu primeiro objeto de céu profundo, uma nebulosa que posteriormente viria a ser chamada como "Messier 1" (M1). Messier determinou sua posição dias mais tarde e este se tornou a primeira entrada no seu famoso catálogo. A nebulosa tornou-se um dos objetos mais vistos no céu profundo atualmente, tanto por astrônomos amadores quanto por profissionais, tratando-se do remanescente da supernova de 1054, comumente chamado de Nebulosa do Caranguejo. A descoberta de M1 levou-o a compilar seu próprio catálogo de objetos nebulosos, que possivelmente poderiam ser confundidos com cometas. O cometa Halley finalmente foi redescoberto pelo astrônomo alemão Johann Georg Palitzsch (1723-1788) na noite de Natal de 1758. Dias depois, Messier encontrou-o independentemente, duvidando finalmente da exatidão da trajetória calculada por Delisle. O empregador de Messier, no entanto, não reconheceu sua falha, recusando-se a aceitar e anunciar a descoberta de Charles e aconselhou-o a continuar observando na direção previamente indicada. Como resposta, declarou que "Era um empregado fiel de Delisle, vivia com ele em sua casa e conformei-me com sua ordem". Quando Delisle finalmente anunciou a descoberta de Messier, em 1 de Abril de 1759, a comunidade astronômica francesa simplesmente não acreditou na independência da descoberta, tendo decorrido mais de três meses da descoberta original de Palitzsch.

Início da compilação de seu catálogo

Desde então, Delisle apoiou e deixou seu empregado
Catálogo Messier.
realizar seu próprio trabalho de observação de forma independente. Messier descobriu sua segunda nebulosa, M2, descoberto originalmente por Jean-Dominique Maraldi anos antes. Inseriu-o em um mapa que mostrava também a trajetória do cometa Halley. Messier observou o trânsito de Vênus de 6 de Junho de 1761 e a reaparição dos anéis de Saturno. Também observou o cometa de Klinkenberg (C/1762 K1) entre Maio e Julho daquele ano, e no ano seguinte descobriu mais um cometa (C/1763 S1). Nos primeiros dias de 1764, descobriu mais um cometa (C/1764 A1), que já apresentava magnitude aparente 3 no momento da descoberta. A primeira tentativa para entrar na Académie Royale des Sciences em 1763 não obteve sucesso. Com a descoberta de mais uma nebulosa, (M3 - sua primeira descoberta original) Messier decidiu realizar um grande exame do céu com o intuito de descobrir outros objetos semelhantes, já que esses poderiam enganar com frequência caçadores de cometas. Sua investigação resultou em 19 descobertas originais ainda em 1765, usando para sua pesquisa todos os catálogos de objetos do céu profundo compilados anteriormente por outros astrônomos que ele tinha acesso, como a lista de seis objetos de Edmond Halley, o catálogo de William Derham, que por sua vez havia sido extraído principalmente do catálogo de estrelas de Johannes Hevelius, o Prodomus Astronomiae, que estava disponível em francês graças a Pierre Louis Maupertuis, além do Catálogo das Nebulosas do Sul, de Nicolas Louis de Lacaille, de 1755, bem como as listas de Maraldi e Guillaume Le Gentil, com algumas referências a Jean-Philippe de Chéseaux, provavelmente a partir do próprio Le Gentil. Messier catalogou os objetos M3 ao M40, encontrando várias nebulosas inexistentes nos catálogos mais antigos (a compilação de objetos de seu catálogo a partir de outros catálogos explica porque a estrela dupla M40 foi listada por Messier). Naquela época, Messier comunicava-se com frequência com astrônomos e outros acadêmicos da Grã-Bretanha, Alemanha e Rússia. Seu correspondente russo, Frederick La Harpe, estava em exílio na Suíça e era membro da Académie des Sciences. Em 21 de Maio de 1764, foi selecionado como membro da Academia de Harlem (Países Baixos) e em 6 de Dezembro foi eleito membro estrangeiro da Royal Society, em Londres. Em 1765, a academia de Auxerre e o Instituto de Bolonha fizeram o mesmo. Usou vários telescópios, tendo como favorito um refletor gregoriano com distância focal de 113,28 cm e uma abertura de 26,55 cm. Isso era equivalente a um refrator de 8,54 cm de largura, com uma abertura efetiva de 12,39 cm, embora menos poderoso do que um telescópio newtoniano octogonal de 24,4 cm de largura, o qual havia pertencido a Delisle e que foi sem dúvida o instrumento original no seu observatório no Hôtel de Clugny. Anos depois, usou um telescópio acromático de 12,39 cm de abertura: àquela época telescópios acromáticos começavam a ser usados. (veja: Catálogo Messier).

Astrônomo oficial da Real Marinha Francesa

No início de 1765, Delisle se aposentou e Messier
Lalande, amigo de Messier.
encontrou o aglomerado de estrelas M41. Continuou a observar no observatório do Hôtel de Clugny, mas sua nomeação como astrônomo da Marinha Real Francesa ocorreu muito mais tarde, apenas em 1771. Em 1766, descobriu mais dois novos cometas, sendo uma descoberta original. Em 1767, participou da única viagem naval de sua vida, a serviço da Real Marinha Francesa, com o propósito de testar e regular alguns cronômetros marítimos novos, construídos pelo relojoeiro Julien Le Roy. Ficou a bordo do navio L'Aurore por três meses e meio no Mar Báltico. Durante sua ausência, entre 12 de Maio e 1 de Setembro de 1767, Jérôme Lalande continuou o programa de observação no Hôtel de Clugny. No início em 1769, Messier decidiu publicar sua primeira versão de seu catálogo e, para ampliar o número de objetos catalogados, incluiu outros objetos bem conhecidos, como a Nebulosa de Órion (M42), a Nebulosa de Mairan (M43), o Aglomerado do Presépio (M44) e as Plêiades (M45). Descobriu mais um novo cometa (C/1769 P1 (Messier)), o grande cometa daquele ano e, ao enviar a descrição e um mapa da trajetória desse novo cometa para o rei da Prússia, este ficou tão impressionado que, sob sua influência, Messier foi eleito membro da Academia das Ciências de Berlim em 14 de Setembro daquele ano. Ele já havia sido selecionado anteriormente como membro da Academia Real da Suécia, em Estocolmo. Finalmente, em 30 de Junho de 1770, foi eleito membro da Académie Royale des Sciences de Paris, duas semanas após ter descoberto mais um novo cometa, que ficou conhecido como o cometa Lexell. Naquele ano, já com quarenta anos de idade, casou-se com Marie-Françoise de Vermauchampt. Conheciam-se havia 15 anos no Collège de France. Em 10 de Janeiro de 1771, co-descobriu independentemente o grande cometa daquele ano e mais tarde naquele ano apresentou a primeira versão de seu catálogo de nebulosas e aglomerados de estrelas, com os primeiros 45 objetos, para a Académie Royale des Sciences, intitulado “Catalogue des Nebuleuses et des amas d'Etoiles que l'on découvre parmi les Etoiles fixes, sur l'horizon de Paris” (Catálogo das Nebulosas e dos Aglomerados Estelares descobertas sob o Horizonte de Paris). Foi sua primeira obra à Academia, seguido de um grande número de outras obras. Três noites após a apresentação de seu trabalho, Messier descobriu mais quatro objetos nebulosos, M46 a M49. Para dois deles, M47 e M48, no entanto, não procedeu com o cuidado usual e cometeu erros ao especificar a posição desses; ficariam perdidos até a sua identificação no século XX. M49 também foi a primeira galáxia no aglomerado de Virgem a ser descoberta. Mais tarde naquele ano, descobriu mais um cometa (C/1771 G1 Messier), seu 13º cometa em sua própria contagem, seu 12º descoberta de forma independente e a sétima descoberta original. Ainda naquele ano, descobriu o objeto M62, mas dispunha apenas de uma medida aproximada de tal objeto, não o incluindo em seu catálogo antes de 1779. Ainda em 1771, finalmente e oficialmente tornou-se o "astrônomo da Marinha" pelo Ministro da Marinha.

