domingo, 14 de fevereiro de 2016

Biografia de Luís da Câmara Cascudo

Câmara Cascudo
Luís da Câmara Cascudo. Nasceu em Natal - Rio Grande do Norte, a 30 de Dezembro de 1898, e faleceu, também em Natal, a 30 de Julho de 1986. Câmara Cascudo foi um historiador, antropólogo, advogado e jornalista brasileiro. Câmara Cascudo passou toda a sua vida em Natal e dedicou-se ao estudo da cultura brasileira. Foi professor da Faculdade de Direito de Natal, hoje Curso de Direito da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), cujo Instituto de Antropologia leva seu nome. Pesquisador das manifestações culturais brasileiras, deixou uma extensa obra, inclusive sua magnum opus, o Dicionário do Folclore Brasileiro (1952). Entre seus muitos títulos destacam-se: Alma Patrícia (1921), obra de estreia, e Contos Tradicionais do Brasil (1946). Estudioso do período das invasões holandesas, publicou Geografia do Brasil Holandês (1956). Suas memórias, O tempo e Eu (1971), foram editadas postumamente. Cascudo quase chegou a ser demitido de sua posição como professor por estudar figuras folclóricas como o lobisomem. Começou o trabalhou como jornalista aos 19 anos em "A Imprensa", de propriedade de seu pai, e depois passou pelo "A República" e o "Diário de Natal" - nos anos 1960 já havia publicado quase 2.000 textos. Foi agraciado com o Prêmio Machado de Assis em 1956.

Posições políticas

Câmara Cascudo foi monarquista nas primeiras décadas do século XX e durante a década de 1930 combateu a crescente influência marxista no Brasil. Também combateu, em parte, sob a impressão causada pela assim chamada Intentona Comunista de 1935, quando a cidade de Natal foi palco e sede da primeira tentativa de um governo fundado nas ideias marxistas da América Latina, Cascudo aderiu ao integralismo brasileiro e foi membro destacado e Chefe Regional da Ação Integralista Brasileira, o movimento nacionalista encabeçado por Plínio Salgado. Desencantou-se rapidamente com o Integralismo, tal como outro famoso ex-integralista, Dom Hélder Câmara, e já durante a Segunda Guerra Mundial favoreceu os Aliados, demonstrando sua antipatia aos fascistas italianos e aos nazistas alemães. Fiel ao seu pensamento anticomunista, não se opôs ao Golpe Militar de 1964, mas protegeu e ajudou diversos potiguares (norte-rio-grandenses) perseguidos pelos militares. Câmara Cascudo muito contribuiu para a cultura na gestão de Djalma Maranhão, prefeito de Natal.

Dicionário do Folclore Brasileiro (obra)

O Dicionário do Folclore Brasileiro é um livro de
Dicionário do Folclore Brasileiro
Luís da Câmara Cascudo publicado originalmente em 1954, com sucessivas edições, desde então.
 

Histórico 

A primeira edição foi prefaciada pelo então ministro da educação Antônio Balbino, em nome do Governo Federal, que editava a obra. Em nota esta mesma edição, Cascudo relembra que a ideia do Dicionário surgira em 1941, como um plano para "dez anos de trabalho sereno, sem pressa e sem descanso". A ideia, entretanto, seria realizar uma extensa História do Brasil, que foi abortada; o então diretor do Instituto Nacional do Livro, Augusto Meyer, propôs, em 1943 a elaboração de um Dicionário de Folclore. Para sua redação o autor convidou diversos colaboradores, desde César Guerra-Peixe, Heitor Villa-Lôbos, Nelson Romero e outros.

Conteúdo 

O dicionário contém, além dos verbetes em si, umas poucas imagens dispostas ao longo da obra, todas em preto e branco. A farta bibliografia coligida está inserida em cada verbete, e não ao final do livro. Sobre este "defeito", que o autor revela ter sido reparado por um professor universitário estadunidense, Cascudo respondeu: "A explicação vem da própria mentalidade do autor, 'parva sed nihil', convencer-me da utilidade da informação bibliográfica no verbete consultado, orientando a curiosidade, e não dispersá-la na relação informe e terminal, de impossível fixação das origens temáticas. Preferi servir água no copo a mandar o consulente dessedentar-se no rio". - Luís da Câmara Cascudo - Nota à terceira edição, 1959.

