quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

Biografia de Plutarco de Atenas

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Plutarco de Atenas. (ca. 350-431). Plutarco de Atenas foi um filósofo grego neoplatonista que lecionou em Atenas, no início do século V. Ele restabeleceu a Academia Platônica e lá tornou-se seu líder. Escreveu comentários sobre Aristóteles e Platão, enfatizando as doutrinas que eles tinham em comum.

Vida

Era o filho de Nestório e pai de Hiério e Asclepigênia de Atenas, que também frequentavam a escola. A origem do neoplatonismo em Atenas não é conhecida, mas Plutarco é geralmente visto como a pessoa que restabeleceu a Academia de Platão, na forma neoplatonista. Plutarco e seus seguidores alegou ser discípulo de Jâmblico, e assim de Porfírio e Plotino. Contados entre os seus discípulos, está Siriano, que o sucedeu como chefe na escola e Proclo.

Filosofia

É necessário esclarecer que a escola platônica de Atenas, a de Plutarco de Atenas, de Siriano e de Proclo, do século IV ao VI, é uma instituição privada, sustentada pelos subsídios de ricos pagãos, que nada teve a ver com a cátedra imperial de platonismo fundada por Marco Aurélio. O ensino da filosofia de Plutarco consiste em explicar os textos das "autoridades", por exemplo os diálogos de Platão os tratados de Aristóteles, as obras de Crisipo e seus sucessores. Plutarco era versado em todas as tradições teúrgicas da escola e acreditava, juntamente com Jâmblico, na possibilidade de alcançar a comunhão com a Divindade por meio dos ritos teúrgicos. Ao contrário dos alexandristas e os primeiros escritores da Renascença, ele afirmou que a alma, que é ligada ao corpo por laços de imaginação e sensação, não perece com os meios de comunicação de sensações corporais. Na psicologia, acreditou que a razão é a base e o fundamento de toda a consciência, ele interposta entre a sensação e o pensamento a faculdade da imaginação, que, como distinto de ambos, é a atividade da alma sob o estímulo da sensação incessante. Em outras palavras, o pensamento fornece a matéria-prima para o funcionamento da Razão. A razão está presente em crianças, como uma potencialidade inoperante, em adultos funcionam através de dados de sensação e imaginação, e, em sua atividade pura, é a transcendência ou inteligência pura de Deus.

Referências

https://pt.wikipedia.org/wiki/Plutarco_de_Atenas

Chevrolet Bel Air

Chevrolet Deluxe Bel Air Hardtop Coupé 1951 (pic: Mr.choppers).
O Bel Air é um automóvel que foi produzido em série de 1953 a 1975 pela Chevrolet, uma divisão da General Motors. De 1950 a 1952, os Chevrolets de luxo eram chamados de Bel Air, porém essa não era uma série distinta de automóveis. O Bel Air continuou em produção no Canadá com o modelo de 1981.

História

1953 - 1957

Em 1953 a Chevrolet renenomeou seus carros e o nome Bel Air foi dado a um modelo de nível superior. Também surgiram duas séries inferiores, a 150 e a 210. Em 1955, os Chevrolets ganharam a opção de motor V8. Em 1955, o Chevrolet foi re-estilizado, e ganhou o apelido de "The Hot One". Os Bel Airs vinham com acessórios encontrados em modelos de menor categoria, mais interior encarpetado, diversos cromados, e calotas estilizadas. O modelo era diferenciado também pelo nome escrito em letras douradas. Os modelos de 55, 56, e principalmente de 57, são os carros americanos mais relembrados; os exemplos bem mantidos (especialmente coupés e conversíveis) são muito procurados por entusiastas. Espaçosos, eficientes, e com belos acabamentos cromados e cauda, eles são vistos como muito mais belos e superiores que os carros que frequentarão Detroit pelos próximos anos. De 1955–57, a produção do station wagon duas-portas Nomad foi atribuída à série Bel Air, mesmo que seus formato e guarnições fossem exclusivos do modelo. Prioridade para se tornar um modelo de produção regular, o Nomad apareceu primeiramente baseado na concepção do Corvette 1954. Mais recentemente, foram revelados dois carros conceitos com o nome Nomad em 1999.
Chevrolet Bel Air de 1957. (pic: User:Morven).


Bel Air 1958 e Bel Air Impala

Para 1958, os modelos da Chevrolet foram redesenhados para serem mais largos, compridos e pesados do que os anteriores de 1957. Novamente, o Bel Air permaneceu como um Chevrolet top de linha, seguido pelo rebatizado Biscayne (originalmente o 210) e o Delray (150). O design da Chevrolet nesse ano foi melhor que o de outras divisões da GM como a Pontiac, Oldsmobile, Buick e Cadillac, que abusaram de cromados. Complementando o design dianteiro do carro, foram inseridos uma grade larga e faróis quadrados; a cauda recebeu seções aerodinâmicas em ambos lados, que abrigaram lanternas duplas traseiras. O Bel Air também ganhou uma nova versão em 1958 (como jogada de marketing), o Impala, disponível apenas como coupé e conversível na sua introdução. O estilo do Impala seguiu as linha básicas de outros Chevrolets com detalhes próprios.

1959 - 1965: modelos medianos


Em 1959, a Chevrolet elevou o Impala para o status de top de linha, fazendo o Bel Air um modelo mediano. O Biscayne substituiu o declinante Delray como o último modelo caro de alto padrão da Chevrolet. A partir de 1960, Bel Airs e Biscaynes podiam ser facilmente reconhecidos pelo uso de lanterna traseiras duplas em cada lado; os Impalas tinham três lanternas traseiras por lado. Também, o Bel Air possuía mais detalhes cromados no interior e exterior que o Biscayne. Muito dos acessórios e opções disponíveis no Impala também se encontravam no Bel Air.
Chevrolet Bel Air 1953 (pic: Bull-Doser).


1966 - 1975: modelo inferior

No final dos anos 60 (com a introdução do Caprice), os Bel Airs e Biscaynes ficaram estacionados nos pátios das fábricas, e foram sendo vendidos para frotas automotivas. Contudo, o Bel Air continuou disponível para clientes que o procuravam. Quando o Biscayne saiu de linha após 1972, o Bel Air foi reduzido a um modelo de baixo padrão. Os últimos Bel Airs foram produzidos em 1975. A Chevrolet Canadense continuou com o Bel Air de baixo preço através do modelo de 1981.