Morte da esposa e do filho

No final de 1771, Messier e sua esposa mudaram-se da residência de Delisle no Collège de France para um alojamento dentro do Hôtel de Clugny. No ano seguinte, a Sra. Messier deu à luz um filho, batizado de Antoine-Charles Messier. Após o nascimento da criança, tanto a Sra. Messier quanto o menino morreram dentro um intervalo de tempo de apenas 11 dias. Segundo o relato biográfico de Jean-François de la Harpe, escrito em 1801, a morte da esposa de Messier impediu-o de descobrir mais um cometa, que teria sido o seu décimo terceiro. Messier teria ficado mais desesperado pela descoberta perdida do que pela morte de sua esposa (especialmente que esse cometa - 3D/Biela - foi descoberto por Jacques Leibax Montaigne, seu desafeto). No entanto, isso não encontra apoio histórico: Montaigne já havia descoberto o cometa em 8 de Março, uma semana antes de seu filho nascer. Mais tarde, acrescentou outro aglomerado estelar para sua lista, M50, e tirou três meses de férias em Lorena, de Setembro a Novembro daquele ano. Na mesma época, foi eleito membro da Academia de Bruxelas (Bélgica) e da Academia Real da Hungria. A partir de então, o ritmo das descobertas de novas nebulosas e aglomerados foi se tornando cada vez mais reduzido: Em 1773, descobriu o segundo companheiro brilhante da "nebulosa" de Andrômeda, M110, mas devido a razões desconhecidas, não o catalogou. Descobriu, também, mais um cometa no final de 1773; esse foi encontrado quando ainda era "precariamente visível a olho nu" (4,5 de magnitude aparente). Descobriu mais dois outros objetos (M51 e M52) em 1774, e observou o cometa daquele ano, descoberto por Montaigne. Também em 1774, Pierre Méchain foi apresentado a Messier por Jérôme Lalande, o principal astrônomo francês à época, que, segundo o astrônomo e historiador da astronomia Owen Gingerich, conhecia Messier desde tempos antigos. Até 1777, não descobriu nenhuma outra nebulosa e nenhum outro cometa. Mas em fevereiro daquele ano, catalogou M53 (descoberto originalmente por Johann Elert Bode dois anos antes). Também contribuiu para a hipótese duvidosa de um planeta dentro da órbita de Mercúrio, quando ele relatou vários pequenos corpos que atravessaram o disco solar em 17 de Junho de 1777. Acrescentou que os objetos observados poderiam ser fenômenos atmosféricos, mas "provavelmente eram pequenos meteoritos". Por recomendação de La Harpe, Messier foi eleito membro da Academia de São Petersburgo, na Rússia, em 9 de janeiro de 1777. Em 1778, encontrou mais duas nebulosas, M54, uma descoberta original, e M55, que havia sido relatado por Lacaille e que ele havia procurado em vão desde 1764. Messier casar-se-ia novamente anos depois, mas não teve outros filhos. Sua segunda esposa veio a falecer em 1798.

Pierre Méchain

Desde que Pierre Méchain começou a trabalhar no
Pierre Méchain ajudou Messier
na finalização de seu catálogo.
observatório de Messier, também começou a encontrar novos objetos para a confecção catálogo. No início de 1779, Messier co-descobriu o cometa C/1779 A1, 13 dias após a descoberta original por Bode dias antes. Ao acompanhar este cometa, descobriu seis outros objetos (M56 a M61) quando o cometa passou pela constelação de Virgem e pelo aglomerado de galáxias de Virgem, observado tanto por Messier quanto Johann Gottfried Koehler, de Dresden, e por Barnabus Oriani, de Milão. Koehler descobriu M59 e M60 em 11 de Abril de 1779, mas negligenciou M58, que foi descoberto por Messier quando ele, de forma independente, também descobriu os outros dois em 15 de Abril. Oriani foi o primeiro a identificar M61 em 5 de Maio de 1779. Messier descobriu o objeto de Oriani no mesmo dia, mas confundiu-o com o cometa que estava acompanhando, percebendo a sua natureza nebulosa, finalmente, em 11 de Maio. Messier finalmente definiu uma boa posição para M62, que tinha descoberto oito anos antes. M63 foi a primeira descoberta de Méchain. Tinha definitivamente começado a observar nessa época e, como Messier, focou sua atenção na pesquisa e observação de cometas. Em Janeiro de 1780, Messier descobriu M64 que havia sido descoberto anteriormente, em 1779, de forma independente, por Edward Pigott e Bode. Por acaso encontrou os objetos M65 e M66 em março de 1780. O Almirante William Henry Smyth e mais tarde outros autores que provavelmente o seguiam atribuíram a descoberta destes dois objetos a Méchain, provavelmente por engano, baseados na interpretação errônea de um comentário de Messier, que afirmou não ter descoberto esses objetos sete anos antes na ocasião da passagem de um cometa que viajava pela região do céu onde esses se encontravam. Ainda em 1780, descobriu mais dois objetos, M67 e M68, completando, assim, as suas observações da segunda versão do catálogo. Esta versão continha os objetos até M68 e foi publicado em 1780 no almanaque francês Connaissance des temps, para a edição de 1783. M67 havia sido descoberto anteriormente por Koehler e M68 foi novamente creditado erroneamente a Méchain pelo Almirante Smyth. No mês seguinte, Messier tornou-se membro da Sociedade Literária de Uppsala, na Suécia e, ainda naquele ano, juntamente com Méchain, empreendeu um grande esforço para catalogar mais nebulosas e aglomerados. Primeiramente descobriu mais dois novos objetos, M69 e M70, descobertas essas que não se tornaram mais do que um apêndice do Connaissance des Temps de 1783.




Messier 101, a Galáxia do Cata-vento.

Messier 102, alvo de controvérsias históricas.



 

Até o final de 1780, Messier e Méchain haviam descoberto todos os objetos até M79, um novo cometa (C/1780 U2), e perdido outro logo em seguida, (C/1780 U1). Em Abril de 1781, a lista de nebulosas e aglomerados de estrelas tinha aumentado para 100. Às pressas, mais três objetos foram incluídos, observados anteriormente por Méchain (M101 - M103) sem a validação pessoal de Messier, com o intuito de deixar o catálogo pronto para a sua publicação final no Connaissance des Temps de 1784 (publicado em 1781). Logo após a publicação, em 11 de Maio de 1781, acrescentou o objeto M104 à sua cópia pessoal do catálogo, bem como as posições dos objetos M102 e M103, até então indeterminados. Tinha, também, anotações de mais duas outras nebulosas, descobertas por Méchain e mencionadas no catálogo juntamente com M97, conhecidas atualmente como M108 e M109. Uma das descobertas de Méchain, ocorrida em Março de 1781, M105, tinha sido esquecida e não foi incluída na versão final do catálogo. Méchain descobriu outro objeto nebuloso, M106, em julho daquele ano. Ele também descobriu seus primeiros dois cometas em 1781, em 28 de Junho e 9 de Outubro (C/1781 M1 e C/1781 T1, respectivamente). Enquanto isso, Friedrich Wilhelm (William) Herschel, que era naquele tempo um astrônomo, observador, confeccionador de telescópios e organista em Bath, Inglaterra, tinha descoberto o planeta Urano em 13 de março daquele ano. Messier, em 14 de Abril, um dia depois de sua última sessão de observação para a compilação de seu catálogo, começou imediatamente a observá-lo. Escreveu a Herschel: “Isso te dá honra, pois é difícil reconhecer tal objeto e eu não posso conceber como foste capaz de retornar sua mira várias vezes para esta mesma estrela ou cometa, uma vez que era necessário observá-la durante vários dias seguidos para perceber que o objeto era dotado de movimento próprio, uma vez que não tinha nenhuma das características habituais de um cometa”. Messier passou suas observações a Bochard de Saron, à época presidente da Assembleia Francesa e respeitado matemático, um dos primeiros a expressar que Urano era um planeta e não um cometa, uma vez que seu periélio era muito grande. Ruđer Bošković, Anders Johan Lexell, Lalande e Méchain obtiveram o mesmo resultado e confirmaram que Urano estava orbitando o Sol além da órbita de Saturno. É bem possível que esta descoberta o impediu de realizar verificações complementares acerca de seus mais recentes objetos de seu catálogo.

