segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Biografia de Gilberto Freyre

Gilberto Freyre
Gilberto de Mello Freyre. (KBE: Ordem do Império Britânico). Nasceu em Recife, a 15 de Março de 1900, e, nesta mesma cidade, faleceu a 18 de Julho de 1987. Gilberto Freyre foi um polímata brasileiro. Como escritor, dedicou-se à ensaística da interpretação do Brasil sob ângulos da sociologia, antropologia e história. Foi também autor de ficção, jornalista, poeta e pintor. É considerado um dos mais importantes sociólogos do século XX. Recebeu da Rainha Elizabeth II o título de "Sir", sendo um dos poucos brasileiros detentores desta alta honraria da coroa britânica. Sobre Freyre, falou Monteiro Lobato: "O Brasil do futuro não vai ser o que os velhos historiadores disserem e os de hoje repetem. Vai ser o que Gilberto Freyre disser. Freyre é um dos gênios de palheta mais rica e iluminante que estas terras antárticas ainda produziram".

Biografia
Filho de Alfredo Freyre (juiz e catedrático de Economia Política da Faculdade de Direito do Recife) e de Francisca de Mello Freyre, Gilberto Freyre é de família brasileira antiga, descendente dos primeiros colonizadores portugueses do Brasil. Em suas palavras: "um brasileiro que descende de gente quase toda ibérica, com algum sangue ameríndio e fixada há longo tempo no país". Tem antepassados portugueses, espanhóis, indígenas e holandeses. Custou a aprender a escrever, fazendo-se notar pelos desenhos. Teve aulas particulares com o pintor Telles Júnior, que reclamava de sua insistência em deformar os modelos. Começou a aprender a ler e escrever em inglês com Mr. Williams, que elogiava seus desenhos. Em 1909, faleceu sua avó materna, que vivia a mimá-lo por supor que tinha problemas sérios de aprendizado, pela dificuldade em aprender a escrever. Ocorrem suas primeiras experiências rurais de menino de engenho, nessa época, quando passa temporada no Engenho São Severino do Ramo, pertencente a parentes seus. Mais tarde escreverá sobre essa primeira experiência numa de suas melhores páginas, incluída em Pessoas, Coisas & Animais. Quando jovem, tornou-se protestante batista, chegando a ser missionário e a frequentar igrejas batistas norte-americanas. Foi estudar nos Estados Unidos, quando desencantou-se com o protestantismo batista e tornou-se sem religião, embora esposando uma cosmovisão cristã e vendo com simpatia o catolicismo popular e o xangô do Recife. Foi casado com Magdalena de Guedes Pereira Freyre, mãe de seus dois filhos, Sônia e Fernando.

Educação

Gilberto Freyre inicia seus estudos frequentando, em 1908, o jardim da infância do Colégio Americano Batista Gilreath, que seu pai havia ajudado a fundar. Aos dezoito anos, com bolsa da igreja batista, vai estudar na Universidade Baylor no Texas, onde se formou bacharel em artes liberais. Freyre estudou na Universidade de Columbia nos Estados Unidos, onde conheceu Franz Boas, referência intelectual para ele. Em 1922 publica sua tese de mestrado Social Life in Brazil in the Middle of the 19th Century (Vida Social no Brasil nos Meados do Século XIX), dentro do periódico Hispanic American Historical Rewiew, volume 5. Com isto obteve o título Masters of Arts (Mestre de Artes).

Casa-Grande & Senzala
(Magnum opus) 

Seu primeiro e mais conhecido livro é Casa-Grande
Casa-Grande & Senzala*
& Senzala
, publicado no ano de 1933 e escrito em Portugal. Nele, Freyre rechaça as doutrinas racistas de branqueamento do Brasil. Baseado em Franz Boas, demonstrou que o determinismo racial ou climático não influencia no desenvolvimento de um país. Ainda, essa obra foi precursora da noção de democracia racial no Brasil, com relações harmônicas interétnicas que mitigariam a influência social do passado da escravidão no Brasil, que, segundo Freyre, fora menos segregadora que a norte-americana. Embora seja sua obra mais importante, também recebeu críticas por sua linguagem tida como vulgar e obscena. Em Recife chegou a ter seu livro queimado em praça pública, ato apoiado por um colégio religioso de Recife.
Ao contrário do que popularmente se imagina, Casa Grande & Senzala não é um estudo sociológico ou antropológico. Baseado em fontes históricas e suas reflexões, Gilberto Freyre se apresentou como um "escritor treinado em ciências sociais" e não como sociólogo ou antropólogo, como refletiu em seu Como e Porque Sou e Não Sou Sociólogo (1968) . Além disso, por influência de Franz Boas sabia da necessidade de pesquisas empíricas para validar um estudo como sendo sociológico ou antropológico.