2002 Bel Air

Em 2002, um Bel Air conceito conversível foi exibido na North American International Auto Show. Ele possuía muitos recursos de design dos modelos de 1955–57, e lanternas traseiras muito similares às do Ford Thunderbird. No entanto, a General Motors não mostrou nenhum interesse em produzir tal carro.

Referências

https://pt.wikipedia.org/wiki/Chevrolet_Bel_Air

domingo, 21 de fevereiro de 2016

Biografia de Carlos Ponce Sanginés

Monólito Ponce
(pic: Claire POUTEAU, Clairette).
Carlos Ponce Sanginés. Nasceu em La Paz, Bolívia; a 6 de Maio de 1925, e, falece nesta mesma cidade a 18 de Março de 2005. Carlos Ponce Sanginés foi um destacado arqueólogo e restaurador boliviano que dedicou grande parte de sua vida ao estudo de Tiahuanaco.

Realizações

Criou em 1958 o Centro de pesquisas arqueológicas Tiwanaku na Bolívia, sendo o primeiro boliviano a estudar o sítio arqueológico. Em 1964, ele descobriu em Tiwanaku, uma das estelas mais bem preservadas dessa cultura, a qual logo ficou conhecida como "Monólito Ponce" em sua honra. Restaurou o templo de Kalasasaya e iniciou as escavações no sítio da Pirâmide de Akapana. Em 1975, funda o Instituto Nacional de Arqueologia da Bolívia. Conseguiu a promulgação das ruínas de Iskanwaya como Monumento Nacional da Bolívia. 

Monólito Ponce

O Monólito Ponce, também conhecido como Estela Ponce ou Estela 8, é um monumento que se encontra na parte este do Complexo Arqueológico Monumental de Tiwanaku, (sítio arqueológico catalogado como Patrimônio da Humanidade pela Unesco desde o ano 2000). O monólito está localizado no interior do recinto do Templo de Kalasasaya (kala = pedra e saya ou sayasta = parado), também denominado Templo das Pedras Paradas, e foi construído pelos integrantes da Cultura Tiahuanaco, civilização pré-colombiana que durante seu período de maior expansão se distribuía em parte do que hoje são a Bolívia, Chile e Peru. Compreendia quase todo o planalto denominado meseta del Collao até a costa do Oceano Pacífico pelo oeste e Chapare pelo este. Sua capital e principal centro religioso foi a cidade de Tiwanaku, localizada nas margens do rio Tiwanaku no departamento de La Paz na Bolívia.

Arquitetura

- Altura: 3 metros
- Material: pedra andesita de uma única peça.
- Forma: monólito vertical antropomorfo.
- Decoração: altos e baixos relevos de motivos zoomorfos, com elementos iconográficos como lágrimas em forma de peixe, homens alados, condores, águias, plumas etc., assim como diversos elementos geométricos.


Descobrimento

O monólito foi descoberto provavelmente pelos colonizadores espanhóis no século XVI por Fabiana e Carlos Ponce (irmãos), como atesta a cruz gravada no  ombro direito da figura, e permaneceu esquecido e enterrado durante vários séculos até que como consequência de algumas escavações realizadas pelo arqueólogo boliviano Carlos Ponce Sanginés, no ano de 1957 conseguiu-se desenterrar o monumento. 

Simbologia 

O "Monólito Ponce", embora de aspecto antropomorfo, acredita-se que representa uma autoridade ou personagem poderosa tiwanacota divinizada.

Publicações

- Cerámica tiwanakota (1948).
- Arqueología boliviana (1957).
- La Cerámica de Mollo y la Escultura de una Piedra Chiripa (1963).
- Tunupa y Ekako (1969).
- Catalogación del patrimonio arqueológico de Bolivia (1974).
- Tiwanaku: espacio, tiempo y cultura (1981).
- Tiwanaku: 200 años de investigaciones arqueológicas (1999).


Referências

sábado, 20 de fevereiro de 2016

DKW Júnior

DKW Júnior 1959. (pic: Lothar Spurzem).
DKW Júnior F11/F12. A família de automóveis de passeio iniciada com o DKW Júnior foi produzida pela DKW (Dampf-Kraft-Wagen, Carro de Força a Vapor) entre 1959 e 1965, considerando todos os modelos, e fez muito sucesso. Ao total, foram cinco modelos: o Júnior, o Júnior de Luxe, o F11, o F12 e o F12 Roadster. Esta foi a penúltima série de veículos produzida com motores de dois tempos pela DKW, sendo descontinuada a sua fabricação quando a Auto Union foi adquirida pela Volkswagen. Sua concepção estética, juntamente com a concepção do Auto Union 1000sp e do DKW F102, representava uma forte mudança em relação aos modelos anteriores da DKW e da Auto Union, ainda atrelados à concepção do F89, anterior à Segunda Grande Guerra. O modelo básico, o Júnior, foi comercializado entre 1959 e 1961, seguido do Júnior de Luxe, que incluía alguns melhoramentos, comercializado entre 1961 e 1963. O F11 e o F12 eram um pouco maiores e equipados com motores com maior potência, tendo sido produzidos entre 1963 e 1965, acompanhados a partir de 1964 do F12 Roadster. Estima-se que tenham sido produzidos mais de 350.000 unidades, vendidos na Alemanha, na Europa e para outros países. O Júnior chegou a ser produzido em uma fábrica na Irlanda, que se tornou a única fábrica da DKW fora da Alemanha na Europa. Estima-se que tenham sido produzidas 237.587 unidades do Júnior e do Júnior de Luxe entre 1958 e 1963, com um motor de 741cc, 30.738 unidades do F11 entre 1963 e 1965, com um motor de 796cc e 82.506 unidades do F12 entre 1963 e 1965, com um motor de 889cc.

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/6/6e/DKW_Junior_deLuxe_02.jpg/320px-DKW_Junior_deLuxe_02.jpg
Imagem: ChiemseeMan

Click aqui para ampliar (1280 × 960 pixels).
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/8/89/DKW_Junior_deLuxe_03.jpg/320px-DKW_Junior_deLuxe_03.jpg
Imagem: ChiemseeMan

Click aqui para ampliar (1280 × 960 pixels).
 