Acidente na fenda de gelo

Ainda naquele ano, em 6 de Novembro, o trabalho de
O jardim de Monceau. Pintura de
Federico Zandomeneghi (1841–1917).
Messier foi interrompido por um acidente terrível. Ao visitar o jardim de Monceau com seu amigo Saron, Messier interessou-se por uma passagem que dava acesso a uma caverna, mas esta passagem dava acesso a uma gruta de gelo com 7,5 metros de profundidade. Ele caiu nessa gruta, quebrando uma perna, um braço, um pulso e duas costelas. Teve que ficar em repouso por mais de um ano, tendo liberação médica apenas em novembro do ano seguinte. Nesse meio tempo, em Abril de 1782, Méchain havia descoberto outra "nebulosa", que finalmente tornou-se o último objeto Messier a ser descoberto, M107. Estimulado pelo catálogo de Messier, William Herschel, assistido por sua irmã Caroline, começou a observar objetos do céu profundo. Herschel havia adquirido uma cópia do catálogo de Messier de seu amigo, o cientista William Watson. Em Setembro daquele ano, fez sua primeira descoberta original de um objeto do céu profundo, a Nebulosa Saturno (NGC 7009), e no ano seguinte, depois de algumas pesquisas e elaboração de técnicas de observação, começou sua extensa pesquisa do céu profundo, catalogando mais 1 000 objetos do céu profundo até 1786, e um total de mais de 2 500 até 1802.

De volta ao trabalho

Três dias depois de sua liberação médica, Messier observou um trânsito de Mercúrio. No ano seguinte, Méchain escreveu uma carta para Johann III Bernoulli, da Academia de Berlim, publicado por Johann Elert Bode no Berliner Astronomisches Jahrbuch de 1786, juntamente com a tradução do catálogo de Messier. Nesta carta, entre outros assuntos, Méchain comunica os últimos três objetos descobertos por ele (agora M105 a M107), mas nega a descoberta do M102, iniciando assim uma polêmica ainda em aberto sobre a identificação do objeto. Segundo o próprio Méchain, M102 é uma duplicata de M101, mas suas anotações originais apontam para o objeto diferente, NGC 5866. Messier retomou suas observações, assíduas como antes, mais uma vez concentrando-se em cometas. Parece ter usado, também, a sua cópia pessoal do seu catálogo por vários anos, mas aparentemente não investiu grandes esforços em novas tentativas de encontrar novos objetos nebulosos e não trabalhou muito para melhorar ainda mais o catálogo. Isto se deve, talvez, porque ele sabia da pesquisa de Herschel e, como ele não poderia competir em instrumentação, pode ter perdido o interesse. Messier provavelmente estava ciente de que futuros caçadores de cometas poderiam também usar a compilação de Herschel. No entanto, há uma série de exceções notáveis: suas medições do posicionamento de estrelas de aglomerados abertos, como as estrelas pertencentes ao aglomerado do Presépio (M44) e das Plêiades (M45), realizadas em 1785, 1790 e 1796; uma série de observações, por volta de 1790, de nebulosas e aglomerados, marcadas a mão na sua cópia pessoal do catálogo, correções das posições, também em 1790, para a "nebulosa" de Andrômeda (M31) e sua companheira M32, bem como as suas investigações e desenhos da "nebulosa" de Andrômeda (M31) e ambos os seus satélites M32 e M110, em 1795. Dedicou-se a acompanhar o grande número de cometas que apareceram após 1785, não sobrando muito tempo para outras atividades de observação. O catálogo atual de Messier foi completado com a identificação dos quatro objetos perdidos, tendo sua versão atual graças à intervenção da astrônoma canadense Helen Sawyer Hogg e de Owen Gingerich (1930 - ) com a adição por Sawyer-Hogg das últimas descobertas de Méchain, M104 - M109, além da descoberta de M110, incluída no catálogo por Gingerich. A empreendedora busca de cometas de Messier chegou ao seu auge em 7 de Janeiro de 1785, quando descobriu o cometa C/1785 E1, quando o objeto apresentava cerca de 6,5 de magnitude aparente; ficou visível por cerca de 5 semanas. Méchain descobriu outro cometa (C/1785 A1) algumas semanas depois e mais um novo cometa no início de 1786; esta foi a primeira aparição do cometa Encke (2P/Encke), o cometa com o menor período orbital conhecido, de apenas 3,3 anos. Em 1785, Pierre Méchain tornou-se o editor principal do Connoisance des Temps, trabalhando até 1792, e foi responsável pela publicação de artigos no periódico para trabalhos até 1788 (que viriam a ser impressos em 1794). Algumas fontes dizem que Messier também foi apontado como editor associado do periódico no mesmo ano e permanecido nesse cargo por cinco anos, até 1790, mas existem controvérsias a respeito. Ambos os astrônomos continuaram a sua bem-sucedida busca de cometas: Messier descobriu um novo cometa em Novembro de 1788 (C/1788 W1), enquanto Méchain encontrou mais um cometa em Abril de 1787 (C/1787 G1), descobriu o cometa Tuttle (8P/Tuttle) quando este apareceu em janeiro de 1790. Messier se tornou membro da Academia de Ciências de Dublin (1784), da Academia de Stanislav, de Nancy (1785) e de Vergara, na Espanha (1788).

Revolução Francesa

Enquanto isso, a Revolução Francesa começou com a tomada da Bastilha, em 14 de Julho de 1789. Em sua cópia pessoal, Messier acrescentou mais notas sobre observações de nebulosas e aglomerados mesmo nessa época turbulenta da história da França. Quatro anos depois, a revolução culminou no "Ano do Terror". O rei francês Luís XVI foi guilhotinado em 21 de Janeiro, e o amigo de Messier, Saron, também foi guilhotinado em 20 de Abril de 1794, pouco depois de ter calculado a órbita do cometa que Messier havia descoberto meses antes (C/1793 S2). O astrônomo chegou a notificá-lo secretamente que ele mesmo havia seguido o cometa através de sua trajetória calculada. O terrorismo chegou ao fim quando finalmente Maximilien Robespierre foi guilhotinado ainda em 1794. Durante essa época, Messier ficou sem receber salários e pensões: teve até mesmo emprestar de Lalande os recursos mais necessários para o seu trabalho. Méchain estava na Espanha, empregado na investigação de meridianos, onde descobriu um outro cometa em Janeiro de 1793. Sua família perdeu seus bens durante a Revolução e Méchain teve que partir para a Itália, retornando a Paris em 1795. Juntamente com Messier, Méchain tornou-se membro do novo Instituto Nacional de Ciências e Artes, sucessor da Real Academia de Ciências. Méchain também foi selecionado como um dos quatro astrônomos oficiais do Bureau des Longitudes; Messier também entrou para organização em Junho de 1796, após a saída de Jean-Dominique Cassini, conde de Cassini. Descobriu outro cometa em Abril de 1798 (C/1798 G1). Aparentemente sentiu a necessidade de comentar sobre sua intenção de compilar seu catálogo. No Connaissance des Temps para o IX ano (da República Francesa, ou seja, 1800/1801), que foi publicado em 1798, declarou que: "O que me levou a construir o catálogo foi a descoberta da nebulosa I acima do chifre sul de Touro em 12 de Setembro de 1758, enquanto observava o cometa daquele ano. Esta nebulosa tinha tamanha semelhança com um cometa em sua forma e brilho e me esforcei para encontrar os outros, de modo que os astrônomos não mais confundissem estas mesmas nebulosas com cometas. Observei ainda mais, com o auxílio de telescópios adequados para a descoberta de cometas, e este é o propósito que eu tinha em mente na compilação do catálogo.  Depois de mim, o célebre Herschel publicou um catálogo de 2000 objetos. Isto revelou os céus com o auxílio de instrumentos de grande abertura que não ajudam no exame do céu para cometas de brilho fraco. Assim, meu objetivo é diferente do dele e eu preciso saber apenas as posições das nebulosas visíveis com um telescópio de dois pés de distância focal. Desde a publicação do meu catálogo, tenho observado ainda outros: vou publicá-las no futuro, na ordem de ascensão reta, com a finalidade de torná-los mais fáceis de reconhecer e para aqueles em busca de cometas terem menos incerteza". Sua segunda esposa veio a falecer em 1798, sem filhos. Messier manteve uma união não oficial com a Sra. Bertrand, também viúva, até sua morte em 1816.