Sobrados e Mucambos (obra)

Sobrados e Mucambos é um livro de Gilberto
Sobrados e Mucambos
Freyre publicado originalmente em 1936. O livro tem como tema a decadência do patriarquismo do Brasil rural, ocorrida no século XIX. O título é uma referência aos antigos aristocratas, que, com a declínio do regime escravocrata brasileiro, tiveram que se mudar da casa-grande para sobrados em áreas urbanas. Por conseguinte, os ex-escravos também deixaram as senzalas para morarem em casebres de palha e barro em bairros pobres de áreas urbanas.

Ordem e Progresso (obra)

Ordem e Progresso é um livro de Gilberto Freyre
Ordem e Progresso
publicado em 1957, em que o autor discorre sobre a transição do regime monarquista ao republicano no Brasil.
Sobre tal transição, Freyre aponta aqueles elementos que permanecem a despeito da mudança política operada a 1889. Diz que sociologicamente as mudanças não haviam sido tão significativas dada a permanência de um modo de organização social ainda predominantemente paternalista, agora apenas atenuado pelo fato de se ter uma urbanização e industrialização mais acentuada e a ascensão social de alguns setores da sociedade que antes permaneciam excluídos. Esta integração de outros setores da sociedade, no entanto, não se dava de maneira transformadora, mas conservadora, na medida em que a república conservava o modo de organização da monarquia, sendo a figura do presidente a expressão do monarquista de outrora. 

Brasis, Brasil e Brasília (obra)

Brasis, Brasil e Brasília: sugestões em tôrno de problemas brasileiros de unidade e diversidade e das relações de alguns deles com problemas gerais de pluralismo étnico e cultural) é um livro do escritor brasileiro Gilberto Freyre, publicado originalmente em 1960, em Lisboa. Nele, aborda-se temas sociológicos, sociais e antropológicos, voltados não para nacional ou cívico, mas com critérios da ciência. "(...) sendo uno, é também uma constelação de Brasis; possuindo um valioso passado "útil" ou "utilizável", defronta-se com um futuro cheio de desafios à sua capacidade de ação orientada pelo, que, nas suas elites e no seu povo, seja imaginação criadora. Imaginação científica associada à poética". - Gilberto Freire, no prefácio do livro.

Vida pública 

Em 1930, após a tomada do poder por Getúlio Vargas, Freyre viaja aos Estados Unidos e Portugal, onde trabalhou no manuscrito de Casa Grande & Senzala. Em Pernambuco, Gilberto Freyre ocupou vários cargos comissionados e chegou à presidência da UDN (União Democrática Nacional) pernambucana. Em 1942 foi preso e espancado, junto de seu pai, após escrever um artigo no Diário de Pernambuco acusando um monge beneditino de Olinda de ser racista e pró-nazista. Em 1946 é eleito pela própria UDN para a Assembleia Constituinte. Em 1964, defendeu a queda de João Goulart, em 1969 passou a integrar o Conselho Federal de Cultura a convite do presidente general Emílio Médici. Gilberto Freyre foi também reconhecido por seu estilo literário. Foi até poeta, sendo que o seu poema "Bahia de Todos os Santos e de Quase Todos os Pecados" entusiasmou Manuel Bandeira. Gilberto Freyre escreveu um longo poema inspirado por sua primeira visita à cidade de Salvador: Bahia de todos os santos e de quase todos os pecados. Impresso no mesmo ano em reduzidíssima edição da recifense Revista do Norte, o poema deixou Manuel Bandeira entusiasmado. Tanto que em carta de 4 de Junho de 1927 escreveu: “Teu poema, Gilberto, será a minha eterna dor de corno. Não posso me conformar com aquela galinhagem tão gozada, tão envergonhosamente lírica, trescalando a baunilha de mulata asseada. S!” (cf. Manuel Bandeira, Poesia e Prosa. Rio de Janeiro: Aguilar, 1958, v. II: Prosa, p. 1398). O poema tem três versões: a primeira foi reproduzida por Manuel Bandeira em sua Antologia dos Poetas Brasileiros Bissextos Contemporâneos (1946); a segunda, modificada pelo autor, foi publicada na revista carioca O Cruzeiro de 20 de Janeiro de 1942; e a terceira aparece nos livros Talvez Poesia (José Olympio, 1962) e Poesia Reunida (Edições Pirata, 1980). Portugal ocupa um lugar importante no pensamento de Freyre. Em vários de seus livros, como em "O Mundo que o Português Criou", e "O Luso e o Trópico" demonstra o importante papel que os portugueses tiveram na criação da "primeira civilização moderna nos trópicos". Freyre foi um dos pioneiros no estudo histórico e sociológico dos territórios de colonização portuguesa como um todo, chegando mesmo a desenvolver um ramo de pesquisa que denominou de "Lusotropicologia". Ocupou a cadeira 29 da Academia Pernambucana de Letras em 1986.