Museu Câmara Cascudo

O Museu Câmara Cascudo (MCC) é um museu de
Museu Câmara Cascudo
ciências naturais e antropológicas, mantido pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte localizado na cidade do Natal, Rio Grande do Norte, Brasil. Contém exposição de fósseis, sedimentologia, anatomia comparada, ambientes, ciclos de couro e da cana-de-açúcar, artes sacra e popular, arqueologia, indiologia e culto afro-brasileiro, além de peças relevantes da História de Natal e do Rio Grande do Norte.
 

Tatu gigante 

Como parte do seu acervo está o Pachyarmatherium brasiliense, descoberto em 2010 juntamente com um material arquivado desde a última década de 60. Foi encontrado no município de Baraúna em um caverna e possui cerca de 100 quilos. Presume-se que tenha entre 40 e 100 mil anos. O assunto foi destaque na publicação científica Journal of Vertebrate Paleontology.

Memorial Câmara Cascudo

O Memorial Câmara Cascudo é um ponto turístico
Memorial Câmara Cascudo (pic: Jorge Andrade).
da cidade de Natal, capital do estado do Rio Grande do Norte. Fica localizado próximo à antiga catedral. Visa homenagear o maior historiador e folclorista do Estado do Rio Grande do Norte e, é um dos maiores do país. Esse monumento foi a melhor forma encontrada para homenagear Câmara Cascudo e de fazer com que as pessoas conheçam mais sobre este grande artista do Rio Grande do Norte. Foi instalado a 10 de Fevereiro de 1987 em um edifício que data do século XVIII, construído  para servir de sede ao Real Erário e posteriormente a Tesouraria da Fazenda, localizado na Praça André de Albuquerque na cidade de Natal, no Estado do Rio Grande do Norte.
De sua construção até 1955, o edifício foi sede da Delegacia Fiscal, órgão do Ministério da Fazenda. Entre 1955 e 1982, o edifício abrigou o Quartel General do Exército e, em seguida, o recente Memorial. A partir de 10 de Fevereiro de 1987 se transformou no Memorial Câmara Cascudo (por iniciativa do jornalista Paulo Macedo), que é, desde então, um dos locais mais visitados pelos turistas na cidade. O Memorial tem como objetivo preservar e divulgar a vida e a obra de Luís da Câmara Cascudo, abordando diversos aspectos, com destaque a biblioteca particular de Câmara Cascudo, com cerca de 10 mil volumes de diversos assuntos como folclore, religião, história, biografias e romances, conta ainda com quadros que retratam momentos marcantes da vida de Câmara Cascudo. A biblioteca é considerada "rara" por possuir obras do início do século passado e livros em diversos idiomas. Grande parte dos livros tem anotações de próprio punho de Cascudo e dedicatórias dos autores. O edifício chama a atenção por ter uma estátua de Câmara Cascudo sobre uma mão em frente a sua fachada. 

Citações

Citações de Obras Literárias

- "A refeição é elemento pacificante". (Em seu livro "Civilização e Cultura", Global).
- "Comer de pé é modalidade de pasto, indispensável, justo, mas não humano, não natural, não social". (Em seu livro "Civilização e Cultura", Global).

Atribuídas

- "O melhor produto do Brasil ainda é o brasileiro". (Fonte: LIMA, Diógenes da Cunha. "Câmara Cascudo: um brasileiro feliz" (p. 46). Ed. Lidador, 1998. 236 páginas. (ISBN 8570030029, ISBN 9788570030023).
- "Não tenho como resumir o que estudei durante 30 anos e que está contido em dois volumes de um livro". (Fonte: DANTAS, Audálio. Câmara Cascudo e aquela do papagaio: Natal, 1970. Folha de São Paulo, Ilustríssima, 16 de março de 2014, p. 9). (Em entrevista à Audálio Dantas, em 1970, ao ser perguntado sobre a alimentação dos brasileiros e referindo-se ao livro "História da Alimentação no Brasil" (1967).
- "Eles nem imaginam, mas eu nunca assisti a uma partida de futebol". (Fonte: DANTAS, Audálio. Câmara Cascudo e aquela do papagaio: Natal, 1970. Folha de São Paulo, Ilustríssima, 16 de março de 2014, p. 9). (Em entrevista à Audálio Dantas, em 1970, após ser convidado por torcedores que passavam na rua para comemorar a vitória da seleção brasileira de futebol contra o Uruguai, durante a Copa do Mundo do México, em junho de 1970).
- "Para muitos deles, tirar a bola do pé e passar para outro, renunciando a uma jogada individual, era como emprestar a mulher, mas terminaram cedendo, em benefício da alegria do gol, que é do time em campo e da arquibancada e se esparrama pelo país inteiro". (Fonte: DANTAS, Audálio. Câmara Cascudo e aquela do papagaio: Natal, 1970. Folha de São Paulo, Ilustríssima, 16 de março de 2014, p. 9). (Em entrevista à Audálio Dantas, em 1970, falando sobre o futebol, trazido pelos ingleses ao Brasil, de como nossos atletas conseguiram evitar o individualismo e se adaptaram às técnicas de conjunto).