Velhice e morte

Entretanto, este plano nunca foi concretizado. Em
Túmulo de Messier, no cemitério
do Père-Lachaise, Paris.
(click para ampliar).
1801, quando o primeiro "asteroide", Ceres, tinha acabado de ser descoberto por Giuseppe Piazzi em 1 de Janeiro, Charles Messier, agora com 71 anos, participou de um projeto de observação de ocultações da estrela Spica (Alpha Virginis) pela Lua, entre 30 de Março e 24 de Maio. Fez a sua última descoberta de um cometa em 12 de Julho de 1801, quando ele de forma independente co-descobriu o cometa C/1801 N1; isso trouxe o número de descobertas suas de cometas a 20, 13 sendo originais e sete co-descobertas independentes. Fez também algumas observações dos "planetas" (asteroides) recém-descobertos de Piazzi (Ceres) e de Heinrich Olbers (Pallas). Pierre Méchain tornou-se diretor do Observatório de Paris, cargo que viria a ter por vários anos. Mas como ele estava preocupado com algumas determinações de latitude e longitude em suas pesquisas, finalmente conseguiu a permissão de Napoleão para estender seu trabalho para as Ilhas Baleares. Deixou Paris em 1803 e, depois de completar parcialmente seu trabalho, contraiu febre amarela e morreu em Castelló de la Plana, Espanha, em 20 de Setembro de 1804. Já com idade avançada, Charles Messier finalmente obteve reconhecimento oficial quando Napoleão, em 1806, deu-lhe a Cruz da Legião de Honra. Por outro lado, Messier arruinou boa parte de sua reputação científica com a publicação de uma obra, dedicando o grande cometa de 1769 a Napoleão, que havia nascido naquele ano. Assim, Messier se tornou, provavelmente, o último cientista que alegava que os cometas anunciavam eventos na Terra, ou segundo o Almirante Smyth: "O último cometa astrologicamente apresentado ao público por um astrônomo ortodoxo". Com a idade avançando, Messier fez cada vez menos observações, principalmente devido à diminuição de sua visão, embora não cessasse as observações completamente. Não foi capaz de determinar as posições dos dois cometas seguinte, de 1805 e de 1806. O estado de seu observatório ficava cada vez pior, sem condições financeiras para mantê-lo. Os últimos registros de observação de cometas por Messier foram o registro das posições, com a ajuda de outros observadores, do "Grande Cometa" de 1807 (C/1807 R1). Sua última obra, apresentado ao Instituto Nacional de França, similar ao seu primeiro de 1771, a primeira versão do catálogo de nebulosas e aglomerados de estrelas, foi mais uma vez um livro consideravelmente importante sobre "nebulosas:" a apresentação de suas observações de 1795 e um desenho da "nebulosa" Andrômeda (M31), juntamente com os seus companheiros M32 e M110. Em 1815, Messier sofreu um derrame que o deixou parcialmente paralisado. Após a recuperação parcial, ele participou de algumas reuniões da Academia Francesa, mas seu cotidiano tornou-se cada vez mais difícil. Na noite de 11-12 de Abril de 1817, Charles Messier faleceu, aos 87 anos, em sua casa em Paris. Foi enterrado em 14 de Abril no Cemitério do Père-Lachaise, também em Paris.

Homenagens

Charles Messier foi homenageado pela comunidade
As crateras lunares "Messier".
astronômica com o batismo de uma cratera lunar com seu nome, situada na região de Mare Fecunditatis. O asteroide 7359 Messier, descoberto em 16 de Janeiro de 1996 pelo checo Miloš Tichý no Observatório de Klet', provisoriamente designado como BH 1996, também foi batizado como "Messier". Ainda quando Messier vivia, em 1775, seu amigo e astrônomo Jérôme Lalande tinha proposto o nome de uma constelação em sua homenagem: Custos Messium. Esta constelação era formada na atual região de fronteira das constelações de Cefeu, Cassiopeia e Camelopardalis. No entanto, a constelação teve uma vida curta e está extinta atualmente. De qualquer forma, a honra mais óbvia certamente é o sistema de nomenclatura ainda em uso dos objetos do céu profundo contidos em seu catálogo. Cada um desses objetos é catalogado com a designação "Messier" ou "M" seguido de seu número de catálogo, como Messier 42 ou M42 para a nebulosa de Órion, ou M31 para a galáxia de Andrômeda.


Assinatura de Messier






Referências

https://pt.wikipedia.org/wiki/Charles_Messier

Biografia de Jérôme Lalande

Jérôme Lalande
Joseph Jérôme Lefrançois de Lalande. Nasceu em Bourg-en-Bresse, a 11 de Julho de 1732, e, faleceu em Paris, a 4 de Abril de 1807. Jérôme Lalande foi um astrônomo francês. Consagrou-se no estudo dos planetas do sistema solar, publicando em 1759 uma edição corrigida das tabelas de Edmond Halley (1656-1742), onde adiciona uma história do cometa de Halley que foi observável aquele ano. Com a ajuda de Alexis Clairaut e de Nicole-Reine Lepaute, ele calcula a data de regresso e os elementos orbitais. Em 1778 abandona temporariamente o estudo das estrelas para a hidrologia, redigindo "Des Canaux de Navigation, et spécialement du Canal de Languedoc". Apresentou cerca de 250 artigos sobre astronomia, contribuindo enormemente para a divulgação e popularização desta matéria. É o autor de uma crônica das ciências da sua época em dois volumes denominada "Bibliographie Astronomique" (1804). Adquiriu fama com as publicações que emitiu sobre o trânsito de Vênus de 1769. Jérôme Lalande é um dos 72 nomes na Torre Eiffel.

Biografia

Lalande nasceu na cidade francesa de Bourg-en-Bresse (atualmente departamento de Ain). Seus pais o mandaram muito jovem para Paris para estudar Direito, mas, durante sua estadia no Hôtel Cluny coincidiu com Joseph-Nicolas Delisle, foi aprendendo astronomia e logo se destacou como um aluno exemplar, sendo juntamente com Pierre Lemonnier os pupilos prediletos de Delisle. Lalande concluiu, não obstante, seus estudos de jurisprudência em Paris e exerceu a advocacia em sua cidade natal. Quando Lemonnier obteve a permissão para fazer observações lunares, ele convidou Lalande e ambos se uniram com a expedição dirigida por Nicolas Louis de Lacaille no Cabo da Boa Esperança. Este trabalho lhe proporcionou o acesso como membro da Academia de Ciências de Berlim. Pouco a pouco foi se tornando num astrônomo popular e sua casa se tornou em um seminário improvisado. Entre seus alunos estavam Jean-Baptiste Joseph Delambre, Giuseppe Piazzi, Pierre Méchain e seu próprio neto Michel Lalande. Graças às publicações que fez em relação com o transito de Vênus de 1769, conseguiu boa parte de fama; contudo, sua terrível personalidade foi desgastando a sua popularidade. Em 1795, foi um dos dez membros originais do comitê fundador do Bureau des Longitudes.