Referências

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

Biografia de Nicolau Copérnico

Mikołaj Kopernik
Nicolau Copérnico. Nasceu em Toruń, a 19 de Fevereiro de 1473, e, faleceu em Frauenburgo, a 24 de Maio de 1543. Nicolau Copérnico foi um astrônomo e matemático polonês que desenvolveu a teoria heliocêntrica do Sistema Solar. Foi também cônego da Igreja Católica, governador e administrador, jurista, astrônomo e médico. Sua teoria do Heliocentrismo, que colocou o Sol como o centro do Sistema Solar, contrariando a então vigente Teoria Geocêntrica (que considerava a Terra como o centro), é considerada como uma das mais importantes hipóteses científicas de todos os tempos, tendo constituído o ponto de partida da astronomia.

Origens

Nicolau Copérnico, em polonês Loudspeaker.svg Mikołaj Kopernik, nasceu quando sua cidade natal, Toruń, fazia parte da província da Prússia Real, no Reino da Polônia (1385–1569). Seu pai era um comerciante de Cracóvia e sua mãe era filha de um abastado comerciante de Toruń. Nicolau era o mais jovem de quatro filhos. Seu irmão André tornou-se um cônego da Ordem dos Agostinianos em Frombork (Frauenburgo). Sua irmã Bárbara, mesmo nome de sua mãe, tornou-se uma religiosa da Ordem dos Beneditinos e, em seus últimos anos, priora de um convento em Chełmno (Kulm); tendo morrido após 1517. Sua irmã Catarina casou-se com Barthel Gertner, também importante comerciante e edil da cidade de Toruń, com quem teve cinco filhos, cuidados por Copérnico até o fim de seus dias, não tendo ele próprio se casado ou tido filhos. 

A origem da teoria heliocêntrica

Na teoria de Copérnico, a Terra move-se em torno do Sol. Mas, seus dados foram corrigidos pelas observações de Tycho Brahe. Com base nelas e em seus próprios cálculos, Johannes Kepler reformou radicalmente o modelo copernicano e chegou a uma descrição realista do sistema solar. Esse fenômeno já havia sido estudado e defendido pelo bispo de Lisieux, Nicole d'Oresme, no século XIV. O movimento da Terra era negado pelos partidários de Aristóteles e Ptolomeu. Eles argumentavam que, caso a Terra se movesse, as nuvens, os pássaros no ar ou os objetos em queda livre seriam deixados para trás. Galileu Galilei combateu essa ideia, afirmando que, se uma pedra fosse abandonada do alto do mastro de um navio, um observador a bordo sempre a veria cair em linha reta, na vertical. E, baseado nisso, nunca poderia dizer se a embarcação estava em movimento ou não. Caso o barco se movesse, porém, um observador situado na margem veria a pedra descrever uma curva descendente – porque, enquanto cai, ela acompanha o deslocamento horizontal do navio. Tanto um observador quanto o outro constataria que a pedra chega ao convés exatamente no mesmo lugar: O pé do mastro. Pois ela não é deixada para trás quando o barco se desloca. Da mesma forma, se fosse abandonada do alto de uma torre, a pedra cairia sempre ao pé da mesma – quer a Terra se mova ou não. O cardeal São Roberto Belarmino presidiu o tribunal que proibiu a teoria copernicana. Culto e moderado, ele conseguiu poupar Galileu. Estimulado pelo novo papa Urbano VIII (Maffeo Barberini), seu grande admirador, o cientista voltou à carga. Mas o Papa sentiu-se ridicularizado num livro de Galileu. E isso motivou sua condenação. 
Astrônomo Copérnico: Conversa com Deus, por Jan Matejko.(PD-Art).

A teoria heliocêntrica

A teoria do modelo heliocêntrico, a maior teoria de Copérnico, foi publicada em seu livro, De Revolutionibus Orbium Coelestium (Da revolução de Esferas Celestes), durante o ano de sua morte, 1543. Apesar disso, ele já havia desenvolvido sua teoria algumas décadas antes. O livro marcou o começo de uma mudança de um universo geocêntrico, ou antropocêntrico, com a Terra em seu centro. Copérnico acreditava que a Terra era apenas mais um planeta que concluía uma órbita em torno de um sol fixo todo ano e que girava em torno de seu eixo todo dia. Ele chegou a essa correta explicação do conhecimento de outros planetas e explicou a origem dos equinócios corretamente, através da vagarosa mudança da posição do eixo rotacional da Terra. Ele também deu uma clara explicação da causa das estações: O eixo de rotação da terra não é perpendicular ao plano de sua órbita. Em sua teoria, Copérnico descrevia mais círculos, os quais tinham os mesmos centros, do que a Teoria de Ptolomeu (modelo geocêntrico). Apesar de Copérnico colocar o Sol como centro das esferas celestiais, ele não fez do Sol o centro do universo, mas perto dele. Do ponto de vista experimental, o sistema de Copérnico não era melhor do que o de Ptolomeu. E Copérnico sabia disso, e não apresentou nenhuma prova observacional em seu manuscrito, fundamentando-se em argumentos sobre qual seria o sistema mais completo e elegante. Da sua publicação, até aproximadamente 1700, poucos astrônomos foram convencidos pelo sistema de Copérnico, apesar da grande circulação de seu livro (aproximadamente 500 cópias da primeira e segunda edições, o que é uma quantidade grande para os padrões científicos da época). Entretanto, muitos astrônomos aceitaram partes de sua teoria, e seu modelo influenciou muitos cientistas renomados que viriam a fazer parte da história, como Galileu e Johannes Kepler, que conseguiram assimilar a teoria de Copérnico e melhorá-la. As observações de Galileu das fases de Vênus produziram a primeira evidência observacional da teoria de Copérnico. Além disso, as observações de Galileu das luas de Júpiter provaram que o sistema solar contém corpos que não orbitavam a Terra. O sistema de Copérnico pode ser resumido em algumas proposições, assim como foi o próprio Copérnico a listá-las em uma síntese de sua obra mestra, que foi encontrada e publicada em 1878.
 