Obras

Obra extensa


O conjunto da obra de Luís da Câmara Cascudo é considerável em quantidade e qualidade. O autor escreveu 31 livros e 9 plaquetas sobre o folclore brasileiro, em um total de 8.533 páginas, o que o coloca entre os intelectuais brasileiros mais prolíficos, ao lado de nomes como Francisco Cavalcanti Pontes de Miranda e Mário Ferreira dos Santos. A sua obra ganhou reconhecimento internacional. (*Editado por Eziel Vieira-Pvai).


Lista das obras


Abaixo, a relação de suas publicações, algumas das quais já reeditadas por outras editoras. Os títulos listados estão seguidos das publicações originais e suas respectivas editoras:

- Alma Patrícia, Critica Literária – Atelier Typ. M. Vitorino, 1921.
- Histórias que o Tempo Leva – Ed. Monteiro Lobato, S. Paulo, (outubro 1923), 1924.
- Joio – Crítica e Literatura – Of. Graph. d’A Imprensa, Natal (jun), 1924.
- Lopez do Paraguay – Typ. d’A República, 1927.
- Conde d’Eu  – Ed. Nacional, 1933.
- O Homem Hmericano e seus Temas – Imprensa Oficial, Natal, 1933.
- Viajando o Sertão – Imprensa Oficial, Natal, 1934.
- Em Memória de Stradelli – Livraria Clássica, Manaus, 1936.
- O Doutor Barata – Imprensa Oficial, Bahia, 1938.
- O Marquês de Olinda e seu Tempo – Ed. Nacional, S. Paulo, 1938.
- Governo do Rio Grande do Norte – Liv. Cosmopolita, Natal, 1939.
- Vaqueiros e Cantadores – (Globo, 1939) – Ed. Itatiaia, S. Paulo, 1984.
- Antologia do Folclore Brasileiro – Martins Editora, S. Paulo, 1944.
- Os Melhores Contos Populares de Portugal – Dois Mundos, 1944.
- Lendas Brasileiras – 1945.
- Contos Tradicionais do Brasil – (Col. Joaquim Nabuco), 1946 – Ediouro.
- Geografia dos Mitos Brasileiros – Ed. José Olímpio, 1947. 2ª edição, Rio, 1976.
- História da Cidade do Natal – Prefeitura Mun. do Natal, 1947.
- Os Holandeses no Rio Grande do Norte – Depto. Educação, Natal, 1949.
- Anubis e Outros Ensaios – (Ed. O Cruzeiro, 1951), 2ª edição, Funarte/UFRN, 1983.
- Meleagro – Ed. Agir, 1951 – 2ª edição, Rio, 1978.
- Literatura Oral no Brasil – Ed. José Olímpio, 1952, 2ª edição, Rio, 1978.
- Cinco Livros do Povo – Ed. José Olímpio, 1953 – 2ª edição, ed. Univ. UFPb, 1979.
- Em Sergipe del Rey – Movimento Cultural de Sergipe, 1953.
- Dicionário do Folclore Brasileiro – INL, Rio, 1954, 3ª edição, 1972.
- História de um Homem – (João Câmara) – Depto. de Imprensa, Natal, 1954.
- Antologia de Pedro Velho – Depto. de Imprensa, Natal, 1954.
- História do Rio Grande do Norte – MEC, 1955.
- Notas e Documentos para a História de Mossoró – Coleção Mossoroense, 1955.
- Trinta "Estórias" Brasileiras – ed. Portucalense, 1955.
- Geografia do Brasil Holandês – Ed. José Olímpio, 1956.
- Tradições Populares da Pecuária Nordestina –MA-IAA n.9, Rio, 1956.
- Jangada – MEC, 1957.
- Jangadeiros – Serviço de Informação Agrícola, 1957.