Trânsito de Vênus

Em 1771, usando os dados combinados dos trânsitos de 1761 e 1769, Jérôme Lalande calculou a unidade astronômica em 153 milhões de quilômetros (± 1 milhão de km). A precisão foi menor do que a esperada por causa do efeito da gota negra, mas ainda assim foi uma melhoria considerável nos cálculos de Horrocks. Maximilian Hell publicou os resultados da sua expedição em 1770, em Copenhague. Baseado nos resultados da sua própria expedição, mais as de Wales e Cook, ele apresentou outro cálculo da unidade astronômica: 151,7 milhões de quilômetros. Lalande questionou a precisão e a autenticidade da expedição de Hell, mas mais tarde recuou em um artigo no Journal des Sçavants, em 1778.

Principais obras

- Traité d’astronomie (dois volumes, 1764, quatro volumes, de 1771 à 1781, três volumes, 1792).
- Astronomie des dames (1785).
- Abrégé de navigation (1793).
- Histoire céleste française (1801).
- Bibliographie astronomique (1803).
- Voyage d’un français en Italie (1769).
- Des Canaux de Navigation, et spécialement du Canal de Languedoc (1778).

Bibliografia

- Guy Boistel, Jérôme Lalande, Premier Astronome Médiatique, Les génies de la science, n° 32, août-octobre 2007, pp.10–13.

Referências

https://pt.wikipedia.org/wiki/Jérôme_Lalande
https://pt.wikipedia.org/wiki/Trânsito_de_Vênus

Quetzalcóatl

Quetzalcóatl (pic: Eddo).
Quetzalcóatl. (náuatle clássico: ketsaɬˈko.aːtɬ). Quetzalcóatl é uma divindade das culturas mesoamericanas, cultuado especialmente pelos astecas e pelos toltecas, e identificado por alguns pesquisadores como a principal deidade do panteão centro-mexicano pré-colombiano. Seu nome significa "serpente emplumada" (de quetzal, nome comum do Pharomachrus mocinno, e cóatl, serpente). Os astecas incorporaram esta deidade em sua chegada ao vale do México, no entanto modificaram seu culto, eliminando algumas partes, como a proibição dos sacrifícios humanos. Especula-se que a origem desta deidade provém da cultura olmeca, no entanto sua primeira aparição inequívoca ocorreu em Teotihuacan. A cultura teotihuacana dominou durante séculos o planalto mexicano. Sua influências culturais abarcaram grande parte da mesoamérica, incluindo as culturas maia, mixteca e tolteca. Os maias retomaram a Quetzalcóatl como Kukulkán. Quetzalcoatl representa as energias telúricas que ascendem, daí a sua representação como uma serpente emplumada. Neste sentido, representa a vida, a abundância da vegetação, o alimento físico e espiritual para o povo que a cultua ou o indivíduo que tenta uma ascese espiritual. Posteriormente, passou a ser cultuado como deus representante do planeta Vênus, simultaneamente Estrela da Manhã e Estrela da noite, correspondendo, com o seu gêmeo Xolotl, à noção de morte e ressurreição. Deus do Vento e Senhor da Luz, era, por excelência, o deus dos sacerdotes. É às vezes confundido com o rei sacerdote de Tula. Governava o leste. Segundo fontes incertas e tradições orais, uma das representações deste deus é um homem branco, barbado e de olhos claros. Esta representação seria uma das justificativas da teoria de que os povos indígenas, durante a conquista da Nova Espanha (Mesoamérica), acreditaram que Hernán Cortez era Quetzalcóatl. O acadêmico multiculturalista Serge Gruzinski, analisando as crônicas do século XVI sobre a conquista do México, compartilha da crença de que os astecas realmente acharam que Cortez fosse Quetzalcóatl e essa é uma das razões pela qual os espanhóis dominaram tão facilmente a América Central. O cacau, fruto tipicamente americano, era usado durante os rituais ao deus como uma bebida quente, o xocoatl, bebida que deu origem ao chocolate tão apreciado atualmente. Os astecas acreditavam na volta de Quetzalcóatl e isso contribui positivamente em seu contato com os espanhóis, pensando terem sido enviados pelo deus ou serem o próprio.

Referências

https://pt.wikipedia.org/wiki/Quetzalcóatl

Biografia de Joseph-Nicolas Delisle

Joseph-Nicolas Delisle
Joseph-Nicolas Delisle. Nasceu em Paris, a 4 de Abril de 1688, e faleceu, também em Paris, a 11 de Setembro de 1768. Joseph-Nicolas Delisle foi um astrônomo francês, criador da escala de temperatura Grau Delisle.

Vida

Foi um dos 11 filhos de Claude Delisle (1644 - 1720). Como muitos de seus irmãos, entre eles Guillermo Delisle, inicialmente realizou estudos clássicos. No entanto, ele passou a estudar astronomia sob a supervisão de J. Lietaud e Jacques Cassini. Ele entrou para a  Academia Francesa de Ciências como pupilo de Jean-Dominique Maraldi (1709 - 1788), chegando a ser adjunto e posteriormente astrônomo associado da mesma (1716 - 1719). Ao longo do tempo, tornou-se professor do Collège de France e da Academia de Ruan, tendo alunos como Joseph Lalande e Charles Messier. Apesar de ser um bom cientista e membro de uma família rica, não dispunha de grandes meios para suas pesquisas, até que, em 1725, sua vida muda radicalmente ao ser chamado pelo czar Pedro, o Grande a São Petersburgo para criar e dirigir uma escola de astronomia na Academia Russa de Ciências. Chegou a essa cidade em 1726, logo após a morte do czar. Tornou-se rico e famoso, tanto que quando retornou a Paris em 1747, recebeu o título de astrônomo da Academia e pôde construir seu próprio observatório no palácio de Cluny que, posteriormente, tornaria famoso Charles Messier. Delisle explicou que a refração da luz solar nas gotas de chuva é a origem dos arcos-íris e trabalhou, entre outras coisas, no cálculo da distância entra a Terra e o Sol e no estudo dos trânsitos de Mercúrio e Vênus. É conhecido principalmente pela Escala Delisle, uma escala de temperatura que inventou em 1732. Um cratera lunar foi nomeada “Delisle” em sua homenagem.

Grau Deslile

O Grau Deslile (°D) é uma escala de temperatura inventada em 1732 pelo astrônomo francês Joseph-Nicolas Delisle (1688–1768). Delisle foi o autor de “Mémoires pour servir à l'histoire et aux progrès de l'Astronomie”, e de “Géographie et de la Physique” (1738).

Retas de Conversão de Temperatura

Catálogo Messier

O Catálogo Messier é um catálogo astronômico
1ª página do Catálogo Messier
composto por 110 objetos do céu profundo, compilado pelo astrônomo francês Charles Messier entre 1764 e 1781. Originalmente com o nome “Catalogue des Nébuleuses et des amas d'Étoiles, que l'on découvre parmi les Étoiles fixes sur l'horizon de Paris” (Catálogo de Nebulosas e Aglomerados Estelares Observados entre as Estrelas Fixas sobre o Horizonte de Paris), foi construído com objetivo de identificar objetos do céu profundo, como nebulosas, aglomerados estelares e galáxias que poderiam ser confundidos com cometas, objetos de brilho fraco e difusos no céu noturno. Antes de Messier, vários outros astrônomos elaboraram catálogos semelhantes, como a lista de seis objetos de Edmond Halley, o catálogo de William Derham, baseado no catálogo de estrelas de Johannes Hevelius, o “Prodomus Astronomiae”, o "Catálogo das Nebulosas do Sul" de Nicolas Louis de Lacaille, de 1755, bem como as listas de Giovanni Domenico Maraldi e Guillaume Le Gentil e Jean-Philippe de Chéseaux. Os diferentes objetos do catálogo são designados pela letra M seguida de um número, que corresponde à ordem cronológica das descobertas ou inclusões: assim, M1 corresponde ao primeiro objeto catalogado, enquanto que a galáxia de Andrômeda, conhecida desde a Idade Média, é apenas o objeto M31. Os objetos do catálogo, conhecidos como "Objetos Messier", também constam em outros catálogos mais recentes, como o New General Catalogue (NGC).