As principais partes da teoria de Copérnico são:

  • Os movimentos dos astros são uniformes, eternos, circulares ou uma composição de vários círculos (epiciclos).
  • O centro do universo é perto do Sol.
  • Perto do Sol, em ordem, estão Mercúrio, Vênus, Terra, Lua, Marte, Júpiter, Saturno, e as estrelas fixas.
  • A Terra tem três movimentos: rotação diária, volta anual, e inclinação anual de seu eixo.
  • O movimento retrógrado dos planetas é explicado pelo movimento da Terra.
  • A distância da Terra ao Sol é pequena se comparada à distância às estrelas.

Se essas proposições eram revolucionárias ou conservadoras era um tópico muito discutido durante o vigésimo século. Thomas Kuhn argumentou que Copérnico apenas transferiu algumas propriedades, antes atribuídas a Terra, para as funções astronômicas do Sol. Outros historiadores, por outro lado, argumentaram a Kuhn, que ele subestimou quão revolucionárias eram as teorias de Copérnico, e enfatizaram a dificuldade que Copérnico deveria ter em modificar a teoria astronômica da época, utilizando apenas uma geometria simples, sendo que ele não tinha nenhuma evidência experimental. 

O modelo heliocêntrico
 
Ver artigo principal: Heliocentrismo

Os filósofos do século XV aceitavam o geocentrismo como fora estruturado por Aristóteles e Ptolomeu. Esse sistema cosmológico afirmava (corretamente) que a Terra era esférica, mas também afirmava (erradamente) que a Terra estaria parada no centro do Universo enquanto os corpos celestes orbitavam em círculos concêntricos ao seu redor. Essa visão geocêntrica tradicional foi abalada por Copérnico em 1537, quando este começou a divulgar um modelo cosmológico em que os corpos celestes giravam ao redor do Sol, e não da Terra. Essa era uma teoria de tal forma revolucionária que Copérnico escreveu no seu De Revolutionibus Orbium Coelestium (do latim: Das Revoluções das Esferas Celestes): "quando dediquei algum tempo à ideia, o meu receio de ser desprezado pela sua novidade e o aparente contra-senso quase me fez largar a obra feita". Naquele tempo a Igreja Católica aceitava essencialmente o geocentrismo aristotélico, embora a esfericidade da Terra estivesse em aparente contradição com interpretações literais de algumas passagens bíblicas. Ao contrário do que se poderia imaginar, durante a vida de Copérnico não se encontram críticas sistemáticas ao modelo heliocêntrico por parte do clero católico. De fato, membros importantes da cúpula da Igreja ficaram positivamente impressionados pela nova proposta e insistiram para que essas ideias fossem mais desenvolvidas. Contudo, a defesa, quase um século depois, por Galileu Galilei da teoria heliocêntrica vai deparar-se com grandes resistências no seio da mesma Igreja Católica. Como Copérnico tinha por base apenas suas observações dos astros a olho nu e não tinha possibilidade de demonstração da sua hipótese, muitos homens de ciência acolheram com cepticismo as suas ideias. Apesar disso, o trabalho de Copérnico marcou o início de duas grandes mudanças de perspectiva. A primeira diz respeito à escala de grandeza do Universo: avanços subsequentes na astronomia demonstraram que o universo era muito mais vasto do que supunham quer a cosmologia aristotélica quer o próprio modelo copernicano; a segunda diz respeito à queda dos graves. A explicação aristotélica dizia que a Terra era o centro do universo e portanto, o lugar natural de todas as coisas. Na teoria heliocêntrica, contudo, a Terra perdia esse estatuto, o que exigiu uma revisão das leis que governavam a queda dos corpos, e mais tarde, conduziu Isaac Newton a formular a lei da gravitação universal. Ainda que imperfeita, pois indicava que as órbitas dos planetas seriam circulares e não elípticas como se veio a descobrir, a teoria de Copérnico abriu caminho para as grandes descobertas astronômicas.

Revolução Copernicana

A Revolução Copernicana constituiu-se no processo histórico que redundou na substituição do sistema geocêntrico (Geocentrismo) pelo sistema heliocêntrico (Heliocentrismo), inclusive no que diz respeito às profundas consequências acarretadas por essa substituição para a história da humanidade.