Morte
 
Gilberto Freyre morreu em decorrência de uma isquemia cerebral, infecção respiratória e insuficiência renal às 4h10 da manhã de 18 de Julho de 1987 em Recife.
 

Obras

  • Casa-Grande & Senzala, 1933.
  • Guia Prático, Histórico e Sentimental da Cidade do Recife, 1934.
  • Sobrados e Mucambos, 1936.
  • Nordeste: Aspectos da Influência da Cana Sobre a Vida e a Paisagem…, 1937.
  • Açúcar, 1939.
  • Olinda, 1939.
  • O Mundo que o Português Criou, 1940.
  • Um Engenheiro Francês no Brasil,1940. e 1960 (2ªedição).
  • Problemas Brasileiros de Antropologia, 1943.
  • Sociologia, 1945.
  • Interpretação do Brasil, 1947.
  • Ingleses no Brasil, 1948.
  • Ordem e Progresso, 1957.
  • O Recife Sim, Recife Não, 1960.
  • Os Escravos nos Anúncios de Jornais Brasileiros do Século XIX, 1963.
  • Vida Social no Brasil nos Meados do Século XIX, 1964.
  • Brasis, Brasil e Brasília, 1968.
  • O Brasileiro Entre os Outros Hispanos, 1975.
  • Oh de Casa, 1979.
  • Homens, Engenharias e Rumos Sociais, 1987.

 

 

Prêmios e títulos 

  • Prêmio da Sociedade Filipe d'Oliveira, Rio, 1934.
  • Prêmio Anisfield-Wolf, USA, 1957.
  • Prêmio de Excelência Literária, da Academia Paulistana de Letras, 1961.
  • Prêmio Machado de Assis, da Academia Brasileira de Letras (conjunto de obras), 1962.
  • Prêmio Moinho Santista de "Ciências Sociais em Geral", 1964.
  • Prêmio Aspen, do Instituto Aspen, USA, 1967
  • Prêmio Internacional La Madonnina, Itália, 1969
  • Sir - "Cavaleiro Comandante do Império Britânico", distinção conferida pela Rainha da Inglaterra, 1971.
  • Medalha Joaquim Nabuco, Assembleia Legislativa do Estado de Pernambuco, 1972.
  • Troféu Novo Mundo, por "obras notáveis em Sociologia e História", São Paulo - Troféu Diários Associados, por "maior distinção atual em Artes Plásticas" - Prêmio Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro, 1973.
  • Vencedor do Prêmio Esso em 2005.
  • Medalha de Ouro José Vasconcelos, Frente de Afirmación Hispanista de México, 1974.
  • Educador do Ano, Sindicato dos Professores do Ensino Primário e Secundário em Pernambuco e Associação dos Professores do Ensino Oficial, 1974.
  • Medalha Massangana, Instituto Joaquim Nabuco de Pesquisas Sociais, 1974.
  • Grã-cruz Andrés Bello da Venezuela, 1978.
  • Grã-cruz da Ordem do Mérito dos Guararapes do Estado de Pernambuco, 1978.
  • Prêmio Brasília de Literatura para Conjunto de Obras, Fundação Cultural do Distrito Federal, 1979.
  • Prêmio Moinho Recife, 1980.
  • Medalha da Ordem do Ipiranga do Estado de São Paulo, 1980.
  • Medalha Biblioteca Nacional, 1984.
  • Grã-cruz de D. Alfonso, El Sabio, Espanha, 1983.
  • Grã-cruz de Santiago da Espada, Portugal, 1983.
  • Grã-cruz da Ordem do Mérito Capibaribe da cidade do Recife, 1985.
  • Grande Oficial da Legião de Honra, França, 2008.


Referências

https://pt.wikipedia.org/wiki/Gilberto_Freyre
https://pt.wikipedia.org/wiki/Casa-Grande_&_Senzala 
https://pt.wikipedia.org/wiki/Sobrados_e_Mucambos 
https://pt.wikipedia.org/wiki/Ordem_e_Progresso_(livro) 
https://pt.wikipedia.org/wiki/Brasis,_Brasil_e_Brasília 

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