História

Messier foi motivado a elaborar o catálogo enquanto
A nebulosa do Caranguejo (M1),
a primeira entrada do Catálogo Messier.
estava à procura do cometa Halley em 1758. Segundo os cálculos orbitais de Joseph-Nicolas Delisle, chefe do observatório astronômico onde ele trabalhava, Halley reapareceria na constelação do Touro. Enquanto observava o céu noturno à procura de Halley, descobriu independentemente outro cometa e um objeto de aparência semelhante, mas que não se movia em relação às estrelas vizinhas, sendo o primeiro objeto do céu profundo descoberto pelo astrônomo francês. Esse objeto é conhecido atualmente como a Nebulosa do Caranguejo, o remanescente da supernova de 1054. Com o objetivo de não mais confundir esses objetos difusos e fixos com cometas, Messier decidiu procurar outros objetos que poderiam enganar a si próprio e a outros astrônomos e decidiu incluí-los em um catálogo que descrevesse suas posições exatas e características. Segundo o próprio astrônomo: "O que me levou a construir o catálogo foi a descoberta da nebulosa I acima do chifre sul de Touro em 12 de Setembro de 1758, enquanto observava o cometa daquele ano. Esta nebulosa tinha tamanha semelhança com um cometa em sua forma e brilho e me esforcei para encontrar os outros, de modo que os astrônomos não mais confundissem estas mesmas nebulosas com cometas".

Objetos 2 a 45

Antes mesmo de descobrir o seu primeiro objeto,
Os "pilares da Criação" no interior
da nebulosa da Águia (M16).
Messier registrou a observação do objeto M32, vizinho à galáxia de Andrômeda (M31). Em 11 de Setembro de 1760, redescobriu sua segunda nebulosa, M2, que havia sido descoberto anteriormente por Jean-Dominique Maraldi exatos 14 anos antes. O objeto recém-descoberto já estava constado na carta celeste desenhado por ele mesmo e que mostrava a trajetória do cometa Halley, redescoberto em 25 de Dezembro de 1758 por Johann Georg Palitzsch. Foi descrita por Messier como uma nebulosidade ausente de estrelas, embora seja um aglomerado globular composta de mais de 150 000 estrelas. Em 3 de Maio de 1764 descobriu seu terceiro objeto, sua primeira descoberta original. A descoberta levou-o a examinar extensivamente o céu noturno em busca de outros objetos semelhantes com o intuito de não confundi-los com cometas. Àquela época, Guillaume Le Gentil publicava sua obra sobre nebulosas e é possível que Messier soubesse do evento, decidindo empreender uma pesquisa própria e independente do céu noturno à procura de novos objetos do céu profundo. Naquele ano, descobriu originalmente 19 novos objetos e listou todos os outros objetos descritos em catálogos semelhantes disponíveis à época que pôde ver. Até 1764, foram compilados 40 objetos no total. Descobriu também 11 falsos positivos dos outros catálogos durante sua pesquisa, embora tenha decidido incluir Messier 40, uma estrela dupla e não um objeto difuso, como os outros elementos de seu catálogo. Após descobrir o aglomerado estelar Messier 41 no início de 1765. ocupou-se nos três anos seguintes com outras atividades e deixou a elaboração do catálogo em segundo plano. Contudo, decidiu publicar a primeira versão de seu catálogo em 1769, talvez para apoiar suas ambições para entrar no seleto grupo de cientistas da Académie des Sciences. Com o intuito de deixá-lo o mais completo catálogo de objetos do céu profundo da época, superando em três o número de objetos no catálogo de Nicolas Louis de Lacaille, decidiu incluir os objetos M42 ao M45, a nebulosa de Orion, aglomerado do Presépio e as Plêiades, objetos bem conhecidos desde a Antiguidade. Deixou esta intenção clara na introdução da primeira edição seu catálogo, onde queria apresentar um catálogo "mais completo" comparado às obras anteriores. Finalmente apresentou sua primeira versão do
A nebulosa de Orion (M42).
catálogo à Académie des Sciences em 16 de Fevereiro de 1771; foi a sua primeira obra apresentada à Academia, seguida por muitas outras sobre outros ramos da astronomia. No catálogo, Messier descreve cuidadosamente suas observações de cada objeto, dando a posição de cada objeto na esfera celeste, além de descrever descobertas e observações de outros astrônomos anteriores a ele. Como apêndice, descreve as 11 nebulosas descritas em outros catálogos que não foi capaz de encontrar, além de uma descrição mais extensa e um desenho completo da nebulosa de Orion, incluindo a nebulosa de De Mairan (Messier 43). A primeira versão do catálogo de Messier lista quase todos os objetos do céu profundo que eram conhecidos anteriormente e que observáveis da latitude de Paris, além de 29 descobertas independentes, sendo 18 originais. Dos 45 objetos, 33 são aglomerados estelares (19 aglomerados abertos e 14 aglomerados globulares), 7 nebulosas (5 nebulosas difusas, uma nebulosa planetária e um remanescente de supernova), 3 galáxias e dois outros objetos (Messier 24 é uma parte destacada de um dos braços da Via-Láctea e Messier 40 uma estrela dupla). Os objetos de maior brilho desta primeira versão são as Plêiades (M45), a galáxia de Andrômeda (M31), o aglomerado estelar do Presépio (M44), a nebulosa de Orion (M42) e o aglomerado estelar Messier 7, na constelação do Escorpião. Por outro lado, os objetos de menor brilho são Messier 43, vista com mais facilidade devido à presença de seu vizinho no céu, a nebulosa de Orion (M42), a estrela dupla M40 e o primeiro objeto do catálogo, a nebulosa do Caranguejo (M1). Segundo o astrônomo Brian A. Skiff, 29 dos 45 objetos são visíveis a olho nu com excelentes condições de observação. Messier 40 (a estela dupla Winnecke 4) é o único desses objetos que apresentou dificuldades de identificação, sendo uma incógnita por mais de 180 anos; embora o objeto e sua posição fossem bem descritos por Messier, apenas em 1966 John Mallas identificou o par de estrelas.