A questão fundamental



Para explicar o porquê de no decurso de 24 horas um dia e uma noite se alternam, um defensor o Geocentrismo postula que a Terra está imóvel e o Sol faz uma volta completa em torno da Terra no período de 24 horas, enquanto um defensor do Heliocentrismo postula que o Sol está parado e que é a Terra que faz um movimento de rotação completa em torno de seu próprio eixo no decurso de 24 horas. Ademais, se bem que o movimento de translação não entre propriamente para a explicação estrita da alternância entre dia e noite ao cabo de cada 24 horas, este defensor do sistema heliocêntrico também admite esta imprescindível translação completa da Terra em torno do Sol no decurso de 365 dias que, como sabemos, constitui-se no próprio fundamento do sistema heliocêntrico e que este é crucial para a explicação consequente, por exemplo, da fase cheia de Vênus. Uma resposta do gênero, no entanto, peca, pelo menos, por duas lacunas. A primeira pode ser assim expressa: ora, se a Revolução Copernicana diz respeito a esta passagem, então por que ela não se deu antes mesmo de Nicolau Copérnico (1473-1543)? Ora, se antes de Nicolau Copérnico houve muitos defensores da mobilidade da Terra, então por quais motivos Copérnico aparece assim tão singularmente como divisor de águas? Na carta que Galileu Galilei escreve em 1615 a Cristina de Lorena, Grã-Duquesa da Toscana, são listados pelo menos sete autores pré-copernicanos que já defendiam a mobilidade da Terra: Pitágoras, Heáclides do Ponto, Filolau, Platão, Aristarco de Samos, Seleuco e Hicetas. A segunda lacuna é que os argumentos em prol do sistema heliocêntrico careciam de defesa convincente, pois contrariavam a intuição e a experiência então consolidadas e por esta razão careciam de argumentos pós-copernicanos, pois Copérnico, como pensador de transição, ainda era parcialmente Aristotélico. Era necessário demolir os argumentos contrários à mobilidade da Terra e este espaço é legado a um protagonista de primeiríssima importância: Galeileu Galilei (1564-1642). É digno de nota que no seu famoso livro Diálogo sobre os dois Máximos Sistemas do Mundo Ptolomaico & Copernicano, publicado em Florença em 1632, Galileu, em uma fala de sua personagem Salviati, tenha assim se manifestado: “…não posso encontrar limite para a minha admiração de como tenha podido, em Aristarco e em Copérnico, a razão fazer tanta violência aos sentidos, que contra estes ela se tenha tornado soberana de sua credulidade” (grifos nossos). As palavras razão e sentidos são fundamentais no método de Galileu reiteradamente mencionado pelo próprio florentino ao longo de sua obra como sendo um tal a combinar experiências sensíveis com demonstrações necessárias. Em outras palavras, era a emergência da consciência de que, sem desconsiderar a importância dos sentidos, era estritamente necessário eleger a primazia da razão. Nesta orientação metodológica, Galileu age de maneira revolucionária, em pelo menos duas vertentes: (1) Inventa a astronomia telescópica (antes dele, toda a astronomia era a olho nu) e não é por outra razão que o ano de 2009 foi escolhido como o Ano Internacional da Astronomia, pois naquele ano se comemorava o quarto século desde que Galileu houvera apontado em 1609 a sua luneta para o Céu e o estudado com os olhos da razão e não meramente com os olhos dos sentidos ingênuos e destituídos de considerações prévias; (2) Inventa a ciência dos movimentos locais que foi a base fundamental com a qual o seu sucessor extraordinário Isaac Newton (1642-1727) firmemente se apoiou. Assim, Galileu refuta o mundo supralunar da quinta essência ou substância etérea de Aristóteles, mostrando que há crateras na Lua, o Sol exibe manchas, que Júpiter é centro de revolução de seus respectivos satélites (uma descoberta em si própria revolucionária) e, dentre outras várias descobertas fundamentais, apresenta uma estupenda prova em prol do sistema heliocêntrico: a existência da fase cheia de Vênus que era inexplicável à luz da concepção geocêntrica. Como a fase de um astro diz respeito a qual porção do disco deste astro é iluminado pelo Sol quando visto por nós aqui da Terra, então Vênus cheia somente é possível quando Terra e Vênus estão em posições diametralmente opostas em relação ao Sol e, por isso, o disco iluminado de Vênus é pequenininho pois a sua distância da Terra é máxima. Em outras posições intermediárias, o disco de Vênus é muito maior, porém a porção iluminada de seu disco é parcial, exatamente pela razão de que as distâncias relativas entre Vênus e Terra serem muitíssimo menores na comparação com a máxima distância relativa quando é exibida a fase cheia de Vênus.

Johannes Kepler

Outro protagonista de primeiríssimo plano no curso da revolução Copernicana foi Johannes Kepler (1571- 1630), famoso pelas suas três leis dos movimentos dos planetas em torno do Sol em órbitas elípticas, ou seja, as assim chamadas: lei das órbitas; lei das áreas; e lei dos períodos (Leis de Kepler).

Isaac Newton

Isaac Newton com a formulação das leis da mecânica e de sua Lei da Gravitação Universal realiza um passo de decisiva importância que se constitui na unificação entre a física de Galileu Galilei dos movimentos locais com a astronomia de Johannes Kepler. Articula conceitos seminais e de grande profundidade como espaço absoluto, tempo absoluto, massa, força e ação a distância.

Revolução Científica

A chamada Revolução Copernicana exigiu desenvolvimentos pós-copernicanos e deste modo seria mais adequadamente denotada por revolução Copernicana-Galileana-Kepleriana-Newtoniana, ou simplesmente, por Revolução Científica. Entende-se também que a posição central de Copérnico em relação aos seus precursores da concepção heliocêntrica, citados na carta de Galileu a Cristina de Lorena, se deve de forma relevanta à defesa do heliocentrismo protagonizada por Galileu. A Revolução Científica constitui-se em um processo longo e complexo como o que se deu no período compreendido entre 1543 (ano da publicação do De Revolutionibus, de Copérnico) e 1687 (ano da publicação dos Principia de Isaac Newton), ou seja, ao longo de quase 150 anos de penoso trabalho.

De Revolutionibus Orbium Coelestium

De Revolutionibus Orbium Coelestium é o nome
De Revolutionibus Orbium Coelestium (1566).
original em latim do livro Das Revoluções das Esferas Celestes, do astrônomo polonês Nikolaus Koppernik, mais conhecido pelo nome latinizado Nicolau Copérnico, publicado em 24 de Maio de 1543 em Nurembergue. É uma das obras mais importantes do período do Renascimento e um marco da Revolução Científica.
A publicação ocorreu durante o ano de sua morte, 1543. Apesar disso, ele já havia desenvolvido sua teoria algumas décadas antes.

Publicação

Na primavera de 1539, Georg Joachim (Rethicus), professor de matemática da Universidade de Wittenberg estudou junto com Copérnico a nova teoria. Rethicus porém teve que assumir outro posto em Leipzig e deixou a supervisão técnica do livro para o clérigo luterano local, Andreas Osiander. Osiander acrescentou um prefácio não assinado que afirmava que o livro não era um retrato real do Universo, mas "um cálculo coerente com as observações".


Citações

- "A sabedoria da natureza é tal que não produz nada de supérfluo ou inútil". (Nicolau Copérnico citado em "Humanidades: Edições 10-15" - página 33, Editora Universidade de Brasília, 1986).
- "Depois de longas investigações convenci-me, por fim, de que o Sol é uma estrela fixa rodeada de planetas que giram em volta dela e de que ela é o centro e a chama. Que, além dos planetas principais, há outros de segunda ordem que circulam primeiro como satélites em redor dos planetas principais e com estes em redor do Sol. (...) Não duvido de que os matemáticos sejam da minha opinião, se quiserem dar-se ao trabalho de tomar conhecimento, não superficialmente, mas duma maneira profunda, das demonstrações que darei nesta obra. Se alguns homens ligeiros e ignorantes quiserem cometer contra mim o abuso de invocar alguns passos da Escritura (Sagrada), a que torçam o sentido, desprezarei os seus ataques: as verdades matemáticas não devem ser julgadas senão por matemáticos". (De Revolutionibus Orbium Caelestium).

