quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

Biografia de Bjørnstjerne Bjørnson

Bjørnstjerne Bjørnson
Bjørnstjerne Martinus Bjørnson. Nasceu em Kvikne, a 8 de Dezembro de 1832, e, faleceu em Paris, a 26 de Abril de 1910. Bjørnstjerne Bjørnson foi um escritor norueguês. Recebeu o Nobel de Literatura de 1903. Bjørnson é considerado como um dos Quatro Grandes Escritores da Noruega; os outros são Henrik Ibsen, Jonas Lie, e Alexander Kielland.

Biografia

Infância

Bjørnstjerne Bjørnson nasceu em Kvikne, na Noruega, em 8 de Dezembro de 1832. Já durante a sua infância, mostrava qualidades de liderança e um dom para enfeitiçar os seus colegas, com a sua imaginação narrativa. Inspirado pela revolução de Fevereiro de 1848, abandonou as regras das autoridades escolares da sua escola secundária, leu de forma independente e entrou para a Universidade de Oslo em 1852.

Início da carreira

Mergulhou numa vida ligada à política, ao teatro e à literatura, com uma turbulência característica, encontrando rapidamente a sua missão na promoção de uma cultura norueguesa verdadeiramente nativa. Em 1854, já se tornara uma figura reconhecida pelas suas críticas sobre o teatro, que conduziram de forma natural a uma campanha pela substituição do teatro dinamarquês de Oslo por um palco verdadeiramente norueguês. O seu primeiro romance, Synnøve Solbakken, de 1857, um conto sobre a vida campestre, tornou-se um dos pontos de viragem da literatura norueguesa. Durante os anos seguintes, até 1873, alternou entre a escrita de histórias da vida rural contemporânea e a escrita de peças desenroladas na Noruega ancestral, com a excepção de uma peça sobre Maria Stuart, de 1864. A maior parte dos protagonistas das obras de Bjørnson têm personalidades fortes e rebeldes como a sua, tendo que lutar consigo mesmas para controlarem a sua truculência natural.

Nacionalismo

Bjørnson não se cingiu ao trabalho literário: publicou uma revista, dirigiu um teatro e fez discursos políticos a favor do movimento liberal-nacionalista que ia ganhando força. Um resultado importante desta atividade foi a composição do hino nacional da Noruega, Ja, vi elsker dette Landet ("Sim, amamos este país"), em 1859. Outra consequência foi a formação do partido liberal, na década de 1860. Sentia-se o herdeiro de Henrik Wergeland, cujos ideais nacionais procurou integrar na vida norueguesa.

Crítica social

Após um período de expressão lírica, Bjørnson viajou para o sul da Europa, para ganhar novos impulsos para a sua escrita. Viajou durante dois anos, sobretudo pela Itália e pelo Tirol. Ao regressar, escrevera já duas peças, ambas publicadas em 1875: En Fallit ("Uma Falência") e Redaktøren ("O Editor"). Foram as primeiras peças de teatro a lidar com os problemas sociais da Escandinávia, abrindo o caminho para os canhões da crítica social. Seguiram-se outras peças e outros romances tratando as questões sociais de então, muitos hoje esquecidos, outros ainda muito vivos, dada a forma repleta de sentimento que Bjørnson lhes conferiu. Entre estes, contavam-se Det flager i byen og på havnen (1884), tratando de problemas relacionados com a educação sexual, På guds veie (1889), sobre o conflito entre ciência e religião.

Crítica religiosa

O próprio Bjørnson abraçava uma religião positivista e evolucionária, na qual não havia lugar para o Jeová do luteranismo, levantando grandes controvérsias com os seus ataques públicos à igreja do estado. Alguma desta controvérsia surge também nas suas peças, das quais se destaca Over ævne I (1883), uma peça poderosa destinada a mostrar os efeitos pouco saudáveis do supernaturalismo.

Últimos anos

Recebeu o Nobel de Literatura de 1903. Quando faleceu em Paris, em 26 de Abril de 1910, o seu corpo regressou à Noruega, num navio de guerra norueguês. Foi sepultado em Oslo. Bjørnson é lembrado sobretudo como uma personagem de grande dimensão e de uma vitalidade irreprimível, um crente não somente na cultura nacional norueguesa, mas também na paz e na justiça internacionais, que fez a sua voz ser ouvida por toda a Europa, a favor das minorias oprimidas, trabalhando ardentemente para a compreensão internacional.

Ja, vi elsker dette landet (Hino Nacional da Noruega)

Ja, vi elsker dette landet (em português: Sim, nós
Placa da casa Wernerholm em Bergen, em
memória de Bjørnson, com letra do hino.
(pic: Frode H. Korneliussen). (ampliar imagem).
amamos este país) é o hino nacional da Noruega. A melodia foi composta por Rikard Nordraak em 1864, e a letra foi escrita por Bjørnstjerne Bjørnson em 1870.