Objetos 46 a 68

Três noites após a apresentação de seu catálogo,
As Plêiades (M45), o mais brilhante
aglomerado estelar no céu noturno.
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Charles Messier observou mais quatro objetos nebulosos, Messier 46 ao Messier 49. Para dois deles, Messier 47 e Messier 48, não procedeu com os cuidados usuais e cometeu erros ao reduzir os dados de suas posições; ficaram perdidos até as suas identificações já no século XX. Messier 49 também foi a primeira galáxia descoberta pertencente ao aglomerado de galáxias de Virgem. Nos anos seguintes, razões privadas e outras atividades e interesses impediram o astrônomo de continuar seu trabalho com os objetos do céu profundo e apenas algumas descobertas foram feitas como produto de outros empreendimentos, particularmente a observação de cometas. Em 7 de Junho de 1771, descobriu o objeto Messier 62, mas apenas mediu a sua posição de forma aproximada, incluindo-o no catálogo apenas em 1779. Ao observar um cometa, encontrou outro aglomerado estelar, Messier 50, adicionado ao catálogo em 5 de abril de 1772. Em 10 de Outubro de 1773, descobriu o segundo objeto mais brilhante vizinho à galáxia de Andrômeda, Messier 110, mas devido a razões desconhecidas nunca o catalogou e publicou sua descoberta apenas em 1798 em um desenho relativo à galáxia de Andrômeda (na edição de 1801 do almanaque francês Connaissance des Temps). Encontrou o objeto Messier 51 três dias mais tarde, e o objeto Messier 52 foi descoberto quase um ano mais tarde, em 7 de Setembro de 1774. Após dois anos e meio de inatividade, descobriu o objeto Messier 53 em 26 de Fevereiro de 1777, descoberto previamente por Johann Elert Bode. Encontrou mais duas outras nebulosas, os objetos Messier 54 e Messier 55, em 24 de Julho de 1778. M54 é mais uma descoberta original, mas M55 foi uma das nebulosas catalogadas por Lacaille que Messier não havia encontrado durante o seu primeiro empreendimento, em julho de 1764, talvez por usar instrumentação inferior à época e devido à inexperiência. Após a descoberta do cometa de 1779, Messier descobriu várias nebulosas novas ao longo de sua trajetória aparente. Seguindo-o até 19 de Maio de 1779, observou mais seis objetos, Messier 56 ao Messier 61. Descobriu M56 no mesmo dia que redescobriu o cometa em 19 de Janeiro daquele ano. Doze dias mais tarde descobriu a nebulosa do Anel (Messier 57), que havia sido descoberto anteriormente naquele mesmo mês por Antoine Darquier. Quando o cometa passou pela região do aglomerado de galáxias de Virgem, vários novos objetos foram
A galáxia Olho Negro (M64).
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descobertos em um curto período de tempo. Foram descobertos independentemente por Messier, em Paris, Johann Gottfried Köhler, em Dresden, e Barnaba Oriani, em Milão. Messier originalmente descobriu o objeto Messier 58 e encontrou os objetos Messier 59 e Messier 60 em 15 de Abril. Também descobriu Messier 61 em 5 de Maio, mas confundiu-o com o próprio cometa, identificando-o como uma nebulosa apenas seis dias mais tarde. M59 e M60 haviam sido descobertos por Köhler em 11 de Abril, quatro dias antes da descoberta de Messier, embora Köhler não tenha encontrado M58. Oriani foi o primeiro a identificar o objeto M61 em 5 de Maio, mesmo dia que Messier havia confundido-o com o cometa. Em 4 de Junho, finalmente conseguiu obter uma boa posição para o objeto Messier 62, que havia descoberto em 1771. Dez dias mais tarde, observou e mediu a posição do objeto Messier 63, a primeira descoberta de seu amigo Pierre Méchain, que havia conhecido em 1774. Em 1 de Março de 1780, Messier adicionou ao catálogo os objetos Messier 64, Messier 65 e Messier 66. Não sabia que M64 havia sido descoberto quase um ano antes (23 de Março de 1779) por Edward Pigott e doze dias depois por Bode, mas os objetos M65 e M66 são descobertas originais. Em 6 de Abril, encontrou o objeto Messier 67, não sabendo que Köhler já havia descoberto o objeto antes. Descobriu Messier 68 dias mais tarde, o último objeto da segunda edição de seu catálogo, impressa em 1780 no Connaissance des Temps para o ano de 1783. A segunda edição do catálogo contém objetos com brilhos significativamente mais fracos do que a primeira versão, evidenciando o aumento da capacidade dos instrumentos de Messier, não desconsiderando o enriquecimento de experiência do astrônomo. Os objetos mais esmaecidos desta versão são os objetos Messier 58 e Messier 61, pertencentes ao aglomerado de galáxias de Virgem, ambos de magnitude aparente de 9,7. Dos 23 novos objetos da segunda edição, do Messier 46 ao Messier 68, apenas Messier 55 havia sido relatado antes por Lacaille, e Messier 63, relatado a Messier por Méchain. Das 21 descobertas independentes, 14 são descobertas originais. Dos 23 objetos, 12 são aglomerados estelares (6 abertos e 6 globulares), uma nebulosa planetária (Messier 57) e 10 galáxias, 5 delas pertencentes ao aglomerado de Virgem. Segundo Brian A. Skiff, sob condições excelentes de observação, apenas 5 dos 23 objetos são visíveis a olho nu.

Finalização do catálogo

Suas duas próximas descobertas são os objetos
A nebulosa do Anel (M57).
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Messier 69 e Messier 70, dois aglomerados globulares na constelação de Sagitário. Foram incluídos no apêndice da segunda versão do catálogo e ambos são descobertas originais, embora o astrônomo francês supusesse que M69 era idêntico a uma nebulosa do catálogo de Lacaille que ele mesmo tentara observar anos antes sem sucesso. Em seguida, Messier e Méchain iniciaram um grande empreendimento para incrementar o número de nebulosas e aglomerados catalogados. No fim de 1780, Messier havia descoberto todos os objetos até Messier 79 e, em Abril de 1781, o número de objetos havia aumentado para 100. A maior parte dos objetos entre Messier 71 e Messier 82 foram descobertos por Méchain, conferidos e medidos por Messier para incluí-los definitivamente ao seu catálogo. As exceções são os objetos Messier 73, um asterismo de quatro estrelas, e Messier 80, descoberto originalmente por Messier e redescoberto independentemente por Méchain horas depois. Messier 81 e Messier 82, redescobertos por Méchain em Agosto de 1779, já haviam sido descobertos por
A galáxia de Bode (M81).
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Bode em 1774. Em 17 de Fevereiro de 1781, Messier descobriu o objeto Messier 83, já descoberto por Lacaille em 1752, uma das nebulosas que ele não havia encontrado em 1764. Em 4 de Março, Méchain descobriu mais um objeto no aglomerado de galáxias de Virgem (M85). Intrigado, Messier decidiu realizar uma grande varredura nessa região do céu em 18 de março e, naquela noite, catalogou mais nove objetos, oito deles pertencendo ao aglomerado de Virgem (Messier 84 ao Messier 91) além do objeto Messier 92, na constelação de Hércules. Com a exceção de M85, todas são descobertas originais de o astrônomo francês, embora M92 tivesse sido descoberto por Bode em 1779. Messier registrou a grande concentração de "nebulosas" na região da constelação de Virgem em uma anotação em sua cópia pessoal do catálogo, a primeira menção documentada do aglomerado de galáxias de Virgem. Todos objetos tiveram suas posições medidas com suficiente precisão para serem identificadas no aglomerado de Virgem, mas M91 é a única exceção, provavelmente devido a um erro na redução dos dados. Esse objeto ficou perdido até a sua identificação pelo astrônomo amador William C. Williams em 1969. Messier também descobriu o objeto Messier 93 e confirmou as descobertas de Méchain dos objetos Messier 94 a Messier 100 em 13 de Abril de 1781. Também adicionou uma nota ao objeto Messier 51 na cópia pessoal de seu catálogo em relação à nova descoberta de Méchain, um objeto vizinho àquela galáxia, catalogado hoje como NGC 5195, mas não lhe atribuiu um número de catálogo próprio. Além disso, esboçou um desenho contendo M51 e seu companheiro, um dos raros desenhos dele ainda preservado. A data limite de submeter mais
A galáxia Olho Negro (M64).
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trabalhos ao anuário Connaissance des Temps de 1784 estava se aproximando. Às pressas, três mais objetos observados por Méchain, Messier 101 a Messier 103, foram adicionados ao catálogo sem a validação de Messier, para que o catálogo ficasse pronto para a sua terceira e final edição de 1781. A versão final do catálogo tinha 35 novos objetos a mais do que a segunda edição. Destes, 22 objetos foram descobertos por Méchain. Messier também descobriu independentemente outros 12 objetos; o objeto Messier 83 é o único objeto redescoberto e catalogado anteriormente por outro astrônomo, nesse caso Nicolas Louis de Lacaille. Das descobertas de Méchain, 18 eram originais, uma tinha sido originalmente descoberto por Jean-Philippe de Chéseaux em 1745-46 (Messier 71) e outras duas tinham sido previamente descobertas por Bode em 1774 e por Köhler em 1777 (Messier 81 e Messier 82). Das treze descobertas de Messier, doze são originais e apenas Messier 92 tinha sido descoberto anteriormente por Bode em 1777. Como essa terceira edição do catálogo foi publicada apenas um ano depois da segunda edição, contém basicamente objetos de mesma magnitude aparente, pois a instrumentação não evoluiu muito em um curto intervalo de tempo. Os objetos de menor brilho são da décima magnitude: Messier 108 tem uma magnitude aparente de 10,0; Messier 76 e Messier 98 de magnitude 10,1; e Messier 91 de magnitude 10,2. Apenas quatro desses 35 novos objetos são observáveis a olho nu, sendo dois deles questionáveis.