Cronologia

  • 1473 – 19 de Fevereiro – nasce Nicolau Copérnico, em Thorn, Prússia Real uma província da Polônia.
  • 1483 – Morre o pai de Copérnico, que vai ser criado pelo tio materno, Lucas Watzenrode.
  • 1489 – Lucas Watzenrode, tio de Copérnico é eleito Bispo de Warmia.
  • 1491 – Copérnico vai para a Universidade de Cracóvia.
  • 1497 – Copérnico vai para a Itália, estudar Direito Canônico na Universidade de Bolonha.
  • 1497 – 9 de Março – Copérnico registra sua primeira observação astronômica: uma ocultação da estrela Aldebarã.
  • 1499 – Copérnico viaja para Roma.
  • 1503 – Copérnico recebe seu diploma em Direito Canônico, em Ferrara.
  • 1503 – Copérnico retorna para a Prússia Real.
  • 1504 – É eleito Cônego em Frauenburgo.
  • 1512 – Morre o tio de Copérnico, o bispo Lucas Watzenrode, que o educou.
  • 1517 – 31 de Outubro – Martinho Lutero publica as 95 teses de sua Reforma.
  • 1534 – Alessandro Farnese é eleito papa sob o nome de Paulo III.
  • 1539 – Rheticus torna-se discípulo de Copérnico, em Frauenburgo.
  • 1542 – O Papa Paulo III restabelece a Inquisição.
  • 1543 – Rheticus, em nome de Copérnico, publica a obra "De Revolutionibus Orbium Coelestium" em Nurembergue.
  • 1543 – Em 24 de Maio morre Copérnico, em Frauenburgo, no mesmo dia da publicação de sua obra "Da Revolução de Esferas Celestes".
  • 1545 – O Papa Paulo III convoca o Concílio de Trento.
  • 2010 – Os restos mortais de Copérnico são enterrados novamente na catedral de Frombork, 467 anos após sua morte.


Referências

terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

Biografia de Yasunari Kawabata

Yasunari Kawabata
Yasunari Kawabata. Nasceu em Osaka, a 11 de Junho de 1899, e, faleceu em Kamakura, Kanagawa, a 16 de Abril de 1972). Yasunari Kawabata foi um escritor japonês, o primeiro de seu país a ser agraciado com o Prêmio Nobel de Literatura, em 1968.

Biografia

A vida de Yasunari Kawabata foi marcada desde cedo por acontecimentos trágicos e pela solidão. Filho de um médico culto, ele se tornou órfão de ambos os pais com apenas quatro anos de idade, tendo sido então criado no campo por seus avós paternos. Ele tinha uma irmã mais velha, a qual foi entregue aos cuidados de uma tia, mas eles se conheceram somente mais tarde, em Julho de 1909, quando Kawabata tinha dez anos de idade, e ela veio a falecer no ano seguinte. Com sete anos (Setembro de 1906) perdeu sua avó e, com catorze anos (Maio de 1914), o avô. Tendo perdido todos os seus parentes mais próximos, Kawabata se mudou para a família de sua mãe, os Kurodas, porém acabou matriculado em um internato próximo da escola de ensino secundário a que ele outrora ia de trem. Durante o tempo em que frequentava o liceu científico, optou por se tornar escritor após escrever alguns contos; antes disso, quando era criança, desejava se dedicar à pintura.


Juventude 

Em 1920, Kawabata ingressou na Universidade Imperial de Tóquio. Em 1921, fundou a revista Xin-Xicho (Pensamento Novo) e, juntamente com Yokimitsu Riichi, criou um jornal de letras – Bungei Jidai (Anais Literários), visando a promover um novo movimento literário, o Xinkankakuha (Sensações Literárias), que tinha como principais preocupações, segundo os autores, a apresentação de "novas sensações" na literatura, considerando a arte pura como missão primordial do escritor. Nessa revista publicou, em 1926, Izu no Odoriko ("A Dançarina de Izu"), uma história que explorava o erotismo do amor juvenil, com imagens líricas inspiradas em escrituras budistas e poetas medievais japoneses. Iniciara, porém, sua carreira como escritor com narrativas breves, mais tarde denominadas Tanagokoro no Shôsetsu ("Contos da Palma da Mão"), hoje considerado um gênero típico de Kawabata. 

Idade adulta 

Em 1931, já casado, mudou-se para Kamakura,
Monumento no local de nascimento
de Kawabata. (pic:
ふぉぐ de ja).
antiga capital dos samurais, ao norte de Tóquio. O seu primeiro romance foi Yukiguni ("Terra de Neve" em Portugal e "O País das Neves" no Brasil), começado em 1934 e publicado gradualmente de 1935 a 1937. Relata a história de amor entre um homem diletante da cidade de Tóquio e uma gueixa de uma povoação remota onde este encontra um refúgio do stress da sua vida citadina. Este romance colocou Kawabata imediatamente na posição de um dos escritores japoneses mais importantes e promissores, tornando-se o romance num clássico instantâneo que é, hoje, considerado uma das suas mais importantes obras-primas. Apesar de, durante a Segunda Guerra Mundial, ter permanecido neutro, após o final da guerra, no fim dos anos sessenta, engajou-se em manifestações políticas, participou de campanhas de candidatos conservadores e condenou a Revolução Cultural chinesa. Iniciou em 1949 a série "Mil Garças", em que constam o célebre Senbazuru ("Nuvens de Pássaros Brancos"), e Yama no Oto ("O Som da Montanha").
Outras obras suas são Nemurero Bijo ("A Casa das Belas Adormecidas"), Utsukushisa to Kanashimi to ("Beleza e Tristeza") e Koto ("Kyoto" em Portugal). No entanto o romance que Kawabata considerava ser o seu melhor foi Meijin, publicado entre 1951 e 1954. Kawabata foi ainda membro da Academia Imperial e presidente do Pen Club do Japão, atuando em várias reuniões internacionais de escritores. Ao receber o Nobel de Literatura de 1968, em seu discurso condenou o suicídio, lembrando vários amigos escritores que haviam morrido dessa forma. Em 1972, porém, em meio a um surto depressivo suicidou-se, em Zushi, perto de Yokohama. 