Letra

1
Sim, nós amamos este país,
À medida que se levanta,
Enrugado, desgastado pelo tempo, sobre o mar,
Com os milhares de lares.
Ama, ama-o e pensa
Nos nossos pais e mães
E na odisseia noturna que envia
Sonhos para a nossa terra.

2
Este país Haroldo uniu
Com o seu exército de heróis,
Este país Haakon protegeu
Ao mesmo tempo Øyvind cantou;
sobre o país Olavo pintou
Com o seu sangue a cruz,
Da sua alteza Sverre opôs-se
Contra Roma.

3
Os agricultores os seus machados afiaram
Onde quer que um exército fosse,
Tordenskjold pela costa lutou;
Para que pudéssemos regressar a casa.
Até as mulheres ergueram-se e lutaram
Como se fossem homens;
Outros apenas choravam,
Mas isso cedo acabou!

4
Claro, não éramos muitos
Mas éramos os suficientes,
Quando algumas vezes passamos por provações,
E tudo estava em jogo;
Antes preferiríamos queimar a nossa terra
Que nos darmos por vencidos;
Lembremo-nos apenas do que aconteceu
Lá em baixo, em Fredrikshald!

5
Os tempos difíceis com os quais lidamos,
Foram por fim rejeitados;
Mas na pior das situações, de olhos azuis
A liberdade nasceu para nós.
Deu(-nos) a força dos nossos pais para suportar
A fome e a guerra,
Deu à própria morte a sua honra -
E deu reconciliação.

6
O inimigo deitou fora a sua arma,
Olhou por cima da viseira,
Surpreendidos, junto dele aproximamo-nos,
Porque ele era nosso irmão.
Impelidos até à condição de vergonha
Fomos para o sul;
Agora nós, três irmãos, unidos permanecemos,
E assim deveremos permanecer!

7
Homens noruegueses nas casas e no campo,
Agradeçam ao vosso grande Deus!
O país quis Ele proteger,
Ainda que as coisas parecessem negras.
Todas as batalhas em que os nossos pais lutaram,
E as nossas mães choraram,
O Senhor silenciosamente se moveu
Para que ganhássemos os nossos direitos.

8
Sim, nós amamos este país,
À medida que se levanta,
Enrugado, desgastado pelo tempo, sobre o mar,
Com os milhares de lares.
E à medida que a luta dos nossos pais levantou
O país da necessidade de vitória,
Até mesmo, nós, quando nos é exigido,
Pela sua paz acamparemos.

Obras

- Synnøve Solbakken (1857).
- Mellem Slagene (1857).
- Halte-Hulda (1858).
- Arne (1859).
- En glad gutt (1860).
- Smaastykker (1860).
- Kong Sverre (1861).
- Sigurd Slembe (1862).
- Maria Stuart i Skottland (1864).
- De Nygifte (1865).
- Fiskerjenten (1868).
- Digte og Sange (1870).
- Arnljot Gelline (1870).
- Fortællinger I-II (1872).
- Brude-Slaatten (1872).
- Sigurd Jorsalfar (1872).
- Kong Eystejn (1873).
- En Fallit (1875).
- Redaktøren (1875).
- Magnhild (1877).
- Kongen (1877).
- Kaptejn Mansana (1879).
- Det nye System (1879).
- Leonarda (1879).
- Støv (1882).
- Over Ævne. Første Stykke (1883).
- En Hanske (1883).
- Det flager i Byen og paa Havnen (1884).
- Geografi og Kærlighed (1885).
- Paa Guds Veje (1889).
- Nye Fortællinger (1894).
- Over Ævne. Andre Stykke (1895).
- Lyset (1895).
- Paul Lange og Tora Parsberg (1898).
- To Fortællinger (1901).
- Laboremus (1901).
- På Storhove (1902).
- Daglannet (1904).
- Mary (1906).
- Når den ny vin blomstrer (1909).


Leituras

- Georg Brandes, Critical Studies of Ibsen and Bjørnson (1899).
- William Morton Payne, Björnstjerne Björnson, 1832-1910 (1910).
- Christen Collin, Bjørnstjerne Bjørnson hans barndom og ungdom (1923).
- Harold Larson, Bjørnstjerne Bjørnson: A Study in Norwegian Nationalism (1944).
- Eva Lund Haugen and Einar Haugen, Bjørnson: Land of the free. Bjørnstjerne Bjørnson's American Letters 1880-1881 (1978).
- Einar Haugen, The Vocabulary of Bjørnson's Literary Works (1978).
- Per Amdam, Bjørnstjerne Bjørnson (1978).


Traduções em português

- 1901 - Carícias de uma noiva, Companhia Nacional Editora.
- 1944 - O caminho da felicidade, Minerva.
- 1962 - Além das Forças (Over Ævne), Editora Delta, tradução de Guilherme Figueiredo, Coleção Prêmios Nobel de Literatura.


Referências

https://pt.wikipedia.org/wiki/Bjørnstjerne_Bjørnson
https://pt.wikipedia.org/wiki/Ja,_vi_elsker_dette_landet

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