terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

Biografia de Frinéia

Friné em frente ao Areópago, 1861, Jean-Léon Gérôme.
Mnesarete. (em grego Μνησαρετή) era seu verdadeiro nome, mas devido à sua tez amarelada, ela foi chamada de Friné (Sapo), apelido dado por outras cortesãs, no Brasil também é conhecida como Frinéia. Nasceu em Téspias na Beócia mas acredita-se ter vivido em Atenas, cerca de 400 a.C. Adquiriu tanta riqueza por sua extraordinária beleza que se ofereceu para reconstruir os muros de Tebas (Grécia), que haviam sido destruído por Alexandre, o Grande (336 a.C.), na condição de que as palavras "Destruído por Alexandre, restaurado por Friné a hetaira*" (*do grego ἑταίραι - hetaírai - "companheiras", cortesãs ou prostitutas sofisticadas), fossem inscritos em cima deles, as autoridades rejeitaram a oferta.

Fama

Bela e famosa. Por ocasião de um Festival de Posidão em Elêusis, ela colocou de lado suas roupas, soltou os cabelos, e entrou nua no mar, à vista do povo, inspirando o pintor Apeles, em sua grande obra "Afrodite Anadyomène" (às vezes também retratada como "Vênus Anadyomène"), para o qual Friné posou como modelo. Devido à sua beleza, ela também inspirou mais tarde a pintura do artista Jean-Léon Gérôme, “Friné devant l'Areopage” (Friné em Frente ao Areópago, 1861), bem como outras obras de arte ao longo da história. Ela foi também (segundo alguns), o modelo para a estátua da Afrodite de Cnido por Praxíteles. Olavo Bilac, poeta brasileiro, membro fundador da Academia Brasileira de Letras, em sua obra "Sarças de Fogo" descreve o julgamento da bela Friné na poesia "O Julgamento de Frinéia" em 1888. Charles Baudelaire, em seus poemas “Lesbos” e “La Beauté” e Rainer Maria Rilke em seu poema “Die Flamingos” foram inspirados pela beleza e fama de Friné. De um ponto de vista musical, Friné foi objeto de uma ópera de Camille Saint-Saëns: “Phryne” (1893). No cinema Friné é referenciada no filme de 1951 de Alessandro Blasetti, “Altri Tempi” onde o oitavo e último episódio é “Il Processo di Frine”. Pode- se encontrar outras referências à Friné como o asteroide que foi descoberto em 15 de Setembro de 1933 por Eugène Joseph Delporte, "1291 Phryne".
Friné na Celebração à Poseidon em Elêusis, Henryk Siemiradzki, 1889.


Julgamento de Friné

Acusada de profanar os Mistérios de Elêusis foi defendida pelo orador Hipérides, um de seus amantes. O discurso de acusação, de acordo com Diodoro Periegetes, citado por Ateneu XIII.591e, foi escrito por Anaxímenes de Lâmpsaco. Quando Hipérides percebeu que o veredicto seria desfavorável, rasgou o manto da bela Friné exibindo seus seios, conseguindo com isso a mudança no julgamento dos juízes que a absolveram. Outra versão diz que ela mesma tirou suas roupas. A mudança no julgamento dos juízes não foi simplesmente porque eles ficaram fascinados pela beleza de seu corpo nu, mas sim porque, naquela época, a beleza física era muitas vezes vista como um aspecto da divindade ou um sinal de favor divino.


O Julgamento de Frineia por Olavo Bilac

Mnezarete, a divina, a pálida Frineia,
Comparece ante a austera e rígida assembleia
Do Areópago supremo. A Grécia inteira admira
Aquela formosura original, que inspira
E dá vida ao genial cinzel de Praxíteles,
De Hipérides à voz e à palheta de Apeles.

Quando os vinhos, na orgia, os convivas exaltam
E das roupas, enfim, livres os corpos saltam,
Nenhuma hetera sabe a primorosa taça,
Transbordante de Cós, erguer com maior graça,
Nem mostrar, a sorrir, com mais gentil meneio,
Mais formoso quadril, nem mais nevado seio.

Estremecem no altar, ao contemplá-la, os deuses,
Nua, entre aclamações, nos festivais de Elêusis...
Basta um rápido olhar provocante e lascivo:
Quem na fronte o sentiu curva a fronte, cativo...
Nada iguala o poder de suas mãos pequenas:
Basta um gesto, - e a seus pés roja-se humilde Atenas...
Vai ser julgada. Um véu, tornando inda mais bela
Sua oculta nudez, mal os encantos vela,
Mal a nudez oculta e sensual disfarça.
cai-lhe, espáduas abaixo, a cabeleira esparsa...
Queda-se a multidão. Ergue-se Eutias. Fala,
E incita o tribunal severo a condená-la:

"Elêusis profanou! É falsa e dissoluta,
Leva ao lar a cizânia e as famílias enluta!
Dos deuses zomba! É ímpia! é má!" (E o pranto ardente
Corre nas faces dela, em fios, lentamente...)
"Por onde os passos move a corrupção se espraia,
E estende-se a discórdia! Heliastes! condenai-a!"

Vacila o tribunal, ouvindo a voz que o doma...
Mas, de pronto, entre a turba Hipérides assoma,
Defende-lhe a inocência, exclama, exora, pede,
Suplica, ordena, exige... O Areópago não cede.
"Pois condenai-a agora!" E à ré, que treme, a branca
Túnica despedaça, e o véu, que a encobre, arranca...

Pasmam subitamente os juízes deslumbrados,
- Leões pelo calmo olhar de um domador curvados:
Nua e branca, de pé, patente à luz do dia
Todo o corpo ideal, Frineia aparecia
Diante da multidão atônita e surpresa,
No triunfo imortal da Carne e da Beleza.

Bibliografia

- Athenaeus, Deipnosophistae pp. 558, 567, 583, 585, 590, 591;
- Claudius Aelianus, Varia Historia (Ποικιλη Ιστορια) ix. 32;
- Plínio, o Velho, Naturalis Historia xxxiv. 71.

 

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