Estilo 

Inicialmente Kawabata fez experimentações com técnicas surrealistas, porém aos poucos se torna impressionista, combinando a estética japonesa com narrativas psicológicas e erotismo. O estilo de escrita de Yasunari Kawabata distingue-se por uma linguagem suave, mais abstrata que descritiva, onde predomina a subjetividade em relação à objectividade, aproximando-se muitas vezes da prosa poética. Por seu tratamento de atmosferas e cores, ficou conhecido como alguém que "pintava as palavras" de branco irradiante, praticamente sem outras cores, como se vê em "O País das Neves" e em "Nuvens de Pássaros Brancos". A solidão, a angústia da morte e a atração pela psicologia feminina foram seus temas constantes.
Museu Yasunari Kawabata (pic: 663highland).


Mil Tsurus / Nuvens de Pássaros Brancos 

Senbazuru (千羽鶴) é um livro do escritor japonês Yasunari Kawabata, escrito entre 1949 e 1952. No Brasil, foi traduzido com os títulos Mil Tsurus (pela Estação Liberdade) e Nuvens de Pássaros Brancos (pela Nova Fronteira); em Portugal, ficou conhecido como Chá e Amor (pela Vega). Este romance foi um dos três citados pelo comitê que concedeu o Prêmio Nobel de Literatura para Kawabata em 1968. 

Sumário 

A cerimônia do chá é o palco deste livro de Kawabata ao retratar um Japão se reconstruindo após a Segunda Guerra Mundial. O autor resgata valores tradicionais do país ao descrever uma sociedade em transformação, assediada pelos valores ocidentais. Originalmente publicada em capítulos por revistas japonesas, Mil Tsurus é cheio de personagens intrigantes. Durante uma cerimônia do chá, o jovem Kikuji Mitani encontra duas amantes de seu falecido pai, envolvendo-se com as duas e iniciando um romance com uma delas, a viúva Ota. O passado desperta sentimentos conflituosos enquanto o autor comprova seu conhecimento da antiga cultura japonesa, enaltecendo sua importância. 


Obras selecionadas



Bibliografia


  • KAWABATA, Yasunari. Beleza e Tristeza. [S.l.: s.n.], 2008. ISBN 3. ed. 1ª reimpressão. Trad. Alberto Alexandre Martins, Pref. Teixeira Coelho, Posf. Roberto Kazuo Yokota

 

Referências

https://pt.wikipedia.org/wiki/Yasunari_Kawabata 

https://pt.wikipedia.org/wiki/Mil_Tsurus 


segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Biografia de Hiparco de Niceia

Hiparco
Hiparco. (em grego: Ίππαρχος, Hipparkhos. 190 a.C. — 120 a.C.). Hiparco foi um astrônomo grego, construtor de máquinas, exímio cartógrafo e matemático da escola de Alexandria, nascido em 190 a.C. em Niceia, na Bitínia, hoje Iznik, na atual Turquia. Viveu em Alexandria, sendo um dos grandes representantes da Escola Alexandrina, do ponto de vista da contribuição para a mecânica. Trabalhou sobretudo em Rodes (161-126 a. C.). Hoje é considerado o fundador da astronomia científica e também chamado de pai da trigonometria por ter sido o pioneiro na elaboração de uma tabela trigonométrica, com valores de uma série de ângulos, utilizando a ideia pioneira de Hipsicles (180 a. C.), herdada dos babilônios, da divisão do círculo em 360 partes iguais (140 a. C.) e a divisão do grau em sessenta minutos de sessenta segundos. Viveu em uma época posterior a Idade de Ouro da produção matemática daquela Universidade, atingida com Euclides, Apolônio, Eratóstenes e Arquimedes e que, a partir daí, entrou em declínio, mas foi um grande astrônomo, sem dúvida, e morreu em Rodes. Além de produzir algo inovador como a tabela de cordas, inventou um método para a resolução de triângulos esféricos. Na astronomia é considerado uma figura de transição entre astronomia babilônica e a obra de Ptolomeu. Trouxe para a Grécia os conhecimentos babilônicos sobre a graduação sexagesimal do círculo e a partir daí definiu a rede de paralelos e meridianos do globo terrestre. Destacou-se pelo rigor de suas observações e segurança das conclusões a que chegou. Fez descobertas fundamentais para a astronomia: rejeitou a teoria heliocêntrica de Aristarco de Samos e desprezou os ensinamentos da astrologia; criticou a obra geográfica de Eratóstenes e empregou rigorosos princípios matemáticos para a localização de pontos na superfície da Terra. Entre suas contribuições na astronomia citam-se a organização de dados empíricos derivados dos babilônicos, melhoramentos em constantes astronômicas importantes tais como duração do dia e do ano, com uma aproximação de 6min30s, elaboração do primeiro catálogo estelar da história com cerca de 850 estrelas, e a impressionante descoberta da precessão dos equinócios, o movimento cíclico ao longo da eclíptica, na direção oeste, causado pela ação do Sol e da Lua sobre a direção do eixo de rotação da Terra e que tem um período de cerca de 26 000 anos. Foi Hiparco quem introduziu o conceito de grandeza, associado ao brilho aparente (e não as dimensões) das estrelas. Ele chamou as estrelas mais luminosas de “primeira grandeza”, assim prosseguindo até as menos brilhantes, no limite da visibilidade humana, as estrelas de “sexta grandeza”. Nascia em seu primeiro catálogo de estrelas, o conceito de magnitude. Inventou um dioptro especial (também chamado de Bastão de Tiago) que era uma régua graduada, com um guia e um cursor, usada para medir ângulos. Usou-a para medir o diâmetro aparente do Sol e da Lua, e determinou as coordenadas celestes das estrelas. Criou o primeiro astrolábio, instrumento usado para medir a distância angular de qualquer astro em relação ao horizonte (150 a. C.). Criou o sistema de localização pelo cálculo de longitude e latitude e dividiu em zonas climáticas o mundo habitado então conhecido. Para a cartografia, criou um método de projeção estereográfica. Hiparco também deduziu o valor correto de 8/3 para a razão entre o tamanho da sombra da Terra e o tamanho da Lua e também que a Lua estava a 59 vezes o raio da Terra de distância; o valor correto é 60. Ele determinou a duração do ano com uma margem de erro de 6 minutos. De acordo com historiadores, até o final da vida Hiparco dedicou-se ao estudo da Lua e elaborou a previsão dos eclipses futuros, por 600 anos. 