Objetos 104 a 110

Logo após a publicação da terceira edição em 11 de
A galáxia do Cigarro (M82).
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Maio de 1781, Messier adicionou o objeto Messier 104 a sua cópia pessoal do catálogo, assim como as posições apuradas de Messier 102 e Messier 103, que não tinham sido conferidas antes da publicação. Pesquisando-se as notas do astrônomo francês, descobriu-se que ele havia mencionado os objetos Messier 108 e Messier 109, descobertos por Méchain, no catálogo, juntamente com Messier 97. Essas anotações indicam que Messier usou sua própria cópia do catálogo por vários anos e estava planejando publicar uma quarta versão revisada por volta de 1790. Outros três objetos foram adicionados à versão moderna do catálogo, que foram listados por Méchain em uma carta a Daniel Bernoulli, da Academia de Ciências de Berlim, conhecidos atualmente como os objetos Messier 105 a Messier 107. M105 é uma das descobertas de Méchain durante o empreendimento de observação de nebulosas de março de 1781; esta nebulosa foi esquecida e não foi incluída na versão final do catálogo. Messier 106 também foi descoberto por Méchain quatro meses mais tarde e Messier 107 foi descoberto em abril de 1782, tornando-se o último objeto do catálogo a ser descoberto. Na carta de Méchain a Bernoulli, são mencionados também os objetos M104, M108 e M109, e renuncia a descoberta de M102, embora a descrição e o posicionamento, após a reconstrução de um duplo erro na redução dos dados de posicionamento, levasse ao objeto NGC 5866. Messier também relata mais nebulosas no aglomerado de Virgem, mas não dá mais detalhes e esses objetos são considerados perdidos atualmente. De todos os 110 objetos no catálogo moderno de Messier, o próprio Messier descobriu independentemente 65 objetos, 44 dos quais são descobertas originais. Méchain descobriu independentemente 28 ou 29 objetos (dependendo da questão do objeto M102), sendo 24 ou 25 descobertas originais. 18 objetos incluídos no catálogo já tinham sido catalogados anteriormente e outros 23 já tinham sido observados por outros astrônomos.

Descontinuação de novas edições do catálogo

O trabalho de Messier na confecção do catálogo foi
A galáxia do Sombreiro (M104).
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suspenso e finalmente cessado devido a vários eventos. William Herschel descobriu um novo planeta, Urano, em 1781. Em 14 de Abril daquele ano, Messier recebeu a notícia da descoberta do planeta, um dia após sua última sessão de observação com o intuito de descobrir novas nebulosas para seu catálogo. Além disso, descobriu dois cometas naquele ano; a atividade de observação de cometas sempre teve privilégio à observação de nebulosas. Em Novembro daquele ano, Messier sofreu um grave acidente ao cair em uma gruta de gelo e foi forçado a interromper suas atividades por mais de um ano. Enquanto isso, Herschel começou a empreender uma busca por aglomerados e nebulosas a partir de 1783. Messier sabia que Herschel possuía instrumentos superiores e que não era capaz de competir. Por isso, focou seu trabalho em outros objetivos, deixando de lado uma possível ampliação de seu catálogo. Não se sabe se Messier viu os objetos M105 a M107, já que não há relatos preservados. Entretanto, é possível que soubesse da existência desses objetos, já que é provável que Méchain tivesse comunicado suas descobertas a ele, como de praxe. Além disso, as anotações de Méchain indicam que Messier pretendia publicar uma quarta edição em 1790, frustrado pela Revolução Francesa. Em 1798, Messier novamente planejou publicar uma nova edição do catálogo, incluindo novos objetos descobertos desde a publicação da terceira edição em 1781, embora nunca tenha sido concretizado tal projeto. Em 1785, 1790 e 1796, Messier mediu com precisão a posição das estrelas pertencentes ao aglomerado do Presépio e das Plêiades. Também em 1790, também mediu com precisão a posição da "Nebulosa" de Andrômeda e seu companheiro, Messier 32. Cinco anos mais tarde, confeccionou um elaborado desenho da galáxia e de seus satélites (M32 e M110). Este foi seu último trabalho apresentado à Académie des Sciences.

Objetos Messier

Cada entrada do catálogo caracteriza um objeto do céu profundo, visto por Messier como aglomerados estelares ou nebulosa, chamados comumente de "objetos Messier". Muitos objetos definidos como nebulosas por Messier são na verdade galáxias ou aglomerados estelares, o que evidencia a instrumentação do astrônomo francês não permitia, por exemplo, distinguir corretamente aglomerados globulares de nebulosas verdadeiras. Dos 110 objetos do catálogo, 40 são galáxias, 29 aglomerados globulares, 27 aglomerados abertos, 11 nebulosas, sendo 6 difusas, 4 planetárias e um remanescente de supernova, além de três outros objetos: Messier 24 é uma parte destacada de um dos braços da Via-Láctea, Messier 40 é uma estrela dupla e Messier 73 é um asterismo de quatro estrelas. A princípio criado para não mais confundir esses objetos nebulosos com cometas de brilho fraco e recém-descobertos, o catálogo atualmente serve como uma lista de referência para astrônomos amadores que querem observar os objetos mais interessantes do céu noturno. Algumas de suas entradas são os mais espetaculares objetos que podem ser vistos com telescópios amadores, como a galáxia de Andrômeda (M31), a nebulosa de Orion (M42) e a nebulosa do Anel (M57).
Segue-se uma tabela de alguns dos objetos Messier mais observados pela astronomia amadora:
 
Número Messier
Número NGC/IC
Nome comum
Imagem
Tipo do objeto
Distância em milhares de anos-luz
Constelação
Magnitude aparente
M1
NGC 1952
Nebulosa do Caranguejo
Remanescente de supernova
6,3
Touro
9,0
M8
NGC 6523
Nebulosa Laguna
Aglomerado com nebulosa
6,5
Sagitário
5,0
M27
NGC 6853
Nebulosa do Haltere
Nebulosa planetária
1,25
Raposa
7,5
M31
NGC 224
Galáxia de Andrômeda
Galáxia espiral
2500
Andrômeda
3,5
M42
NGC 1976
Nebulosa de Orion
Nebulosa (Região HII)
1,6
Orion
5,0
M45


Plêiades
Aglomerado aberto
0,4
Touro
1,4
M51
NGC 5194, NGC 5195
Galáxia do Rodamoinho
Galáxia espiral
37000
Cães de caça
8,0
M57
NGC 6720
Nebulosa do Anel
Nebulosa planetária
2,3
Lira
9,5
M83
NGC 5236
Galáxia Cata-vento do Sul
Galáxia espiral barrada
10000
Hidra
8,5
M104
NGC 4594
Galáxia do Sombreiro
Galáxia espiral
50000
Virgem
9,5
 


Astronomia amadora: maratonas Messier


Os objetos incluídos no catálogo Messier são de especial interesse para a astronomia amadora, primariamente pelo grande interesse e pela natureza dos objetos, mas também como um treinamento no uso de telescópios e da cartografia celeste. A principal atividade da astronomia amadora relacionada aos objetos Messier são as maratonas Messier, um evento organizado por diversas sociedades astronômicas de vários países com o intuito de encontrar a maior quantidade de objetos Messier possível durante uma única noite. Em geral, uma maratona Messier é possível apenas no Hemisfério Norte; Charles Messier compilou seu catálogo a partir do observatório do Hôtel de Cluny, Paris, e vários objetos, como M81, M82, M52 e M103, estão em uma declinação maior do que 60°, sendo impossível sua visualização em latitudes maiores do que 30° no Hemisfério Sul. Tais maratonas são realizadas durante a Lua Nova para o brilho lunar não atrapalhar as observações. Costumeiramente, são realizadas entre Março e Abril de cada ano, pois nessa época é possível visualizar todos os objetos Messier em uma única noite sem que o brilho do Sol atrapalhe. Essas "maratonas" podem ser desafiadoras, pois também dependem das condições meteorológicas e da experiência do observador em manusear o telescópio e de ler cartas celestes. Também há a desafiadora observação dos objetos que estão reunidos em aglomerados, como no aglomerado de Virgem e no centro galáctico na constelação de Sagitário.


Referências