- Superstições e Costumes – Ed. Antunes & Cia, Rio, 1958.
- Canto de Muro – Ed. José Olímpio, (dez. 1957), 1959.
- Rede de Dormir – MEC (1957), 1959 – 2ª edição, Funarte/UFRN, 1983.
- Ateneu Norte-Rio-Grandense – Imp. Oficial, Natal, 1961.
- Vida Breve de Auta de Souza – Imp. Oficial, Recife, 1961.
- Dante Alighieri e a Tradição Popular no Brasil – PUC, Porto Alegre, 1963 – 2ª edição Fundação José Augusto (FJA), Natal, 1979.
- Dois Ensaios de História – (Imp Oficial Natal, 1933 e 1934) Ed. Universitária, 1965.
- História da República do Rio Grande do Norte – Edições do Val, Rio, 1965.
- Made in África – Ed. Civilização Brasileira, 1965.
- Nosso Amigo Castriciano – Imp. Universitária, Recife, 1965.
- Flor dos Romances Trágicos – Ed. Cátedra, Rio, 1966 – 2ª ed. Cátedra/FJA, 1982.
- Voz de Nessus – Depto. Cultural, UFPb, 1966.
- Folclore no Brasil – Fundo de Cultura, Rio, 1967 – 2ª edição, FJA, Natal;, 1980.
- História da Alimentação no Brasil – Ed. Nacional (2 vol) fev. 1963), 1967, (col. Brasiliana 322 e 323) – 2ª ed. Itatitaia, 1983.
- Jerônimo Rosado (1861-1930) – ed. Pongetti, Rio, 1967.
- Seleta, Luís da Câmara Cascudo – Ed. José Olímpio, Rio, 1967 – org. por Américo de Oliveira Costa. – 2ª Ed. 1972.
- Coisas que o Povo Diz – Bloch, 1968.
- Nomes da Terra – Fundação José Augusto, Natal, 1968.
- O Tempo e Eu – Imp. Universitária – UFRN, 1968.
- Prelúdio da Cachaça – IAA, (Maio, 1967), 1968.
- Pequeno Manual do Doente Aprendiz – Ed. Universitária – UFRN, 1969.
- Gente Viva – Ed. Universitária UFPe, 1970.
- Locuções Tradicionais no Brasil – UFPE, 1970 – 2ª edição, MEC, Rio, 1977.
- Ensaios de Etnografia Brasileira – INL, 1971.
- Na Ronda do Tempo – Ed. Universitária, UFRN, 1971 (livro biográfico).
- Sociologia do Açúcar – MIC – IAA, 1971. Coleção Canavieira n. 5.
- Tradição, Ciência do Povo – Perspectiva, S. Paulo, 1971.
- Ontem – (maginações) – Ed. Universitária UFRN, 1972.
- Uma História da Assembleia Legislativa do RN – FJA, 1972.
- Civilização e Cultura (2 vol.) – MEC/Ed. José Olímpio, 1973.
- Movimento da Independência no RN – FJA, 1973.
- O Livro das Velhas Figuras – (6 vol.) – 1, 1974; 2, 1976; 3, 1977; 4, 1978; 5, 1981; 6, 1989 – Inst. Histórico e Geográfico do RN.
- Prelúdio e Fuga do Real – FJA, 1974.
- Religião no Povo – Imprensa Universitária, UFPb, 1974.
- História dos Nossos Gestos – Ed. Melhoramentos, 1976.
- O Príncipe Maximiliano no Brasil – Kosmos editora, 1977.
- Antologia da Alimentação no Brasil – Livros Técnicos e Científicos ed., 1977.
- Três Ensaios Franceses, FJA, 1977 (do Motivos da Literatura Oral da França no Brasil, Recife, 1964 – Roland, Mereio e Heptameron).
- Mouros e Judeus – Depto. de Cultura, Recife, 1978.
- Superstição no Brasil – Itatiaia, S. Paulo, 1985.


Referências

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