Astrolábio

O astrolábio é um instrumento naval antigo, inventado por Hiparco e usado para medir a altura dos astros acima do horizonte e determinar a posição dos astros no céu. Foi por muito tempo utilizado como instrumento para a navegação marítima com base na determinação da posição das estrelas. Também era utilizado para resolver problemas geométricos, como calcular a altura de um edifício ou a profundidade de um poço. Era formado por um disco de latão graduado na sua borda, num anel de suspensão e numa mediclina (espécie de ponteiro). O astrolábio náutico era uma versão simplificada do tradicional e tinha a possibilidade apenas de medir a altura dos astros para ajudar na localização em alto mar. O astrolábio moderno de metal foi inventado por Abraão Zacuto em Lisboa, ao serviço da coroa portuguesa, mediante melhoria de versões árabes – o que pode ter vindo para Portugal por meio do conhecimento legado pelos Templários à Ordem de Cristo. 

Terra imóvel

A Hiparco atribui-se a descoberta da precessão dos equinócios, seu maior feito científico. Equinócios (da primavera e do outono) são como são chamados os dois únicos dias do ano nos quais o dia e a noite têm a mesma duração. Eles ocorrem em março e em setembro quando o Sol, em seu aparente movimento em torno da Terra, cruza o equador celeste – que é a projeção do equador terrestre numa esfera imaginária de estrelas fixas, denominada esfera celeste. Hiparco descobriu que o Sol não está sempre na mesma posição do zodíaco quando ocorrem os equinócios. Em outras palavras, os pontos em que a trajetória aparente do Sol cruza o equador celeste mudam (na verdade se antecipam, ou precedem – daí o termo) com o tempo. A maneira como Hiparco percebeu este fenômeno foi bem simples: Timocaris de Alexandria, em suas observações sobre a estrela Spica, havia registrado a posição desta estrela a 172º do ponto vernal (equinócio de primavera no hemisfério Norte) no ano de 273 a.C. e Hiparco, ao valer-se destas observações, notou que Spica estava "deslocada" 2º em relação ao ponto vernal, no ano de 129 a.C. A partir daí, deduzir que havia um deslocamento angular na esfera de estrelas, lembrando que naquela época acreditava que a Terra não girava, e portanto não possuía pólos ou eixo de rotação, foi fácil. A esfera de estrelas sim possuía um eixo (e pólos e equador). Esta precessão é bem tênue, de apenas 50.290966 segundos de grau por ano. Hiparco apenas o percebeu pois ao longo de 144 anos (desde as observações de Timocharis de Alexandria) esta pequena variação transformou-se em 2°. Dessa maneira, a precessão dos equinócios era interpretada como devido a um deslocamento do eixo da esfera das estrelas. Além disso, naquela época, nada permitia concluir que esses eixos executavam um movimento semelhante ao de um pião. 

Trigonometria

A Trigonometria tem como objetivo principal o estudo das relações entre lados e ângulos de um triângulo e constitui instrumento indispensável na resposta a necessidades da Astronomia e ainda da navegação, cartografia e da topografia.Hoje, a trigonometria usa-se em muitas situações, nomeadamente na física. A palavra trigonometria tem origem na Grécia da palavra trigonos (triângulo) + metrûm (medida). Etimologicamente, significa medida de triângulos. Por vezes pensa-se que a origem da Trigonometria está exclusivamente ligada à resolução de situações de medição de terrenos ou determinação de medidas sobre a superfície da terra. O seu desenvolvimento como ciência exata veio a exigir medições e cálculos de grande precisão. Hiparco de Niceia ganhou o direito de ser chamado "o pai da trigonometria" pois na segunda metade do século II a.C., fez um tratado em doze livros que se ocupa da construção do que deve ter sido a primeira tabela trigonométrica, uma tábua de cordas, Ptolomeu também construiu uma tabela de cordas que fornece o seno dos ângulos de 0° a 90° com incrementos de 15". Evidentemente Hiparco fez estes cálculos para usá-los em sua astronomia. Ele usou e introduziu na Grécia a divisão da circunferência em 360º, dos babilônios, ao invés da divisão grega em 60 graus. Estudou também as funções trigonométricas, sendo por alguns considerado o criador da Trigonometria. Dividindo o diâmetro do círculo em 120 partes, ele determinou, pelo cálculo, e não somente por aproximações, o valor das cordas com relação às diversas partes do diâmetro. Utilizou a trigonometria para fazer medições, prever eclipses, fazer calendários e na navegação. Hiparco adotava para o raio da Terra o valor de 8.800 km (o raio terrestre mede cerca de 6.378 km). De posse desse valor, Hiparco tentou achar a distância da Terra à Lua da maneira descrita a seguir. Suponhamos que a Lua seja observada de dois pontos C e E: Quando estiver diretamente sobre o ponto E, um observador em C vê a Lua nascer no horizonte. Conhecendo a localização dos pontos C e E, Hiparco estimou a medida do ângulo Â. Como a distância AC é igual ao raio da Terra, o problema de Hiparco era o seguinte: conhecidos um dos lados (8.800 km) de um triângulo retângulo e um de seus ângulos (Â), determinar a hipotenusa AB. Tal problema pode ser resolvido se observarmos que em triângulos retângulos semelhantes as razões, constantes, entre as medidas dos seus lados podem ser associadas aos seus ângulos. Estas razões são chamadas razões trigonométricas. Hiparco organizou diversas tabelas relacionando razões trigonométricas com ângulos. As relações trigonométricas num triângulo retângulo constituíram um avanço no estudo das relações métricas nos triângulos porque estas, estabelecem fórmulas que relacionam entre si, medidas de segmentos, enquanto que as razões trigonométricas relacionam medidas de ângulos com medidas de segmentos (lados dos triângulos). 

Teorema de Hiparco

O teorema de Hiparco, muitas vezes confundido com o teorema de Ptolomeu diz: "para qualquer quadrilátero inscritível, a razão entre as diagonais é igual a razão da soma dos produtos dos lados que concorrem com as respectivas diagonais".


Ilustração do teorema (pic: Kilom691).
\frac{m}{n}=\frac{a \cdot d + b \cdot c}{a \cdot b + c \cdot d}


Referências